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140 termos para quem deseja compreender política

Getty Images

1. Política: processo de tomada de decisões coletivas para determinar como os recursos serão alocados e distribuídos em uma sociedade.

2. Governo: sistema de liderança e controle de uma sociedade, composto por líderes eleitos ou nomeados.

3. Estado: entidade política que detém o poder soberano sobre um território específico e sua população.

4. Democracia: forma de governo em que o poder é exercido pelo povo, geralmente por meio de eleições livres e periódicas.

5. Autoritarismo: forma de governo em que o poder é concentrado em uma autoridade central, sem a participação ativa dos cidadãos.

6. Monarquia: forma de governo em que o poder é exercido por um monarca hereditário.

7. República: forma de governo em que o chefe de Estado é eleito e exerce o poder por um tempo determinado.

8. Parlamento: órgão legislativo composto por representantes eleitos do povo.

9. Congresso: instituição legislativa composta por senadores e deputados eleitos.

10. Poder Executivo: braço do governo responsável pela implementação das políticas e pela administração do país.

11. Poder Legislativo: braço do governo responsável por fazer leis e supervisionar o poder executivo.

12. Poder Judiciário: braço do governo responsável por interpretar as leis e garantir a justiça.

13. Partido Político: organização que representa interesses políticos e busca influenciar o governo.

14. Eleição: processo de escolha de representantes políticos por meio do voto popular.

15. Campanha Eleitoral: período em que os candidatos promovem suas propostas e buscam o apoio dos eleitores.

16. Urnas: locais onde os eleitores depositam seus votos durante as eleições.

17. Mandato: período de tempo em que um representante político exerce o cargo para o qual foi eleito.

18. Coalizão: aliança entre partidos políticos para formar um governo.

19. Oposição: grupo de partidos políticos que discordam das políticas do governo e oferecem alternativas.

20. Lobby: esforços de grupos de interesse para influenciar políticas públicas em favor de seus interesses.

21. Corrupção: uso indevido do poder público para benefício pessoal ou de terceiros.

22. Transparência: princípio de governança que promove a divulgação de informações públicas e o acesso dos cidadãos às decisões políticas.

23. Participação cidadã: envolvimento ativo dos cidadãos na vida política e na tomada de decisões.

24. Reforma política: mudança nas estruturas e processos políticos para melhorar a representatividade e a eficiência do sistema.

25. Federalismo: sistema de governo em que o poder é dividido entre o governo central e os governos regionais ou estaduais.

26. Estado de Direito: sistema em que as leis são aplicadas de forma justa e igual para todos os cidadãos.

27. Segurança Nacional: políticas e medidas adotadas para proteger o país e seus cidadãos contra ameaças internas e externas.

28. Direitos Humanos: direitos fundamentais que todos os seres humanos possuem por sua natureza, como liberdade de expressão e igualdade perante a lei.

29. Governo de Coalizão: forma de governo em que vários partidos políticos compartilham o poder e formam um governo conjunto.

30. Constituição: documento fundamental que estabelece os princípios e estrutura do governo de um país.

31. Sufrágio: direito de votar e ser votado em eleições.

32. Autocracia: forma de governo em que o poder é exercido por uma única pessoa.

33. Ditadura: forma de governo em que o poder é exercido por um líder autoritário e sem leis constitucionais.

34. Política Externa: conjunto de estratégias e decisões tomadas pelo governo em relação a outros países.

35. Política Fiscal: conjunto de decisões sobre impostos, gastos e empréstimos do governo.

36. Política Monetária: controle da oferta de moeda e da taxa de juros pelo governo para estabilizar a economia.

37. Política Social: conjunto de políticas públicas para garantir o bem-estar social e o acesso a serviços básicos.

38. Política Ambiental: conjunto de políticas públicas para proteger o meio ambiente e recursos naturais.

39. Política de Saúde: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso universal aos serviços de saúde.

40. Política de Educação: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso universal à educação de qualidade.

41. Política de Segurança Pública: conjunto de políticas para garantir a segurança dos cidadãos e reduzir o crime.

42. Desenvolvimento Sustentável: modelo de desenvolvimento que busca equilibrar o crescimento econômico, a equidade social e a preservação ambiental.

43. Direito Internacional: conjunto de normas e princípios que regem as relações entre os países.

44. Globalização: processo de integração econômica, política e cultural entre os países.

45. Diplomacia: prática de negociação e resolução de conflitos entre países.

46. Terrorismo: uso da violência para atingir objetivos políticos.

47. Refugiados: pessoas que fogem de seus países devido a perseguições, conflitos ou desastres naturais.

48. Imigração: movimento de pessoas de um país para outro em busca de melhores condições de vida.

49. Nacionalismo: ideologia que enfatiza a lealdade e a identidade nacional.

50. Globalismo: ideologia que defende a cooperação e a interdependência entre os países.

51. Populismo: estratégia política que busca ganhar apoio popular por meio de apelos emocionais e simplificados.

52. Extremismo: ideologias radicais que rejeitam o status quo e defendem mudanças drásticas.

53. Fascismo: ideologia política que promove um governo autoritário, nacionalista e antidemocrático.

54. Socialismo: ideologia política que defende a propriedade coletiva dos meios de produção e a igualdade social.

55. Capitalismo: sistema econômico baseado na propriedade privada e na livre iniciativa.

56. Liberalismo: ideologia que defende o individualismo, o respeito às liberdades individuais e o livre mercado.

57. Conservadorismo: ideologia que valoriza a tradição, a ordem social e a autoridade.

58. Laicismo: princípio de separação entre Estado e religião.

59. Secularismo: princípio de neutralidade do Estado em relação a questões religiosas.

60. Federalismo: sistema de governo em que o poder é compartilhado entre o governo central e os governos regionais.

61. Unicameral: sistema legislativo com apenas uma câmara.

62. Bicameral: sistema legislativo com duas câmaras.

63. Tripartição dos Poderes: divisão do poder entre o Executivo, Legislativo e Judiciário para evitar a concentração de poder.

64. Governança: sistema de governação eficiente e responsável.

65. Lobista: pessoa ou grupo que promove interesses privados junto aos políticos.

66. Pluralismo: sistema político que reconhece e respeita a diversidade de opiniões e interesses.

67. Totalitarismo: forma extrema de autoritarismo em que o governo controla todos os aspectos da vida dos cidadãos.

68. Grupos de Interesse: organizações que representam interesses específicos como sindicatos, associações empresariais e grupos de defesa do meio ambiente.

69. Eleição Presidencial: eleição para escolher o presidente de um país.

70. Eleição Legislativa: eleição para escolher os membros do parlamento.

71. Eleição Municipal: eleição para escolher prefeitos e vereadores.

72. Voto Direto: sistema em que os eleitores votam diretamente nos candidatos.

73. Voto Indireto: sistema em que os eleitores elegem outros representantes que depois escolhem os governantes.

74. Voto Secreto: sistema em que o eleitor vota sem ser identificado.

75. Voto Obrigatório: sistema em que os eleitores são obrigados a votar.

76. Voto Facultativo: sistema em que os eleitores têm a opção de votar ou não.

77. Falta de Quorum: Situação em que não há o número mínimo de parlamentares presentes para uma votação.

78. Estabilidade Política: Situação em que o governo é capaz de governar de forma eficiente e sem interrupções.

79. Ciclo Eleitoral: período de tempo que engloba todo o processo eleitoral, desde a preparação até o resultado final.

80. Lei Orgânica: legislação que define a estrutura e as competências dos órgãos públicos.

81. Lobbyista: pessoa ou grupo que defende interesses específicos junto aos políticos.

82. Política de Justiça: conjunto de medidas adotadas para garantir o acesso à justiça e a efetivação dos direitos fundamentais.

83. Política Habitacional: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à moradia digna.

84. Política de Emprego: conjunto de políticas públicas para promover a geração de empregos e a inclusão no mercado de trabalho.

85. Política de Gênero: conjunto de políticas públicas para promover a equidade de gênero e combater a discriminação.

86. Política de Juventude: conjunto de políticas públicas voltadas para os jovens.

87. Política de Educação: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à educação de qualidade.

88. Política de Cultura: conjunto de políticas públicas para promover a diversidade cultural e o acesso à cultura.

89. Política de Esporte: conjunto de políticas públicas para promover a prática esportiva.

90. Política de Inclusão Social: conjunto de políticas públicas para garantir a inclusão social e combater a exclusão.

91. Política de Desenvolvimento Regional: conjunto de políticas públicas para promover o desenvolvimento das regiões menos desenvolvidas.

92. Política de Meio Ambiente: conjunto de políticas públicas para promover a preservação ambiental.

93. Política de Segurança Alimentar: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à alimentação de qualidade.

94. Política de Saúde Mental: conjunto de políticas públicas para promover a saúde mental.

95. Política de Direitos Humanos: conjunto de políticas públicas para promover e proteger os direitos humanos.

96. Política de Crime e Violência: conjunto de políticas públicas para combater o crime e a violência.

97. Política de Migração: conjunto de políticas públicas para lidar com a migração de pessoas.

98. Política de Água: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à água potável.

99. Política de Energia: conjunto de políticas públicas para promover o uso sustentável da energia.

100. Política de Transporte: conjunto de políticas públicas para promover o transporte público e a mobilidade urbana.

101. Política de Turismo: conjunto de políticas públicas para promover o turismo.

102. Política de Defesa: conjunto de políticas públicas para garantir a defesa nacional.

103. Política de Relações Internacionais: conjunto de políticas públicas para promover as relações com outros países.

104. Política de Comércio Exterior: conjunto de políticas públicas para promover o comércio internacional.

105. Política de Proteção às Minorias: conjunto de políticas públicas para proteger os direitos das minorias étnicas, culturais, religiosas, entre outras.

106. Política de Atenção à Criança e ao Adolescente: conjunto de políticas públicas para promover a proteção e o desenvolvimento das crianças e adolescentes.

107. Política de Geração de Renda: conjunto de políticas públicas para promover a geração de renda e o empreendedorismo.

108. Política de Promoção da Igualdade Racial: conjunto de políticas públicas para promover a igualdade racial e combater o racismo.

109. Política de Assistência Social: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso aos serviços de assistência social.

110. Política de Combate às Drogas: conjunto de políticas públicas para combater o tráfico de drogas e prevenir o uso abusivo.

111. Política de Habitação Popular: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à moradia digna para a população de baixa renda.

112. Política de Educação Infantil: conjunto de políticas públicas para promover a educação das crianças de 0 a 5 anos.

113. Política de Capacitação Profissional: conjunto de políticas públicas para promover a capacitação e qualificação profissional.

114. Política de Incentivo à Cultura: conjunto de políticas públicas para promover a cultura e as artes.

115. Política de Inclusão Digital: conjunto de políticas públicas para promover o acesso à Internet e às tecnologias digitais.

116. Política de Acesso à Justiça: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à justiça para todos os cidadãos.

117. Política de Segurança Pública: conjunto de políticas públicas para promover a segurança da população.

118. Política de Desenvolvimento Econômico: conjunto de políticas públicas para promover o crescimento econômico e a geração de empregos.

119. Política de Proteção Ambiental: conjunto de políticas públicas para proteger o meio ambiente e os recursos naturais.

