Publicado originalmente em 1937, Nordeste ocupa um lugar singular na obra de Gilberto Freyre. Se Casa-grande & senzala é frequentemente celebrado como o grande marco da interpretação sociológica da formação brasileira, Nordeste funciona como seu complemento ecológico, geográfico e, em muitos sentidos, político. Trata-se de um ensaio que busca compreender não apenas uma região, mas a complexa engrenagem histórica que articula natureza, economia, cultura e poder no Brasil. Nesta resenha, analisamos a obra em tom jornalístico, destacando sua relevância, suas contribuições metodológicas e suas limitações, com base em passagens do próprio texto. Desde o prefácio, Freyre delimita seu projeto com clareza: trata-se de um “estudo ecológico do Nordeste do Brasil”, mais especificamente de “um dos Nordestes”, o agrário, centrado na cana-de-açúcar . Essa escolha não é trivial. Ao enfatizar que existem “pelo menos dois” Nordestes — o agrário e o pastoril —, o autor rompe com visões homogêneas...
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Vitor Zindacta
Resenha analítica de Nordeste: uma visão em quadrinhos da civilização do açúcar, de Gilberto Freyre
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Vitor Zindacta
RESENHA: Modos de homem e modas de mulher, de Gilberto Freyre
Esta resenha técnica científica sociológica propõe uma análise profunda da obra Modos de Homem & Modas de Mulher, de Gilberto Freyre, sob a ótica da sociologia da vida cotidiana e da antropologia cultural, focando na inter-relação entre o corpo, a indumentária e a formação da identidade nacional brasileira. Freyre, o "bruxo de Apipucos", estabelece nesta obra uma premissa fundamental: a de que a história e a sociologia não devem se restringir aos grandes eventos políticos ou econômicos, mas devem mergulhar na materialidade do dia a dia, onde as sensibilidades humanas são forjadas. O autor argumenta que "estudá-la permite dar conta de mudanças sociais, da transformação de códigos culturais, da rapidez e, por vezes, violência das trocas comerciais" . Para Freyre, a moda não é uma futilidade, mas uma "fronteira íntima entre o indivíduo e o mundo", funcionando simultaneamente como um "escudo que preserva contra as agressões" e um "convite a ...
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Vitor Zindacta
RESENHA: Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre
A obra Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre, constitui um esforço metodológico singular que busca transcender as fronteiras tradicionais da historiografia e da sociologia para penetrar no que o autor denomina "história íntima" de uma cidade . Publicado originalmente em 1955, o texto se posiciona não como uma mera coletânea de folclore ou contos de terror, mas como um ensaio de sociologia do sobrenatural que utiliza o fantasmagórico como uma lente para compreender a formação social e cultural do Recife e, por extensão, do Nordeste brasileiro . Freyre argumenta que não há uma contradição radical entre a sociologia e a história, mesmo quando esta se desvia das revoluções políticas para focar nas assombrações, pois a convicção na existência de meios psíquicos de associação entre vivos e mortos pode ser tratada como uma realidade sociológica que molda comportamentos e identidades . Ao longo desta análise, observa-se que o autor utiliza o sobrenatural como um elemento q...
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