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Magia, amizade e coragem marcam a estreia literária da jovem autora Bel Ito com o infantojuvenil Mundo Mágico: O resgate de Flora



A literatura infantojuvenil ganha uma nova voz promissora com o lançamento de Mundo Mágico: O resgate de Flora (Amarelinha Editora, 176 páginas), obra de fantasia escrita pela jovem autora Bel Ito, de apenas 13 anos, e ilustrada por Erika Mitie. O livro apresenta uma narrativa marcada por aventura, amizade e superação, convidando leitores a mergulharem em um universo encantado povoado por fadas, desafios e descobertas. O evento oficial de lançamento está previsto para setembro, em São Paulo, na Livraria Bibla.

A trama acompanha a inesperada crise que se instala no Mundo Mágico quando Flora, a mais poderosa e respeitada guardiã daquele universo, desaparece misteriosamente. O sumiço provoca temor e insegurança entre os habitantes do reino encantado. Em meio ao caos, três jovens fadas — Lalá, Lilly e Lola — decidem assumir uma missão que muitos julgariam impossível: resgatar Flora e restaurar o equilíbrio do mundo que conhecem. A jornada conduz as protagonistas por uma sequência de desafios que exigem coragem, cooperação e confiança em si mesmas.

Por meio dessa aventura, Bel Ito constrói uma história que dialoga diretamente com temas como autoconfiança, amizade e determinação. A narrativa não se limita ao encantamento típico das histórias de fantasia, mas também se apresenta como um convite para que jovens leitores reconheçam o próprio potencial e enfrentem obstáculos com coragem.

Uma história que nasceu da imaginação infantil

Apesar da pouca idade, Bel Ito — cujo nome completo é Isabel Hatsue de Souza Ito — já demonstra uma relação profunda com a escrita. A autora começou a desenvolver Mundo Mágico: O resgate de Flora aos nove anos, inicialmente registrando suas ideias no papel. O processo criativo levou cerca de dois anos até que a história tomasse forma definitiva.

A jovem escritora explica que o universo retratado no livro nasceu de um espaço imaginativo que a acompanhou durante a infância. Inspirada por histórias fantásticas e personagens mágicos, Bel passou a criar seu próprio mundo como uma forma de expressão e também como refúgio emocional.

“Desde pequena sempre amei fadas, unicórnios e todos os tipos de seres mágicos, além de histórias de aventura cheias de emoção. Foi assim que criei o Mundo Mágico, um lugar para onde eu viajava quando precisava de conforto ou quando queria escapar da realidade por alguns minutos”, relata a autora.

Mais do que uma experiência criativa, Bel acredita no potencial transformador da literatura. Para ela, os livros têm a capacidade de ampliar horizontes, provocar reflexões e estabelecer conexões entre leitores de diferentes idades.

Uma jovem trajetória no universo literário

Nascida em São Paulo e residente em São Bernardo do Campo, Bel Ito demonstra desde cedo uma forte ligação com a leitura. Aprendeu a ler aos cinco anos e, pouco tempo depois, começou a escrever suas próprias histórias.

Em 2021, publicou de forma independente duas obras — Anita e o Dedo Mordido e Bel e suas Histórias — por meio da plataforma UICLAP. No mesmo período, teve poemas e contos selecionados para coletâneas organizadas pela Editora Philia em edições publicadas entre 2021 e 2023.

Seu envolvimento com o universo literário também se estende ao ambiente digital. Com o apoio e supervisão dos pais, Bel criou perfis no Instagram e no YouTube dedicados à divulgação da literatura infantojuvenil. Nessas plataformas, produz conteúdos como resenhas de livros, entrevistas com autores e registros de visitas a eventos literários e livrarias, transformando suas redes sociais em espaços de incentivo à leitura para crianças e adolescentes.

Ao longo dos últimos anos, a jovem também estabeleceu parcerias com redes de livrarias, incluindo a Livraria Leitura, desde 2021, e mais recentemente a Livraria Cultura. Em 2022, foi convidada para realizar sessões de contação de histórias no Colégio INSGRA, em São Paulo.

Além das atividades ligadas à produção literária, Bel participa de iniciativas sociais. Desde 2020, atua como voluntária no Projeto Leitura Amiga, programa que promove momentos de leitura para crianças que vivem em abrigos.

Sua presença em eventos literários também tem se ampliado. Em 2024, participou da Bienal do Livro de São Paulo, no Espaço Infâncias, em uma mesa ao lado da escritora Tatiana Corrales com o tema “Criança que lê é criança que cria”. No ano seguinte, integrou uma roda de conversa com jovens leitores mediada por Alessandra Effori, da Livraria Bibla.

Referências e inspirações

A imaginação que sustenta Mundo Mágico: O resgate de Flora é alimentada por diversas referências literárias e culturais. Entre as obras que influenciaram Bel estão clássicos como O Jardim Secreto, O Mágico de Oz e Poliana, além da trilogia Diário de uma Garota Alquimista. No audiovisual, produções como o filme Matilda (1996) e a série brasileira Detetives do Prédio Azul também figuram entre suas inspirações.

Experiências pessoais, como brincadeiras e histórias compartilhadas com familiares, especialmente sua avó e sua tia, também desempenharam papel importante no desenvolvimento do imaginário que deu origem ao livro.

Com ilustrações de Erika Mitie e projeto gráfico assinado por Andressa Lima, a obra combina texto e elementos visuais que ampliam a atmosfera fantástica da narrativa. A publicação marca a primeira incursão de Bel Ito no gênero fantasia, mas a autora já planeja expandir esse universo literário.

“Minha ideia é transformar a história em uma trilogia. Ainda estou desenvolvendo os próximos livros, mas quero continuar explorando esse mundo”, revela.

Sobre a obra

Mundo Mágico: O resgate de Flora
Autora: Bel Ito (Isabel Hatsue de Souza Ito)
Ilustrações: Erika Mitie
Projeto gráfico: Andressa Lima
Coordenação editorial: Anna Carol Neto
Revisão: Luciana Leal
Editora: Amarelinha Editora
176 páginas
ISBN: 978-65-983889-4-2

Escritora Tieko Irii é semifinalista na categoria Romance Publicado do Festival Loba 2025 com o livro “As ruas sem nome”


A escritora e artista visual nipo-brasileira Tieko Irii figura entre as dez semifinalistas da categoria Romance Publicado do Prêmio Loba 2025, com a obra As ruas sem nome (Editora Patuá, 2025). O anúncio das finalistas está previsto para o dia 22 de novembro, enquanto o resultado final deverá ser divulgado em dezembro, durante a programação oficial do Loba Festival, evento dedicado à valorização da produção literária feminina contemporânea.

Organizado anualmente, o Prêmio Loba se consolidou como uma das iniciativas relevantes de incentivo à escrita de mulheres no Brasil, contemplando 18 categorias que abrangem tanto obras publicadas quanto inéditas. Além da premiação literária, o festival promove uma programação cultural que inclui palestras, mesas de debate, encontros com autoras, atividades de networking e ações de estímulo à leitura, ampliando o diálogo sobre a presença feminina no campo editorial.

Publicado pela Editora Patuá, As ruas sem nome constrói uma narrativa de forte caráter autobiográfico que atravessa três gerações de uma família de imigrantes japoneses no Brasil, entrelaçando memórias íntimas e acontecimentos históricos. A obra parte da descoberta da autobiografia secreta de Hisashi Irii, pai da autora, e se expande para refletir sobre deslocamento, silêncio familiar, racismo estrutural e a busca por identidade dentro da diáspora nipo-brasileira.

“Quando meu pai finalmente contou sua história, entendi por que ele a manteve em segredo: era uma narrativa de tragédias, de transgressões e de coragem”, recorda a escritora. A autobiografia de Hisashi — que relata sua juventude no Japão devastado do pós-guerra, a fuga de casa e os anos de peregrinação pelo país antes da emigração para o Brasil — torna-se o eixo inicial de investigação da autora sobre suas próprias origens.

A partir dessa descoberta, Tieko amplia a narrativa familiar para uma reflexão mais ampla sobre memória coletiva e pertencimento. Ao reunir relatos de tios e parentes, percebe que a história de sua família é marcada por lacunas e silêncios herdados. “Ao ouvir os relatos dos meus tios, percebi que também havia muitas ausências. Pouco sabíamos sobre nossos avós e, assim como eu, eles evitavam revisitar certas feridas. Mas, ao situar nossa trajetória dentro da história do mundo, entendi que fazemos parte de um movimento coletivo. Somos frutos dessa história, mas também agentes dela”, afirma.

No livro, a autora articula sua trajetória pessoal com reflexões críticas sobre a herança cultural japonesa e brasileira, analisando conceitos como o mito do “perigo amarelo”, a ideia da “minoria modelo” e as estratégias de soft power japonês que moldaram a percepção social sobre descendentes asiáticos. Essas questões são examinadas à luz da formação histórica do Brasil e de seus paradoxos raciais.

“O projeto de branqueamento, o mito da democracia racial brasileira — que supostamente harmoniza brancos, negros e indígenas — e o racismo estrutural colocaram os descendentes asiáticos em um lugar paradoxal: não somos completamente aceitos, mas também nunca deixamos de ser vistos como estrangeiros”, analisa.

A publicação chega em um momento de crescente debate sobre representatividade asiática no Brasil, impulsionado por pesquisadores, artistas e coletivos antirracistas amarelos e asiáticos. Dentro dessa discussão, Tieko aborda temas como exotificação dos corpos asiáticos, invisibilidade social e a solidão de crescer nos anos 1980 sendo descendente de japoneses em um ambiente marcado por estereótipos e bullying.

Ainda assim, a autora enfatiza que sua narrativa não se restringe à denúncia social. “Também é uma história sobre desejos, sonhos, liberdade e a busca por um lugar ao sol”, afirma.

Estruturado em quatro partes, o livro alterna fragmentos da autobiografia de seu pai com memórias pessoais da autora — desde a infância em São Paulo até sua experiência vivendo no Japão no final dos anos 1980, período em que buscou compreender suas raízes culturais. A tentativa de reencontro com o país de origem, no entanto, também revelou novos deslocamentos.

“Foi um resgate étnico-identitário importante, mas não um ponto final. Percebi que somos feitos de múltiplas identidades. Não somos apenas brasileiros ou japoneses. Habitamos um ‘não lugar’ que, paradoxalmente, também se torna um lugar possível”, reflete.

Além da escrita, As ruas sem nome incorpora um trabalho visual desenvolvido pela própria autora. Tieko criou colagens a partir de arquivos familiares, reunindo fotografias, documentos e fragmentos de memória em um diálogo entre imagem e texto. Segundo ela, o processo artístico funcionou como uma forma de reconstruir histórias apagadas e dar materialidade às ausências.

“Essa foi a minha maneira de costurar afetos e silêncios, de tocar de outra forma a experiência de ser nipo-brasileira”, explica.

Sobre a autora

Tieko Irii é artista visual, diretora de arte e escritora nascida em São Paulo. Formada em Cinema pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) em 1988, construiu uma trajetória de mais de 25 anos no mercado publicitário e audiovisual. Ao longo da carreira, participou da direção de arte de produções marcantes do cinema e da televisão brasileira, entre elas Os Matadores (1987), O Menino Maluquinho 2 (1998), Castelo Rá-Tim-Bum (1999) e a série Retrato Falado, exibida pela Rede Globo.

Antes de se dedicar à escrita de As ruas sem nome, publicou três livros infantis. Entre 1989 e 1991, viveu no Japão, experiência que se tornaria fundamental para o desenvolvimento de sua pesquisa artística e literária sobre memória, diáspora, identidade, gênero e raça. O romance semifinalista do Prêmio Loba representa sua primeira obra autobiográfica de fôlego, consolidando uma reflexão que atravessa arte, história familiar e crítica social.

O sertão respira: narrativa ecológica evidencia protagonismo à Caatinga e reacende o interesse por Euclides da Cunha em seus 160 anos de nascimento

A memória de um dos episódios mais emblemáticos da história brasileira volta ao centro do debate literário e educacional com o lançamento de Era uma vez uma guerra na Caatinga (Editora Outra Margem), da escritora e educadora fluminense Fabiana Corrêa. A obra propõe uma abordagem original sobre a Guerra de Canudos ao unir narrativa histórica, consciência ambiental e educação, situando o leitor no universo sertanejo que inspirou Os sertões, clássico de Euclides da Cunha.

Diferentemente de uma adaptação direta do texto euclidiano, o livro constrói uma narrativa própria ambientada no mesmo contexto histórico e geográfico. O fio condutor da história é um narrador incomum: o calango Sertanejo, pequeno réptil típico da fauna da Caatinga, que observa e relata os acontecimentos ao redor do arraial liderado por Antônio Conselheiro. A escolha do personagem confere à narrativa uma perspectiva singular, capaz de aproximar o leitor da paisagem, da cultura e das tensões sociais que marcaram o sertão baiano no final do século XIX.

O lançamento da obra ocorrerá no dia 20 de janeiro, às 18h, na Casa Euclides da Cunha, em Cantagalo (RJ) — cidade natal do autor de Os sertões. A data também marca os 160 anos de nascimento do escritor, estabelecendo uma conexão simbólica entre o clássico da literatura brasileira e a releitura contemporânea proposta por Fabiana Corrêa.

Segundo a autora, o projeto nasceu de sua experiência como professora e do desejo de manter viva a memória histórica de Canudos. Durante anos, Fabiana trabalhou o tema em aulas de Ciências e Biologia, recorrendo à narrativa oral para contextualizar questões ambientais e sociais do sertão. “O livro surgiu da vontade de continuar contando essa história. Para substituir minha persona de professora contadora de histórias, escolhi um representante da fauna da Caatinga: o calango Sertanejo, aquele que tudo viu, ouviu e agora tem a missão de narrar”, afirma.