120. Política de Promoção da Saúde: conjunto de políticas públicas para promover a saúde e prevenir doenças.

121. Política de Promoção da Igualdade de Gênero: conjunto de políticas públicas para promover a igualdade entre homens e mulheres.

122. Política de Segurança Alimentar: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à alimentação de qualidade para a população.

123. Política de Valorização da Terceira Idade: conjunto de políticas públicas para promover a qualidade de vida dos idosos.

124. Política de Proteção aos Direitos dos Animais: conjunto de políticas públicas para proteger os direitos dos animais e combater os maus-tratos.

125. Política de Estímulo à Inovação: conjunto de políticas públicas para promover a inovação e o empreendedorismo.

126. Política de Combate à Corrupção: conjunto de políticas públicas para combater a corrupção e promover a transparência.

127. Política de Promoção da Cidadania: conjunto de políticas públicas para promover a participação dos cidadãos na vida política.

128. Política de Promoção da Diversidade: conjunto de políticas públicas para promover a diversidade étnica, cultural, religiosa, entre outras.

129. Política de Acesso à Informação: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso dos cidadãos às informações públicas.

130. Política de Segurança Cibernética: conjunto de políticas públicas para proteger os sistemas de informação e comunicação contra ataques cibernéticos.

131. Política de Proteção do Consumidor: conjunto de políticas públicas para proteger os direitos dos consumidores.

132. Política de Proteção dos Trabalhadores: conjunto de políticas públicas para proteger os direitos dos trabalhadores.

133. Política de Investimento em Infraestrutura: conjunto de políticas públicas para promover o investimento em infraestrutura.

134. Política de Ordenamento Territorial: conjunto de políticas públicas para organizar o uso do solo e planejar o desenvolvimento urbano.

135. Política de Promoção da Agricultura Sustentável: conjunto de políticas públicas para promover a produção de alimentos de forma sustentável.

136. Política de Proteção das Florestas: conjunto de políticas públicas para proteger as florestas e combater o desmatamento.

137. Política de Proteção dos Oceanos: conjunto de políticas públicas para proteger os oceanos e os recursos marinhos.

138. Política de Promoção da Energia Limpa: conjunto de políticas públicas para promover o uso de energias renováveis.

139. Política de Promoção do Turismo Sustentável: conjunto de políticas públicas para promover o turismo de forma sustentável.

140. Política de Combate às Mudanças Climáticas: conjunto de políticas públicas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e adaptar-se aos impactos das mudanças climáticas.

Cuícas Imortais: Os Mestres da Percussão do Samba agora em um tributo literário

Foto: Arte digital / Divulgação


APRESENTAÇÃO

A cuíca, um tambor de fricção bastante usado na percussão do samba, se desenvolveu no Brasil a partir de tambores centro-africanos de Angola e do Congo. Há referências sobre instrumentos bastante parecidos, oriundos de regiões onde viviam os kimbundos, ambundos e kiocos. Entre nós, o tambor dos bantos foi chamado, além de cuíca, de fungador,
tambor-onça, angona-puíta etc. Nos primórdios do samba, as cuícas, muitas vezes construídas artesanalmente a partir de barricas e pequenos tonéis de madeira, exerciam funções ligadas à marcação do ritmo, explorando sonoridades mais graves. Aos poucos, porém, o instrumento foi se transformando, ganhando características sonoras mais agudas, batucando e repicando sonoridades peculiares em rodas, terreiros, escolas de samba e shows.

É esse instrumento marcante na história da percussão brasileira que conduz as histórias contadas neste livro por J. Muniz Jr. e Paulinho Bicolor. Os autores, com conhecimento de causa curtido no couro das rodas de samba, abordam nas páginas que seguem a trajetória de grandes nomes da história do instrumento. A partir da figura seminal de João Mina, batuqueiro do bairro carioca do Estácio de Sá, que introduziu o instrumento nas escolas de samba, temos um passeio que mistura dados biográficos, modos de tocar, inovações, contribuições e heranças deixadas por nomes como Manoel Quirino, Bide, Generoso, Ministrinho e tantos outros.

Ao relembrar as trajetórias dos grandes construtores dos modos brasileiros de tocar cuíca, os autores prestam ainda um serviço inestimável à historiografia do samba, chamando para a grande roda do tempo — pelo nome — aqueles que, a partir das gramáticas do tambor, ousaram preencher o vazio com sonoridades inusitadas.

Luiz Antonio Simas

RESENHA

Foto: Arte digital / Divulgação

Cuícas imortais: de João Mina à Boca de ouro, de J. Muniz Jr e Paulinho Bicolor é Um tributo aos lendários cuiqueiros que se destacaram no século XX pelo extraordinário desempenho artístico com seus instrumentos mágicos, pois a cuica é o canto e o encanto do samba. A cuíca é um instrumento musical importante na cultura brasileira, com origens africanas e que se tornou parte fundamental do samba e de outras manifestações afro-brasileiras. O livro "Cuícas Imortais" apresenta a história e os perfis biográficos dos músicos que contribuíram para a transformação e permanência desse instrumento ao longo do tempo. Além disso, destaca a cuíca como um instrumento de sociabilidade que cria laços afetivos entre as pessoas. O Instituto Cultural Glória ao Samba enaltece a importância desses músicos e espera que mais obras sejam produzidas para homenagear outros ritmistas do samba.

O prefácio do livro "A Cuíca Ronca entre o Sagrado e o Profano" destaca a importância da cuíca na percussão do samba e sua origem a partir de tambores centro-africanos. O instrumento, inicialmente utilizado para marcar o ritmo com sonoridades graves, evoluiu para produzir sons agudos e distintos. Os autores do livro, J. Muniz e Paulinho Bicolor, exploram a trajetória de grandes nomes da história da cuíca, destacando suas contribuições e inovações. A cuíca é descrita como um instrumento misterioso, capaz de evocar memórias ancestrais e ritmos distintos. O livro é recomendado como uma contribuição valiosa para a historiografia do samba, ressaltando a importância da cuíca na música brasileira.


Arte digital / Divulgação


A obra se inicia narrando a história de João Mina, um dos pioneiros da cuíca no samba, é repleta de mistérios e contradições. Apesar de ser considerado por alguns como o inventor do instrumento, sua real importância e contribuição para a música popular ainda são motivo de debate. No entanto, sua participação na história do samba e sua parceria com grandes nomes como Noel Rosa são fatos incontestáveis. Sua trajetória exemplifica a complexidade e riqueza cultural por trás dos instrumentos musicais e das manifestações artísticas.

Foto: Morula / Divulgação

Desde os primórdios do samba, a presença feminina sempre foi marcante, mesmo muitas vezes sendo subjugada em canções machistas. Mulheres como Tia Ciata são lembradas por seu papel de liderança no samba, mas pouco se fala sobre a participação feminina em atividades consideradas masculinas, como a função de ritmista. Dalila e Dila, retratadas em uma fotografia de 1932, são exemplos disso, destacando-se como mestras da cuíca e do tamborim. A importância dessas mulheres no samba é ressaltada, questionando quantos outros talentos femininos foram ignorados ao longo da história. Dalila, retratada como uma das primeiras ritmistas do samba, merece destaque por sua contribuição para a cultura popular brasileira.

A revista O Cruzeiro publicou uma reportagem em 1935 sobre a visita dos bailarinos russos Clotilde e Alexandre Sakharoff ao terreiro da escola de samba Lyra do Amor, no Rio de Janeiro. Eles se encantaram com o samba e com a cuíca de Manoel Quirino, um cuiqueiro renomado da época. A reportagem destaca a técnica antiga de fabricação e afinação da cuíca, que envolvia tachinhas, arruelas e arame, além do uso do fogo para ajuste do couro. A execução da cuíca também era diferente, com apenas uma mão, o que limitava as frequências sonoras. Nos anos seguintes, houve modernizações na fabricação e afinação da cuíca, permitindo maior variedade de sons e tornando o instrumento mais versátil musicalmente.

O autor também destaca a história de Deovirgilio Florentino de Carvalho, um operário e oficial de caldeireiro, inventou um novo tipo de cuíca chamado de "cuíca-tuba" em 1933. Ele adaptou a caixa acústica da cuíca com uma campânula de tuba na esperança de amplificar o som do instrumento. Apesar de sua inovação, a prática de adicionar campânulas na cuíca já era comum entre os cuiqueiros, e Deovirgilio pode ter sido inspirado por uma reportagem de 1931 que descrevia a cuíca comparando-a com a tuba. Naquela época, a cuíca tinha um padrão sonoro mais grave e era usada principalmente para sustentar o ritmo, tendo uma função semelhante à tuba na música popular.

Aclamado, Paulo Campos foi um pioneiro cuiqueiro aclamado como Rei da Cuíca em espetáculos artísticos, atuando também na escola de samba Alma Suburbana. Ele realizou uma modificação em sua cuíca, adicionando chaves de afinação, proporcionando maior controle sobre as frequências sonoras do instrumento. Essa inovação foi vista como um gesto de civilização da cuíca, promovendo seu avanço. Apesar de não ter sido seguido por outros cuiqueiros, o experimento de Paulo Campos revela um intenso processo de transformação na história da cuíca, com impacto histórico, musicológico e sociológico na sociedade brasileira.

Relembrado, Alcebíades Maia Barcelos, conhecido como Bide, foi um dos principais fundadores do bloco Deixa Falar, que inspirou as primeiras escolas de samba. Além de compositor, deixou importantes contribuições na história do samba, especialmente em relação à cuíca. Formou parcerias musicais importantes e foi um dos primeiros sambistas a se profissionalizar. Sua atuação como cuiqueiro foi documentada em registros históricos e ele também contracenou em um filme com a cantora Aurora Miranda. Apesar do prestígio, passou por dificuldades antes de falecer em 1975, sem a devida reverência ao seu legado.

O autor ainda cita que Oliveira da Cuíca foi um renomado músico carioca que se destacou como um dos primeiros e mais habilidosos tocadores de cuíca do Brasil. Ele cresceu em um ambiente boêmio no bairro do Estácio, onde sua mãe administrava um bordel. Ao lado de João Mina, ele formou o naipe de cuícas da escola de samba Deixa Falar. Oliveira também foi pioneiro na técnica de execução da cuíca e contribuiu para o desenvolvimento e popularização do instrumento. Além de atuar em escolas de samba e no show business carioca, ele se apresentou internacionalmente e foi elogiado por sua técnica inovadora. Apesar de sua breve carreira, Oliveira deixou um legado significativo na música brasileira, sendo reconhecido como o Rei da Cuíca e um dos principais músicos de acompanhamento da época. Sua morte prematura em 1938 foi lamentada pela imprensa e seus amigos, sendo erroneamente confundida com a de outro músico.

Pedro Moreira, conhecido como "Pedro da Cuíca", era um músico prestigiado que tocava cuíca em diversos eventos e programas radiofônicos nas décadas de 1930 e 1940. Ele fazia parte do conjunto regional de Nelson Miranda e também do grupo da rádio Mayrink Veiga, dirigido por Pixinguinha. Pedro inovou no instrumento, utilizando uma cuíca com uma pele de gato e aplicações de metal cromado, que proporcionava uma sonoridade magnífica. Ele era reconhecido por sua habilidade e virtuosismo ao tocar, destacando-se como solista em diversas apresentações. Pedro também teve a oportunidade de acompanhar renomados músicos em uma audição para o Dr. Carleton Sprague Smith, diretor da Seção Musical da Biblioteca Pública de Nova York, que elogiou as sonoridades únicas que Pedro conseguia extrair da cuíca.

