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Resenha: Vidas secas, de Graciliano Ramos

Arte digital

APRESENTAÇÃO

Certa vez Graciliano Ramos disse que uma de suas missões pessoais era registrar, através da ficção, a intensidade trágica do cotidiano de retirantes do início do século XX que buscavam esperança longe da seca nordestina. Tarefa magistralmente executada com o livro Vidas secas.

Construída pela escrita precisa e penetrante do autor, a narrativa é permeada pelo desamparo e pela desesperança. Um enredo impactante, uma história de coragem, de encontros, de saberes e de dissabores de seres humanos e animais que persistem à procura de seu lugar no mundo.

Peça fundamental da literatura nacional, Vidas secas é um retrato em várias dimensões do Brasil a partir do relato da história de uma família sertaneja. O casal Fabiano e Sinha Vitória, seus dois filhos, "o menino mais novo" e "o menino mais velho", e a cachorra Baleia tentam fugir de uma situação de extrema pobreza e carência. Cada personagem é a encarnação de tantas e tantas pessoas que sofrem com as desigualdades e dramas de nosso país.

Para fazer jus a sua relevância, o volume conta composfácio de Alfredo Bosi, um dos maiores críticos literários brasileiros.

RESENHA

Nova edição do livro pela Global Editora

O livro vidas secas, do autor Graciliano Ramos, narra a história de uma família de retirantes que caminha exausta e faminta em busca de sombra e água no sertão. O pai, Fabiano, a mãe, Sinha Vitória e os dois filhos, que são apresentados unicamente como 'filho mais velho' e 'filho mais novo', e a cachorra, comicamente chamada baleia, devido à desnutrição . A obra se inicia com o pai, Fabiano, irritando-se com a lentidão dos passos do filho mais novo, chegando a cogitar abandoná-lo durante o percurso em busca de sombra, água e alimento. A família, ao chegar a uma fazenda abandonada, encontram um preá morto e acendem uma fogueira para cozinhar a carne. Fabiano, otimista, imagina um futuro próspero para sua família naquele local. A esposa, Sinha Vitória, e os filhos encontram alívio temporário da sede e fome. A cachorra Baleia aguarda pacientemente sua vez de comer os ossos do animal. A narrativa termina com a esperança de uma nova vida para a família naquela terra.

Graciliano Ramos retrata, em "Vidas Secas", uma trama repleta de personagens em negação, enfrentando obstáculos físicos e sociais, sem apelar para discursos políticos panfletários. No ambiente de imposição arbitrária e relações de trabalho baseadas na obediência e dominação, o romance flerta com o sistema patriarcal e a reprodução do latifúndio, onde os camponeses são alheios aos seus direitos. Sem participação política, vivem em condições semelhantes à escravidão ou a práticas feudais.

O livro permite um estudo do contexto político e social do Brasil nos anos 1930, destacando-se pela estética literária. A montagem da obra permite a apreciação das histórias individualmente. "Mudança" apresenta a família fugindo da seca, ambientando-nos no sertão. "Fabiano" analisa o pai que luta para sustentar a família, enquanto "Cadeia" aborda o poder estatal e opressor, ressaltando as dificuldades enfrentadas pelo grupo de pessoas marginalizadas.

O quarto capítulo do romance "Vidas Secas", intitulado "Sinhá Vitória", é tão impactante quanto o segundo, pois destaca a importância da matriarca da família na narrativa. Ela é retratada como uma figura sábia que não aceita a pobreza e a miséria como algo natural, mas sim como um obstáculo a ser superado. Nos capítulos seguintes, conhecemos mais sobre os filhos da família: o mais novo deseja seguir os passos do pai e se tornar um homem do sertão, enquanto o mais velho se interessa pela linguagem e seus significados.

Em "Inverno", a natureza castiga os personagens com chuvas intensas que ameaçam inundar a casa da família. Apesar de ser um momento de aparente calmaria, todos sabem que uma seca devastadora está por vir. Na festa de Natal da cidade, em "Festa", a família se sente inferiorizada diante das pessoas mais abastadas e aparentemente felizes. Esse encontro desperta sentimentos de humilhação e melancolia, que culminam em um dos momentos mais intensos do livro: a morte da cadela Baleia, um dos personagens mais marcantes da literatura brasileira.

No décimo capítulo de "Vidas Secas", intitulado "Contas", Sinhá Vitória mostra sua astúcia ao perceber que o dono da fazenda está enganando Fabiano nos cálculos, aproveitando-se de sua falta de instrução. Diante disso, Fabiano se sente inferiorizado diante do poder opressor e conclui que é um renegado. No capítulo seguinte, "O Soldado Amarelo", Graciliano Ramos aborda o autoritarismo militar, mas mostra o soldado em desvantagem no espaço de Fabiano, na caatinga.

No penúltimo capítulo, "O Mundo Cheio de Penas", a família sente a seca se aproximando cada vez mais, refletindo sobre sua condição e se preparando para a "Fuga", desfecho cíclico da narrativa que revela a luta pela sobrevivência da família ao retornar ao sertão.

"Vidas Secas" é um livro essencial para os brasileiros, com seu estilo conciso e incisivo. Graciliano Ramos constrói os capítulos como contos que se unem para formar a estrutura do romance, destacando-se na construção dos personagens como Fabiano, Sinhá Vitória, os meninos, Baleia, o papagaio, o fazendeiro e o soldado amarelo. Esses personagens juntos representam as ideias do Manifesto Regionalista de Gilberto Freyre e alcançam um apuro político e estético que o coloca como uma das obras-primas da literatura brasileira do século XX.

Vidas Secas de Graciliano Ramos é uma obra que expõe de forma crua e realista a exploração e miséria enfrentadas pelos trabalhadores rurais no sertão brasileiro. O autor mostra de forma contundente como Fabiano é enganado e oprimido pelo seu patrão, sendo obrigado a aceitar condições desumanas e injustas.