A narrativa acompanha a trajetória de Antônio Conselheiro — denominado no livro como “Peregrino” — e a formação do arraial de Belo Monte, nome dado pela própria comunidade ao povoado que a história oficial registrou como Canudos. Pela perspectiva do pequeno observador da Caatinga, o leitor percorre o cotidiano dos moradores, sua religiosidade, seus desafios e a tentativa de construir uma sociedade mais justa no interior do sertão.

Um dos aspectos centrais da obra é a valorização da Caatinga como elemento ativo da narrativa. Em diversos momentos, o bioma surge não apenas como cenário, mas como agente participante da história. Em uma das passagens mais intensas, durante os confrontos entre sertanejos e tropas militares, a própria vegetação torna-se aliada dos habitantes locais. Galhos retorcidos e espinhos secos dificultam o avanço dos soldados, enquanto trilhas conhecidas pelos moradores revelam caminhos estratégicos pela paisagem árida.

A estrutura do livro também estabelece um diálogo direto com a obra de Euclides da Cunha. Cada capítulo é antecedido e encerrado por trechos selecionados de Os sertões, criando uma ponte literária entre o texto clássico e a narrativa contemporânea. A proposta, segundo Fabiana Corrêa, é estimular o interesse pela leitura do original. “Não se trata de uma adaptação do texto de Euclides. É uma história que dialoga com sua obra e busca despertar no leitor a curiosidade e o desejo de ler o clássico em seu próprio tempo”, explica.

As ilustrações de Arthur Abreu reforçam o caráter sensorial e educativo da obra, contribuindo para representar a riqueza ecológica da Caatinga e a interação entre ambiente e sociedade. Essa abordagem dialoga diretamente com a própria leitura que Euclides da Cunha fez do sertão. Para a autora, o escritor foi um dos primeiros intelectuais brasileiros a reconhecer a relação entre o meio ambiente e as dinâmicas sociais do país. “Ele observou o sertão com rigor científico e sensibilidade crítica, antecipando discussões ambientais que hoje se tornaram centrais”, ressalta.

Além de narrativa literária, Era uma vez uma guerra na Caatinga representa também o registro de uma metodologia pedagógica desenvolvida por Fabiana ao longo de anos de atuação em sala de aula. Ao combinar literatura, história e educação ambiental, o livro busca ampliar o entendimento sobre Canudos e sobre o próprio sertão brasileiro.

“Contar essa história é uma forma de preservar a memória coletiva. Canudos precisa ser lembrado para que possamos compreender melhor nosso passado e refletir sobre o país que construímos”, afirma a autora.

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e especialista em Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Fabiana Corrêa nasceu em Bom Jardim e reside em Cordeiro, no interior fluminense. Durante mais de duas décadas, atuou como professora de Ciências e Biologia na rede privada de ensino, além de coordenar projetos educacionais, ambientais e culturais. Desde 2015, dedica-se integralmente à produção literária e às artes, com obras voltadas para diferentes faixas etárias.

O livro Era uma vez uma guerra na Caatinga pode ser adquirido diretamente no site da Editora Outra Margem:

https://www.editoraoutramargem.com.br/product-page/era-uma-vez-uma-guerra-na-caatinga-fabiana-corr%C3%AAa

Romance de estreia de Rafael Caneca resgata brutalidade dos campos de concentração da seca de 1932 no Ceará

Imagem: Divulgação/Acervo Pessoal

A literatura brasileira ganha uma nova obra de fôlego voltada à memória histórica com o lançamento de Não volte sem ele, romance de estreia do escritor e servidor público cearense Rafael Caneca. Publicado pela editora Mondru, o livro recorre à ficção histórica para revisitar um dos episódios mais duros e pouco discutidos da história social do Brasil: a criação dos chamados campos de concentração da seca durante a grande estiagem de 1932 no Ceará.

Com paratextos assinados pelos escritores Grecianny Cordeiro e Ronaldo Correia de Brito, a obra se insere na tradição do romance social nordestino ao abordar temas como violência institucional, desigualdade social, memória coletiva, religiosidade popular e resistência humana diante da adversidade. A narrativa se destaca pelo cuidado estilístico, pela construção psicológica de seus personagens e pelo resgate de um contexto histórico frequentemente relegado ao silêncio.

A ficção como instrumento de memória histórica

Ambientado em um dos períodos mais dramáticos do Nordeste brasileiro, o romance reconstrói o cenário criado pelo governo cearense durante a seca de 1932, quando milhares de sertanejos assolados pela fome e pela miséria foram confinados em espaços conhecidos como “currais do governo”. Esses locais, posteriormente denominados campos de concentração, tinham como objetivo impedir que retirantes migrassem para Fortaleza e outras cidades do litoral.

Segundo Rafael Caneca, tratava-se de uma política de contenção social marcada por forte repressão e segregação. “Foram estruturas criadas para conter e separar os mais pobres, sob uma violência estatal explícita, com o objetivo de evitar que os sertanejos famintos chegassem à capital e expusessem a dimensão da crise”, explica o autor.

Mesmo diante das condições extremas, o romance também enfatiza a dimensão espiritual e simbólica da sobrevivência. “Muitos sertanejos mantinham viva a esperança, sustentados pela fé, pela religiosidade popular e pela solidariedade entre os próprios retirantes”, acrescenta Caneca. Ao reconstruir esse cenário, o escritor busca devolver visibilidade a um capítulo histórico que, em suas palavras, “precisa ser lembrado para que jamais volte a se repetir”.

Uma jornada marcada pela resistência

No centro da narrativa está Tomás, jovem sertanejo que parte rumo à capital cearense em busca de seu irmão desaparecido, Antônio. A travessia do protagonista, marcada pela seca, pela fome e pela constante luta pela sobrevivência, ecoa a experiência de milhares de nordestinos que enfrentaram o drama da estiagem e as duras políticas de confinamento impostas pelo Estado.

Para o escritor Ronaldo Correia de Brito, a obra revela a vitalidade de uma tradição literária profundamente ligada à realidade social do país. “O livro evidencia a permanência da força estética e temática do Romance de 30 na nova geração de escritores brasileiros”, afirma.

Já Grecianny Cordeiro ressalta a dimensão simbólica da paisagem e da cultura sertaneja presentes na narrativa. “O sertão pulsa em cada página, assim como a coragem de um povo moldado pela fé, pela resistência e pela esperança”, observa.

Do conto ao romance



A gênese de Não volte sem ele remonta à participação de Rafael Caneca no Coletivo Delirantes, grupo literário que reúne autores como Stênio Gardel e Marília Lovatel. Durante a preparação de uma coletânea inspirada em episódios históricos do Ceará associados a antigas estações ferroviárias, Caneca escolheu abordar o tema da seca de 1932 e dos campos de concentração instalados na região de Senador Pompeu.

Inicialmente, o projeto resultou no conto intitulado Patu. No entanto, ao aprofundar a pesquisa histórica e desenvolver os personagens, o autor percebeu que a narrativa exigia uma dimensão mais ampla. O conto foi então expandido ao longo de cerca de dois anos de investigação e escrita, transformando-se no romance que agora chega ao público.

“Estudar esse episódio em profundidade foi uma experiência transformadora”, afirma o escritor. “Conhecer os detalhes desse período reforçou em mim um profundo sentimento de repulsa por acontecimentos que, em nenhuma circunstância, podem se repetir.”

Trajetória literária

Rafael Caneca, de 40 anos, é servidor público e atua como assessor jurídico no Ministério Público do Estado do Ceará. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e especialista em Direito Internacional, mantém uma relação antiga com a escrita, iniciada ainda na infância.

Há mais de uma década, o autor também administra o perfil literário Pacote de Textos, dedicado à divulgação de literatura e ao incentivo à leitura. Integrante do Coletivo Delirantes, Caneca já recebeu reconhecimento em concursos literários, incluindo o primeiro lugar no Prêmio de Literatura BNB Clube de 2017, com o conto Tapera. Também recebeu menções honrosas do Ideal Clube em 2012 e 2014.

Em 2023, foi homenageado na Semana do Ministério Público ao lado de nomes consagrados da literatura cearense e brasileira, como José de Alencar, Rachel de Queiroz e Moreira Campos.

Entre suas principais influências literárias estão autores como Machado de Assis, Graciliano Ramos e José Saramago. Fora da literatura, o escritor também menciona referências musicais diversas, como Iron Maiden, Dream Theater, Angra e Titãs.

Atualmente, Caneca trabalha em dois novos projetos literários: um romance inspirado na queda do Edifício Andrea, ocorrida em Fortaleza em 2019, e uma coletânea de contos que exploram tragédias humanas ambientadas em cenários paradisíacos. Seu estilo narrativo, segundo o próprio autor, combina linguagem direta, ironia sutil e uma constante preocupação com a crítica social.

Ficha técnica

Título: Não volte sem ele
Autor: Rafael Caneca
Gênero: Romance / Ficção histórica
Editora: Mondru

Aos 74 anos, finalista do Prêmio LeYa Portugal transforma perdas e memória em literatura no romance “As vontades do vento”

Imagem: Acervo Pesoal / Divulgação

A literatura brasileira ganha novos contornos de maturidade e experimentação na trajetória do artista visual e escritor maranhense Jozias Benedicto. Aos 74 anos, o autor lança o romance As vontades do vento (Caravana Grupo Editorial, 195 páginas), obra que alcançou a posição de finalista do Prêmio LeYa Portugal de Literatura 2024 e consolida uma carreira literária iniciada relativamente tarde, mas marcada por reconhecimento e consistência artística.

Benedicto começou a publicar depois dos 60 anos, etapa da vida em que muitos artistas já encerraram seus ciclos criativos. No entanto, para ele, foi justamente a maturidade que abriu espaço para uma fase de intensa produção e liberdade estética. Desde a estreia literária, o autor já publicou nove livros e acumulou premiações importantes, entre elas o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais, o Prêmio da Fundação Cultural do Maranhão e o Prêmio de Literatura do Estado do Pará.

Em As vontades do vento, Jozias constrói uma narrativa que transita entre memória, ficção e realismo fantástico para investigar temas universais como o tempo, a morte, os vínculos familiares e os processos de reconstrução pessoal. A obra revela uma prosa sofisticada, em que diferentes vozes narrativas compõem um mosaico sensorial que atravessa ambientes rurais e urbanos do Brasil profundo.

Segundo a escritora Andreia Fernandes, responsável pelo texto da orelha do livro, a força do romance está na habilidade técnica do autor em adaptar a estrutura concisa do conto a uma narrativa longa, sem perder densidade estética. “Com domínio absoluto da linguagem e da técnica narrativa, o autor transpõe a estrutura do conto para o romance. Cada capítulo apresenta vozes distintas, com seus lugares, cheiros e atmosferas — de um vilarejo interiorano às grandes cidades — sem romper a unidade da história”, observa.

A trama mergulha na história de uma família marcada por segredos, tensões sociais e heranças históricas que incluem relações com o clero, a prostituição e as marcas persistentes do passado escravocrata. Narrado por múltiplos personagens — inclusive por aqueles que já morreram — o romance adota elementos de realismo fantástico para ampliar o alcance simbólico da narrativa e dar voz às memórias que atravessam gerações.

Para o autor, a obra também reflete os contrastes estruturais da sociedade brasileira. Ao abordar o choque entre tradição e modernização, o romance expõe os efeitos de um desenvolvimento desigual que frequentemente se manifesta em violência social, rupturas familiares e deslocamentos humanos.

“Nunca quis escrever ensaio ou não ficção, nem um romance realista e engajado”, afirma Benedicto. “Meu caminho foi o oposto: trabalhar esses temas por meio da ficção, explorando dimensões mágicas e fantásticas que ampliam o olhar sobre a realidade.”

A arquitetura narrativa de As vontades do vento reforça essa proposta estética. Dividido em três partes — O Interior, A Travessia e A Capital — o livro reúne 49 capítulos narrados em primeira pessoa por diferentes personagens. No centro da história está uma família composta pelo pai, um mascate que percorre cidades vendendo mercadorias de porta em porta, a mãe e os três filhos — Joaquim, Pedro e Bento. Ao redor desse núcleo surgem figuras que integram o cotidiano doméstico e social da família, como Mocinha, a empregada, e Elisa, uma cafetina.

Entre os personagens decisivos para o desfecho da narrativa estão a avó materna e seu irmão, um monsenhor já falecido que, no imaginário do pequeno vilarejo onde se passa parte da trama, é visto como uma espécie de santo popular.

A história se inicia com a morte da mãe e com a promessa dos filhos de cumprir seu último desejo. Antes da viagem que marca o presente narrativo, contudo, o romance retorna ao passado e reconstrói a trajetória da família, revelando o caminho que vai da ascensão social acelerada à decadência que conduz os herdeiros a uma existência marcada por perdas e deslocamentos.

A multiplicidade de narradores constitui um dos principais recursos literários da obra. Ao alternar perspectivas, Jozias Benedicto amplia a compreensão dos acontecimentos e expõe as motivações íntimas de cada personagem. Episódios revisitados sob diferentes pontos de vista ganham maior densidade dramática e mantêm um ritmo narrativo que combina introspecção e tensão. O desfecho, carregado de impacto emocional, reafirma a singularidade de sua escrita.

Nascido em São Luís, no Maranhão, em 1950, Jozias Benedicto mudou-se para o Rio de Janeiro aos 15 anos, cidade onde viveu grande parte de sua trajetória. Entre 2006 e 2010 residiu em Brasília e, desde 2022, divide-se entre o Brasil e Lisboa. Formado em Tecnologia da Informação, trabalhou na área entre as décadas de 1970 e 2010. Após se aposentar, decidiu dedicar-se integralmente às artes, explorando especialmente o diálogo entre literatura e artes visuais.

Sua formação artística inclui duas pós-graduações pela PUC-Rio: Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo (2014–2015) e Corpo e Palavra nas Artes da Cena e da Imagem (2021–2022). Entre 2010 e 2016 atuou como editor na editora Apicuri e também desenvolve trabalhos como curador e autor de textos críticos para exposições de arte. Paralelamente, publica crônicas e resenhas no portal luso-brasileiro Estrategizando.