A obra também relata a história do popular Chico da Cuíca, conhecido por seu talento como tocador de cuíca e sua vida boêmia no Rio de Janeiro nas décadas de 1930 e 1940. Ele era reconhecido por seu prestígio profissional e participou de importantes espetáculos musicais. No entanto, também enfrentou momentos difíceis, como uma briga que resultou em ferimentos graves. Chico faleceu em 1948, em circunstâncias trágicas, e seu corpo ficou insepulto por falta de recursos da família. A história de Chico da Cuíca reflete a dura realidade dos artistas populares da época, que enfrentavam dificuldades mesmo diante de seu talento e fama.

Generoso Bueno da Silva foi considerado o melhor cuiqueiro do Brasil na época em que alegrava as noites da cidade de Santos. Ele aprendeu a tocar cuíca através de um cuiqueiro carioca e se destacou como músico profissional em eventos sofisticados. No entanto, com o fechamento dos cassinos e a chegada de novos estilos musicais, Generoso passou por dificuldades e se afastou da vida artística. Mesmo assim, foi reverenciado em um concurso em 1970, mas percebeu que não poderia mais voltar ao passado glorioso. Ele viveu na penumbra até seu falecimento em 1990, sendo lembrado como uma figura importante na difusão artística da cuíca na região.

José Santiago da Silva, conhecido como Ministrinho, foi um dos muitos netos da famosa Tia Ciata, matriarca do samba. Cresceu em um ambiente bamba e culturalmente rico, influenciado pela ancestralidade africana. Com talento para a cuíca, tornou-se um dos cuiqueiros mais célebres da história, modernizando o instrumento. Viveu uma vida boêmia, marcada por jogos e sedução, mas também se destacou como músico de acompanhamento e protagonista, sendo requisitado em shows e gravações. Viajou pelo Brasil e pelo mundo, participando até mesmo de produções cinematográficas. Nos últimos anos, enfrentou dificuldades financeiras e precisou se sustentar com um emprego no cais do porto. Sua última atuação artística foi anunciada em uma boate no Rio de Janeiro. Ministrinho dedicou sua vida à cuíca e teve uma de suas antigas cuícas exposta no Museu da Imagem e do Som, infelizmente perdida em um incêndio em 1981. Sua trajetória honra o samba brasileiro.

Boca de Ouro foi um músico lendário dedicado à cuíca, com uma trajetória intensa e fascinante. Sua vida foi marcada por mistérios, desde seu apelido até sua origem, que permanece desconhecida. Com uma incrível musicalidade, Boca se destacou como um dos melhores cuiqueiros de sua época, conquistando fama no Brasil e internacionalmente. No entanto, sua vida pessoal foi marcada por acontecimentos trágicos e rumores, como seu envolvimento com a bebida e sua morte misteriosa, que até hoje suscita dúvidas.

O livro "Cuícas Imortais" é uma obra que celebra a importância da cuíca na cultura brasileira, destacando os músicos que contribuíram para sua história e evolução. A narrativa envolvente e detalhada traz à tona personagens fascinantes e suas trajetórias marcantes, revelando a complexidade e riqueza por trás desse instrumento tão emblemático. A pesquisa profunda e o respeito à memória dos cuiqueiros tornam o livro uma leitura indispensável para quem deseja entender melhor a influência da cuíca no samba e na música brasileira como um todo. A abordagem sensível e informativa dos autores J. Muniz e Paulinho Bicolor enaltece a importância cultural da cuíca, tornando o livro uma obra fundamental para quem aprecia e valoriza a riqueza da nossa música.

Explorando as profundezas da existência: uma jornada através dos "Contos céticos" de Adriana Lunardi


A coletânea de contos "Contos céticos", da aclamada escritora Adriana Lunardi, nos transporta para um universo de imperfeições belas que surgem da tragédia do cotidiano. Com uma narrativa fascinante e repleta de imagens extraordinárias criadas a partir de elementos simples da existência, Lunardi desafia a manipulação por glossários, medicamentos ou truques. Em seus contos, somos confrontados com a delícia e o desespero de coexistir, explorando temas profundos como solidão, amor, memória e identidade.

Cada conto mergulha nas complexidades das relações humanas e nos faz refletir sobre a natureza da criatividade, da culpa e da busca pela verdade. A autora utiliza uma linguagem poética e introspectiva para transmitir emoções profundas e nos levar a questionar a fragilidade e a efemeridade da vida. Com habilidade magistral, Lunardi nos conduz por um caminho de descobertas e revelações, transformando a leitura em uma experiência envolvente e marcante. "Contos céticos" é, sem dúvida, uma obra que ressoa na alma do leitor e o convida a explorar as nuances da condição humana.

Resenha: Contos céticos, de Adriana Lunardi

Foto: Arte digital / Divulgação

 

APRESENTAÇÃO

A escrita de Adriana Lunardi traz uma astúcia que nos coloca, sempre de repente, na companhia das belezas imperfeitas que decorrem da tragédia cotidiana – a¬li, de onde não se pode fugir, o deleite e desespero de coexistir; ali, quando há sempre um eu, um outro.

Desconfiados e a seu lado, acompanhamos um estrangeiro na praia, criamos personagens, perdemos o ar por completo em uma pandemia, e a visão, na velhice. Em seus nove contos e uma nota do destino, conhecemos crianças erráticas, idosos mais erráticos ainda, escritores vaidosos e autoflagelados, e vislumbramos o que chamam de ‘loucura que acomete gênios e artistas’, mas sequer chegamos perto de tocá-la – é impossível. Olhamos no olho do mistério porque, em Contos céticos, não há quarta parede diante do luto, das últimas imagens que se tem de alguém. Tudo pode ser maculado. Uma criança, a literatura, Paris.

Mas o que torna Contos céticos uma coletânea excepcional são as imagens extraordinárias que Lunardi é capaz de criar a partir de elementos triviais da existência. Sua narrativa fascinante não vem apenas de uma habilidade magistral, mas de sua uma profunda intimidade com a palavra. O fio condutor que atravessa os contos deste livro não se estica e não se pretende linear, prefere antes partir-se e buscar o remendo, fazer nós e novelos; sua natureza, no entanto, é inequívoca, e diz: estou aqui para fazer literatura.


RESENHA


Adriana Lunardi, aclamada escritora e ganhadora de diversos prêmios, nos presenteia com Contos céticos, uma celebração da literatura e suas diversas formas. Seus nove contos e uma nota do destino nos levam a um universo de imperfeições belas que surgem da tragédia do cotidiano, explorando a delícia e o desespero de coexistir. Em meio a crianças caprichosas, idosos mais ainda, escritores arrogantes e autocentrados, Lunardi nos presenteia com imagens extraordinárias criadas a partir de elementos banais, desafiando a manipulação por glossários, medicamentos ou truques. Em sua narrativa, a autora utiliza a dúvida e a ironia para explorar uma realidade que não pode ser deturpada. Adriana Lunardi nos confronta com nossa própria ridicularidade, revelando a beleza que reside em nós quando as luzes se apagam. Sua obra deixa uma marca indelével, como bem observou Adriana Lisboa, com "um quê de ternura, um arrepio de poema".


Contos Céticos é uma coletânea excepcional que se destaca pelas imagens extraordinárias criadas pela autora a partir de elementos simples do cotidiano. Sua narrativa envolvente é fruto não apenas de habilidade excepcional, mas também de uma profunda conexão com a palavra. Os contos deste livro não seguem uma linha reta, preferem se emaranhar e encontrar soluções criativas; no entanto, sua essência é clara: estão ali para fazer literatura. Todas as personagens dos contos carregam um olhar cético e desencantado, questionando o que é dado como certo. O livro representa uma redescoberta de sua própria escrita, com uma valorização da ficção como uma aposta estética em sua jornada literária, o que torna a missão de leitura algo excepcionalmente encantador, ao passo, de que, somos confrontados com nuances descritivas que nos levam a questionar nossa capacidade de interpretação, repleto de contos que mergulham de forma profunda na nossa identidade. 


Silêncio, exílio se desenrola em fragmentos que se entrelaçam de forma singular. A protagonista narra seus encontros com um estrangeiro misterioso em uma praia, enquanto reflete sobre suas fantasias, medos e inseguranças.


A autora utiliza uma linguagem poética e ao mesmo tempo perturbadora, criando uma atmosfera de suspense e inquietude ao redor da relação entre a protagonista e o estrangeiro. A presença constante do mar e a descrição detalhada das ondas e da paisagem marinha contribuem para a tensão crescente ao longo do conto. A protagonista revela a sua fascinação pelo inesperado, o absurdo e o terror do dia a dia, e seu relacionamento com o estrangeiro parece ser marcado por um misto de curiosidade e medo. A personagem também parece lutar contra suas próprias inseguranças e fobias, enquanto tenta decifrar os sinais que se apresentam diante dela.


A narrativa é rica em simbolismos e metáforas, que exploram temas como a vulnerabilidade humana, a dualidade entre o amor e o medo, e a complexidade das relações interpessoais. O conto evoca uma atmosfera onírica e perturbadora, onde a realidade e a fantasia se misturam de maneira intrigante. A protagonista parece confrontar seus próprios medos e alcançar uma espécie de redenção, ao perceber que a tragédia que imaginara não passava de sua própria projeção. 


Script girl é uma narrativa densa e introspectiva que explora a solidão e o isolamento em meio a uma crise global, como a pandemia. A protagonista reflete sobre seus relacionamentos e o amor, projetando suas fantasias e expectativas em figuras masculinas do seu cotidiano. A autora cria personagens complexos e ambíguos, como Tom, Tibério, César e Gus, que representam diferentes aspectos da jornada emocional da protagonista. Cada um deles desperta emoções e questionamentos na narradora, revelando suas próprias inquietações e desejos.


A escrita poética de Lunardi aborda temas profundos como a busca por significado, a solidão e a efemeridade dos relacionamentos. A dualidade entre realidade e fantasia, vida vivida e vida imaginada, cria uma atmosfera melancólica e contemplativa. Apesar disso, o conto pode parecer fragmentado e hermético, com passagens e reflexões que não se conectam claramente. A densidade da narrativa e as referências literárias e cinematográficas podem desafiar alguns leitores.


Bodas de Pó nos apresenta um encontro entre um casal divorciado, Frederico e a narradora, que se reúnem para discutir a situação de saúde dele e o rumo de suas vidas. O texto é permeado por silêncios carregados de significados, revelando mágoas e arrependimentos não expressos verbalmente. A narrativa é marcada pela presença de lembranças e reflexões sobre o passado do relacionamento dos personagens, as dificuldades enfrentadas e as escolhas feitas ao longo do tempo. A autora aborda de maneira sensível a complexidade das relações humanas, mostrando como as divergências e conflitos podem perdurar mesmo após o fim de um casamento.