A situação de Fabiano como homem bruto o torna vulnerável à exploração e ao abuso de poder por parte daqueles que detêm o controle sobre ele. A obra denuncia a falta de assistência e compaixão por parte das autoridades e da sociedade em geral, que ignoram a miséria e o sofrimento daqueles que mais precisam de ajuda.

A morte de Baleia, que simboliza a única fonte de conforto e lealdade para a família, é um momento tocante que revela a profunda humanidade e compaixão que falta nos personagens humanos da história. A linguagem regional e a escrita próxima da fala tornam a narrativa ainda mais envolvente e realista, fazendo com que o leitor se sinta parte da dura realidade retratada.

Em suma, Vidas Secas é uma obra poderosa e impactante que questiona as injustiças sociais e a opressão enfrentada pelos mais vulneráveis na sociedade brasileira. Uma leitura obrigatória para quem deseja entender as profundas desigualdades e desafios enfrentados pelos trabalhadores rurais no Brasil.

Resenha: Gentidades, de Darcy Ribeiro

Foto: Arte gráfica

APRESENTAÇÃO

No livro "Gentidades" estão reunidos três textos do antropólogo Darcy Ribeiro que denotam sua fluência para desvendar os mistérios do homem. O educador analisa "Casa-grande & senzala", obra-mestra de Gilberto Freyre, reflete a respeito do índio Uirá que, um desterrado em sua própria terra, e escreve sobre Salvador Allende, presidente do Chile cuja história política Darcy acompanhou de perto. Esta obra atesta o dom de Darcy para seduzir nossas mentes com sua visão clara e ao mesmo tempo profunda sobre os dilemas humanos.


RESENHA

O livro gentidades, do autor, historiador e antropólogo Darcy Ribeiro, publicado pela editora global em língua portuguesa é uma miscelânea de três grandes ensaios do autor acerca em uma análise sucinta a obra 'casa grande e senzala', de Gilberto Freyre, o índio Uirá que vai ao 'encontro' de Maíra, e finalmente, sobre Salvador Allende, presidente do chile.

No primeiro capítulo, Gilberto Freyre - uma introdução a casa grande & senzada, o autor faz uma análise detalhada da obra e do método de Gilberto Freyre, mas também apresenta críticas e questionamentos. Destaca a importância de "Casa-grande & senzala" como a obra mais importante da cultura brasileira, elogiando a capacidade de Gilberto Freyre de recriar o contexto social concreto e único da sociedade colonial brasileira. No entanto, aponta a falta de uma teoria subjacente consistente na obra, questionando a ambiguidade política e o caráter reacionário do autor. Além disso, destaca a falta de um método claro e sistematizado, ressaltando a pluralidade de métodos utilizados de forma não convencional e até mesmo contraditória por Gilberto Freyre. No entanto, apesar das críticas, o autor reconhece o valor e a importância da obra do autor para a literatura e a antropologia brasileiras.

O capítulo, Uirá vai ao encontro de Maíra, narra as experiências de um índio Urubu que sai à procura de Deus, culminando em seu suicídio em novembro de 1939. O autor explora as raízes sociais e mítico-religiosas por trás da jornada de Uirá, relacionando-a a movimentos messiânicos e de revivalismo vividos por índios desesperados com a expansão da sociedade brasileira.

A análise do autor sobre a documentação coletada ao longo do tempo destaca a importância de compreender as reações individuais e coletivas de pessoas que se veem desesperadas e desiludidas com a vida como ela se apresenta. O autor também explora a cosmogonia Tupi e a figura de Maíra, o criador, como parte integrante da visão de mundo dos índios Urubu, demonstrando como essas crenças influenciaram o comportamento de Uirá em sua busca. A narrativa segue desde a vida tribal dos índios Urubu até a chegada de Uirá às cidades, onde é mal compreendido e acaba enfrentando violência e incompreensão, culminando em sua tentativa de encontrar Maíra no rio Pindaré e finalmente em seu ato final de suicídio.

O autor aborda questões complexas sobre identidade, desespero, crenças e a interação entre diferentes culturas, oferecendo uma reflexão profunda sobre a natureza humana e as diferentes formas de buscar significado em meio ao sofrimento e à desilusão. É uma leitura densa e provocativa que convida o leitor a refletir sobre as consequências da expansão civilizadora e seus impactos nas sociedades tradicionais.

No terceiro capítulo, Salvador Allende e a esquerda desvairada, o autor analisa a trajetória de Salvador Allende, presidente do Chile, e a luta da esquerda desvairada em seu governo. Allende é descrito como um estadista corajoso e lúcido, que buscava construir o socialismo em democracia, pluralismo e liberdade. O autor destaca a importância de Allende e sua luta, ressaltando que ele foi uma figura solitária enfrentando desafios e pressões tanto internas quanto externas. O autor revela as dificuldades enfrentadas por Allende, como a oposição da direita e a falta de apoio internacional, além das contradições e erros cometidos pela esquerda desvairada, que contribuíram para a queda do governo da Unidade Popular. A falta de unidade e a radicalização de alguns setores da esquerda prejudicaram o governo de Allende, facilitando a conspiração da direita e a intervenção estrangeira no Chile. O autor destaca a necessidade de autocrítica por parte das esquerdas, reconhecendo os erros cometidos durante o governo de Allende. Ele ressalta a importância de aprender com a experiência chilena e buscar um caminho mais pragmático e eficaz para a construção do socialismo. O autor finaliza refletindo sobre o legado de Allende e o desafio de seguir seu exemplo, lutando por um socialismo democrático e participativo mesmo diante de adversidades. É um texto potente e reflexivo, que convida à análise crítica e ao aprendizado com a história.

