O romance Torto Arado , de Itamar Vieira Junior, estabelece-se como um marco incontornável na literatura brasileira contemporânea, operando uma síntese rigorosa entre a precisão antropológica e o lirismo narrativo. A obra não apenas resgata a tradição do regionalismo brasileiro, dialogando com precursores como Graciliano Ramos e João Guimarães Rosa, mas a reconfigura sob a ótica da decolonialidade e da agência dos corpos subalternizados. O texto estrutura-se a partir de um evento traumático inaugural — o acidente com uma faca de prata que une e silencia as irmãs Bibiana e Belonísia — para, a partir dessa ferida física e simbólica, investigar as feridas históricas de um Brasil que jamais concluiu seu processo de abolição. A narrativa, ambientada na fazenda Água Negra, na Chapada Diamantina, revela a persistência de estruturas feudais e de relações de trabalho análogas à escravidão em pleno século XX, oferecendo um exame clínico de como o poder se manifesta sobre o territór...
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Vitor Zindacta
Torto Arado: Uma Arqueologia Literária da Subalternidade e do Trauma Colonial no Sertão Baiano
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