A ambientação do conto em uma cafeteria cria uma atmosfera íntima e melancólica, onde as emoções dos personagens parecem se entrelaçar com as conversas ao redor e a movimentação do ambiente. A garçonete, figura secundária, também é explorada de forma simbólica, representando uma espécie de refúgio e serenidade em contraste com a turbulência emocional dos protagonistas. A autora utiliza uma linguagem poética e metafórica para explorar as emoções dos personagens, dando destaque aos gestos e silêncios que revelam mais do que as palavras. O conto nos leva a refletir sobre a efemeridade da vida e dos relacionamentos, a solidão e a inevitabilidade do tempo que nos separa daqueles que um dia foram importantes em nossas vidas.


Animal extinto aborda temas como memória, identidade e desconexão em um mundo futurista onde implantes e próteses neuronais se tornaram comuns. A narrativa segue um protagonista que passa por um processo de remoção de implantes ilegais em seu cérebro e é confrontado com lembranças e sensações que o levam a questionar sua própria existência. O conto apresenta uma atmosfera distópica e tecnológica, onde os personagens lidam com dilemas éticos e emocionais relacionados à sua própria humanidade. A relação entre o protagonista e seu irmão, que sofre de uma condição neurológica, adiciona uma camada emocional à história.


A escrita de Lunardi é poética e melancólica, transmitindo a sensação de estranhamento e desolação do protagonista diante de sua própria desconexão com o mundo. A cena final, com a aparição de um animal extinto, simboliza a perda e a busca pela identidade perdida.


Biografia e correspondência, nos apresenta uma narrativa envolvente que mergulha nas nuances do comportamento humano e nas complexidades das relações interpessoais. Através de uma descrição minuciosa do ambiente de uma livraria e das ações dos personagens, somos levados a refletir sobre a natureza humana e suas motivações. A protagonista, Inês, é retratada de forma intrigante, como uma mulher perspicaz e calculista, que observa atentamente o comportamento das pessoas ao seu redor. Sua postura reservada e sua capacidade de antecipar as ações dos outros revelam uma personalidade enigmática e misteriosa.


O conto aborda temas como solidão, descontentamento e busca por significado, através dos diálogos internos de Inês e de suas interações com os demais personagens. A descrição detalhada das cenas e dos pensamentos da protagonista cria uma atmosfera densa e intrigante, que nos convida a penetrar nas camadas mais profundas da psique humana. A colisão causada por Inês com a moça de lenço é o clímax do conto, um momento crucial que revela a natureza sombria e manipuladora da protagonista. A forma como ela manipula a situação e se aproveita da vulnerabilidade da outra pessoa para atingir seus objetivos nos faz questionar até que ponto somos capazes de ir em busca de nossos próprios interesses.


Toda história em Paris é uma autobiografia, acompanha a narrativa de uma entrevistadora profissional que se vê diante de uma autora em crise, Miranda Sodré, que confessa ter plagiado um livro. Através de um diálogo tenso e cheio de nuances, a entrevistadora busca compreender os motivos por trás da confissão de Miranda e desvendar a verdade por trás do plágio. O conto traz à tona questões sobre autenticidade, fama, pressão social e a complexidade das relações humanas. A autora, através de diálogos bem construídos e uma narrativa envolvente, conduz o leitor por um caminho de descobertas e revelações, fazendo questionamentos sobre a natureza da criatividade, da culpa e da busca pela verdade.


A personagem de Miranda é apresentada de forma multifacetada, demonstrando suas fraquezas, seus medos e suas contradições. A autenticidade de seus sentimentos se choca com a máscara que ela mantém perante o mundo, levando a um desfecho surpreendente e impactante, um conto que instiga reflexões sobre a natureza humana, a busca pela autenticidade e as consequências de nossas escolhas. Com uma narrativa sensível e perspicaz, a autora consegue capturar a complexidade das relações interpessoais e nos levar a questionar o que realmente nos move e define nossa trajetória.


Enquadramento aborda a relação entre duas irmãs enquanto lidam com a chegada de um novo bebê na família. A narrativa é conduzida pela protagonista, que narra a dinâmica complexa entre ela e sua irmã mais nova, Kazuo, em meio a mudanças no ambiente familiar.


A autora utiliza uma composição detalhada do ambiente, como a divisão do quarto entre as camas das duas irmãs e a dinâmica de poder sobre os espaços compartilhados, para explorar os sentimentos de inveja, rivalidade e amor entre as personagens. Através da criação de um mundo imaginário, as irmãs constroem uma narrativa fictícia com personagens e histórias que refletem suas próprias vivências e emoções. O conto aborda questões relacionadas à infância, como a adaptação a mudanças familiares, a rivalidade entre irmãos e a busca por identidade e reconhecimento. A autora mescla elementos lúdicos e emotivos, criando uma atmosfera delicada e envolvente que cativa o leitor com uma narrativa  habilmente construída, com um ritmo fluido e uma linguagem poética que captura a inocência e a complexidade das relações familiares. O desfecho inesperado traz um choque de realidade que desestabiliza a fantasia criada pelas irmãs, resultando em uma reflexão sobre a fragilidade e a efemeridade da infância. É um conto sensível e envolvente que explora temas universais como o amor, a rivalidade e a passagem do tempo, revelando nuances emocionais e psicológicas das personagens. Através de uma narrativa intimista e cuidadosamente elaborada, a autora consegue transmitir os conflitos e as delicadezas das relações familiares de forma tocante e profunda.


Bildungsroman, é uma narrativa angustiante e envolvente que nos leva a refletir sobre questões familiares, o crescimento e a descoberta de si mesmo. A protagonista, uma criança de apenas oito anos, é pega em flagrante realizando mais uma fuga, o que acaba gerando um desconforto e uma tensão palpável dentro de sua casa. A narradora faz jus ao título do conto, que remete ao gênero literário que retrata a formação e o amadurecimento de um personagem. A personagem principal, ainda tão jovem, já se vê diante das consequências de seus atos e de suas escolhas, sendo levada a enfrentar a dura realidade do seu comportamento indisciplinado.


A relação conturbada com seu pai e a sensação de não ser compreendida pelos adultos ao seu redor são elementos marcantes na trama. A menina é colocada de castigo em um ambiente abandonado da casa, onde se vê sozinha e obrigada a lidar com seus pensamentos e sentimentos. Ao longo da história, a protagonista encontra uma forma de se expressar e de se encontrar através da escrita. Ela começa a listar objetos e palavras no espaço ao seu redor, demonstrando sua criatividade e sua necessidade de se fazer presente e ser notada. A escrita envolvente nos conduz por um fluxo de pensamentos tão intensos e profundos quanto os da própria personagem. A sensação de isolamento e a busca por identidade são temas recorrentes que fazem o leitor refletir sobre sua própria jornada de crescimento e amadurecimento, o que faz a escrita de Lunardi um exercício de reflexão acerca da complexidade da infância e da formação da identidade.


Condições do tempo nos apresenta a história de um protagonista que retorna à casa de um antigo amor, Guilherme, após um longo período de ausência. A narrativa é rica em detalhes e reflexões sobre a passagem do tempo, as relações humanas e as escolhas que moldam nossa existência. O protagonista é confrontado com suas memórias e arrependimentos ao revisitar a casa e os momentos compartilhados com Guilherme. A presença do cão Lucius, o jardim bem cuidado, a arte de Guilherme e a atmosfera da festa realizada na casa são elementos que o levam a refletir sobre sua própria vida e as consequências de suas ações passadas.


A narrativa é habilmente construída, alternando entre passado e presente, sonho e realidade, revelando camadas profundas de emoção e arrependimento. A relação entre o protagonista e Guilherme é complexa e carregada de significados, mostrando o peso das escolhas e a dificuldade de lidar com as consequências.  É um conto profundo e emocionante que nos faz refletir sobre as escolhas que fazemos e as consequências que enfrentamos ao longo de nossas vidas. A complexidade dos personagens e a narrativa habilidosa tornam a leitura envolvente e cativante, deixando uma marca duradoura na mente do leitor.

Resenha: Contra o Identitarismo Neoliberal: um Ensaio de Poíesis Crítica Pela Apologia das Artes , de Rubens Russomanno Ricciardi

Foto: Arte digital / Divulgação

APRESENTAÇÃO

A obra é um ensaio de poíesis crítica pela apologia das artes. Trata-se, na filosofia das artes, de uma nova epistemologia voltada às questões da linguagem e da ideologia – ao mesmo tempo hermenêutica e dialética, existencial e crítica. Se, em Marx e Engels, há uma práxis crítica e, na Escola de Frankfurt, uma theoría crítica, com a poíesis crítica pretende-se preencher a lacuna do esquecimento da poíesis e solucionar a confusão entre práxis e poíesis. Definindo a elaboração da obra de linguagem enquanto processo crítico-inventivo, a poíesis não é teórica nem prática. Para a poíesis crítica importa o lógos poético, prosseguindo não apenas os trabalhos iniciados por Heidegger, mas também desde Heráclito e Aristóteles. Com a poíesis crítica se evidencia o abismo que há hoje entre as artes e a indústria da cultura. Os estudos abrangem também as diferenças entre linguagem e comunicação; entre obra de arte e kitsch.

RESENHA

Rubens Russomanno Ricciardi, nascido em 1964, aborda questões urgentes relacionadas ao universo musical em seu ensaio, que incluem política, justiça social, ecossistema, poíesis e práxis. Ele denuncia a ocupação da indústria da cultura nos campos das linguagens artísticas, especialmente na música, e como teorias como a decolonização e o eurocentrismo são usadas para lucrar com o domínio das massas. Russomanno defende a necessidade de colocar a indústria da cultura em seu lugar e destaca a importância de distinguir arte dessa indústria. Ele critica a busca por sucesso imediato por gestores de instituições públicas, que desconsideram os processos civilizatórios que são desenvolvidos a longo prazo e alerta sobre os desastres que concessões no meio do caminho podem causar.

O autor esclarece que a poíesis crítica propõe uma abordagem que integra a questão da linguagem e da ideologia, buscando preencher a lacuna entre práxis e poíesis. O ensaio questiona o eurocentrismo e a decolonialidade, criticando a aversão às artes e à música geradas por ideologias neoliberais. O texto também aborda a crítica ao identitarismo e ao culturalismo, apontando para a influência da indústria da cultura dos EUA e a alienação e coisificação promovidas pelo neoliberalismo. Por fim, a estética, cultura, comunicação e identidade são conceitos vistos como neologismos tardios e extrínsecos à natureza da arte pela poíesis crítica.

Neste ensaio, o autor critica a colonização genocida promovida pela Europa ao longo dos séculos, destacando o racismo, a exploração mercantilista e a perseguição às minorias. Também aborda a resistência aos excessos de alguns grupos identitários neoliberais, que deturpam questões histórico-filosóficas e servem a novas ideologias colonialistas. O autor defende um estudo crítico sobre a eurocentricidade nas artes e a decolonialidade. Além disso, enfatiza a importância da poíesis crítica e da valorização das artes de todos os tempos e lugares, especialmente as brasileiras. Por fim, propõe um maior fomento às artes no Brasil e convida para um estudo conjunto visando uma discussão conceitual alternativa ao culturalismo e à hegemonia neoliberal na indústria da cultura.