Em "Gentidades", Darcy Ribeiro demonstra mais uma vez sua habilidade ímpar em desvendar os mistérios da humanidade através de textos profundos e instigantes. Sua análise crítica e reflexiva sobre obras e figuras emblemáticas como "Casa-grande & senzala", o índio Uirá e Salvador Allende, revela a profundidade de seu pensamento e sua capacidade de seduzir o leitor com sua clareza e perspicácia. A maneira como o autor aborda questões complexas como identidade, desespero e luta política, evidencia sua sensibilidade para as nuances da condição humana. "Gentidades" é uma obra que encanta e provoca reflexões profundas, convidando o leitor a repensar conceitos e a compreender a complexidade do mundo que nos cerca. Uma leitura imprescindível para quem busca entender melhor a história e a sociedade em que vivemos.

Resenha: Os índios e a civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno, de Darcy Ribeiro

Foto: Arte digital
APRESENTAÇÃO

Os índios e a civilização é obra da maturidade intelectual de Darcy Ribeiro. No livro, ele analisa com profundidade as relações entre as etnias indígenas e o contingente populacional em processo de expansão de novas áreas no território brasileiro ao longo da primeira metade do século XX.

O objetivo da reflexão de Darcy é expor de forma bem fundamentada – ladeado pelo conhecimento de quem compreendeu a diversidade dos povos indígenas com rara clarividência – como os primeiros habitantes do Brasil lidaram com a o crescimento da pecuária, da agricultura e com o avançado processo de urbanização ocorrido no país no período.

Ao mesmo tempo em que Darcy flagra as marcas do extermínio dos povos indígenas neste movimento de inserção deles na moderna sociedade brasileira, ele visualiza as formas de adaptação que possibilitariam sua sobrevivência e a perpetuação de seu rico legado.

RESENHA

O livro, os índios e a civilização, aborda a situação das populações indígenas no Brasil, evidenciando as dificuldades enfrentadas por esses grupos em meio à expansão da sociedade nacional. O autor destaca que a história e a cultura desse país vasto e desigual são marcadas por contrastes violentos, onde tribos indígenas isoladas coexistem com grandes metrópoles modernas. Ao longo do século XX, o processo de aculturação e assimilação das populações indígenas no Brasil não ocorreu como se esperava. Em vez de serem absorvidos pela sociedade nacional, muitos desses grupos foram exterminados, e os sobreviventes permaneceram como povos distintos, mantendo sua identidade indígena e sofrendo as consequências da dominação.

O autor relata as bases de seu estudo, que incluem observações diretas feitas ao longo de anos de trabalho como etnólogo, exame de arquivos do Serviço de Proteção aos Índios, entrevistas com especialistas e revisão da bibliografia etnológica existente. Ele destaca a importância de compreender as dinâmicas de interação entre índios e não índios para desenvolver uma teoria geral de mudança sociocultural. Darcy Ribeiro propõe uma nova abordagem para analisar o processo de transfiguração étnica das populações indígenas, que se tornaram índios-genéricos, despojados de sua especificidade cultural, mas não assimilados pela sociedade nacional. O autor destaca a necessidade de reavaliar noções tradicionais e desenvolver novos conceitos para compreender melhor a complexidade das relações entre sociedades tribais e nacionais no Brasil.

Em suma, a obra de Darcy Ribeiro lança luz sobre as tensões e desafios enfrentados pelas populações indígenas no Brasil, oferecendo uma análise crítica do processo de aculturação e transfiguração étnica desses grupos em meio à expansão da sociedade nacional. É uma contribuição valiosa para o entendimento das relações interétnicas no país e para o desenvolvimento de teorias mais abrangentes sobre mudança sociocultural.

No capítulo Amazônia extrativista, o autor apresenta um panorama histórico da ocupação europeia na região do delta do Amazonas, destacando a exploração econômica baseada na extração de produtos florestais como o cacau, cravo, canela, entre outros. Inicialmente, a mão de obra indígena era utilizada para a coleta e transporte desses produtos, sustentando uma economia mercantil extrativista na região.

O capítulo ressalta como a exploração da Amazônia se deu de forma desordenada, baseada na busca aleatória por produtos naturais, o que levou à dispersão da população ao longo dos rios e afluentes da região. Os povos indígenas foram primeiramente coagidos a participar das atividades extrativistas, o que resultou em conflitos e exploração dessas populações ao longo dos séculos. O autor segue esclarecendo, que, a chegada da era da borracha representou um ponto de virada na economia amazônica, impulsionando o desenvolvimento das cidades e incrementando a exportação do produto. Contudo, a exploração excessiva levou a consequências desastrosas, como a epidemia de doenças carenciais entre a população dos seringais e o abandono da agricultura, resultando em uma completa dependência da borracha.

O colapso da economia extrativista, com a concorrência da borracha cultivada no Oriente, gerou um período de miséria na região, porém, foi também o momento de libertação das populações indígenas e caboclas da opressão vivida durante a era da borracha. Gradualmente, outras formas de exploração dos recursos naturais da região surgiram, mantendo uma economia de trocas mais sustentável. O capítulo retrata a exploração desordenada e predatória da região amazônica ao longo dos séculos, revelando as consequências sociais, ambientais e econômicas desse modelo econômico baseado na extração de produtos florestais. A sobrevivência dos povos indígenas e a busca por alternativas mais sustentáveis de uso dos recursos naturais da Amazônia são temas centrais abordados na obra.