A estreia literária ocorreu em 2013 com o livro de contos Estranhas criaturas noturnas. Desde então, Benedicto construiu uma obra que transita entre poesia, contos e romance, consolidando uma carreira que já recebeu distinções como o Prêmio Moacyr Scliar, além de premiações literárias concedidas por instituições culturais de diferentes estados brasileiros. Também foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura e agora do Prêmio LeYa Portugal com As vontades do vento.

Para o autor, a escrita também desempenhou um papel importante no enfrentamento de experiências pessoais difíceis, como a morte da mãe e um incêndio que destruiu seu apartamento. Ainda assim, ele ressalta que o valor de uma obra literária não está no processo íntimo de quem a escreve, mas na capacidade de dialogar com o leitor.

“Ainda que o livro tenha me ajudado a atravessar traumas, não é o efeito terapêutico que me move como artista”, afirma. “O que realmente importa é saber se a obra consegue alcançar quem a lê.”

Trecho do livro (p. 57):

“Meu pai tinha uma relação singular, uma relação física, quase sensual, com o dinheiro. Gostava de contar as cédulas e as moedas, limpá-las, arrumá-las por valor, sentir seu cheiro, avaliar o peso e o volume de pilhas dobradas ou de moedas empilhadas (...). Tinha grande facilidade para as operações matemáticas e se sentia feliz com a concretude da riqueza, o cofre cheio, a carteira pesada. Não era gastador inconsequente, mas também não era avaro — esse prazer talvez o fizesse acreditar que o tão amado bem nunca deixaria de fluir para ele.”

Livro de contos destaca mulheres amazônicas atravessadas por trabalho, migração e resistência

Imagem: Divulgação / Acervo pessoal

A escritora manauara Myriam Scotti lança em Sol abrasador prepara solo fértil (Editora Orlando) uma coletânea de contos que mergulha nas experiências de mulheres amazônicas atravessadas por transformações históricas, desigualdades sociais e pelas sucessivas ondas de exploração econômica que marcaram a região. A obra constrói um panorama sensível e crítico da vida feminina em Manaus e em outras cidades do Amazonas, acompanhando personagens que crescem, trabalham, migram ou retornam à capital carregando expectativas, perdas e afetos acumulados ao longo do tempo.

As narrativas apresentam mulheres que começaram a trabalhar ainda jovens, sustentam famílias inteiras e enfrentam decisões impostas por contextos sociais muitas vezes adversos. A partir dessas trajetórias, Scotti desenvolve contos que percorrem diferentes períodos históricos da Amazônia — do auge do ciclo da borracha até o presente — evidenciando como os projetos de desenvolvimento e os processos de exploração econômica moldam de forma direta as oportunidades, os deslocamentos e as escolhas dessas personagens.

Com uma prosa que transita entre o lirismo e a dureza da realidade social, a autora ambienta suas histórias tanto em comunidades do interior quanto nos espaços urbanos de Manaus. Em vez de tratar as personagens como símbolos ou alegorias, Scotti as apresenta como sujeitos complexos, atravessados por experiências concretas de trabalho, maternidade, solidão e pela busca constante por dignidade em um território marcado por profundas desigualdades.

O livro conta com apresentação da escritora e jornalista Bianca Santana, colunista da Folha de S.Paulo, e texto de orelha assinado pela escritora e crítica literária Thaís Campolina. Ambas destacam a força narrativa da obra e o compromisso da autora em retratar mulheres amazônicas para além de estereótipos recorrentes.

Embora represente sua estreia no gênero conto, Sol abrasador prepara solo fértil integra uma trajetória literária já consolidada. Myriam Scotti foi vencedora do Prêmio Manaus de Literatura em 2020, teve obras selecionadas pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e foi finalista do Prêmio Pena de Ouro 2021 na categoria conto. Em 2023, também conquistou o segundo lugar na categoria conto do Prêmio Off Flip, realizado durante a tradicional Festa Literária Internacional de Paraty.

Em sua escrita, Scotti dialoga com tradições da literatura brasileira associadas a autores como João Ubaldo Ribeiro e Milton Hatoum, mas constrói uma perspectiva própria, profundamente enraizada na experiência amazônica. Para a autora, Manaus não é apenas cenário, mas um elemento estruturante das histórias. “A cidade molda desejos, frustrações e trajetórias de vida”, afirma.

Nos contos, Scotti evita tanto a romantização da floresta quanto a representação simplificada das mulheres amazônicas como vítimas passivas. Ao contrário, suas personagens revelam força, contradições e capacidade de resistência diante de contextos históricos muitas vezes marcados pela exploração econômica e pela precariedade social. Histórias como “Terra Prometida” e “O Soldado da Borracha” abordam conflitos sociais e ambientais sem perder de vista a dimensão íntima e singular de cada personagem.

Escrito ao longo de sete anos, o livro também reflete o diálogo entre a formação jurídica e literária da autora. “O Direito me ensinou a enxergar estruturas de poder; a Literatura me deu as ferramentas para humanizá-las”, observa Scotti, sintetizando o processo de construção da obra.

No texto de orelha, Thaís Campolina destaca que as personagens da coletânea “não são necessariamente migrantes, mas todas vivem os dilemas de permanecer, partir ou retornar a Manaus”. Segundo a crítica, a cidade assume diferentes significados ao longo das histórias, variando de acordo com o tempo histórico, a classe social, o gênero e a origem de cada personagem — ora representando promessa e esperança, ora evocando saudade, tensão e pertencimento.

Já na apresentação do livro, Bianca Santana ressalta o compromisso da autora em retratar mulheres amazônicas em toda a sua complexidade. Para a jornalista, as personagens de Scotti não se encaixam em arquétipos simplificados: “não são heroínas no sentido convencional, tampouco vítimas passivas dos ciclos de exploração que atravessam suas histórias”. São mulheres apresentadas em sua inteireza, marcadas por trabalho, migração, amor, saudade e desigualdade, mas também por sua capacidade de sentir, resistir e reinventar a própria vida.

Sobre a autora

Myriam Scotti nasceu em 1981, em Manaus (AM). É escritora, crítica literária e mestre em Literatura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Seu romance Terra Úmida venceu o Prêmio Literário Cidade de Manaus 2020. Em 2021, publicou o romance juvenil Quem chamarei de lar? (Editora Pantograf), obra aprovada no PNLD Literário e selecionada pelo edital Biblioteca de São Paulo.

Em 2023, lançou o livro de poemas Receita para explodir bolos (Editora Patuá). Embora escreva desde a infância, transformou a literatura em atividade profissional a partir de 2014. Atualmente, desenvolve dois novos projetos de romance — um de ambientação contemporânea e outro de temática histórica.

Sol abrasador prepara solo fértil está disponível no site da Editora Orlando:
https://editoraorlando.com.br/produto/sol-abrasador-prepara-solo-ferti

Caos, baratas e teimosia: Jacquin enfrenta um dos casos mais difíceis de “Pesadelo na Cozinha” ao tentar salvar restaurante Casa do Norte em São Paulo

Imagem: Band/Divulgação

O mais recente episódio do programa Pesadelo na Cozinha trouxe à tona um dos retratos mais caóticos já exibidos pela atração. Sob o comando do chef francês Érick Jacquin, o reality gastronômico visitou a “Casa do Norte”, restaurante localizado no bairro da Barra Funda, em São Paulo, que luta para sobreviver após anos de prejuízos financeiros, conflitos internos e sérios problemas de gestão.

Com 15 anos de história, o estabelecimento tenta preservar a tradição da culinária nordestina em plena capital paulista. Porém, o episódio mostrou que, por trás da proposta cultural, há uma operação desorganizada e marcada por disputas familiares, teimosia administrativa e uma cozinha incapaz de acompanhar o ritmo exigido por um restaurante urbano.

Uma herança difícil de administrar

A Casa do Norte é comandada por Ivana, de apenas 28 anos, que assumiu a gerência e a propriedade após herdar o negócio da família. O restaurante foi criado por seu pai, Luís Barros Leitão, em parceria com o irmão Reizinho, ambos vindos do interior do Ceará. Depois de anos trabalhando como funcionários em restaurantes de São Paulo, os irmãos decidiram apostar na culinária regional nordestina, que conquistou um público fiel na cidade.

Na prática, porém, a sucessão familiar não ocorreu de forma tranquila. Ivana se vê dividida entre administrar o restaurante e lidar com o temperamento difícil do pai, descrito pelos próprios funcionários como uma pessoa “teimosa”, “explosiva” e resistente a mudanças.

Essa tensão familiar acaba refletindo diretamente na rotina do restaurante. A equipe trabalha sem uma hierarquia clara, decisões são frequentemente contestadas e mudanças estruturais parecem impossíveis de implementar.

Uma cozinha em colapso

Ao chegar ao restaurante, Jacquin rapidamente percebeu que os problemas iam muito além da gestão. A cozinha da Casa do Norte foi descrita pelos próprios funcionários como um espaço pequeno, extremamente quente, desorganizado e incapaz de manter padrões mínimos de higiene durante o serviço.

Entre os depoimentos, um dos mais reveladores veio de Jorge, gerente do restaurante há nove meses. Segundo ele, a estrutura do estabelecimento teria potencial para funcionar muito melhor, mas a falta de organização e planejamento transforma cada turno em uma corrida caótica contra o tempo.

Na linha de frente da cozinha está Soudo Tavares da Fonseca, que acumula funções como cozinheiro e chapeiro. Ele e outros membros da equipe apontam que o fluxo de pedidos frequentemente se perde, os pratos demoram para sair e muitas receitas do cardápio simplesmente deixam de ser preparadas por falta de estrutura ou ingredientes.

Esse cenário caótico se agrava por um fator decisivo: o cardápio.

O cardápio de 12 páginas que virou problema

Um dos principais pontos de crítica do chef Jacquin foi o tamanho do cardápio da Casa do Norte. Com 12 páginas, o menu tenta agradar todos os tipos de clientes — oferecendo desde pratos típicos nordestinos até opções mais genéricas da culinária brasileira.

Na teoria, a estratégia busca ampliar o público. Na prática, cria uma operação quase impossível de administrar.

Com tantas opções, a cozinha não consegue manter consistência nos pratos. Alguns pedidos demoram excessivamente para sair, enquanto outros acabam nem sendo preparados por falta de organização ou preparo prévio.

Para Jacquin, a lógica é simples: quanto maior o cardápio, maior o risco de perda de qualidade.

Comida criticada e problemas de higiene

Durante a avaliação dos pratos, o chef francês não poupou palavras. A comida foi classificada como “velha”, “gordurosa”, “sem sabor” e com “gosto de óleo”.

Mas o momento mais constrangedor do episódio veio quando surgiram evidências de problemas graves de higiene.

Funcionários relataram a presença frequente de baratas no restaurante. Em um dos momentos exibidos, um desses insetos aparece no ambiente, causando indignação entre clientes e equipe. Segundo os funcionários, o problema estaria ligado à localização do restaurante no centro da cidade, onde baratas sairiam dos bueiros devido ao calor.

Apesar das explicações e da alegação de dedetizações regulares, o incidente deixou claro que o controle sanitário do estabelecimento está longe do ideal.

Resistência às críticas

Outro elemento que marcou o episódio foi a dificuldade da equipe em aceitar as críticas de Jacquin.

Em vários momentos, os funcionários tentaram justificar os problemas alegando que a culinária nordestina possui características próprias ou que as condições do restaurante são difíceis de controlar.

Essa postura defensiva irritou o chef, que destacou que tradição gastronômica não pode servir como desculpa para desorganização ou falta de higiene.

A tensão atingiu o auge quando Jacquin decidiu realizar um gesto simbólico: quebrar a “boqueta” — a abertura que conecta a cozinha ao salão.

Para ele, aquele espaço representava a desconexão entre o que era prometido ao cliente e o que realmente saía da cozinha.

Um puxão de orelha em forma de repente

Em uma das cenas mais inusitadas do episódio, Jacquin convidou dois repentistas pernambucanos para cantar improvisos sobre os problemas da Casa do Norte.

No melhor estilo da tradição nordestina, os artistas transformaram as críticas do chef em versos rimados que abordavam a sujeira, a má gestão e o descontrole da cozinha.

A performance, ao mesmo tempo cômica e constrangedora, serviu como uma espécie de espelho cultural para os donos do restaurante — reforçando que a cultura nordestina merece respeito e qualidade, não improvisação desleixada.

Reforma e recomeço

Apesar do cenário inicial desolador, o episódio terminou com uma transformação visual significativa.

A Casa do Norte passou por uma reforma completa. O salão ganhou uma estética inspirada na cultura nordestina, com decoração mais organizada e acolhedora. A cozinha foi ampliada, reorganizada e equipada com novos utensílios, criando um ambiente mais funcional.

O cardápio também foi reduzido e reformulado, mantendo pratos tradicionais da culinária nordestina, mas com foco em qualidade e eficiência operacional.

A equipe recebeu novos uniformes, marcando simbolicamente um novo começo para o restaurante.

Um episódio que expõe fragilidades do formato

Embora a transformação visual seja impressionante — como já se tornou marca registrada do programa — o episódio levanta uma questão recorrente em Pesadelo na Cozinha: até que ponto as mudanças estruturais são suficientes para resolver problemas culturais profundamente enraizados?

A resistência da família às críticas e a dificuldade de aceitar mudanças sugerem que o verdadeiro desafio da Casa do Norte não está apenas na cozinha ou no cardápio, mas na mentalidade da gestão.

Sem uma mudança real na forma de administrar o negócio, há o risco de que os velhos problemas retornem assim que as câmeras forem desligadas.

Expectativas para o futuro do programa

O episódio reforça por que Pesadelo na Cozinha continua sendo um dos realities gastronômicos mais intensos da televisão brasileira. O programa consegue revelar não apenas falhas culinárias, mas também conflitos familiares, falhas administrativas e a dura realidade de pequenos restaurantes lutando para sobreviver.

Ao mesmo tempo, a atual fase do programa tem enfrentado críticas de parte do público por temporadas curtas e espaçadas.