Jean-François Lyotard pensou a pós-modernidade a partir da relação entre conhecimento e poder decisório do terror tecnocrata, mas o conceito acabou sendo adotado pela economia e pelas artes. No entanto, a ideia de pós-modernidade não faz sentido nessas áreas, uma vez que o neoliberalismo não representa a superação do capitalismo e a modernidade artística sempre esteve envolta em paradoxos desde suas primeiras gerações. O neologismo de decolonialidade de Aníbal Quijano também foi desvirtuado e acabou prejudicando os estudos de linguagem. Tanto pós-modernidade quanto eurocentrismo e decolonialidade, idealizados na esquerda, se tornaram pautas neoliberais, chegando a afetar a teoria e a subsistência das artes. Na América Latina, a aversão ao eurocentrismo acabou favorecendo a imagem dos EUA, estabelecendo o problema no eurocentrismo em vez do centrismo norte-americano.

O livro aborda a poíesis, que engloba artistas como poetas, arquitetos, coreógrafos, entre outros, e envolve os processos de concepção e produção de obras de arte. Destaca a importância da crítica e invenção na linguagem artística, discute a relação entre Marx, Engels e a ausência do conceito de poíesis, e explora a autonomia dialética da arte. O texto também menciona a importância da mímesis, do distanciamento crítico e da abstração na poíesis, ressaltando a necessidade de preservar a liberdade artística e evitar a alienação. Por fim, aborda conceitos como pólemos em Heráclito, a fusão de horizontes e a valorização da liberdade dentro das restrições na criação artística. A poíesis engloba a composição autoral e o tratamento inventivo do material artístico, enquanto a práxis é o processo hermenêutico de interpretação e execução corporal das fontes da obra. A técnica nas artes é essencial para a constituição da linguagem, representando uma essência ontológica que envolve tanto a poíesis quanto a práxis. O conceito de lógos, originalmente grego e relacionado à linguagem e inteligência, é fundamental para o entendimento das artes representativas, como teatro, dança e música. Heidegger ressalta a importância da alétheia, o desvelamento na linguagem, que diferencia a téchne, arte, da epistéme, conhecimento nas ciências. A distinção entre artista e artesão também é abordada, ressaltando a importância do know-how e do trabalho manual na técnica artística.

O texto discute a diferença entre a poíesis humana e a poíesis da natureza, destacando a monumentalidade da poíesis da phýsis. O autor argumenta que o Homo sapiens, sem sabedoria, se considera um Homo creativus, mas na verdade é um Homo stultus que perturba a natureza. É enfatizada a importância de distinguir entre a criação da natureza e as invenções humanas, assim como a necessidade de humildade e respeito diante da natureza. Além disso, é abordada a questão da relação entre a religião e a destruição da natureza, ressaltando a importância do cuidado com o meio ambiente. Por fim, são propostos quatro desdobramentos para o lógos humano: homologia, lógos filosófico, lógos poético e lógos corpóreo, discutindo a importância da theoría, poíesis e práxis nas artes e na filosofia, destacando a necessidade de uma visão crítica e existencial para compreender a complexidade dos fenômenos. A theoría é essencial para as ciências da natureza e a filosofia, bem como para a poíesis e práxis nas artes. A transformação do mundo depende de um pensamento crítico, da poíesis e do olhar profundo sobre as questões da essência para além da aparência. A poíesis é uma forma de utopia que transforma o mundo, enquanto a práxis política sem poíesis crítica pode levar ao fracasso. A arte e a filosofia radicais são fundamentais para compreender e transformar a realidade. O texto também critica a redução da teoria e da prática, enfatizando a importância da poíesis na criação artística e em outros campos como a engenharia e medicina. O esquecimento da poíesis prejudica não apenas as artes, mas também questões ideológicas e linguísticas, sendo essencial valorizar a invenção e a originalidade nas artes.

O ensaio também aborda questões como identitarismo, homossexualidade, luta pela igualdade social, história da homossexualidade na Alemanha, críticas de Marx e Engels, eurocentrismo, decolonialidade, arte brasileira, vandalismo, inclusão neoliberal, CAPES, ensino, pesquisa, extensão universitária, cultura na universidade, política cultural e autonomia das artes. Enfatiza a importância da pesquisa rigorosa, da crítica à sociedade repressiva, da arte como expressão da condição humana e do desenvolvimento de políticas que promovam a emancipação e a transformação social, concluindo assim, que, a linguagem, portanto, é essencial para a expressão artística, a compreensão crítica e a emancipação do pensamento crítico-existencial na poíesis crítica. Ela transcende a mera comunicação para se tornar a base da obra de arte e da reflexão filosófica, sendo fundamental para a compreensão do mundo e da existência humana.

O autor também aborda a questão do esquecimento da poíesis em Marx e Engels em relação a Max Stirner, destacando a importância da poíesis na produção artística e sua diferença em relação à produção de trabalho. Ele critica a falta de reconhecimento da poíesis na estética, ressaltando a importância da percepção sensorial e da habilidade inventiva na criação artística. O autor também menciona casos de censura identitária na arte, destacando a importância de valorizar a poíesis em vez de priorizar a práxis ou a representatividade em questões artísticas.

O autor reconhece a importância de valorizar a ancestralidade negra e indígena nas artes brasileiras, destacando a luta política e econômica por justiça, igualdade e dignidade. Discute a questão do racismo cotidiano e a importância de combinar raça e classe na luta social. Também aborda a questão do conceito de raça e sua relação com o racismo, defendendo a necessidade de preservar a memória dos artistas pretos e pardos no Brasil, desde o período colonial até os dias atuais. Além disso, questiona a visão deturpada de elitismo cultural por parte de alguns setores, destacando a importância dos projetos sociais e das escolas de música na formação educacional das crianças.

O autor entende que conceito de cultura passou por mudanças significativas desde o Iluminismo, deixando de ser associado apenas à agricultura e se tornando manifestação do intelecto humano. Nos tempos modernos, a cultura é confundida com arte, mas isso prejudica a compreensão da essência da arte. A divisão entre alta e baixa cultura é preconceituosa e não ajuda a compreender as artes. A ideia de cultura se generalizou e prevalece até hoje, mas pode ser prejudicial para as artes. A indústria da cultura, um monstro engendrado pela racionalidade, contribui para a confusão entre cultura e arte. A poíesis crítica busca emancipar as artes dos campos da cultura, comunicação e identidades. Atualmente, a cultura é predominada pelo kitsch e a arte é sufocada por ela. A cultura não pode se confundir com o mundo da vida, e a arte é uma exceção que se distancia crítica das ideologias culturais. Os processos de coisificação e alienação são intensificados pelo capitalismo neoliberal, que lucra com a cultura. A cultura contemporânea, produzida em série, se tornou um espetáculo kitsch do capitalismo predatório, que destrói as inteligências e linguagens humanas.

Nesta obra, expõe-se também que Mario Stoppino e Norberto Bobbio discutem os significados fraco e forte de cultura, fazendo paralelos com a ideologia em Marx e Engels. O significado fraco abrange todas as manifestações humanas, enquanto o forte se concentra na poíesis crítica. A cultura fraca relativiza todas as atividades humanas como arte e filosofia, mas não consegue diferenciá-las. No significado forte, a cultura se restringe ao costume, ao hábito, e à norma, além de buscar a exceção e a singularidade na superação da lógica de um sistema. O texto critica a priorização da indústria da cultura em detrimento das artes, defendendo a liberdade das expressões artísticas e alertando para a alienação causada pela invasão cultural. Estudos culturais devem valorizar a poíesis crítica e a liberdade inventiva das artes, fugindo dos padrões impostos pela indústria da cultura. Os casos de Bach e Beethoven são apresentados como exemplos de artistas que transcendem sua época e se destacam pela qualidade e originalidade de suas obras.

A discussão sobre a aporia entre conservador e progressista na poíesis crítica revela a incoerência e os engodos presentes nesse debate. A delimitação entre conservador e progressista acaba levando a caminhos viciados. A luta por preservar a natureza e a dignidade da vida humana é essencial, mas forçar uma definição simplista entre os dois extremos não reflete a complexidade da realidade. A dicotomia conservador/progressista não é suficiente para entender as nuances ideológicas e políticas em questão. Em meio a críticas à política econômica conservadora e à iconoclastia progressista, é possível perceber a complexidade das relações entre partidos políticos e ideologias. A resistência às invasões culturais e a valorização da poíesis como forma de transcendência são aspectos centrais na reflexão sobre os desafios contemporâneos das artes.

A obra de Rubens Russomanno Ricciardi destaca a importância de compositores como Bach e Mozart, considerados universalmente influentes. Questiona o relativismo cultural da indústria da cultura, que valoriza a diversidade, mas acaba impondo suas próprias ideologias. Discute também a diferença entre arte popular e indústria cultural, e aponta incoerências nas pautas identitárias neoliberais em relação às artes milenares, ressaltando a importância da integridade ontológico-poético-crítica e fazendo críticas a algumas posturas e práticas.

Apesar dos questionamentos e críticas apresentados, a obra de Rubens Russomanno Ricciardi se destaca por abordar questões urgentes e relevantes relacionadas ao universo musical e à indústria da cultura. Sua defesa da importância da poíesis crítica, da valorização das artes de todos os tempos e lugares, e do combate ao eurocentrismo e à colonização genocida são aspectos que merecem destaque. O autor demonstra um profundo conhecimento e reflexão sobre temas complexos como identitarismo, neoliberalismo, racismo e preservação da natureza, apontando para a necessidade de uma visão crítica e existencial para compreender e transformar a realidade. A obra de Rubens Russomanno Ricciardi contribui para ampliar o debate e o entendimento sobre as questões artísticas e culturais da atualidade, estimulando o leitor a refletir e se posicionar diante desses desafios.

Resenha: Luiz Gama Contra o Império: A Luta Pelo Direito no Brasil da Escravidão, de Bruno Rodrigues de Lima

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APRESENTAÇÃO

“Luiz Gama contra o Império” marca um novo estágio nos estudos sobre a trajetória e a obra de Luiz Gama, este personagem tão importante de nossa história, nosso maior advogado, nosso abolicionista primeiro e um dos grandes pensadores da formação social brasileira. Bruno Lima dá corpo e nos permite um mergulho profundo no pensamento de Luiz Gama, mas também nas mazelas e nas possibilidades emancipatórias que fazem parte do Brasil." SILVIO ALMEIDA

"Se a História do Brasil fosse um misterioso quebra-cabeça e estivesse faltando uma de suas peças essenciais, você não levaria muito tempo para perceber que este livro é a peça que faltava." TÂMIS PARRON A Editora Contracorrente tem a satisfação de anunciar o lançamento do livro “Luiz Gama contra o Império: A luta pelo direito no Brasil da Escravidão”, de autoria do pesquisador Bruno Rodrigues de Lima, reconhecidamente o maior especialista na obra de Luiz Gama.

A obra, que nasce clássica, corresponde à versão revista e atualizada da tese de doutorado que o autor defendeu na Faculdade de Direito da Johann Wolfgang Goethe-Universität Frankfurt am Main e que lhe rendeu o prêmio Walter Kolb de melhor tese de doutorado da Universidade de Frankfurt e a medalha Otto Hahn de destaque científico da Sociedade Max Planck.