O capítulo segue analisando o vale do rio negro, discorrendo sobre a ocupação europeia no Vale do Rio Negro desde o século XVII, destacando as diferentes tribos e culturas presentes na região. O autor destaca a violência e exploração sofridas pelos índios, tanto por missionários religiosos quanto por colonos, resultando em graves rebeliões indígenas na Amazônia até meados do século XIX. O autor também aborda a chegada dos missionários salesianos em 1916, que se estabeleceram na região e construíram uma igreja e uma missão. Apesar de prestarem alguns benefícios aos índios, como assistência médica e educação, os salesianos são criticados por sua intolerância e destruição da cultura indígena. A substituição das malocas por choças individuais é apontada como um exemplo dessa atitude, que mina a tradição e a organização tribal dos índios. O autor ressalta que a atuação dos missionários salesianos não contribui de forma positiva para a preservação da cultura indígena, levando os índios a se identificarem cada vez mais com a sociedade branca e rejeitarem suas próprias tradições. A narrativa destaca a resistência dos índios e a importância de preservar suas formas de organização e sobrevivência, que são mais adequadas ao ambiente da floresta tropical. Em suma, o autor critica a postura dos missionários salesianos que, ao invés de promover a integração harmoniosa entre as diferentes culturas, acabam por destruir as tradições e modos de vida indígenas, resultando em uma perda irreparável para as comunidades do Vale do Rio Negro.

Seguindo sua exposição, o autor nos fala sobre os índios do Tapajós e do Madeira, abordando a resistência dos povos indígenas da região do Tapajós e do Madeira contra a colonização e dominação dos brancos ao longo dos séculos. Inicialmente, os Torá foram os primeiros a enfrentar os invasores, porém foram enfraquecidos e posteriormente substituídos pelos Mura, que resistiram com sucesso por um longo período, obrigando até mesmo algumas vilas a se mudarem para longe de sua área de ação. Os Mura, por sua vez, acabaram por conhecer elementos da cultura branca, como armas de fogo, e se concentraram na região do Autaz, mantendo uma população considerável até o século XX. Os Munduruku, tribo tupi do Tapajós, sucederam os Mura e expandiram seu território pelo médio e baixo Tapajós, enfrentando tanto tribos locais como os colonizadores. Sua combatividade foi recrutada pelos brancos para enfrentar tribos hostis, mantendo-se autônomos por um longo período. No entanto, devido a fatores como depopulação e influência missionária, as correrias guerreiras dos Munduruku chegaram ao fim. Por outro lado, os Parintintin surgiram como uma nova tribo guerreira no século XIX, ocupando o território dos Torá, Mura e Pirahã, e se tornando obstáculo à expansão dos colonizadores no Madeira. O autor também destaca a selvageria com que os caucheiros e seringueiros atacavam as populações indígenas, destruindo aldeias e causando mortes em busca dos recursos naturais da região. A resistência dos índios, que muitas vezes se rebelavam e aderiam a movimentos de revolta, como a Cabanagem, mostra a luta contínua dos povos indígenas pela posse de suas terras e contra a exploração a que eram submetidos. Ao final, muitos indígenas se adaptaram à sociedade como produtores e mão de obra, mas mantiveram sua identidade tribal e lutaram por sua libertação.

O autor expõe que a ocupação do Juruá-Purus ,região da Amazônia, originalmente habitada por indígenas, foi marcada pela rápida e violenta invasão dos seringueiros em busca de borracha. Com a chegada dos nordestinos fugindo da seca, a população da região rapidamente aumentou, mas em detrimento da população indígena, que foi praticamente dizimada. Os contatos superficiais entre os seringueiros e os povos indígenas resultaram em uma grande confusão em relação às tribos existentes na região, dificultando o trabalho dos etnólogos e linguistas. Os índios foram submetidos a violências, escravidão e exploração, sendo muitas vezes perseguidos, mortos e suas terras invadidas. Os relatórios do Serviço de Proteção aos Índios narram inúmeras chacinas e violências cometidas contra os indígenas, que eram forçados a trabalhar nos seringais em condições miseráveis. Mesmo após anos de conflitos, os índios tentaram resistir e se defender, mas acabaram se rendendo e sofrendo ainda mais opressão. Com o tempo, a presença dos indígenas nas terras concedidas pelo Governo Federal passou a ser vista como uma ameaça e eles foram expulsos, mesmo sendo utilizados como mão de obra gratuita. A exploração e a violência contra os indígenas continuaram, com relatos de massacres e firmas comerciais mantendo homens armados para matar aqueles que se opunham à ocupação predatória de suas terras. A ocupação do Juruá-Purus foi um exemplo trágico de como a ganância, a violência e a exploração dos recursos naturais levaram à destruição de populações indígenas inteiras, deixando um legado de dor e sofrimento para aqueles que habitavam originalmente a região.

Já no capítulo 2, as fronteiras da expansão pastoril, aborda a expansão das fronteiras pastoris no Brasil e o impacto dessa expansão nas populações indígenas do Nordeste. A ocupação do interior do país, inicialmente destinada à criação de gado, levou à dispersão dos criadores de gado por todas as regiões do Nordeste, resultando na ocupação econômica dos extensos sertões interiores. Esse processo de ocupação resultou em conflitos violentos entre os indígenas e os invasores europeus, com os primeiros resistindo à invasão de seu território. Os índios dos sertões do Nordeste opuseram resistência à invasão de seus territórios, sendo trucidados ou apresados como escravos para os canaviais da costa. Após a expulsão dos jesuítas, em 1759, a administração das aldeias indígenas foi entregue a sacerdotes menos interessados na obra catequética, resultando na exploração dos índios e na reversão das terras concedidas a eles para o domínio de grandes empresas agroindustriais. Os remanescentes indígenas do Nordeste, como os Potiguara, Xukuru, Fulniô, entre outros, enfrentaram dificuldades na manutenção de suas terras e tradições. Muitos foram obrigados a dispersar-se e a se assimilar à sociedade nacional, perdendo a língua tribal e abandonando práticas ancestrais. Mesmo assim, esses grupos indígenas persistiram em se identificar como índios, resistindo à pressão assimilacionista da sociedade envolvente. O autor ressalta a importância de preservar e proteger as terras e tradições dos povos indígenas do Nordeste, destacando a resistência e a resiliência desses grupos em meio às adversidades enfrentadas durante a expansão pastoril no Brasil.

