Imagem: BBC/Divulgação Em 10 de dezembro de 1920, numa aldeia chamada Chechelnyk — então parte do turbulento tabuleiro do Leste Europeu — nascia Chaya Pinkhasivna Lispector, que o Brasil conheceria como Clarice Lispector. Entre o nascimento e a consagração literária, há um deslocamento que é ao mesmo tempo histórico e íntimo: a fuga de uma família judia marcada pela violência de pogroms e a chegada ao Brasil ainda na primeira infância, num país que ela reivindicaria como pátria definitiva. Em uma entrevista gravada em 1976, Clarice resumiria essa origem com a precisão de quem sabe que biografia também é linguagem: disse ter nascido “na Ucrânia, mas já fugindo”, e que chamar-lhe “estrangeira” era “sem sentido”. A biografia de Clarice é frequentemente contada como uma trajetória de sobrevivência e reinvenção: da imigração para o Nordeste brasileiro, do aprendizado de uma nova língua à invenção de uma dicção literária que não parecia caber nas molduras do romance nacional. Enciclopédias e...
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Vitor Zindacta
Panorama com Clarice Lispector
O MISTERIOSO UNIVERSO DE CLARICE LISPECTOR Antes de conceder a entrevista ao jornalista Júlio Lerner no ano de 1977 para o programa Panorama da TV Cultura a escritora Clarice Lispector deixa bem claro que a publicação só poderia ser feita após a sua morte. Intimidada com as câmeras e nem um pouco a vontade com a entrevista, expressão visivelmente demonstrada pelas rugas que se franziam em sua testa. Ela se mostra uma mulher impaciente e carrega um semblante cansativo, sem contar com Hollywood vermelho que acendia vez ou outra, a entrevista é um tanto enfadonha, mas a escritora afirma ser uma pessoa alegre e maternal. O principal objetivo desta entrevista era tentar desmistificar um pouco mais sobre o universo desta mulher um tanto intrigante, já que raramente ela concedia uma entrevista. Clarice nasceu na Ucrânia nas se criou no nordeste, tem duas irmãs e perdeu a sua mãe ainda muito nova. Foi morar no Rio de Janeiro, trabalhou em departamentos jornalísticos, formou-se em Direto e caso...
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Vitor Zindacta
Resenha: Laços de família, de Clarice Lispector
APRESENTAÇÃO: O texto de Clarice Lispector costuma apresentar ilusória facilidade. Seu vocabulário é simples, as imagens voltam-se para animais e plantas, quando não para objetos domésticos e situações da vida diária, com frequência numa voltagem de intenso lirismo. Mas que não se engane o leitor. Em poucas linhas, será posto em contato com um mundo em que o insólito acontece e invade o cotidiano mais costumeiro, minando e corroendo a repetição monótona do universo de homens e mulheres de classe média ou mesmo o de seres marginais. Desse modo, o leitor defronta-se com a experiência de Laura com as rosas e o impacto de Ana ao ver o cego no Jardim Botânico. Pequenos detalhes do cotidiano deflagram o entrechoque de mundos e fronteiras que se tornam fluidos e erradios, como o que é dado ao leitor a compreender acerca da relação de Ana, seu fogão e seus filhos, ou das peregrinações de uma galinha no domingo de uma família com fome, ou do assalto noturno de misteriosos mascarados num jardim...
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Vitor Zindacta
Resenha: Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector
ISBN-13: 9788532531735 ISBN-10: 8532531733 Ano: 2020 / Páginas: 160 Idioma: português Editora: Rocco Publicado pela primeira vez em 1971, Felicidade clandestina reúne 25 contos que falam de infância, adolescência e família, mas relatam, acima de tudo, as angústias da alma. Como é comum na obra de Clarice Lispector, a descrição dos ambientes e das personagens perde importância para a revelação de sentimentos mais profundos. A nova edição conta com um novo projeto gráfico assinado pelo prestigioso designer Victor Burton e um posfácio de Marina Colasanti. “Felicidade clandestina” Nesta crônica a narradora gostava muito de ler, mas sua situação financeira não permitia compra de livros. Por isso, ela vivia pedindo livros emprestados a uma colega, todavia era filha do dono de uma livraria. Essa colega não valorizava a leitura e inconscientemente se sentia inferior às outras, sobretudo a nossa narradora-personagem. Certo dia, a filha do livreiro a “menina má” oferece o...
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