RESENHA

A obra ressalta a importância de Luiz Gama como um pensador do Brasil, não apenas como um advogado e abolicionista. Ele foi fundamental na análise da realidade brasileira, criticando suas estruturas políticas e jurídicas. Sua luta pela abolição da escravidão também estava ligada à necessidade de uma mudança política, mostrando que a liberdade dos escravizados dependia da liberdade do país de suas amarras políticas e econômicas. Além disso, Luiz Gama também trouxe a questão africana para a formação do Brasil, sendo um defensor da liberdade dos africanos trazidos à força para o país. O livro "Luiz Gama contra o Império" marca um novo estágio nos estudos sobre Luiz Gama, destacando sua importância como advogado, abolicionista e pensador da formação social brasileira.

O livro é uma versão revista e atualizada da tese de doutorado de Bruno Rodrigues de Lima, defendida em 2022. O trabalho recebeu prêmios e reconhecimento acadêmico. O autor agradece aos professores, ao Instituto Max Planck, colegas acadêmicos, funcionários de arquivos, equipe da editora Contracorrente, amigos e família. Ele também destaca a importância da orientação de seu orientador, Thomas Duve, e do apoio de diversos professores ao longo de sua formação acadêmica.

A obra se inicia narrando os acontecimentos em 1880, quando o juiz Lúcio de Mendonça escreveu o primeiro perfil biográfico do jurista Luiz Gama, destacando a importância do direito na vida e na luta contra a escravidão de Gama. Mendonça sugeriu que a história do jurista deve ser estudada através do direito, e não da política ou do romance. A vida de Gama é marcada por suas atividades como soldado, amanuense, advogado e teórico da sociedade, desenvolvendo uma literatura normativo-pragmática voltada para a produção de liberdade. Seu legado é ressaltado como fundamental para a compreensão da história do direito no Brasil do século XIX, fazendo com que a história do labirinto na literatura ocidental foi reinterpretada por Jorge Luis Borges em 1947 em seu conto "A casa de Astérion", oferecendo uma nova visão do mito do Minotauro. Borges humanizou o monstro, que antes era visto apenas como irracional, trazendo a solidão e o pensamento à sua personagem. Posteriormente, o texto aborda a relação entre o Brasil do século XIX, visto como um labirinto de nações, e a política do contrabando negreiro, que direcionou a entrada de milhões de africanos no país, influenciando a luta pela liberdade dos negros escravizados e libertos. A trajetória de Luiz Gama, nascido na Bahia em meio a essa realidade, é apresentada como um exemplo de resistência e luta por liberdade em um contexto marcado pelo contrabando e pela escravidão.

Na novela Bartleby, o escrevente, o advogado narra a contratação do misterioso Bartleby, que entra para seu escritório como um copista dedicado, mas se recusa a fazer qualquer coisa, respondendo apenas com um "preferiria não fazer". A recusa de Bartleby começa a influenciar os outros personagens, levando-o a perder o emprego e acabar na prisão. O comportamento de Bartleby é interpretado de diversas formas por críticos literários, relacionando-o com a modernidade e a alienação do trabalho. O texto também explora a relação do autor com o direito e a burocracia, destacando a atuação de Luiz Gama na defesa dos direitos dos africanos livres em São Paulo durante o século XIX, mostrando como ele utilizou seu conhecimento normativo para garantir a liberdade dessas pessoas. No entanto, Luiz Gama assumiu o papel de liderança na redação do jornal Radical Paulistano, dedicando-se principalmente a temas jurídicos. Suas crônicas forenses abordavam injustiças e abusos cometidos pelo sistema judiciário, como casos de escravos submetidos a torturas e mortes brutais. Gama utilizava a literatura para denunciar a violência do sistema escravista e a corrupção na administração da justiça, confrontando diretamente juízes e autoridades que permitiam esses abusos. Com uma abordagem crítica e contundente, ele questionava a moralidade e a justiça do Império do Brasil, defendendo a liberdade e os direitos humanos em meio a um cenário de opressão e desigualdade.

Em março de 1872, o jurista Rudolf von Jhering proferiu uma conferência acadêmica em Viena, intitulada "A luta por direito", que teve grande impacto na literatura jurídica de diversos países. Jhering propôs o conceito de "luta" como fundamental para interpretar a história do direito, afirmando que todas as conquistas do direito foram alcançadas através de lutas árduas. Ele mencionou a abolição da escravidão como um exemplo marcante dessa luta pelo direito. Em seguida, o texto aborda a trajetória do jurista Luiz Gama na década de 1870, destacando sua atuação em uma ação judicial na comarca de Santos, envolvendo a partilha do inventário do comendador português Ferreira Neto. Gama solicitou informações sobre os escravos deixados pelo comendador, buscando compreender a situação desses indivíduos e possivelmente garantir-lhes a liberdade. Essa ação judicial foi um dos episódios marcantes da atuação de Gama na defesa dos direitos dos escravizados.

Em fevereiro de 1940, o poeta Paulo da Portela, junto a Cartola e Heitor dos Prazeres, tentou desfilar junto à escola de samba Portela, mas foram impedidos pela diretoria por não estarem trajando as cores da escola. Paulo ficou magoado e se afastou da Portela por nove anos. Após a sua morte, a escola o homenageou diversas vezes, mas a ferida do desentendimento ainda doía. Da mesma forma, Luiz Gama, abolicionista, foi esquecido e seu legado foi distorcido por outros historiadores, como Joaquim Nabuco, que preferiam creditar a liderança a outros. Apesar disso, o povo negro nunca deixou o nome de Paulo da Portela e Luiz Gama caírem no esquecimento, mantendo sua memória viva através da tradição oral, imprensa negra e celebrações anuais. A escola de samba Portela se comprometeu a recontar a história de Luiz Gama em seu desfile.

O estudo apresentado na obra pelo autor é extremamente relevante ao destacar a importância de Luiz Gama como pensador do Brasil, indo além de sua figura como advogado e abolicionista. No entanto, a obra poderia se aprofundar mais na análise do impacto das ideias e ações de Gama na sociedade brasileira da época, bem como em sua relevância para os dias atuais. Além disso, o texto poderia abordar de forma mais crítica as interpretações distorcidas de seu legado por parte de outros historiadores, como Joaquim Nabuco, e ressaltar a importância de preservar e perpetuar a memória de figuras como Luiz Gama na história do Brasil.

Ascensão das Trevas: O Segundo livro da saga Herdeiro das Trevas de C.S. Pacat já está entre nós

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Ascensão das Trevas, segundo livro da saga Herdeiro das Trevas de C.S. Pacat já está entre nós e pode ser adquirido no site da editora Record ou sites de venda pela internet. Convidamos vocês à se aventurar no mundo mágico de Herdeiro das Trevas - Ascensão das Trevas - Vol. 2, a emocionante sequência do aclamado primeiro livro da série. Neste segundo volume, Will e seus amigos enfrentarão uma nova ameaça das Trevas que promete trazer ainda mais perigos e reviravoltas a suas vidas. Com segredos sombrios sendo revelados e alianças arriscadas sendo feitas, o destino de todos está em jogo.

Prepare-se para mergulhar em uma história repleta de magia, ação e mistério, onde a luta entre a Luz e as Trevas atinge novos patamares. Será que Will conseguirá manter sua verdadeira identidade em segredo? Será que o passado pode ser a chave para salvar o presente, ou o que causará a ruína de todos? Não perca a oportunidade de acompanhar essa emocionante jornada em Herdeiro das Trevas - Ascensão das Trevas - Vol. 2, e descobrir o desfecho dessa épica batalha que pode mudar o destino de um mundo inteiro. Escolha o seu lado e embarque nessa incrível aventura!



SINOPSE DO LIVRO

As Trevas estão de volta. E um mundo antigo prestes a ressurgir. Herdeiro das Trevas é a esperada sequência de Ascensão das Trevas. Dessa vez, Will e seus amigos precisarão lutar contra um mal que já caminha entre eles. Os guerreiros da Luz sobreviveram ao primeiro ataque das Trevas, mas pagaram um preço alto demais. Com outra ameaça prestes a eclodir, se não agirem depressa, muito mais tragédias estarão a caminho. Perseguidos pelas forças inimigas, Will e seus aliados precisam deixar a segurança do Salão e viajar até o mundo antigo para deter a ascensão das Trevas, fazendo novas e perigosas alianças e desvendando segredos impactantes do passado. No entanto, Will também esconde um segredo sombrio: sua verdadeira identidade. Caso a verdade venha à tona, quem é amigo pode se tornar um inimigo. Mas a atração que sente por James St. Clair, o Traidor, faz com que se aproxime cada vez mais de sua vida pregressa e das Trevas. Será que não apenas Will, mas também seus aliados, conseguirão lutar contra o próprio destino? Será que conhecer o passado pode ser a chave para salvar o presente, ou justamente o que causará o fim de todos? Herdeiro das Trevas é a imperdível sequência do best-seller Ascensão das Trevas. “Uma fantasia instigante. Eu simplesmente não conseguia largar.” — V. E. Schwab, autora de A vida invisível de Addie LaRue, best-seller do New York Times “Uma história narrada com detalhes devastadores e brilhantes. Ninguém consegue parar de ler.” — Chloe Gong, autora de Prazer


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140 termos para quem deseja compreender política

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1. Política: processo de tomada de decisões coletivas para determinar como os recursos serão alocados e distribuídos em uma sociedade.

2. Governo: sistema de liderança e controle de uma sociedade, composto por líderes eleitos ou nomeados.

3. Estado: entidade política que detém o poder soberano sobre um território específico e sua população.

4. Democracia: forma de governo em que o poder é exercido pelo povo, geralmente por meio de eleições livres e periódicas.

5. Autoritarismo: forma de governo em que o poder é concentrado em uma autoridade central, sem a participação ativa dos cidadãos.

6. Monarquia: forma de governo em que o poder é exercido por um monarca hereditário.

7. República: forma de governo em que o chefe de Estado é eleito e exerce o poder por um tempo determinado.

8. Parlamento: órgão legislativo composto por representantes eleitos do povo.

9. Congresso: instituição legislativa composta por senadores e deputados eleitos.

10. Poder Executivo: braço do governo responsável pela implementação das políticas e pela administração do país.

11. Poder Legislativo: braço do governo responsável por fazer leis e supervisionar o poder executivo.

12. Poder Judiciário: braço do governo responsável por interpretar as leis e garantir a justiça.

13. Partido Político: organização que representa interesses políticos e busca influenciar o governo.

14. Eleição: processo de escolha de representantes políticos por meio do voto popular.

15. Campanha Eleitoral: período em que os candidatos promovem suas propostas e buscam o apoio dos eleitores.

16. Urnas: locais onde os eleitores depositam seus votos durante as eleições.

17. Mandato: período de tempo em que um representante político exerce o cargo para o qual foi eleito.

18. Coalizão: aliança entre partidos políticos para formar um governo.

19. Oposição: grupo de partidos políticos que discordam das políticas do governo e oferecem alternativas.

20. Lobby: esforços de grupos de interesse para influenciar políticas públicas em favor de seus interesses.

21. Corrupção: uso indevido do poder público para benefício pessoal ou de terceiros.

22. Transparência: princípio de governança que promove a divulgação de informações públicas e o acesso dos cidadãos às decisões políticas.