O capítulo 3, expansão agrícola na floresta Atlântica, o autor aborda a expansão agrícola na floresta atlântica do sul do Brasil e o impacto dessa expansão sobre as tribos indígenas que habitavam essa região. O autor descreve como a chegada dos colonizadores e a necessidade de mão de obra escrava levaram à subjugação e, muitas vezes, extinção dessas tribos.

O capítulo também destaca a resistência das tribos indígenas, que lutaram para manter seus territórios e modo de vida tradicional, mesmo diante da invasão e da pressão dos colonizadores. Além disso, mostra como missionários e autoridades tentaram civilizar e catequizar os indígenas, muitas vezes resultando em conflitos e chacinas. A narrativa é detalhada e apresenta um panorama complexo da relação entre colonizadores e indígenas na região da floresta atlântica. O autor destaca o papel da economia, da política e das missões religiosas nesse processo, mostrando as contradições e os conflitos que marcaram a história dessas tribos.

O capítulo 4, penetração militar em Rondônia, discute a penetração militar em Rondônia, focando principalmente na atuação da Comissão Rondon, liderada por Cândido Mariano da Silva Rondon na construção das linhas telegráficas que ligariam Mato Grosso ao Amazonas. O autor aborda como os índios do Brasil eram caçados e oprimidos pela civilização, sendo escravizados e expulsos de suas terras. A atuação da Comissão Rondon se destaca como uma exceção, adotando uma postura amistosa e buscando a integração das tribos indígenas à sociedade brasileira. Rondon, inicialmente destacado para servir em Mato Grosso, teve seus primeiros contatos com populações indígenas, trabalhando para estabelecer relações pacíficas e demarcar terras indígenas. A narrativa destaca a importância de Rondon na proteção dos índios contra a exploração dos fazendeiros, na promoção do trabalho e na defesa dos direitos dos indígenas. Ao longo de sua carreira, Rondon enfrentou desafios e hostilidades, como a pacificação dos Bororo de Garças e a penetração no território dos Nambikwara, considerados índios violentos e antropófagos. Apesar das dificuldades, Rondon conseguiu conquistar a confiança e a amizade das tribos indígenas, evitando conflitos e promovendo a paz. A obra de Rondon não se limitou à construção das linhas telegráficas, mas também contribuiu para o conhecimento das populações indígenas, da geologia, da flora e da fauna do Brasil interior. Sua abordagem humanística e pacífica estabeleceu um novo padrão nas relações entre povos tribais e nações civilizadas. O autor destaca como a atuação de Rondon influenciou a formação dos primeiros indigenistas brasileiros e a criação do Serviço de Proteção aos Índios.

Já o capítulo 5, a política indigenista brasileira, traz a tona o esclarecimento de que a política indigenista brasileira nos primeiros anos da República era marcada por conflitos violentos entre colonos e índios, com tribos sendo exterminadas e terras sendo disputadas. A fundação do Serviço de Proteção aos Índios em 1910 foi uma resposta a esses conflitos, visando proteger os povos indígenas e garantir seus direitos. O autor destaca a atuação do general Rondon, que ganhou destaque por suas expedições e métodos pacíficos de interação com os índios. Ele substituiu a visão tradicional do índio como inimigo e fera indomada por uma imagem mais humanizada, onde os índios mereciam proteção e respeito. As discussões sobre a política indigenista brasileira se dividiam entre abordagens religiosas, que defendiam a catequese como solução, e visões laicas, baseadas no evolucionismo positivista de Auguste Comte. Os positivistas propunham uma política de proteção aos índios, com foco na autonomia das tribos e no desenvolvimento social e econômico. A crítica às missões religiosas também é abordada, mostrando como muitas delas falharam em pacificar os índios e acabaram causando mais conflitos. A proposta de Rondon e dos positivistas para a nova política indigenista incluía a manutenção das tradições tribais, a educação dos índios e o respeito à sua autonomia. Em resumo, o autor apresenta a evolução da política indigenista brasileira, desde os conflitos violentos até a busca por uma abordagem mais pacífica e respeitosa em relação aos povos indígenas. A atuação de figuras como Rondon e a influência do positivismo foram fundamentais para essa mudança de paradigma.

O capítulo 6, a pacificação das tribos hostis, narra que Telésforo Martins Fontes conseguiu finalmente estabelecer contato pacífico com os baenã, demonstrando sua coragem e determinação com um gesto ousado. Em uma situação de extrema tensão, despojou-se de suas roupas e se aproximou dos índios nu e desarmado, em um ato de confiança e busca pela paz. Esses exemplos de bravura e habilidade em lidar com situações delicadas são ilustrativos do processo de pacificação das tribos hostis realizado pelo SPI ao longo dos anos. Essas histórias destacam não apenas os desafios enfrentados pelos servidores do SPI, mas também a importância da perseverança e da compreensão mútua para o estabelecimento de relações pacíficas entre sociedade brasileira e populações indígenas.

Já o problema indígena, exposto no capítulo 7, esclarece, que, no Brasil, desde a atuação inicial do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) até a situação atual das terras indígenas no país, os fundadores do SPI acreditavam na transformação dos índios em lavradores e em sua assimilação completa à sociedade nacional. No entanto, a realidade demonstrou que os índios resistiam à mudança e preservavam suas características culturais. Os índios enfrentaram a exploração e o desrespeito desde a chegada dos portugueses ao Brasil. Mesmo com legislação que garantia seus direitos às terras que habitavam, os índios foram continuamente desalojados e tiveram suas terras usurpadas por fazendeiros, empresários e governos locais. O autor destaca que a posse da terra é essencial para a sobrevivência dos indígenas, mas a falta de fiscalização e ações efetivas do governo têm permitido a invasão e exploração das terras indígenas. Os interesses econômicos muitas vezes se sobrepõem aos direitos e à proteção dos indígenas, levando à perda progressiva de seus territórios. A discussão sobre as terras indígenas no Brasil é apresentada como um problema complexo, que envolve interesses econômicos, políticos e culturais. O autor destaca a necessidade de uma regulamentação eficaz e de ações concretas para garantir a posse das terras indígenas e a preservação das comunidades indígenas no país.