Se a atração ganhar uma sexta temporada — algo que fãs já aguardam — a expectativa é que ela venha mais robusta: com mais episódios, acompanhamento de longo prazo dos restaurantes e talvez até revisitas para mostrar o que realmente aconteceu após as reformas.

Porque, no fim das contas, o verdadeiro teste de qualquer restaurante não acontece diante das câmeras, mas sim na rotina implacável de cada novo serviço. 

Pesadelo na Cozinha expõe crise profunda no Boteco Malum e reforça necessidade de uma temporada mais ambiciosa

Imagem: BAND / Divulgação

O episódio mais recente de Pesadelo na Cozinha colocou o chef francês Erick Jacquin diante de mais um cenário de colapso administrativo e culinário. Desta vez, o desafio foi tentar resgatar o Boteco Malum, um estabelecimento que, apesar de ocupar uma localização privilegiada, revela um funcionamento marcado por improviso, conflitos internos e falta de identidade gastronômica.

Desde os primeiros minutos da visita, Jacquin percebe que o problema do restaurante vai muito além de um cardápio mal executado. A raiz da crise parece estar na ausência de direção clara e de liderança dentro do negócio, comandado por Vera, proprietária do boteco. Ao ser questionada sobre a proposta do estabelecimento, ela mesma demonstra insegurança: não sabe definir se o local funciona como bar, restaurante ou boteco tradicional.

A indefinição reflete duas décadas de tentativas frustradas de consolidar um conceito. Vera admite que, após 20 anos de funcionamento, ainda não conseguiu transformar o espaço no boteco que imaginava. Em um momento de franqueza diante das câmeras, a proprietária chega a reconhecer suas próprias dificuldades na gestão do negócio, afirmando que as coisas simplesmente não fluem como deveriam.

O cenário fica ainda mais delicado quando se observa a dinâmica entre os funcionários. A equipe trabalha em clima constante de tensão, agravado por falhas estruturais e pela ausência de organização operacional. A irmã de Vera também atua no local, mas, segundo relatos da própria equipe, sua presença acaba mais atrapalhando do que ajudando na rotina do restaurante.

Cardápio inflado e execução desastrosa

A avaliação gastronômica conduzida por Jacquin revelou um dos problemas centrais do Boteco Malum: um cardápio excessivamente amplo para a estrutura da cozinha. Para o chef, a quantidade de pratos oferecidos torna praticamente impossível garantir qualidade e consistência.

Entre os itens avaliados, a chamada “Salada Malum”, que leva o nome da casa, tornou-se símbolo das falhas do restaurante. Jacquin ironiza o fato de “malum” remeter, em latim, à ideia de algo ruim, comentário que acabou refletindo sua experiência com o prato. A maçã utilizada na salada estava escurecida e mal cortada, e o conjunto foi considerado desleixado, especialmente considerando o preço de R$ 37.

Outros pratos também passaram longe de agradar o chef. O salmão servido com molho de alcaparras e purê de batata apresentou problemas de tempero e textura. Já a picanha brasileira, um dos clássicos do cardápio, foi descrita como mal preparada e sem sabor.

A sequência de avaliações negativas reforçou a impressão de que o restaurante sofre com uma cozinha sem padrão, onde receitas são executadas sem técnica definida e sem controle de qualidade.

Cozinha caótica e conflitos entre funcionários

Se a comida já revelava fragilidades, o funcionamento da cozinha expôs um quadro ainda mais preocupante. Durante o serviço, Jacquin observa demora excessiva na saída dos pratos, barulho constante e desorganização generalizada.

Os profissionais que trabalham na cozinha também vivem em atrito frequente. O chapeiro José e o cozinheiro Cosmo protagonizam discussões enquanto tentam dar conta das comandas. Débora, outra integrante da equipe, é constantemente advertida por falar alto e por atitudes consideradas desrespeitosas dentro do ambiente de trabalho.

Esse clima de tensão permanente evidencia uma equipe desgastada, que tenta operar em um sistema sem regras claras e sem liderança efetiva.

Problemas graves de higiene

Além das dificuldades operacionais, Jacquin também identifica falhas sérias nas condições sanitárias do restaurante. A geladeira estava suja e com acúmulo excessivo de gelo, enquanto a câmara fria — essencial para o armazenamento adequado de alimentos — estava quebrada havia dois meses.

Mesmo assim, o equipamento continuava sendo utilizado para guardar produtos que deveriam estar sob refrigeração adequada. Em outro momento crítico, o chef flagra Débora lavando louças no mesmo espaço onde os alimentos são preparados, prática que representa risco direto de contaminação.

A ausência de etiquetas com datas de validade em alimentos congelados também chamou atenção, revelando a inexistência de controle mínimo sobre o estoque da cozinha.

Diagnóstico duro e necessidade de mudança

Ao final do primeiro dia, Jacquin reúne toda a equipe para um diagnóstico contundente. Em sua avaliação, o Boteco Malum sofre de três problemas fundamentais: falta de identidade, ausência de organização e uma comida de qualidade apenas “mediana”.

Para o chef, antes de qualquer mudança no cardápio, será necessário instaurar disciplina no ambiente de trabalho, reorganizar a cozinha e estabelecer uma liderança clara capaz de conduzir a equipe.

Jacquin também deixa claro que o processo de transformação exigirá esforço coletivo. Ele afirma que será extremamente exigente nos dias seguintes e espera ver uma mudança radical no funcionamento do restaurante.

Um retrato recorrente da série

O episódio também reforça uma característica marcante de Pesadelo na Cozinha: o programa frequentemente revela que os problemas dos restaurantes não se limitam à comida. Na maioria dos casos, falhas de gestão, conflitos pessoais e falta de planejamento acabam sendo as verdadeiras causas do declínio dos estabelecimentos.

No caso do Boteco Malum, a trajetória de duas décadas sem definição clara de conceito mostra como a ausência de estratégia pode comprometer até mesmo negócios com boa localização e clientela potencial.

Expectativas para o futuro da série

Embora a tentativa de recuperação do Boteco Malum siga o formato tradicional do programa — diagnóstico duro, intervenção intensa e promessa de transformação — o episódio também reacende um debate entre os fãs da atração: a necessidade de uma nova temporada mais ampla.

Desde sua estreia, Pesadelo na Cozinha conquistou público ao mostrar histórias reais de restaurantes à beira da falência e a personalidade explosiva de Jacquin diante de situações absurdas. No entanto, muitos episódios acabam deixando a sensação de que as histórias poderiam ser exploradas com mais profundidade.

Com a consolidação do programa na televisão brasileira, cresce a expectativa de que a quinta temporada seja mais robusta, com maior número de episódios e acompanhamento mais detalhado das mudanças promovidas pelo chef.

Histórias como a do Boteco Malum demonstram que material não falta. O que o público parece desejar agora é mais tempo para acompanhar essas transformações — e, quem sabe, entender se os restaurantes realmente conseguem sobreviver depois que as câmeras vão embora.

5 receitas deliciosas com banana-da-terra


A banana-da-terra é um ingrediente muito utilizado na culinária brasileira, africana e latino-americana. Diferente da banana comum, ela costuma ser consumida cozida, frita, assada ou grelhada, pois possui textura mais firme e sabor menos doce quando crua.

Rica em potássio, fibras e carboidratos, a banana-da-terra é um alimento energético que combina tanto com pratos salgados quanto com sobremesas.

A seguir estão cinco receitas simples com banana-da-terra.


1. Banana-da-terra frita

Ingredientes

  • 2 bananas-da-terra maduras

  • óleo ou manteiga para fritar

  • uma pitada de sal (opcional)

Modo de preparo

  1. Descasque as bananas e corte em rodelas ou tiras.

  2. Aqueça óleo ou manteiga em uma frigideira.

  3. Coloque as fatias de banana na frigideira.

  4. Frite até ficarem douradas.

  5. Vire para dourar dos dois lados.

  6. Retire e escorra em papel toalha.

Dica

Sirva com arroz e feijão ou como acompanhamento de carnes.


2. Purê de banana-da-terra

Ingredientes

  • 3 bananas-da-terra maduras

  • 2 colheres de sopa de manteiga

  • 1/2 xícara de leite

  • sal a gosto

Modo de preparo

  1. Descasque e corte as bananas em pedaços.

  2. Cozinhe em água por cerca de 10 minutos.

  3. Escorra e amasse bem com um garfo.

  4. Acrescente manteiga e leite.

  5. Misture até formar um purê cremoso.

  6. Tempere com uma pitada de sal.

Dica

Combina muito bem com carnes grelhadas.


3. Banana-da-terra assada com canela

Ingredientes

  • 2 bananas-da-terra maduras

  • 1 colher de sopa de manteiga

  • 1 colher de chá de canela

  • 1 colher de sopa de açúcar mascavo (opcional)

Modo de preparo

  1. Corte as bananas ao meio no sentido do comprimento.

  2. Coloque em uma assadeira.

  3. Espalhe manteiga por cima.

  4. Polvilhe canela e açúcar mascavo.

  5. Asse em forno a 180 °C por cerca de 20 minutos.

Dica

Sirva quente como sobremesa.


4. Farofa de banana-da-terra

Ingredientes

  • 2 bananas-da-terra

  • 2 colheres de sopa de manteiga

  • 1/2 cebola picada

  • 1 xícara de farinha de mandioca

  • sal

  • cheiro-verde

Modo de preparo

  1. Corte as bananas em cubos.

  2. Derreta a manteiga em uma frigideira.

  3. Refogue a cebola até dourar.

  4. Acrescente a banana e cozinhe até dourar.

  5. Adicione a farinha de mandioca.

  6. Misture bem e tempere com sal.

  7. Finalize com cheiro-verde.

Dica

Ótimo acompanhamento para churrasco.


5. Escondidinho de banana-da-terra com carne

Ingredientes

  • 3 bananas-da-terra maduras

  • 300 g de carne moída

  • 1/2 cebola picada

  • 1 tomate picado

  • 1 colher de sopa de azeite

  • 1/2 xícara de queijo ralado

  • sal e pimenta

Modo de preparo

  1. Cozinhe as bananas e amasse até formar um purê.

  2. Refogue a cebola no azeite.

  3. Acrescente a carne moída e cozinhe até dourar.

  4. Adicione o tomate e tempere.

  5. Em uma forma, coloque uma camada de purê.

  6. Acrescente a carne e cubra com mais purê.

  7. Polvilhe queijo e leve ao forno por 20 minutos.

Dica

Esse prato é muito popular na culinária nordestina.


Curiosidade

A banana-da-terra é muito consumida em países da África e do Caribe. Em muitas culturas ela é considerada equivalente ao arroz ou à batata, servindo como base energética das refeições.

4 receitas simples e saborosas com quiabo


O quiabo é um ingrediente muito presente na culinária brasileira, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste. Rico em fibras, vitaminas A, C e minerais, ele é conhecido por sua textura característica e por combinar muito bem com carnes, frango e preparações vegetarianas.

Embora algumas pessoas evitem o quiabo por causa da “baba”, existem técnicas simples de preparo que ajudam a reduzi-la, como cozinhar em fogo alto, usar limão ou vinagre e evitar mexer demais durante o cozimento.

A seguir estão quatro receitas práticas com quiabo.


1. Quiabo refogado com alho

Ingredientes

  • 400 g de quiabo

  • 2 dentes de alho picados

  • 2 colheres de sopa de azeite

  • sal a gosto

  • pimenta-do-reino

  • suco de meio limão

Modo de preparo

  1. Lave bem os quiabos e seque com um pano.

  2. Corte em rodelas médias.

  3. Aqueça o azeite em uma frigideira.

  4. Refogue o alho até dourar.

  5. Acrescente o quiabo e cozinhe em fogo médio-alto.

  6. Tempere com sal, pimenta e limão.

  7. Cozinhe por cerca de 8 minutos.

Dica

Evite mexer demais para não aumentar a baba.


2. Frango com quiabo (receita tradicional)

Ingredientes

  • 500 g de frango em pedaços

  • 300 g de quiabo

  • 1 cebola picada

  • 3 dentes de alho

  • 2 tomates picados

  • 2 colheres de sopa de óleo ou azeite

  • sal e pimenta

  • cheiro-verde

Modo de preparo

  1. Tempere o frango com sal e pimenta.

  2. Doure o frango em uma panela com óleo.

  3. Acrescente cebola e alho e refogue.

  4. Adicione os tomates picados.

  5. Cozinhe por alguns minutos até formar um molho.

  6. Acrescente o quiabo cortado.

  7. Cozinhe por cerca de 15 minutos.

Dica

Sirva com arroz branco e angu.


3. Quiabo empanado crocante

Ingredientes

  • 400 g de quiabo

  • 1 ovo

  • 1/2 xícara de farinha de trigo

  • 1/2 xícara de farinha de milho ou fubá

  • sal

  • pimenta

  • óleo para fritar

Modo de preparo

  1. Corte os quiabos em pedaços.

  2. Bata o ovo em uma tigela.

  3. Misture as farinhas com sal e pimenta.

  4. Passe o quiabo no ovo e depois na mistura de farinha.

  5. Frite em óleo quente até dourar.

  6. Escorra em papel toalha.

Dica

Fica ótimo servido como petisco.


4. Quiabo com carne moída

Ingredientes

  • 300 g de carne moída

  • 300 g de quiabo

  • 1/2 cebola picada

  • 2 dentes de alho

  • 1 tomate picado

  • 1 colher de sopa de azeite

  • sal e pimenta

  • cheiro-verde

Modo de preparo

  1. Refogue a cebola e o alho no azeite.

  2. Acrescente a carne moída e cozinhe até dourar.

  3. Adicione o tomate picado.

  4. Coloque o quiabo cortado.

  5. Tempere com sal e pimenta.

  6. Cozinhe por cerca de 10 minutos.

  7. Finalize com cheiro-verde.

Dica

Sirva com arroz e feijão.