23. Participação cidadã: envolvimento ativo dos cidadãos na vida política e na tomada de decisões.

24. Reforma política: mudança nas estruturas e processos políticos para melhorar a representatividade e a eficiência do sistema.

25. Federalismo: sistema de governo em que o poder é dividido entre o governo central e os governos regionais ou estaduais.

26. Estado de Direito: sistema em que as leis são aplicadas de forma justa e igual para todos os cidadãos.

27. Segurança Nacional: políticas e medidas adotadas para proteger o país e seus cidadãos contra ameaças internas e externas.

28. Direitos Humanos: direitos fundamentais que todos os seres humanos possuem por sua natureza, como liberdade de expressão e igualdade perante a lei.

29. Governo de Coalizão: forma de governo em que vários partidos políticos compartilham o poder e formam um governo conjunto.

30. Constituição: documento fundamental que estabelece os princípios e estrutura do governo de um país.

31. Sufrágio: direito de votar e ser votado em eleições.

32. Autocracia: forma de governo em que o poder é exercido por uma única pessoa.

33. Ditadura: forma de governo em que o poder é exercido por um líder autoritário e sem leis constitucionais.

34. Política Externa: conjunto de estratégias e decisões tomadas pelo governo em relação a outros países.

35. Política Fiscal: conjunto de decisões sobre impostos, gastos e empréstimos do governo.

36. Política Monetária: controle da oferta de moeda e da taxa de juros pelo governo para estabilizar a economia.

37. Política Social: conjunto de políticas públicas para garantir o bem-estar social e o acesso a serviços básicos.

38. Política Ambiental: conjunto de políticas públicas para proteger o meio ambiente e recursos naturais.

39. Política de Saúde: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso universal aos serviços de saúde.

40. Política de Educação: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso universal à educação de qualidade.

41. Política de Segurança Pública: conjunto de políticas para garantir a segurança dos cidadãos e reduzir o crime.

42. Desenvolvimento Sustentável: modelo de desenvolvimento que busca equilibrar o crescimento econômico, a equidade social e a preservação ambiental.

43. Direito Internacional: conjunto de normas e princípios que regem as relações entre os países.

44. Globalização: processo de integração econômica, política e cultural entre os países.

45. Diplomacia: prática de negociação e resolução de conflitos entre países.

46. Terrorismo: uso da violência para atingir objetivos políticos.

47. Refugiados: pessoas que fogem de seus países devido a perseguições, conflitos ou desastres naturais.

48. Imigração: movimento de pessoas de um país para outro em busca de melhores condições de vida.

49. Nacionalismo: ideologia que enfatiza a lealdade e a identidade nacional.

50. Globalismo: ideologia que defende a cooperação e a interdependência entre os países.

51. Populismo: estratégia política que busca ganhar apoio popular por meio de apelos emocionais e simplificados.

52. Extremismo: ideologias radicais que rejeitam o status quo e defendem mudanças drásticas.

53. Fascismo: ideologia política que promove um governo autoritário, nacionalista e antidemocrático.

54. Socialismo: ideologia política que defende a propriedade coletiva dos meios de produção e a igualdade social.

55. Capitalismo: sistema econômico baseado na propriedade privada e na livre iniciativa.

56. Liberalismo: ideologia que defende o individualismo, o respeito às liberdades individuais e o livre mercado.

57. Conservadorismo: ideologia que valoriza a tradição, a ordem social e a autoridade.

58. Laicismo: princípio de separação entre Estado e religião.

59. Secularismo: princípio de neutralidade do Estado em relação a questões religiosas.

60. Federalismo: sistema de governo em que o poder é compartilhado entre o governo central e os governos regionais.

61. Unicameral: sistema legislativo com apenas uma câmara.

62. Bicameral: sistema legislativo com duas câmaras.

63. Tripartição dos Poderes: divisão do poder entre o Executivo, Legislativo e Judiciário para evitar a concentração de poder.

64. Governança: sistema de governação eficiente e responsável.

65. Lobista: pessoa ou grupo que promove interesses privados junto aos políticos.

66. Pluralismo: sistema político que reconhece e respeita a diversidade de opiniões e interesses.

67. Totalitarismo: forma extrema de autoritarismo em que o governo controla todos os aspectos da vida dos cidadãos.

68. Grupos de Interesse: organizações que representam interesses específicos como sindicatos, associações empresariais e grupos de defesa do meio ambiente.

69. Eleição Presidencial: eleição para escolher o presidente de um país.

70. Eleição Legislativa: eleição para escolher os membros do parlamento.

71. Eleição Municipal: eleição para escolher prefeitos e vereadores.

72. Voto Direto: sistema em que os eleitores votam diretamente nos candidatos.

73. Voto Indireto: sistema em que os eleitores elegem outros representantes que depois escolhem os governantes.

74. Voto Secreto: sistema em que o eleitor vota sem ser identificado.

75. Voto Obrigatório: sistema em que os eleitores são obrigados a votar.

76. Voto Facultativo: sistema em que os eleitores têm a opção de votar ou não.

77. Falta de Quorum: Situação em que não há o número mínimo de parlamentares presentes para uma votação.

78. Estabilidade Política: Situação em que o governo é capaz de governar de forma eficiente e sem interrupções.

79. Ciclo Eleitoral: período de tempo que engloba todo o processo eleitoral, desde a preparação até o resultado final.

80. Lei Orgânica: legislação que define a estrutura e as competências dos órgãos públicos.

81. Lobbyista: pessoa ou grupo que defende interesses específicos junto aos políticos.

82. Política de Justiça: conjunto de medidas adotadas para garantir o acesso à justiça e a efetivação dos direitos fundamentais.

83. Política Habitacional: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à moradia digna.

84. Política de Emprego: conjunto de políticas públicas para promover a geração de empregos e a inclusão no mercado de trabalho.

85. Política de Gênero: conjunto de políticas públicas para promover a equidade de gênero e combater a discriminação.

86. Política de Juventude: conjunto de políticas públicas voltadas para os jovens.

87. Política de Educação: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à educação de qualidade.

88. Política de Cultura: conjunto de políticas públicas para promover a diversidade cultural e o acesso à cultura.

89. Política de Esporte: conjunto de políticas públicas para promover a prática esportiva.

90. Política de Inclusão Social: conjunto de políticas públicas para garantir a inclusão social e combater a exclusão.

91. Política de Desenvolvimento Regional: conjunto de políticas públicas para promover o desenvolvimento das regiões menos desenvolvidas.

92. Política de Meio Ambiente: conjunto de políticas públicas para promover a preservação ambiental.

93. Política de Segurança Alimentar: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à alimentação de qualidade.

94. Política de Saúde Mental: conjunto de políticas públicas para promover a saúde mental.

95. Política de Direitos Humanos: conjunto de políticas públicas para promover e proteger os direitos humanos.

96. Política de Crime e Violência: conjunto de políticas públicas para combater o crime e a violência.

97. Política de Migração: conjunto de políticas públicas para lidar com a migração de pessoas.

98. Política de Água: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à água potável.

99. Política de Energia: conjunto de políticas públicas para promover o uso sustentável da energia.

100. Política de Transporte: conjunto de políticas públicas para promover o transporte público e a mobilidade urbana.

101. Política de Turismo: conjunto de políticas públicas para promover o turismo.

102. Política de Defesa: conjunto de políticas públicas para garantir a defesa nacional.

103. Política de Relações Internacionais: conjunto de políticas públicas para promover as relações com outros países.

104. Política de Comércio Exterior: conjunto de políticas públicas para promover o comércio internacional.

105. Política de Proteção às Minorias: conjunto de políticas públicas para proteger os direitos das minorias étnicas, culturais, religiosas, entre outras.

106. Política de Atenção à Criança e ao Adolescente: conjunto de políticas públicas para promover a proteção e o desenvolvimento das crianças e adolescentes.

107. Política de Geração de Renda: conjunto de políticas públicas para promover a geração de renda e o empreendedorismo.

108. Política de Promoção da Igualdade Racial: conjunto de políticas públicas para promover a igualdade racial e combater o racismo.

109. Política de Assistência Social: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso aos serviços de assistência social.

110. Política de Combate às Drogas: conjunto de políticas públicas para combater o tráfico de drogas e prevenir o uso abusivo.

111. Política de Habitação Popular: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à moradia digna para a população de baixa renda.

112. Política de Educação Infantil: conjunto de políticas públicas para promover a educação das crianças de 0 a 5 anos.

113. Política de Capacitação Profissional: conjunto de políticas públicas para promover a capacitação e qualificação profissional.

114. Política de Incentivo à Cultura: conjunto de políticas públicas para promover a cultura e as artes.

115. Política de Inclusão Digital: conjunto de políticas públicas para promover o acesso à Internet e às tecnologias digitais.

116. Política de Acesso à Justiça: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à justiça para todos os cidadãos.

117. Política de Segurança Pública: conjunto de políticas públicas para promover a segurança da população.

118. Política de Desenvolvimento Econômico: conjunto de políticas públicas para promover o crescimento econômico e a geração de empregos.

119. Política de Proteção Ambiental: conjunto de políticas públicas para proteger o meio ambiente e os recursos naturais.

120. Política de Promoção da Saúde: conjunto de políticas públicas para promover a saúde e prevenir doenças.

121. Política de Promoção da Igualdade de Gênero: conjunto de políticas públicas para promover a igualdade entre homens e mulheres.

122. Política de Segurança Alimentar: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso à alimentação de qualidade para a população.

123. Política de Valorização da Terceira Idade: conjunto de políticas públicas para promover a qualidade de vida dos idosos.

124. Política de Proteção aos Direitos dos Animais: conjunto de políticas públicas para proteger os direitos dos animais e combater os maus-tratos.

125. Política de Estímulo à Inovação: conjunto de políticas públicas para promover a inovação e o empreendedorismo.

126. Política de Combate à Corrupção: conjunto de políticas públicas para combater a corrupção e promover a transparência.

127. Política de Promoção da Cidadania: conjunto de políticas públicas para promover a participação dos cidadãos na vida política.

128. Política de Promoção da Diversidade: conjunto de políticas públicas para promover a diversidade étnica, cultural, religiosa, entre outras.

129. Política de Acesso à Informação: conjunto de políticas públicas para garantir o acesso dos cidadãos às informações públicas.

130. Política de Segurança Cibernética: conjunto de políticas públicas para proteger os sistemas de informação e comunicação contra ataques cibernéticos.

131. Política de Proteção do Consumidor: conjunto de políticas públicas para proteger os direitos dos consumidores.

132. Política de Proteção dos Trabalhadores: conjunto de políticas públicas para proteger os direitos dos trabalhadores.

133. Política de Investimento em Infraestrutura: conjunto de políticas públicas para promover o investimento em infraestrutura.

134. Política de Ordenamento Territorial: conjunto de políticas públicas para organizar o uso do solo e planejar o desenvolvimento urbano.

135. Política de Promoção da Agricultura Sustentável: conjunto de políticas públicas para promover a produção de alimentos de forma sustentável.