No capítulo 8, as etapas da integração, Darcy narra-nos, que, a integração dos grupos indígenas brasileiros na sociedade nacional ao longo do século XX, analisando as diversas etapas desse processo. Darcy destaca a importância de comparar a situação dos grupos indígenas em 1900 com a situação em 1957, a fim de entender o grau de integração na sociedade nacional e a conservação ou perda da autonomia cultural e linguística. A partir de uma análise sistemática, o autor divide os grupos indígenas em quatro categorias: isolados, em contato intermitente, em contato permanente e integrados. Por meio dessas categorias, ele analisa o comportamento e as transformações vivenciadas pelos grupos indígenas ao longo do tempo. Além disso, o autor discute a intervenção do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) como um fator que influenciou o processo de integração. Ao comparar os dados de 1900 com os de 1957, o autor observa que houve uma drástica redução no número de tribos isoladas e uma modificação profunda na composição dos grupos remanescentes em relação ao grau de integração. Ele destaca que a intervenção protecionista do SPI contribuiu para a sobrevivência de muitos grupos indígenas que, de outra forma, teriam desaparecido. Por fim, o autor ressalta que a integração dos grupos indígenas à sociedade nacional é um processo complexo, com diferentes etapas e desafios. A análise dos dados apresentados demonstra a importância de compreender as dinâmicas sociais e históricas que influenciam a integração dos povos indígenas e a necessidade de políticas de proteção e preservação das culturas indígenas. Em suma, o capítulo oferece uma visão abrangente e detalhada da integração dos grupos indígenas brasileiros ao longo do século XX.

O capítulo 9, as compulsões ecológicas e bióticas, destacam as graves consequências do contato entre índios e sociedade civilizada, com foco nas doenças que são levadas aos povos indígenas e nas mudanças na organização social e nos hábitos alimentares que resultam desse convívio. As epidemias de gripe, sarampo, varíola e tuberculose são descritas como causas de alta mortalidade entre os índios, que muitas vezes não possuem imunidade contra essas doenças, levando a uma redução drástica das populações. Além disso, as mudanças na dieta e no estilo de vida dos índios resultam em deficiências nutricionais e problemas de saúde, como cáries dentárias e distúrbios motores. O autor também destaca o impacto da pacificação e do contato com civilizados na organização social e nos costumes tradicionais das tribos indígenas. A imposição de novas práticas e a interferência na vida dos índios resultam em desorganização interna, desmoralização e até mesmo no colapso de alguns grupos, que se veem obrigados a se adaptar a um novo modo de vida. Em resumo, a resenha do conteúdo apresenta um panorama sombrio das consequências do contato entre índios e sociedade civilizada, destacando a importância da preservação da cultura e dos hábitos tradicionais dos povos indígenas para garantir sua sobrevivência e bem-estar.

No capítulo 10, o autor discute as repercussões das coerções socioeconômicas sobre os grupos indígenas que entram em contato com a sociedade brasileira em expansão. Ele destaca como a imposição de novos elementos tecnológicos, como ferramentas de metal e outros bens da civilização, influenciam a cultura e a vida tribal. A introdução desses elementos pode levar a mudanças profundas na estrutura econômica e sociocultural das tribos, afetando sua autonomia e levando a uma dependência econômica fatal. O autor discute como a adoção desses elementos pode trazer benefícios, como maior eficiência nas atividades produtivas e disponibilidade de tempo para o lazer, mas também desafios, como a desintegração das unidades sociais tradicionais, a estratificação étnica e a desorganização social. A introdução de novas tecnologias também pode levar à individualização, à competição racionalista e ao desenvolvimento de atitudes competitivas. Além disso, o autor aborda como a introdução de novos elementos culturais pode levar à degradação da arte indígena, à desvalorização das práticas tradicionais e à perda de identidade cultural. Ele ressalta a importância de equilibrar o valor operativo das inovações com seu valor funcional, para evitar desajustamentos que possam levar ao colapso da vida tribal.

O capítulo 11 discute a interação entre as culturas tribais e a nacional, explorando como as representações simbólicas do mundo e os corpos de crenças e valores motivam a conduta dos povos indígenas diante do impacto da civilização. O autor destaca que essa interação não se resume a simples confrontos culturais, mas sim a um complexo processo de transfiguração étnica, no qual as crenças e valores indígenas são constantemente redefinidos para se adequarem às novas realidades impostas pelo contato com a civilização. Por meio de diversos exemplos de diferentes tribos indígenas, o autor ressalta como as tradições míticas são reajustadas para explicar e justificar as transformações vivenciadas pelo grupo. Mostra como o sincretismo religioso, os movimentos messiânicos e as reações contra-aculturativas são formas de resistência e adaptação dos povos indígenas diante das pressões do mundo moderno. Destaque é dado ao caso dos Bororo, que mesmo após décadas de convivência com os missionários e a integração na economia regional, conseguiram preservar seus cerimoniais fúnebres, manifestando orgulho e identidade cultural em suas práticas rituais. Isso evidencia a resiliência e a capacidade de adaptação dos povos indígenas em meio a desafios culturais e socioeconômicos. Em resumo, o capítulo aborda a complexidade das reações étnicas diferenciais dos povos indígenas frente à modernidade, mostrando como suas tradições e crenças são redefinidas e mantidas como forma de resistência e preservação da identidade cultural em um mundo em constante transformação. É um estudo profundo e perspicaz sobre as dinâmicas culturais e sociais dos povos indígenas diante dos impactos da sociedade nacional.