Dica para reduzir a baba do quiabo

Alguns truques ajudam muito no preparo:

  • lave e seque bem antes de cortar

  • adicione limão ou vinagre no preparo

  • cozinhe em fogo alto

  • evite mexer demais

Magia, amizade e coragem marcam a estreia literária da jovem autora Bel Ito com o infantojuvenil Mundo Mágico: O resgate de Flora



A literatura infantojuvenil ganha uma nova voz promissora com o lançamento de Mundo Mágico: O resgate de Flora (Amarelinha Editora, 176 páginas), obra de fantasia escrita pela jovem autora Bel Ito, de apenas 13 anos, e ilustrada por Erika Mitie. O livro apresenta uma narrativa marcada por aventura, amizade e superação, convidando leitores a mergulharem em um universo encantado povoado por fadas, desafios e descobertas. O evento oficial de lançamento está previsto para setembro, em São Paulo, na Livraria Bibla.

A trama acompanha a inesperada crise que se instala no Mundo Mágico quando Flora, a mais poderosa e respeitada guardiã daquele universo, desaparece misteriosamente. O sumiço provoca temor e insegurança entre os habitantes do reino encantado. Em meio ao caos, três jovens fadas — Lalá, Lilly e Lola — decidem assumir uma missão que muitos julgariam impossível: resgatar Flora e restaurar o equilíbrio do mundo que conhecem. A jornada conduz as protagonistas por uma sequência de desafios que exigem coragem, cooperação e confiança em si mesmas.

Por meio dessa aventura, Bel Ito constrói uma história que dialoga diretamente com temas como autoconfiança, amizade e determinação. A narrativa não se limita ao encantamento típico das histórias de fantasia, mas também se apresenta como um convite para que jovens leitores reconheçam o próprio potencial e enfrentem obstáculos com coragem.

Uma história que nasceu da imaginação infantil

Apesar da pouca idade, Bel Ito — cujo nome completo é Isabel Hatsue de Souza Ito — já demonstra uma relação profunda com a escrita. A autora começou a desenvolver Mundo Mágico: O resgate de Flora aos nove anos, inicialmente registrando suas ideias no papel. O processo criativo levou cerca de dois anos até que a história tomasse forma definitiva.

A jovem escritora explica que o universo retratado no livro nasceu de um espaço imaginativo que a acompanhou durante a infância. Inspirada por histórias fantásticas e personagens mágicos, Bel passou a criar seu próprio mundo como uma forma de expressão e também como refúgio emocional.

“Desde pequena sempre amei fadas, unicórnios e todos os tipos de seres mágicos, além de histórias de aventura cheias de emoção. Foi assim que criei o Mundo Mágico, um lugar para onde eu viajava quando precisava de conforto ou quando queria escapar da realidade por alguns minutos”, relata a autora.

Mais do que uma experiência criativa, Bel acredita no potencial transformador da literatura. Para ela, os livros têm a capacidade de ampliar horizontes, provocar reflexões e estabelecer conexões entre leitores de diferentes idades.

Uma jovem trajetória no universo literário

Nascida em São Paulo e residente em São Bernardo do Campo, Bel Ito demonstra desde cedo uma forte ligação com a leitura. Aprendeu a ler aos cinco anos e, pouco tempo depois, começou a escrever suas próprias histórias.

Em 2021, publicou de forma independente duas obras — Anita e o Dedo Mordido e Bel e suas Histórias — por meio da plataforma UICLAP. No mesmo período, teve poemas e contos selecionados para coletâneas organizadas pela Editora Philia em edições publicadas entre 2021 e 2023.

Seu envolvimento com o universo literário também se estende ao ambiente digital. Com o apoio e supervisão dos pais, Bel criou perfis no Instagram e no YouTube dedicados à divulgação da literatura infantojuvenil. Nessas plataformas, produz conteúdos como resenhas de livros, entrevistas com autores e registros de visitas a eventos literários e livrarias, transformando suas redes sociais em espaços de incentivo à leitura para crianças e adolescentes.

Ao longo dos últimos anos, a jovem também estabeleceu parcerias com redes de livrarias, incluindo a Livraria Leitura, desde 2021, e mais recentemente a Livraria Cultura. Em 2022, foi convidada para realizar sessões de contação de histórias no Colégio INSGRA, em São Paulo.

Além das atividades ligadas à produção literária, Bel participa de iniciativas sociais. Desde 2020, atua como voluntária no Projeto Leitura Amiga, programa que promove momentos de leitura para crianças que vivem em abrigos.

Sua presença em eventos literários também tem se ampliado. Em 2024, participou da Bienal do Livro de São Paulo, no Espaço Infâncias, em uma mesa ao lado da escritora Tatiana Corrales com o tema “Criança que lê é criança que cria”. No ano seguinte, integrou uma roda de conversa com jovens leitores mediada por Alessandra Effori, da Livraria Bibla.

Referências e inspirações

A imaginação que sustenta Mundo Mágico: O resgate de Flora é alimentada por diversas referências literárias e culturais. Entre as obras que influenciaram Bel estão clássicos como O Jardim Secreto, O Mágico de Oz e Poliana, além da trilogia Diário de uma Garota Alquimista. No audiovisual, produções como o filme Matilda (1996) e a série brasileira Detetives do Prédio Azul também figuram entre suas inspirações.

Experiências pessoais, como brincadeiras e histórias compartilhadas com familiares, especialmente sua avó e sua tia, também desempenharam papel importante no desenvolvimento do imaginário que deu origem ao livro.

Com ilustrações de Erika Mitie e projeto gráfico assinado por Andressa Lima, a obra combina texto e elementos visuais que ampliam a atmosfera fantástica da narrativa. A publicação marca a primeira incursão de Bel Ito no gênero fantasia, mas a autora já planeja expandir esse universo literário.

“Minha ideia é transformar a história em uma trilogia. Ainda estou desenvolvendo os próximos livros, mas quero continuar explorando esse mundo”, revela.

Sobre a obra

Mundo Mágico: O resgate de Flora
Autora: Bel Ito (Isabel Hatsue de Souza Ito)
Ilustrações: Erika Mitie
Projeto gráfico: Andressa Lima
Coordenação editorial: Anna Carol Neto
Revisão: Luciana Leal
Editora: Amarelinha Editora
176 páginas
ISBN: 978-65-983889-4-2

Escritora Tieko Irii é semifinalista na categoria Romance Publicado do Festival Loba 2025 com o livro “As ruas sem nome”


A escritora e artista visual nipo-brasileira Tieko Irii figura entre as dez semifinalistas da categoria Romance Publicado do Prêmio Loba 2025, com a obra As ruas sem nome (Editora Patuá, 2025). O anúncio das finalistas está previsto para o dia 22 de novembro, enquanto o resultado final deverá ser divulgado em dezembro, durante a programação oficial do Loba Festival, evento dedicado à valorização da produção literária feminina contemporânea.

Organizado anualmente, o Prêmio Loba se consolidou como uma das iniciativas relevantes de incentivo à escrita de mulheres no Brasil, contemplando 18 categorias que abrangem tanto obras publicadas quanto inéditas. Além da premiação literária, o festival promove uma programação cultural que inclui palestras, mesas de debate, encontros com autoras, atividades de networking e ações de estímulo à leitura, ampliando o diálogo sobre a presença feminina no campo editorial.

Publicado pela Editora Patuá, As ruas sem nome constrói uma narrativa de forte caráter autobiográfico que atravessa três gerações de uma família de imigrantes japoneses no Brasil, entrelaçando memórias íntimas e acontecimentos históricos. A obra parte da descoberta da autobiografia secreta de Hisashi Irii, pai da autora, e se expande para refletir sobre deslocamento, silêncio familiar, racismo estrutural e a busca por identidade dentro da diáspora nipo-brasileira.

“Quando meu pai finalmente contou sua história, entendi por que ele a manteve em segredo: era uma narrativa de tragédias, de transgressões e de coragem”, recorda a escritora. A autobiografia de Hisashi — que relata sua juventude no Japão devastado do pós-guerra, a fuga de casa e os anos de peregrinação pelo país antes da emigração para o Brasil — torna-se o eixo inicial de investigação da autora sobre suas próprias origens.

A partir dessa descoberta, Tieko amplia a narrativa familiar para uma reflexão mais ampla sobre memória coletiva e pertencimento. Ao reunir relatos de tios e parentes, percebe que a história de sua família é marcada por lacunas e silêncios herdados. “Ao ouvir os relatos dos meus tios, percebi que também havia muitas ausências. Pouco sabíamos sobre nossos avós e, assim como eu, eles evitavam revisitar certas feridas. Mas, ao situar nossa trajetória dentro da história do mundo, entendi que fazemos parte de um movimento coletivo. Somos frutos dessa história, mas também agentes dela”, afirma.

No livro, a autora articula sua trajetória pessoal com reflexões críticas sobre a herança cultural japonesa e brasileira, analisando conceitos como o mito do “perigo amarelo”, a ideia da “minoria modelo” e as estratégias de soft power japonês que moldaram a percepção social sobre descendentes asiáticos. Essas questões são examinadas à luz da formação histórica do Brasil e de seus paradoxos raciais.

“O projeto de branqueamento, o mito da democracia racial brasileira — que supostamente harmoniza brancos, negros e indígenas — e o racismo estrutural colocaram os descendentes asiáticos em um lugar paradoxal: não somos completamente aceitos, mas também nunca deixamos de ser vistos como estrangeiros”, analisa.

A publicação chega em um momento de crescente debate sobre representatividade asiática no Brasil, impulsionado por pesquisadores, artistas e coletivos antirracistas amarelos e asiáticos. Dentro dessa discussão, Tieko aborda temas como exotificação dos corpos asiáticos, invisibilidade social e a solidão de crescer nos anos 1980 sendo descendente de japoneses em um ambiente marcado por estereótipos e bullying.

Ainda assim, a autora enfatiza que sua narrativa não se restringe à denúncia social. “Também é uma história sobre desejos, sonhos, liberdade e a busca por um lugar ao sol”, afirma.

Estruturado em quatro partes, o livro alterna fragmentos da autobiografia de seu pai com memórias pessoais da autora — desde a infância em São Paulo até sua experiência vivendo no Japão no final dos anos 1980, período em que buscou compreender suas raízes culturais. A tentativa de reencontro com o país de origem, no entanto, também revelou novos deslocamentos.

“Foi um resgate étnico-identitário importante, mas não um ponto final. Percebi que somos feitos de múltiplas identidades. Não somos apenas brasileiros ou japoneses. Habitamos um ‘não lugar’ que, paradoxalmente, também se torna um lugar possível”, reflete.

Além da escrita, As ruas sem nome incorpora um trabalho visual desenvolvido pela própria autora. Tieko criou colagens a partir de arquivos familiares, reunindo fotografias, documentos e fragmentos de memória em um diálogo entre imagem e texto. Segundo ela, o processo artístico funcionou como uma forma de reconstruir histórias apagadas e dar materialidade às ausências.

“Essa foi a minha maneira de costurar afetos e silêncios, de tocar de outra forma a experiência de ser nipo-brasileira”, explica.

Sobre a autora

Tieko Irii é artista visual, diretora de arte e escritora nascida em São Paulo. Formada em Cinema pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) em 1988, construiu uma trajetória de mais de 25 anos no mercado publicitário e audiovisual. Ao longo da carreira, participou da direção de arte de produções marcantes do cinema e da televisão brasileira, entre elas Os Matadores (1987), O Menino Maluquinho 2 (1998), Castelo Rá-Tim-Bum (1999) e a série Retrato Falado, exibida pela Rede Globo.

Antes de se dedicar à escrita de As ruas sem nome, publicou três livros infantis. Entre 1989 e 1991, viveu no Japão, experiência que se tornaria fundamental para o desenvolvimento de sua pesquisa artística e literária sobre memória, diáspora, identidade, gênero e raça. O romance semifinalista do Prêmio Loba representa sua primeira obra autobiográfica de fôlego, consolidando uma reflexão que atravessa arte, história familiar e crítica social.

O sertão respira: narrativa ecológica evidencia protagonismo à Caatinga e reacende o interesse por Euclides da Cunha em seus 160 anos de nascimento

A memória de um dos episódios mais emblemáticos da história brasileira volta ao centro do debate literário e educacional com o lançamento de Era uma vez uma guerra na Caatinga (Editora Outra Margem), da escritora e educadora fluminense Fabiana Corrêa. A obra propõe uma abordagem original sobre a Guerra de Canudos ao unir narrativa histórica, consciência ambiental e educação, situando o leitor no universo sertanejo que inspirou Os sertões, clássico de Euclides da Cunha.

Diferentemente de uma adaptação direta do texto euclidiano, o livro constrói uma narrativa própria ambientada no mesmo contexto histórico e geográfico. O fio condutor da história é um narrador incomum: o calango Sertanejo, pequeno réptil típico da fauna da Caatinga, que observa e relata os acontecimentos ao redor do arraial liderado por Antônio Conselheiro. A escolha do personagem confere à narrativa uma perspectiva singular, capaz de aproximar o leitor da paisagem, da cultura e das tensões sociais que marcaram o sertão baiano no final do século XIX.

O lançamento da obra ocorrerá no dia 20 de janeiro, às 18h, na Casa Euclides da Cunha, em Cantagalo (RJ) — cidade natal do autor de Os sertões. A data também marca os 160 anos de nascimento do escritor, estabelecendo uma conexão simbólica entre o clássico da literatura brasileira e a releitura contemporânea proposta por Fabiana Corrêa.

Segundo a autora, o projeto nasceu de sua experiência como professora e do desejo de manter viva a memória histórica de Canudos. Durante anos, Fabiana trabalhou o tema em aulas de Ciências e Biologia, recorrendo à narrativa oral para contextualizar questões ambientais e sociais do sertão. “O livro surgiu da vontade de continuar contando essa história. Para substituir minha persona de professora contadora de histórias, escolhi um representante da fauna da Caatinga: o calango Sertanejo, aquele que tudo viu, ouviu e agora tem a missão de narrar”, afirma.

A narrativa acompanha a trajetória de Antônio Conselheiro — denominado no livro como “Peregrino” — e a formação do arraial de Belo Monte, nome dado pela própria comunidade ao povoado que a história oficial registrou como Canudos. Pela perspectiva do pequeno observador da Caatinga, o leitor percorre o cotidiano dos moradores, sua religiosidade, seus desafios e a tentativa de construir uma sociedade mais justa no interior do sertão.

