Quando J.R.R. Tolkien vendeu os direitos de filmagem de O Senhor dos Anéis e O Hobbit para a United Artists em 1969, ele o fez principalmente para pagar uma conta de impostos, mas com uma convicção silenciosa: a obra era "infilmável". Durante décadas, essa crença prevaleceu. A densidade da mitologia, a complexidade linguística e a escala geográfica da Terra Média eram vastas demais para a tecnologia analógica e para o tempo de atenção do público de cinema. Houve tentativas, como a animação de Ralph Bakshi em 1978, que, embora cultuada, falhou em capturar a magnitude da obra, resultando em um projeto incompleto. Foi apenas na virada do milênio que um diretor neozelandês, conhecido até então por filmes de terror "trash" e dramas intimistas (como Almas Gêmeas ), convenceu Hollywood a fazer a aposta mais arriscada da história do cinema moderno. Peter Jackson não queria apenas fazer um filme; ele propôs filmar os três livros simultaneamente. Esta análise mergulha nos b...
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Vitor Zindacta
Como "O Poderoso Chefão" Transformou um Livro de Banca em na "Bíblia" do Cinema Moderno
Em 1969, a literatura americana viu o surgimento de um fenômeno peculiar. Mario Puzo, um escritor talentoso mas endividado até o pescoço com agiotas devido ao vício em jogos, escreveu The Godfather com um único propósito: ganhar dinheiro rápido. O livro, embora viciante, era considerado por muitos críticos da época como literatura "pulp" ou de aeroporto — sensacionalista, focado em sexo gráfico e com tramas secundárias duvidosas. Ninguém, nem mesmo Puzo, imaginava que aquelas páginas dariam origem àquilo que o American Film Institute mais tarde consagraria como o segundo maior filme da história americana (atrás apenas de Cidadão Kane ). A adaptação de O Poderoso Chefão para os cinemas é, ironicamente, uma história tão tensa quanto a trama da família Corleone. A Paramount Pictures estava em crise, desesperada por um sucesso, mas cética quanto a filmes de máfia. O gênero estava "morto" em Hollywood, visto como veneno de bilheteria após o fracasso de The Brotherhood...
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Vitor Zindacta
O Iluminado: A Guerra Fria entre o Coração de Stephen King e o Cérebro de Stanley Kubrick
Em 1977, Stephen King publicou O Iluminado , seu terceiro romance e o primeiro best-seller de capa dura. O livro era profundamente pessoal. Escrito após a morte de sua mãe e enquanto King lutava contra o alcoolismo, a obra era uma metáfora mal disfarçada de seus próprios medos: o medo de falhar como pai, o medo de que seus demônios internos (a bebida) pudessem machucar sua família. Para King, o Overlook Hotel era uma bateria externa de maldade que explorava a fraqueza muito humana de Jack Torrance. O livro é "quente", emocional, cheio de empatia pelos seus personagens trágicos e, fundamentalmente, uma história de fantasmas sobrenaturais. Stanley Kubrick, vindo do fracasso comercial de Barry Lyndon (1975), procurava um projeto comercialmente viável. Ele queria fazer "o filme de terror definitivo". Quando a Warner Bros. lhe enviou pilhas de livros de terror, diz a lenda que sua secretária o ouvia jogando um após o outro contra a parede após ler as primeiras páginas, ...
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Vitor Zindacta
Como "Clube da Luta" Profetizou o Colapso da Masculinidade e o Niilismo Digital
Em meados dos anos 90, Chuck Palahniuk voltou de um acampamento de fim de semana com o rosto deformado e cheio de hematomas após uma briga. Ao retornar ao escritório na segunda-feira, ele notou um fenômeno social fascinante: ninguém perguntava o que havia acontecido. Seus colegas de trabalho desviavam o olhar. Eles tinham medo de saber a resposta. Palahniuk percebeu que, se você parecesse mal o suficiente, tornava-se invisível, livre das regras sociais de polidez. Dessa epifania nasceu Clube da Luta , um romance minimalista, repetitivo e visceral que a editora W.W. Norton hesitou em publicar, temendo que fosse "muito escuro e arriscado". O livro, contudo, capturou o zeitgeist de uma geração: a Geração X, homens criados por mães solteiras, trabalhando em cubículos, sem uma Grande Guerra ou uma Grande Depressão para lhes dar propósito, anestesiados pelo consumo. A Adaptação: De Livro "Infilmável" a Roteiro de Ouro Quando o manuscrito circulou em Hollywood, a reação f...
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Vitor Zindacta
Como 'cidade de Deus' revolucionou o cinema brasileiro
Quando a galinha tenta fugir da panela nos primeiros segundos de Cidade de Deus , a câmera não apenas a segue; ela corre, treme, pula e corta no ritmo frenético de um samba misturado com batidas de funk. Em 2002, essa sequência inicial foi um cartão de visitas brutal. O cinema brasileiro, até então marcado ou pela estética contemplativa e lenta do "Cinema Novo" (Glauber Rocha) ou pelas comédias leves de bilheteria, estava prestes a receber uma injeção de adrenalina misturada com publicidade e realidade crua. A base dessa revolução foi o livro homônimo de Paulo Lins , publicado em 1997. Lins, morador da Cidade de Deus e pesquisador antropológico, levou dez anos para escrever o calhamaço. A obra literária é densa, difícil e "neo-naturalista". Diferente do filme, o livro não tem um protagonista claro. É uma colcha de retalhos de centenas de crimes, personagens e tragédias que se estendem dos anos 60 aos 80. A linguagem de Lins tenta reproduzir a fala oral, a gíria crua...
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