Já no último capítulo, conclusões, o autor revela que a população indígena do Brasil representa menos de 0,2% da população nacional, com a maioria das tribos localizadas na região da Amazônia. As populações indígenas são classificadas em quatro categorias de acordo com o grau de contato com a sociedade nacional: isolados, contato intermitente, contato permanente e integrados. Cada categoria representa uma etapa no processo de integração das populações indígenas na sociedade nacional, com algumas tribos enfrentando a extinção devido aos impactos da civilização. O autor também destaca a influência dos diferentes setores econômicos (extrativista, agrícola e pastoril) na interação com as tribos indígenas, sugerindo que a dinâmica da sociedade nacional desempenha um papel crucial no destino das tribos. Além disso, são apresentados fatores causais da transfiguração étnica, como as compulsões ecológicas, bióticas, tecnológico-culturais, socioeconômicas e ideológicas que levam as tribos indígenas da condição de índios tribais à de índios genéricos. A sequência típica da transfiguração étnica descrita no conteúdo aborda a progressão do processo de aculturação e integração das tribos indígenas com a sociedade nacional, destacando a importância do ritmo e intensidade dessa transformação no destino de cada grupo. Por fim, a interação entre os índios genéricos e a população brasileira é descrita como mediada por representações preconceituosas que isolam e perpetuam a condição de ambos como alternos em oposição. Em suma, o conteúdo faz uma análise profunda e detalhada sobre a população indígena brasileira, destacando os desafios enfrentados pelas tribos na integração com a sociedade nacional e os impactos dessa interação no destino e identidade desses grupos étnicos. É um estudo relevante que contribui para a compreensão da diversidade étnica e cultural do Brasil.

O livro "Os índios e a civilização", de Darcy Ribeiro, é uma obra fundamental para compreender as relações entre as populações indígenas e a sociedade brasileira ao longo do século XX. O autor analisa de forma profunda e detalhada as diversas etapas do processo de integração e transfiguração étnica das tribos indígenas, destacando os impactos da expansão agropecuária, da industrialização e da urbanização no destino e na identidade desses povos.

Darcy Ribeiro apresenta um panorama sombrio das consequências do contato entre índios e sociedade civilizada, evidenciando as epidemias, a perda da autonomia cultural e linguística, a exploração e a violência sofridas pelas populações indígenas. Ele destaca a resistência, a resiliência e a capacidade de adaptação dos povos indígenas diante das pressões do mundo moderno, mostrando como suas tradições e crenças são redefinidas e mantidas como forma de resistência e preservação da identidade cultural. Ao longo dos capítulos, o autor aborda a atuação do Serviço de Proteção aos Índios, a introdução de novas tecnologias e elementos culturais, as compulsões ecológicas e bióticas, as repercussões das coerções socioeconômicas e as diferentes categorias de contato dos grupos indígenas com a sociedade nacional. Ele analisa os desafios enfrentados pelas tribos na manutenção de suas terras, tradições e identidade cultural, ressaltando a importância da preservação e proteção das terras indígenas para garantir a sobrevivência e bem-estar dessas comunidades.

Em sua conclusão, Darcy Ribeiro destaca a influência dos diferentes setores econômicos na integração das populações indígenas na sociedade nacional, e ressalta a importância de compreender a dinâmica da sociedade brasileira para entender o destino das tribos indígenas. Ele conclui que a interação entre os índios genéricos e a população brasileira é mediada por representações preconceituosas, que perpetuam a condição de ambos como alternos em oposição. Em suma, o livro de Darcy Ribeiro é um estudo profundo e perspicaz sobre as relações interétnicas no Brasil, oferecendo uma análise crítica do processo de aculturação, transfiguração étnica e integração das populações indígenas na sociedade brasileira. É uma obra essencial para quem busca compreender a diversidade étnica e cultural do país e refletir sobre os desafios e dilemas enfrentados pelos povos indígenas em meio à modernidade.

3º Concurso Internacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2024/2025 está com inscrições abertas



O 3º Concurso Internacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2024/2025 está com inscrições abertas até 30 de novembro de 2024. Esta será a décima edição do concurso e a terceira no formato internacional, que receberá trabalhos inéditos, escritos em português, oriundos de qualquer país, além do Brasil.


A premiação é uma realização da Fundação Gilberto Freyre (FGF) em parceria com a Global Editora, e tem como propósito manter vivo o legado deixado por um dos sociólogos mais respeitados e estudados do Brasil: o pernambucano Gilberto Freyre. “O prêmio foi criado com o objetivo de apoiar a pesquisa científica e tornar público o que os pesquisadores da obra de Freyre têm descoberto ao se debruçarem nas múltiplas temáticas abordadas em sua obra”, explica a diretora executiva da FGF, Jamille Barbosa.

 

Para a inscrição, o trabalho precisa ser inédito – não ter sido publicados anteriormente como livro, seja impresso ou digital – e deve ter, no mínimo, 100 páginas. O autor - ou autores - do ensaio escolhido pela comissão irá receber R$ 20 mil como prêmio e terá o trabalho publicado como livro pela Global Editora – casa editorial responsável pela publicação das obras de Gilberto Freyre.


Sairá vencedora a melhor análise e interpretação da obra de Gilberto Freyre após uma avaliação criteriosa feita por uma comissão julgadora especialista na bibliografia freyriana. Os trabalhos podem contemplar as diferentes faces intelectuais deste pernambucano que atuou ao longo da vida como antropólogo, sociólogo, historiador social, escritor, pensador, político, tropicólogo, jornalista, conferencista e educador.


O último ganhador, o professor goianiense Ulisses do Valle, destaca como o reconhecimento de seu trabalho através da premiação o estimula. “Ter recebido o prêmio me deixou profundamente honrado e me encoraja a continuar estudando, pesquisando e divulgando o pensamento e a obra deste que é, sem dúvidas, um dos maiores patrimônios da cultura brasileira”, relata Ulisses. Ele foi o vencedor da edição 2022/2023, com a obra Fachadas e estigmas: a modernização da sociedade brasileira à luz de Gilberto Freyre.