Um dos aspectos centrais da obra é a valorização da Caatinga como elemento ativo da narrativa. Em diversos momentos, o bioma surge não apenas como cenário, mas como agente participante da história. Em uma das passagens mais intensas, durante os confrontos entre sertanejos e tropas militares, a própria vegetação torna-se aliada dos habitantes locais. Galhos retorcidos e espinhos secos dificultam o avanço dos soldados, enquanto trilhas conhecidas pelos moradores revelam caminhos estratégicos pela paisagem árida.

A estrutura do livro também estabelece um diálogo direto com a obra de Euclides da Cunha. Cada capítulo é antecedido e encerrado por trechos selecionados de Os sertões, criando uma ponte literária entre o texto clássico e a narrativa contemporânea. A proposta, segundo Fabiana Corrêa, é estimular o interesse pela leitura do original. “Não se trata de uma adaptação do texto de Euclides. É uma história que dialoga com sua obra e busca despertar no leitor a curiosidade e o desejo de ler o clássico em seu próprio tempo”, explica.

As ilustrações de Arthur Abreu reforçam o caráter sensorial e educativo da obra, contribuindo para representar a riqueza ecológica da Caatinga e a interação entre ambiente e sociedade. Essa abordagem dialoga diretamente com a própria leitura que Euclides da Cunha fez do sertão. Para a autora, o escritor foi um dos primeiros intelectuais brasileiros a reconhecer a relação entre o meio ambiente e as dinâmicas sociais do país. “Ele observou o sertão com rigor científico e sensibilidade crítica, antecipando discussões ambientais que hoje se tornaram centrais”, ressalta.

Além de narrativa literária, Era uma vez uma guerra na Caatinga representa também o registro de uma metodologia pedagógica desenvolvida por Fabiana ao longo de anos de atuação em sala de aula. Ao combinar literatura, história e educação ambiental, o livro busca ampliar o entendimento sobre Canudos e sobre o próprio sertão brasileiro.

“Contar essa história é uma forma de preservar a memória coletiva. Canudos precisa ser lembrado para que possamos compreender melhor nosso passado e refletir sobre o país que construímos”, afirma a autora.

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e especialista em Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Fabiana Corrêa nasceu em Bom Jardim e reside em Cordeiro, no interior fluminense. Durante mais de duas décadas, atuou como professora de Ciências e Biologia na rede privada de ensino, além de coordenar projetos educacionais, ambientais e culturais. Desde 2015, dedica-se integralmente à produção literária e às artes, com obras voltadas para diferentes faixas etárias.

O livro Era uma vez uma guerra na Caatinga pode ser adquirido diretamente no site da Editora Outra Margem:

https://www.editoraoutramargem.com.br/product-page/era-uma-vez-uma-guerra-na-caatinga-fabiana-corr%C3%AAa

Romance de estreia de Rafael Caneca resgata brutalidade dos campos de concentração da seca de 1932 no Ceará

Imagem: Divulgação/Acervo Pessoal

A literatura brasileira ganha uma nova obra de fôlego voltada à memória histórica com o lançamento de Não volte sem ele, romance de estreia do escritor e servidor público cearense Rafael Caneca. Publicado pela editora Mondru, o livro recorre à ficção histórica para revisitar um dos episódios mais duros e pouco discutidos da história social do Brasil: a criação dos chamados campos de concentração da seca durante a grande estiagem de 1932 no Ceará.

Com paratextos assinados pelos escritores Grecianny Cordeiro e Ronaldo Correia de Brito, a obra se insere na tradição do romance social nordestino ao abordar temas como violência institucional, desigualdade social, memória coletiva, religiosidade popular e resistência humana diante da adversidade. A narrativa se destaca pelo cuidado estilístico, pela construção psicológica de seus personagens e pelo resgate de um contexto histórico frequentemente relegado ao silêncio.

A ficção como instrumento de memória histórica

Ambientado em um dos períodos mais dramáticos do Nordeste brasileiro, o romance reconstrói o cenário criado pelo governo cearense durante a seca de 1932, quando milhares de sertanejos assolados pela fome e pela miséria foram confinados em espaços conhecidos como “currais do governo”. Esses locais, posteriormente denominados campos de concentração, tinham como objetivo impedir que retirantes migrassem para Fortaleza e outras cidades do litoral.

Segundo Rafael Caneca, tratava-se de uma política de contenção social marcada por forte repressão e segregação. “Foram estruturas criadas para conter e separar os mais pobres, sob uma violência estatal explícita, com o objetivo de evitar que os sertanejos famintos chegassem à capital e expusessem a dimensão da crise”, explica o autor.

Mesmo diante das condições extremas, o romance também enfatiza a dimensão espiritual e simbólica da sobrevivência. “Muitos sertanejos mantinham viva a esperança, sustentados pela fé, pela religiosidade popular e pela solidariedade entre os próprios retirantes”, acrescenta Caneca. Ao reconstruir esse cenário, o escritor busca devolver visibilidade a um capítulo histórico que, em suas palavras, “precisa ser lembrado para que jamais volte a se repetir”.

Uma jornada marcada pela resistência

No centro da narrativa está Tomás, jovem sertanejo que parte rumo à capital cearense em busca de seu irmão desaparecido, Antônio. A travessia do protagonista, marcada pela seca, pela fome e pela constante luta pela sobrevivência, ecoa a experiência de milhares de nordestinos que enfrentaram o drama da estiagem e as duras políticas de confinamento impostas pelo Estado.

Para o escritor Ronaldo Correia de Brito, a obra revela a vitalidade de uma tradição literária profundamente ligada à realidade social do país. “O livro evidencia a permanência da força estética e temática do Romance de 30 na nova geração de escritores brasileiros”, afirma.

Já Grecianny Cordeiro ressalta a dimensão simbólica da paisagem e da cultura sertaneja presentes na narrativa. “O sertão pulsa em cada página, assim como a coragem de um povo moldado pela fé, pela resistência e pela esperança”, observa.

Do conto ao romance



A gênese de Não volte sem ele remonta à participação de Rafael Caneca no Coletivo Delirantes, grupo literário que reúne autores como Stênio Gardel e Marília Lovatel. Durante a preparação de uma coletânea inspirada em episódios históricos do Ceará associados a antigas estações ferroviárias, Caneca escolheu abordar o tema da seca de 1932 e dos campos de concentração instalados na região de Senador Pompeu.

Inicialmente, o projeto resultou no conto intitulado Patu. No entanto, ao aprofundar a pesquisa histórica e desenvolver os personagens, o autor percebeu que a narrativa exigia uma dimensão mais ampla. O conto foi então expandido ao longo de cerca de dois anos de investigação e escrita, transformando-se no romance que agora chega ao público.

“Estudar esse episódio em profundidade foi uma experiência transformadora”, afirma o escritor. “Conhecer os detalhes desse período reforçou em mim um profundo sentimento de repulsa por acontecimentos que, em nenhuma circunstância, podem se repetir.”

Trajetória literária

Rafael Caneca, de 40 anos, é servidor público e atua como assessor jurídico no Ministério Público do Estado do Ceará. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e especialista em Direito Internacional, mantém uma relação antiga com a escrita, iniciada ainda na infância.

Há mais de uma década, o autor também administra o perfil literário Pacote de Textos, dedicado à divulgação de literatura e ao incentivo à leitura. Integrante do Coletivo Delirantes, Caneca já recebeu reconhecimento em concursos literários, incluindo o primeiro lugar no Prêmio de Literatura BNB Clube de 2017, com o conto Tapera. Também recebeu menções honrosas do Ideal Clube em 2012 e 2014.

Em 2023, foi homenageado na Semana do Ministério Público ao lado de nomes consagrados da literatura cearense e brasileira, como José de Alencar, Rachel de Queiroz e Moreira Campos.

Entre suas principais influências literárias estão autores como Machado de Assis, Graciliano Ramos e José Saramago. Fora da literatura, o escritor também menciona referências musicais diversas, como Iron Maiden, Dream Theater, Angra e Titãs.

Atualmente, Caneca trabalha em dois novos projetos literários: um romance inspirado na queda do Edifício Andrea, ocorrida em Fortaleza em 2019, e uma coletânea de contos que exploram tragédias humanas ambientadas em cenários paradisíacos. Seu estilo narrativo, segundo o próprio autor, combina linguagem direta, ironia sutil e uma constante preocupação com a crítica social.

Ficha técnica

Título: Não volte sem ele
Autor: Rafael Caneca
Gênero: Romance / Ficção histórica
Editora: Mondru

Aos 74 anos, finalista do Prêmio LeYa Portugal transforma perdas e memória em literatura no romance “As vontades do vento”

Imagem: Acervo Pesoal / Divulgação

A literatura brasileira ganha novos contornos de maturidade e experimentação na trajetória do artista visual e escritor maranhense Jozias Benedicto. Aos 74 anos, o autor lança o romance As vontades do vento (Caravana Grupo Editorial, 195 páginas), obra que alcançou a posição de finalista do Prêmio LeYa Portugal de Literatura 2024 e consolida uma carreira literária iniciada relativamente tarde, mas marcada por reconhecimento e consistência artística.

Benedicto começou a publicar depois dos 60 anos, etapa da vida em que muitos artistas já encerraram seus ciclos criativos. No entanto, para ele, foi justamente a maturidade que abriu espaço para uma fase de intensa produção e liberdade estética. Desde a estreia literária, o autor já publicou nove livros e acumulou premiações importantes, entre elas o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais, o Prêmio da Fundação Cultural do Maranhão e o Prêmio de Literatura do Estado do Pará.

Em As vontades do vento, Jozias constrói uma narrativa que transita entre memória, ficção e realismo fantástico para investigar temas universais como o tempo, a morte, os vínculos familiares e os processos de reconstrução pessoal. A obra revela uma prosa sofisticada, em que diferentes vozes narrativas compõem um mosaico sensorial que atravessa ambientes rurais e urbanos do Brasil profundo.

Segundo a escritora Andreia Fernandes, responsável pelo texto da orelha do livro, a força do romance está na habilidade técnica do autor em adaptar a estrutura concisa do conto a uma narrativa longa, sem perder densidade estética. “Com domínio absoluto da linguagem e da técnica narrativa, o autor transpõe a estrutura do conto para o romance. Cada capítulo apresenta vozes distintas, com seus lugares, cheiros e atmosferas — de um vilarejo interiorano às grandes cidades — sem romper a unidade da história”, observa.

A trama mergulha na história de uma família marcada por segredos, tensões sociais e heranças históricas que incluem relações com o clero, a prostituição e as marcas persistentes do passado escravocrata. Narrado por múltiplos personagens — inclusive por aqueles que já morreram — o romance adota elementos de realismo fantástico para ampliar o alcance simbólico da narrativa e dar voz às memórias que atravessam gerações.

Para o autor, a obra também reflete os contrastes estruturais da sociedade brasileira. Ao abordar o choque entre tradição e modernização, o romance expõe os efeitos de um desenvolvimento desigual que frequentemente se manifesta em violência social, rupturas familiares e deslocamentos humanos.

“Nunca quis escrever ensaio ou não ficção, nem um romance realista e engajado”, afirma Benedicto. “Meu caminho foi o oposto: trabalhar esses temas por meio da ficção, explorando dimensões mágicas e fantásticas que ampliam o olhar sobre a realidade.”

A arquitetura narrativa de As vontades do vento reforça essa proposta estética. Dividido em três partes — O Interior, A Travessia e A Capital — o livro reúne 49 capítulos narrados em primeira pessoa por diferentes personagens. No centro da história está uma família composta pelo pai, um mascate que percorre cidades vendendo mercadorias de porta em porta, a mãe e os três filhos — Joaquim, Pedro e Bento. Ao redor desse núcleo surgem figuras que integram o cotidiano doméstico e social da família, como Mocinha, a empregada, e Elisa, uma cafetina.

Entre os personagens decisivos para o desfecho da narrativa estão a avó materna e seu irmão, um monsenhor já falecido que, no imaginário do pequeno vilarejo onde se passa parte da trama, é visto como uma espécie de santo popular.

A história se inicia com a morte da mãe e com a promessa dos filhos de cumprir seu último desejo. Antes da viagem que marca o presente narrativo, contudo, o romance retorna ao passado e reconstrói a trajetória da família, revelando o caminho que vai da ascensão social acelerada à decadência que conduz os herdeiros a uma existência marcada por perdas e deslocamentos.

A multiplicidade de narradores constitui um dos principais recursos literários da obra. Ao alternar perspectivas, Jozias Benedicto amplia a compreensão dos acontecimentos e expõe as motivações íntimas de cada personagem. Episódios revisitados sob diferentes pontos de vista ganham maior densidade dramática e mantêm um ritmo narrativo que combina introspecção e tensão. O desfecho, carregado de impacto emocional, reafirma a singularidade de sua escrita.

Nascido em São Luís, no Maranhão, em 1950, Jozias Benedicto mudou-se para o Rio de Janeiro aos 15 anos, cidade onde viveu grande parte de sua trajetória. Entre 2006 e 2010 residiu em Brasília e, desde 2022, divide-se entre o Brasil e Lisboa. Formado em Tecnologia da Informação, trabalhou na área entre as décadas de 1970 e 2010. Após se aposentar, decidiu dedicar-se integralmente às artes, explorando especialmente o diálogo entre literatura e artes visuais.

Sua formação artística inclui duas pós-graduações pela PUC-Rio: Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo (2014–2015) e Corpo e Palavra nas Artes da Cena e da Imagem (2021–2022). Entre 2010 e 2016 atuou como editor na editora Apicuri e também desenvolve trabalhos como curador e autor de textos críticos para exposições de arte. Paralelamente, publica crônicas e resenhas no portal luso-brasileiro Estrategizando.