O concurso é promovido a cada dois anos pela Fundação Gilberto Freyre e pela Global Editora, e teve sua primeira edição em 2004/2005. Para o gerente editorial da Global Editora, Gustavo Tuna, o prêmio é importante porque possibilita desdobrar e aprofundar o pensamento freyriano. “Em parceria com a Fundação Gilberto Freyre, a Global Editora, com esta terceira edição internacional do Concurso, prossegue trabalhando com afinco pelo propósito que norteia o Prêmio: o de fomentar novos olhares a respeito da obra intelectual do sociólogo pernambucano”, reforça.

INSCRIÇÕES:

As inscrições só podem ser feitas através de correspondência física, não sendo permitido o envio de trabalhos de forma virtual. Os candidatos podem entregar os ensaios na Fundação Gilberto Freyre (Recife-PE) ou na Global Editora (São Paulo – SP). Também é possível realizar o envio pelos Correios, certificando-se de que a entrega no destino não ultrapasse a data limite para inscrição dos trabalhos. (Fundação Gilberto Freyre: Rua Dois Irmãos, 320, Recife, PE, CEP: 52.071-000. Global Editora: Rua Pirapitingui, 111, Liberdade, São Paulo – SP, CEP: 01508-020.).


O ganhador ou ganhadora do prêmio será anunciado em fevereiro de 2025, nos canais digitais da Global Editora e da Fundação Gilberto Freyre. A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 15 de março de 2025, data de comemoração do nascimento do sociólogo e escritor Gilberto Freyre. 

HISTÓRICO DE GANHADORES DO CONCURSO:

1. Ulisses do Valle (Goiânia – GO): Vencedor do 2º Concurso Internacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2022/2023 com a obra Fachadas e estigmas: a modernização da sociedade brasileira à luz de Gilberto Freyre;

2. Cibele Barbosa (Recife – PE): Vencedora do 1º Concurso Internacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2020/2021 com a obra Escrita histórica e geopolítica da raça: a recepção de Gilberto Freyre na França;

3. Cláudio Márcio Coelho (Vitória - ES): Vencedor do  Concurso Nacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2018/2019 com a obra Os Sherlockismos de Gilberto Freyre: a antecipação metodológica freyriana nas décadas de 1920 e 1930;

4. Gustavo Mesquita (Goiânia – GO): Vencedor do 6º Concurso Nacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2016/2017 com a obra Gilberto Freyre e o Estado Novo – Região, nação e modernidade;

5. 5º Concurso Nacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2012/2013: Não houve vencedor por falta de adequação dos trabalhos inscritos aos requisitos do concurso.

6. 4º Concurso Nacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2010/2011: Não houve vencedor por falta de adequação dos trabalhos inscritos aos requisitos do concurso.

7. Caesar Sobreira (Olinda-PE): Vencedor do 3º Concurso Nacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2008/2009 com a obra Nordeste semita – Ensaio sobre um certo Nordeste que em Gilberto Freyre também é semita;

8. Solange Aragão (São Paulo - SP): Vencedora do 2º Concurso Nacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2006/2007 com a obra Ensaio sobre o jardim;

9. Elide Rugai Bastos (São Paulo - SP): Vencedora do 1º Concurso Nacional de Ensaios – Prêmio Gilberto Freyre 2004/2005 com a obra As Criaturas de Prometeu: Gilberto Freyre e a formação da sociedade brasileira.

 

*A edição 2014/2015 do concurso não foi realizada.

Sobre a Fundação Gilberto Freyre (FGF):

A Fundação Gilberto Freyre foi criada em 1987 para manter reunido, preservado e à disposição do público o acervo pessoal e intelectual do escritor pernambucano Gilberto Freyre. A Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre está instalada no local em que o escritor escolheu para morar, por mais de 40 anos: o bucólico e tradicional bairro de Apipucos.

A construção, reconhecida como casa-grande original do século XIX e reformada em 1881, abriga o conjunto de objetos colecionados, guardados e ordenados pela família Freyre. A preservação do ambiente, exatamente como fora concebido por Gilberto, revela a emoção e a sensibilidade diante da formação de um acervo que testemunha a vida de Pernambuco, do país e de diferentes locais do mundo.

O acervo inclui imagens sacras católicas, peças de origem africana, azulejos portugueses, peças da arte popular brasileira, porcelanas orientais, prataria inglesa e portuguesa, além de um vasto acervo bibliográfico e de uma rica pinacoteca.

Sobre o Grupo Editorial Global

Criada em 16 de outubro de 1973, a Global Editora se destaca no mercado editorial por seu propósito de divulgar temas e autores nacionais que valorizam a formação cultural do brasileiro.

Neste tempo, reunimos alguns dos mais importantes autores da língua portuguesa, nomes como: Cecília Meireles, Cora Coralina, Gilberto Freyre, Ignácio de Loyola Brandão e Marcos Rey. Assim, trabalhamos cada vez mais para fazer jus ao título de “A casa da literatura brasileira”.

Além disso, o hoje denominado Grupo Editorial Global, agrega quatro selos: a Global Editora, com obras dos mais renomados autores nacionais; a Gaudí Editorial, voltada às crianças em seus primeiros anos de vida; a Editora Gaia, que alimenta o leitor no sentido de viver em perfeita harmonia com ele mesmo e com o universo; e, a Nova Aguilar, que apresenta com um forte catálogo de obras completas dos mais célebres autores nacionais e internacionais.

Fundação Gilberto Freyre

Rua Dois Irmãos, 320, Apipucos, Recife-PE.

Informações: (81) 3441.3348 / 1733

Instagram e Facebook: @fundacao.gilbertofreyre



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