A estreia literária ocorreu em 2013 com o livro de contos Estranhas criaturas noturnas. Desde então, Benedicto construiu uma obra que transita entre poesia, contos e romance, consolidando uma carreira que já recebeu distinções como o Prêmio Moacyr Scliar, além de premiações literárias concedidas por instituições culturais de diferentes estados brasileiros. Também foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura e agora do Prêmio LeYa Portugal com As vontades do vento.

Para o autor, a escrita também desempenhou um papel importante no enfrentamento de experiências pessoais difíceis, como a morte da mãe e um incêndio que destruiu seu apartamento. Ainda assim, ele ressalta que o valor de uma obra literária não está no processo íntimo de quem a escreve, mas na capacidade de dialogar com o leitor.

“Ainda que o livro tenha me ajudado a atravessar traumas, não é o efeito terapêutico que me move como artista”, afirma. “O que realmente importa é saber se a obra consegue alcançar quem a lê.”

Trecho do livro (p. 57):

“Meu pai tinha uma relação singular, uma relação física, quase sensual, com o dinheiro. Gostava de contar as cédulas e as moedas, limpá-las, arrumá-las por valor, sentir seu cheiro, avaliar o peso e o volume de pilhas dobradas ou de moedas empilhadas (...). Tinha grande facilidade para as operações matemáticas e se sentia feliz com a concretude da riqueza, o cofre cheio, a carteira pesada. Não era gastador inconsequente, mas também não era avaro — esse prazer talvez o fizesse acreditar que o tão amado bem nunca deixaria de fluir para ele.”

Livro de contos destaca mulheres amazônicas atravessadas por trabalho, migração e resistência

Imagem: Divulgação / Acervo pessoal

A escritora manauara Myriam Scotti lança em Sol abrasador prepara solo fértil (Editora Orlando) uma coletânea de contos que mergulha nas experiências de mulheres amazônicas atravessadas por transformações históricas, desigualdades sociais e pelas sucessivas ondas de exploração econômica que marcaram a região. A obra constrói um panorama sensível e crítico da vida feminina em Manaus e em outras cidades do Amazonas, acompanhando personagens que crescem, trabalham, migram ou retornam à capital carregando expectativas, perdas e afetos acumulados ao longo do tempo.

As narrativas apresentam mulheres que começaram a trabalhar ainda jovens, sustentam famílias inteiras e enfrentam decisões impostas por contextos sociais muitas vezes adversos. A partir dessas trajetórias, Scotti desenvolve contos que percorrem diferentes períodos históricos da Amazônia — do auge do ciclo da borracha até o presente — evidenciando como os projetos de desenvolvimento e os processos de exploração econômica moldam de forma direta as oportunidades, os deslocamentos e as escolhas dessas personagens.

Com uma prosa que transita entre o lirismo e a dureza da realidade social, a autora ambienta suas histórias tanto em comunidades do interior quanto nos espaços urbanos de Manaus. Em vez de tratar as personagens como símbolos ou alegorias, Scotti as apresenta como sujeitos complexos, atravessados por experiências concretas de trabalho, maternidade, solidão e pela busca constante por dignidade em um território marcado por profundas desigualdades.

O livro conta com apresentação da escritora e jornalista Bianca Santana, colunista da Folha de S.Paulo, e texto de orelha assinado pela escritora e crítica literária Thaís Campolina. Ambas destacam a força narrativa da obra e o compromisso da autora em retratar mulheres amazônicas para além de estereótipos recorrentes.

Embora represente sua estreia no gênero conto, Sol abrasador prepara solo fértil integra uma trajetória literária já consolidada. Myriam Scotti foi vencedora do Prêmio Manaus de Literatura em 2020, teve obras selecionadas pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e foi finalista do Prêmio Pena de Ouro 2021 na categoria conto. Em 2023, também conquistou o segundo lugar na categoria conto do Prêmio Off Flip, realizado durante a tradicional Festa Literária Internacional de Paraty.

Em sua escrita, Scotti dialoga com tradições da literatura brasileira associadas a autores como João Ubaldo Ribeiro e Milton Hatoum, mas constrói uma perspectiva própria, profundamente enraizada na experiência amazônica. Para a autora, Manaus não é apenas cenário, mas um elemento estruturante das histórias. “A cidade molda desejos, frustrações e trajetórias de vida”, afirma.

Nos contos, Scotti evita tanto a romantização da floresta quanto a representação simplificada das mulheres amazônicas como vítimas passivas. Ao contrário, suas personagens revelam força, contradições e capacidade de resistência diante de contextos históricos muitas vezes marcados pela exploração econômica e pela precariedade social. Histórias como “Terra Prometida” e “O Soldado da Borracha” abordam conflitos sociais e ambientais sem perder de vista a dimensão íntima e singular de cada personagem.

Escrito ao longo de sete anos, o livro também reflete o diálogo entre a formação jurídica e literária da autora. “O Direito me ensinou a enxergar estruturas de poder; a Literatura me deu as ferramentas para humanizá-las”, observa Scotti, sintetizando o processo de construção da obra.

No texto de orelha, Thaís Campolina destaca que as personagens da coletânea “não são necessariamente migrantes, mas todas vivem os dilemas de permanecer, partir ou retornar a Manaus”. Segundo a crítica, a cidade assume diferentes significados ao longo das histórias, variando de acordo com o tempo histórico, a classe social, o gênero e a origem de cada personagem — ora representando promessa e esperança, ora evocando saudade, tensão e pertencimento.

Já na apresentação do livro, Bianca Santana ressalta o compromisso da autora em retratar mulheres amazônicas em toda a sua complexidade. Para a jornalista, as personagens de Scotti não se encaixam em arquétipos simplificados: “não são heroínas no sentido convencional, tampouco vítimas passivas dos ciclos de exploração que atravessam suas histórias”. São mulheres apresentadas em sua inteireza, marcadas por trabalho, migração, amor, saudade e desigualdade, mas também por sua capacidade de sentir, resistir e reinventar a própria vida.

Sobre a autora

Myriam Scotti nasceu em 1981, em Manaus (AM). É escritora, crítica literária e mestre em Literatura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Seu romance Terra Úmida venceu o Prêmio Literário Cidade de Manaus 2020. Em 2021, publicou o romance juvenil Quem chamarei de lar? (Editora Pantograf), obra aprovada no PNLD Literário e selecionada pelo edital Biblioteca de São Paulo.

Em 2023, lançou o livro de poemas Receita para explodir bolos (Editora Patuá). Embora escreva desde a infância, transformou a literatura em atividade profissional a partir de 2014. Atualmente, desenvolve dois novos projetos de romance — um de ambientação contemporânea e outro de temática histórica.

Sol abrasador prepara solo fértil está disponível no site da Editora Orlando:
https://editoraorlando.com.br/produto/sol-abrasador-prepara-solo-ferti

Caos, baratas e teimosia: Jacquin enfrenta um dos casos mais difíceis de “Pesadelo na Cozinha” ao tentar salvar restaurante Casa do Norte em São Paulo

Imagem: Band/Divulgação

O mais recente episódio do programa Pesadelo na Cozinha trouxe à tona um dos retratos mais caóticos já exibidos pela atração. Sob o comando do chef francês Érick Jacquin, o reality gastronômico visitou a “Casa do Norte”, restaurante localizado no bairro da Barra Funda, em São Paulo, que luta para sobreviver após anos de prejuízos financeiros, conflitos internos e sérios problemas de gestão.

Com 15 anos de história, o estabelecimento tenta preservar a tradição da culinária nordestina em plena capital paulista. Porém, o episódio mostrou que, por trás da proposta cultural, há uma operação desorganizada e marcada por disputas familiares, teimosia administrativa e uma cozinha incapaz de acompanhar o ritmo exigido por um restaurante urbano.

Uma herança difícil de administrar

A Casa do Norte é comandada por Ivana, de apenas 28 anos, que assumiu a gerência e a propriedade após herdar o negócio da família. O restaurante foi criado por seu pai, Luís Barros Leitão, em parceria com o irmão Reizinho, ambos vindos do interior do Ceará. Depois de anos trabalhando como funcionários em restaurantes de São Paulo, os irmãos decidiram apostar na culinária regional nordestina, que conquistou um público fiel na cidade.

Na prática, porém, a sucessão familiar não ocorreu de forma tranquila. Ivana se vê dividida entre administrar o restaurante e lidar com o temperamento difícil do pai, descrito pelos próprios funcionários como uma pessoa “teimosa”, “explosiva” e resistente a mudanças.

Essa tensão familiar acaba refletindo diretamente na rotina do restaurante. A equipe trabalha sem uma hierarquia clara, decisões são frequentemente contestadas e mudanças estruturais parecem impossíveis de implementar.

Uma cozinha em colapso

Ao chegar ao restaurante, Jacquin rapidamente percebeu que os problemas iam muito além da gestão. A cozinha da Casa do Norte foi descrita pelos próprios funcionários como um espaço pequeno, extremamente quente, desorganizado e incapaz de manter padrões mínimos de higiene durante o serviço.

Entre os depoimentos, um dos mais reveladores veio de Jorge, gerente do restaurante há nove meses. Segundo ele, a estrutura do estabelecimento teria potencial para funcionar muito melhor, mas a falta de organização e planejamento transforma cada turno em uma corrida caótica contra o tempo.

Na linha de frente da cozinha está Soudo Tavares da Fonseca, que acumula funções como cozinheiro e chapeiro. Ele e outros membros da equipe apontam que o fluxo de pedidos frequentemente se perde, os pratos demoram para sair e muitas receitas do cardápio simplesmente deixam de ser preparadas por falta de estrutura ou ingredientes.

Esse cenário caótico se agrava por um fator decisivo: o cardápio.

O cardápio de 12 páginas que virou problema

Um dos principais pontos de crítica do chef Jacquin foi o tamanho do cardápio da Casa do Norte. Com 12 páginas, o menu tenta agradar todos os tipos de clientes — oferecendo desde pratos típicos nordestinos até opções mais genéricas da culinária brasileira.

Na teoria, a estratégia busca ampliar o público. Na prática, cria uma operação quase impossível de administrar.

Com tantas opções, a cozinha não consegue manter consistência nos pratos. Alguns pedidos demoram excessivamente para sair, enquanto outros acabam nem sendo preparados por falta de organização ou preparo prévio.

Para Jacquin, a lógica é simples: quanto maior o cardápio, maior o risco de perda de qualidade.

Comida criticada e problemas de higiene

Durante a avaliação dos pratos, o chef francês não poupou palavras. A comida foi classificada como “velha”, “gordurosa”, “sem sabor” e com “gosto de óleo”.

Mas o momento mais constrangedor do episódio veio quando surgiram evidências de problemas graves de higiene.

Funcionários relataram a presença frequente de baratas no restaurante. Em um dos momentos exibidos, um desses insetos aparece no ambiente, causando indignação entre clientes e equipe. Segundo os funcionários, o problema estaria ligado à localização do restaurante no centro da cidade, onde baratas sairiam dos bueiros devido ao calor.

Apesar das explicações e da alegação de dedetizações regulares, o incidente deixou claro que o controle sanitário do estabelecimento está longe do ideal.

Resistência às críticas

Outro elemento que marcou o episódio foi a dificuldade da equipe em aceitar as críticas de Jacquin.

Em vários momentos, os funcionários tentaram justificar os problemas alegando que a culinária nordestina possui características próprias ou que as condições do restaurante são difíceis de controlar.

Essa postura defensiva irritou o chef, que destacou que tradição gastronômica não pode servir como desculpa para desorganização ou falta de higiene.

A tensão atingiu o auge quando Jacquin decidiu realizar um gesto simbólico: quebrar a “boqueta” — a abertura que conecta a cozinha ao salão.

Para ele, aquele espaço representava a desconexão entre o que era prometido ao cliente e o que realmente saía da cozinha.

Um puxão de orelha em forma de repente

Em uma das cenas mais inusitadas do episódio, Jacquin convidou dois repentistas pernambucanos para cantar improvisos sobre os problemas da Casa do Norte.

No melhor estilo da tradição nordestina, os artistas transformaram as críticas do chef em versos rimados que abordavam a sujeira, a má gestão e o descontrole da cozinha.

A performance, ao mesmo tempo cômica e constrangedora, serviu como uma espécie de espelho cultural para os donos do restaurante — reforçando que a cultura nordestina merece respeito e qualidade, não improvisação desleixada.

Reforma e recomeço

Apesar do cenário inicial desolador, o episódio terminou com uma transformação visual significativa.

A Casa do Norte passou por uma reforma completa. O salão ganhou uma estética inspirada na cultura nordestina, com decoração mais organizada e acolhedora. A cozinha foi ampliada, reorganizada e equipada com novos utensílios, criando um ambiente mais funcional.

O cardápio também foi reduzido e reformulado, mantendo pratos tradicionais da culinária nordestina, mas com foco em qualidade e eficiência operacional.

A equipe recebeu novos uniformes, marcando simbolicamente um novo começo para o restaurante.

Um episódio que expõe fragilidades do formato

Embora a transformação visual seja impressionante — como já se tornou marca registrada do programa — o episódio levanta uma questão recorrente em Pesadelo na Cozinha: até que ponto as mudanças estruturais são suficientes para resolver problemas culturais profundamente enraizados?

A resistência da família às críticas e a dificuldade de aceitar mudanças sugerem que o verdadeiro desafio da Casa do Norte não está apenas na cozinha ou no cardápio, mas na mentalidade da gestão.

Sem uma mudança real na forma de administrar o negócio, há o risco de que os velhos problemas retornem assim que as câmeras forem desligadas.

Expectativas para o futuro do programa

O episódio reforça por que Pesadelo na Cozinha continua sendo um dos realities gastronômicos mais intensos da televisão brasileira. O programa consegue revelar não apenas falhas culinárias, mas também conflitos familiares, falhas administrativas e a dura realidade de pequenos restaurantes lutando para sobreviver.

Ao mesmo tempo, a atual fase do programa tem enfrentado críticas de parte do público por temporadas curtas e espaçadas.

Se a atração ganhar uma sexta temporada — algo que fãs já aguardam — a expectativa é que ela venha mais robusta: com mais episódios, acompanhamento de longo prazo dos restaurantes e talvez até revisitas para mostrar o que realmente aconteceu após as reformas.

Porque, no fim das contas, o verdadeiro teste de qualquer restaurante não acontece diante das câmeras, mas sim na rotina implacável de cada novo serviço. 

Pesadelo na Cozinha expõe crise profunda no Boteco Malum e reforça necessidade de uma temporada mais ambiciosa

Imagem: BAND / Divulgação

O episódio mais recente de Pesadelo na Cozinha colocou o chef francês Erick Jacquin diante de mais um cenário de colapso administrativo e culinário. Desta vez, o desafio foi tentar resgatar o Boteco Malum, um estabelecimento que, apesar de ocupar uma localização privilegiada, revela um funcionamento marcado por improviso, conflitos internos e falta de identidade gastronômica.

Desde os primeiros minutos da visita, Jacquin percebe que o problema do restaurante vai muito além de um cardápio mal executado. A raiz da crise parece estar na ausência de direção clara e de liderança dentro do negócio, comandado por Vera, proprietária do boteco. Ao ser questionada sobre a proposta do estabelecimento, ela mesma demonstra insegurança: não sabe definir se o local funciona como bar, restaurante ou boteco tradicional.

A indefinição reflete duas décadas de tentativas frustradas de consolidar um conceito. Vera admite que, após 20 anos de funcionamento, ainda não conseguiu transformar o espaço no boteco que imaginava. Em um momento de franqueza diante das câmeras, a proprietária chega a reconhecer suas próprias dificuldades na gestão do negócio, afirmando que as coisas simplesmente não fluem como deveriam.

O cenário fica ainda mais delicado quando se observa a dinâmica entre os funcionários. A equipe trabalha em clima constante de tensão, agravado por falhas estruturais e pela ausência de organização operacional. A irmã de Vera também atua no local, mas, segundo relatos da própria equipe, sua presença acaba mais atrapalhando do que ajudando na rotina do restaurante.

Cardápio inflado e execução desastrosa

A avaliação gastronômica conduzida por Jacquin revelou um dos problemas centrais do Boteco Malum: um cardápio excessivamente amplo para a estrutura da cozinha. Para o chef, a quantidade de pratos oferecidos torna praticamente impossível garantir qualidade e consistência.

Entre os itens avaliados, a chamada “Salada Malum”, que leva o nome da casa, tornou-se símbolo das falhas do restaurante. Jacquin ironiza o fato de “malum” remeter, em latim, à ideia de algo ruim, comentário que acabou refletindo sua experiência com o prato. A maçã utilizada na salada estava escurecida e mal cortada, e o conjunto foi considerado desleixado, especialmente considerando o preço de R$ 37.

Outros pratos também passaram longe de agradar o chef. O salmão servido com molho de alcaparras e purê de batata apresentou problemas de tempero e textura. Já a picanha brasileira, um dos clássicos do cardápio, foi descrita como mal preparada e sem sabor.

A sequência de avaliações negativas reforçou a impressão de que o restaurante sofre com uma cozinha sem padrão, onde receitas são executadas sem técnica definida e sem controle de qualidade.

Cozinha caótica e conflitos entre funcionários

Se a comida já revelava fragilidades, o funcionamento da cozinha expôs um quadro ainda mais preocupante. Durante o serviço, Jacquin observa demora excessiva na saída dos pratos, barulho constante e desorganização generalizada.

Os profissionais que trabalham na cozinha também vivem em atrito frequente. O chapeiro José e o cozinheiro Cosmo protagonizam discussões enquanto tentam dar conta das comandas. Débora, outra integrante da equipe, é constantemente advertida por falar alto e por atitudes consideradas desrespeitosas dentro do ambiente de trabalho.

Esse clima de tensão permanente evidencia uma equipe desgastada, que tenta operar em um sistema sem regras claras e sem liderança efetiva.

Problemas graves de higiene

Além das dificuldades operacionais, Jacquin também identifica falhas sérias nas condições sanitárias do restaurante. A geladeira estava suja e com acúmulo excessivo de gelo, enquanto a câmara fria — essencial para o armazenamento adequado de alimentos — estava quebrada havia dois meses.

Mesmo assim, o equipamento continuava sendo utilizado para guardar produtos que deveriam estar sob refrigeração adequada. Em outro momento crítico, o chef flagra Débora lavando louças no mesmo espaço onde os alimentos são preparados, prática que representa risco direto de contaminação.

A ausência de etiquetas com datas de validade em alimentos congelados também chamou atenção, revelando a inexistência de controle mínimo sobre o estoque da cozinha.

Diagnóstico duro e necessidade de mudança

Ao final do primeiro dia, Jacquin reúne toda a equipe para um diagnóstico contundente. Em sua avaliação, o Boteco Malum sofre de três problemas fundamentais: falta de identidade, ausência de organização e uma comida de qualidade apenas “mediana”.

Para o chef, antes de qualquer mudança no cardápio, será necessário instaurar disciplina no ambiente de trabalho, reorganizar a cozinha e estabelecer uma liderança clara capaz de conduzir a equipe.

Jacquin também deixa claro que o processo de transformação exigirá esforço coletivo. Ele afirma que será extremamente exigente nos dias seguintes e espera ver uma mudança radical no funcionamento do restaurante.

Um retrato recorrente da série

O episódio também reforça uma característica marcante de Pesadelo na Cozinha: o programa frequentemente revela que os problemas dos restaurantes não se limitam à comida. Na maioria dos casos, falhas de gestão, conflitos pessoais e falta de planejamento acabam sendo as verdadeiras causas do declínio dos estabelecimentos.

No caso do Boteco Malum, a trajetória de duas décadas sem definição clara de conceito mostra como a ausência de estratégia pode comprometer até mesmo negócios com boa localização e clientela potencial.

Expectativas para o futuro da série

Embora a tentativa de recuperação do Boteco Malum siga o formato tradicional do programa — diagnóstico duro, intervenção intensa e promessa de transformação — o episódio também reacende um debate entre os fãs da atração: a necessidade de uma nova temporada mais ampla.

Desde sua estreia, Pesadelo na Cozinha conquistou público ao mostrar histórias reais de restaurantes à beira da falência e a personalidade explosiva de Jacquin diante de situações absurdas. No entanto, muitos episódios acabam deixando a sensação de que as histórias poderiam ser exploradas com mais profundidade.

Com a consolidação do programa na televisão brasileira, cresce a expectativa de que a quinta temporada seja mais robusta, com maior número de episódios e acompanhamento mais detalhado das mudanças promovidas pelo chef.

Histórias como a do Boteco Malum demonstram que material não falta. O que o público parece desejar agora é mais tempo para acompanhar essas transformações — e, quem sabe, entender se os restaurantes realmente conseguem sobreviver depois que as câmeras vão embora.

5 receitas deliciosas com banana-da-terra


A banana-da-terra é um ingrediente muito utilizado na culinária brasileira, africana e latino-americana. Diferente da banana comum, ela costuma ser consumida cozida, frita, assada ou grelhada, pois possui textura mais firme e sabor menos doce quando crua.

Rica em potássio, fibras e carboidratos, a banana-da-terra é um alimento energético que combina tanto com pratos salgados quanto com sobremesas.

A seguir estão cinco receitas simples com banana-da-terra.


1. Banana-da-terra frita

Ingredientes

  • 2 bananas-da-terra maduras

  • óleo ou manteiga para fritar

  • uma pitada de sal (opcional)

Modo de preparo

  1. Descasque as bananas e corte em rodelas ou tiras.

  2. Aqueça óleo ou manteiga em uma frigideira.

  3. Coloque as fatias de banana na frigideira.

  4. Frite até ficarem douradas.

  5. Vire para dourar dos dois lados.

  6. Retire e escorra em papel toalha.

Dica

Sirva com arroz e feijão ou como acompanhamento de carnes.


2. Purê de banana-da-terra

Ingredientes

  • 3 bananas-da-terra maduras

  • 2 colheres de sopa de manteiga

  • 1/2 xícara de leite

  • sal a gosto

Modo de preparo

  1. Descasque e corte as bananas em pedaços.

  2. Cozinhe em água por cerca de 10 minutos.

  3. Escorra e amasse bem com um garfo.

  4. Acrescente manteiga e leite.

  5. Misture até formar um purê cremoso.

  6. Tempere com uma pitada de sal.

Dica

Combina muito bem com carnes grelhadas.


3. Banana-da-terra assada com canela

Ingredientes

  • 2 bananas-da-terra maduras

  • 1 colher de sopa de manteiga

  • 1 colher de chá de canela

  • 1 colher de sopa de açúcar mascavo (opcional)

Modo de preparo

  1. Corte as bananas ao meio no sentido do comprimento.

  2. Coloque em uma assadeira.

  3. Espalhe manteiga por cima.

  4. Polvilhe canela e açúcar mascavo.

  5. Asse em forno a 180 °C por cerca de 20 minutos.

Dica

Sirva quente como sobremesa.


4. Farofa de banana-da-terra

Ingredientes

  • 2 bananas-da-terra

  • 2 colheres de sopa de manteiga

  • 1/2 cebola picada

  • 1 xícara de farinha de mandioca

  • sal

  • cheiro-verde

Modo de preparo

  1. Corte as bananas em cubos.

  2. Derreta a manteiga em uma frigideira.

  3. Refogue a cebola até dourar.

  4. Acrescente a banana e cozinhe até dourar.

  5. Adicione a farinha de mandioca.

  6. Misture bem e tempere com sal.

  7. Finalize com cheiro-verde.

Dica

Ótimo acompanhamento para churrasco.


5. Escondidinho de banana-da-terra com carne

Ingredientes

  • 3 bananas-da-terra maduras

  • 300 g de carne moída

  • 1/2 cebola picada

  • 1 tomate picado

  • 1 colher de sopa de azeite

  • 1/2 xícara de queijo ralado

  • sal e pimenta

Modo de preparo

  1. Cozinhe as bananas e amasse até formar um purê.

  2. Refogue a cebola no azeite.

  3. Acrescente a carne moída e cozinhe até dourar.

  4. Adicione o tomate e tempere.

  5. Em uma forma, coloque uma camada de purê.

  6. Acrescente a carne e cubra com mais purê.

  7. Polvilhe queijo e leve ao forno por 20 minutos.

Dica

Esse prato é muito popular na culinária nordestina.


Curiosidade

A banana-da-terra é muito consumida em países da África e do Caribe. Em muitas culturas ela é considerada equivalente ao arroz ou à batata, servindo como base energética das refeições.

4 receitas simples e saborosas com quiabo


O quiabo é um ingrediente muito presente na culinária brasileira, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste. Rico em fibras, vitaminas A, C e minerais, ele é conhecido por sua textura característica e por combinar muito bem com carnes, frango e preparações vegetarianas.

Embora algumas pessoas evitem o quiabo por causa da “baba”, existem técnicas simples de preparo que ajudam a reduzi-la, como cozinhar em fogo alto, usar limão ou vinagre e evitar mexer demais durante o cozimento.

A seguir estão quatro receitas práticas com quiabo.


1. Quiabo refogado com alho

Ingredientes

  • 400 g de quiabo

  • 2 dentes de alho picados

  • 2 colheres de sopa de azeite

  • sal a gosto

  • pimenta-do-reino

  • suco de meio limão

Modo de preparo

  1. Lave bem os quiabos e seque com um pano.

  2. Corte em rodelas médias.

  3. Aqueça o azeite em uma frigideira.

  4. Refogue o alho até dourar.

  5. Acrescente o quiabo e cozinhe em fogo médio-alto.

  6. Tempere com sal, pimenta e limão.

  7. Cozinhe por cerca de 8 minutos.

Dica

Evite mexer demais para não aumentar a baba.


2. Frango com quiabo (receita tradicional)

Ingredientes

  • 500 g de frango em pedaços

  • 300 g de quiabo

  • 1 cebola picada

  • 3 dentes de alho

  • 2 tomates picados

  • 2 colheres de sopa de óleo ou azeite

  • sal e pimenta

  • cheiro-verde

Modo de preparo

  1. Tempere o frango com sal e pimenta.

  2. Doure o frango em uma panela com óleo.

  3. Acrescente cebola e alho e refogue.

  4. Adicione os tomates picados.

  5. Cozinhe por alguns minutos até formar um molho.

  6. Acrescente o quiabo cortado.

  7. Cozinhe por cerca de 15 minutos.

Dica

Sirva com arroz branco e angu.


3. Quiabo empanado crocante

Ingredientes

  • 400 g de quiabo

  • 1 ovo

  • 1/2 xícara de farinha de trigo

  • 1/2 xícara de farinha de milho ou fubá

  • sal

  • pimenta

  • óleo para fritar

Modo de preparo

  1. Corte os quiabos em pedaços.

  2. Bata o ovo em uma tigela.

  3. Misture as farinhas com sal e pimenta.

  4. Passe o quiabo no ovo e depois na mistura de farinha.

  5. Frite em óleo quente até dourar.

  6. Escorra em papel toalha.

Dica

Fica ótimo servido como petisco.


4. Quiabo com carne moída

Ingredientes

  • 300 g de carne moída

  • 300 g de quiabo

  • 1/2 cebola picada

  • 2 dentes de alho

  • 1 tomate picado

  • 1 colher de sopa de azeite

  • sal e pimenta

  • cheiro-verde

Modo de preparo

  1. Refogue a cebola e o alho no azeite.

  2. Acrescente a carne moída e cozinhe até dourar.

  3. Adicione o tomate picado.

  4. Coloque o quiabo cortado.

  5. Tempere com sal e pimenta.

  6. Cozinhe por cerca de 10 minutos.

  7. Finalize com cheiro-verde.

Dica

Sirva com arroz e feijão.


Dica para reduzir a baba do quiabo

Alguns truques ajudam muito no preparo:

  • lave e seque bem antes de cortar

  • adicione limão ou vinagre no preparo

  • cozinhe em fogo alto

  • evite mexer demais

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