136. Política de Proteção das Florestas: conjunto de políticas públicas para proteger as florestas e combater o desmatamento.

137. Política de Proteção dos Oceanos: conjunto de políticas públicas para proteger os oceanos e os recursos marinhos.

138. Política de Promoção da Energia Limpa: conjunto de políticas públicas para promover o uso de energias renováveis.

139. Política de Promoção do Turismo Sustentável: conjunto de políticas públicas para promover o turismo de forma sustentável.

140. Política de Combate às Mudanças Climáticas: conjunto de políticas públicas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e adaptar-se aos impactos das mudanças climáticas.

Cuícas Imortais: Os Mestres da Percussão do Samba agora em um tributo literário

Foto: Arte digital / Divulgação


APRESENTAÇÃO

A cuíca, um tambor de fricção bastante usado na percussão do samba, se desenvolveu no Brasil a partir de tambores centro-africanos de Angola e do Congo. Há referências sobre instrumentos bastante parecidos, oriundos de regiões onde viviam os kimbundos, ambundos e kiocos. Entre nós, o tambor dos bantos foi chamado, além de cuíca, de fungador,
tambor-onça, angona-puíta etc. Nos primórdios do samba, as cuícas, muitas vezes construídas artesanalmente a partir de barricas e pequenos tonéis de madeira, exerciam funções ligadas à marcação do ritmo, explorando sonoridades mais graves. Aos poucos, porém, o instrumento foi se transformando, ganhando características sonoras mais agudas, batucando e repicando sonoridades peculiares em rodas, terreiros, escolas de samba e shows.

É esse instrumento marcante na história da percussão brasileira que conduz as histórias contadas neste livro por J. Muniz Jr. e Paulinho Bicolor. Os autores, com conhecimento de causa curtido no couro das rodas de samba, abordam nas páginas que seguem a trajetória de grandes nomes da história do instrumento. A partir da figura seminal de João Mina, batuqueiro do bairro carioca do Estácio de Sá, que introduziu o instrumento nas escolas de samba, temos um passeio que mistura dados biográficos, modos de tocar, inovações, contribuições e heranças deixadas por nomes como Manoel Quirino, Bide, Generoso, Ministrinho e tantos outros.

Ao relembrar as trajetórias dos grandes construtores dos modos brasileiros de tocar cuíca, os autores prestam ainda um serviço inestimável à historiografia do samba, chamando para a grande roda do tempo — pelo nome — aqueles que, a partir das gramáticas do tambor, ousaram preencher o vazio com sonoridades inusitadas.

Luiz Antonio Simas

RESENHA

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Cuícas imortais: de João Mina à Boca de ouro, de J. Muniz Jr e Paulinho Bicolor é Um tributo aos lendários cuiqueiros que se destacaram no século XX pelo extraordinário desempenho artístico com seus instrumentos mágicos, pois a cuica é o canto e o encanto do samba. A cuíca é um instrumento musical importante na cultura brasileira, com origens africanas e que se tornou parte fundamental do samba e de outras manifestações afro-brasileiras. O livro "Cuícas Imortais" apresenta a história e os perfis biográficos dos músicos que contribuíram para a transformação e permanência desse instrumento ao longo do tempo. Além disso, destaca a cuíca como um instrumento de sociabilidade que cria laços afetivos entre as pessoas. O Instituto Cultural Glória ao Samba enaltece a importância desses músicos e espera que mais obras sejam produzidas para homenagear outros ritmistas do samba.

O prefácio do livro "A Cuíca Ronca entre o Sagrado e o Profano" destaca a importância da cuíca na percussão do samba e sua origem a partir de tambores centro-africanos. O instrumento, inicialmente utilizado para marcar o ritmo com sonoridades graves, evoluiu para produzir sons agudos e distintos. Os autores do livro, J. Muniz e Paulinho Bicolor, exploram a trajetória de grandes nomes da história da cuíca, destacando suas contribuições e inovações. A cuíca é descrita como um instrumento misterioso, capaz de evocar memórias ancestrais e ritmos distintos. O livro é recomendado como uma contribuição valiosa para a historiografia do samba, ressaltando a importância da cuíca na música brasileira.


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A obra se inicia narrando a história de João Mina, um dos pioneiros da cuíca no samba, é repleta de mistérios e contradições. Apesar de ser considerado por alguns como o inventor do instrumento, sua real importância e contribuição para a música popular ainda são motivo de debate. No entanto, sua participação na história do samba e sua parceria com grandes nomes como Noel Rosa são fatos incontestáveis. Sua trajetória exemplifica a complexidade e riqueza cultural por trás dos instrumentos musicais e das manifestações artísticas.

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Desde os primórdios do samba, a presença feminina sempre foi marcante, mesmo muitas vezes sendo subjugada em canções machistas. Mulheres como Tia Ciata são lembradas por seu papel de liderança no samba, mas pouco se fala sobre a participação feminina em atividades consideradas masculinas, como a função de ritmista. Dalila e Dila, retratadas em uma fotografia de 1932, são exemplos disso, destacando-se como mestras da cuíca e do tamborim. A importância dessas mulheres no samba é ressaltada, questionando quantos outros talentos femininos foram ignorados ao longo da história. Dalila, retratada como uma das primeiras ritmistas do samba, merece destaque por sua contribuição para a cultura popular brasileira.

A revista O Cruzeiro publicou uma reportagem em 1935 sobre a visita dos bailarinos russos Clotilde e Alexandre Sakharoff ao terreiro da escola de samba Lyra do Amor, no Rio de Janeiro. Eles se encantaram com o samba e com a cuíca de Manoel Quirino, um cuiqueiro renomado da época. A reportagem destaca a técnica antiga de fabricação e afinação da cuíca, que envolvia tachinhas, arruelas e arame, além do uso do fogo para ajuste do couro. A execução da cuíca também era diferente, com apenas uma mão, o que limitava as frequências sonoras. Nos anos seguintes, houve modernizações na fabricação e afinação da cuíca, permitindo maior variedade de sons e tornando o instrumento mais versátil musicalmente.

O autor também destaca a história de Deovirgilio Florentino de Carvalho, um operário e oficial de caldeireiro, inventou um novo tipo de cuíca chamado de "cuíca-tuba" em 1933. Ele adaptou a caixa acústica da cuíca com uma campânula de tuba na esperança de amplificar o som do instrumento. Apesar de sua inovação, a prática de adicionar campânulas na cuíca já era comum entre os cuiqueiros, e Deovirgilio pode ter sido inspirado por uma reportagem de 1931 que descrevia a cuíca comparando-a com a tuba. Naquela época, a cuíca tinha um padrão sonoro mais grave e era usada principalmente para sustentar o ritmo, tendo uma função semelhante à tuba na música popular.

Aclamado, Paulo Campos foi um pioneiro cuiqueiro aclamado como Rei da Cuíca em espetáculos artísticos, atuando também na escola de samba Alma Suburbana. Ele realizou uma modificação em sua cuíca, adicionando chaves de afinação, proporcionando maior controle sobre as frequências sonoras do instrumento. Essa inovação foi vista como um gesto de civilização da cuíca, promovendo seu avanço. Apesar de não ter sido seguido por outros cuiqueiros, o experimento de Paulo Campos revela um intenso processo de transformação na história da cuíca, com impacto histórico, musicológico e sociológico na sociedade brasileira.

Relembrado, Alcebíades Maia Barcelos, conhecido como Bide, foi um dos principais fundadores do bloco Deixa Falar, que inspirou as primeiras escolas de samba. Além de compositor, deixou importantes contribuições na história do samba, especialmente em relação à cuíca. Formou parcerias musicais importantes e foi um dos primeiros sambistas a se profissionalizar. Sua atuação como cuiqueiro foi documentada em registros históricos e ele também contracenou em um filme com a cantora Aurora Miranda. Apesar do prestígio, passou por dificuldades antes de falecer em 1975, sem a devida reverência ao seu legado.

O autor ainda cita que Oliveira da Cuíca foi um renomado músico carioca que se destacou como um dos primeiros e mais habilidosos tocadores de cuíca do Brasil. Ele cresceu em um ambiente boêmio no bairro do Estácio, onde sua mãe administrava um bordel. Ao lado de João Mina, ele formou o naipe de cuícas da escola de samba Deixa Falar. Oliveira também foi pioneiro na técnica de execução da cuíca e contribuiu para o desenvolvimento e popularização do instrumento. Além de atuar em escolas de samba e no show business carioca, ele se apresentou internacionalmente e foi elogiado por sua técnica inovadora. Apesar de sua breve carreira, Oliveira deixou um legado significativo na música brasileira, sendo reconhecido como o Rei da Cuíca e um dos principais músicos de acompanhamento da época. Sua morte prematura em 1938 foi lamentada pela imprensa e seus amigos, sendo erroneamente confundida com a de outro músico.

Pedro Moreira, conhecido como "Pedro da Cuíca", era um músico prestigiado que tocava cuíca em diversos eventos e programas radiofônicos nas décadas de 1930 e 1940. Ele fazia parte do conjunto regional de Nelson Miranda e também do grupo da rádio Mayrink Veiga, dirigido por Pixinguinha. Pedro inovou no instrumento, utilizando uma cuíca com uma pele de gato e aplicações de metal cromado, que proporcionava uma sonoridade magnífica. Ele era reconhecido por sua habilidade e virtuosismo ao tocar, destacando-se como solista em diversas apresentações. Pedro também teve a oportunidade de acompanhar renomados músicos em uma audição para o Dr. Carleton Sprague Smith, diretor da Seção Musical da Biblioteca Pública de Nova York, que elogiou as sonoridades únicas que Pedro conseguia extrair da cuíca.

A obra também relata a história do popular Chico da Cuíca, conhecido por seu talento como tocador de cuíca e sua vida boêmia no Rio de Janeiro nas décadas de 1930 e 1940. Ele era reconhecido por seu prestígio profissional e participou de importantes espetáculos musicais. No entanto, também enfrentou momentos difíceis, como uma briga que resultou em ferimentos graves. Chico faleceu em 1948, em circunstâncias trágicas, e seu corpo ficou insepulto por falta de recursos da família. A história de Chico da Cuíca reflete a dura realidade dos artistas populares da época, que enfrentavam dificuldades mesmo diante de seu talento e fama.

Generoso Bueno da Silva foi considerado o melhor cuiqueiro do Brasil na época em que alegrava as noites da cidade de Santos. Ele aprendeu a tocar cuíca através de um cuiqueiro carioca e se destacou como músico profissional em eventos sofisticados. No entanto, com o fechamento dos cassinos e a chegada de novos estilos musicais, Generoso passou por dificuldades e se afastou da vida artística. Mesmo assim, foi reverenciado em um concurso em 1970, mas percebeu que não poderia mais voltar ao passado glorioso. Ele viveu na penumbra até seu falecimento em 1990, sendo lembrado como uma figura importante na difusão artística da cuíca na região.

José Santiago da Silva, conhecido como Ministrinho, foi um dos muitos netos da famosa Tia Ciata, matriarca do samba. Cresceu em um ambiente bamba e culturalmente rico, influenciado pela ancestralidade africana. Com talento para a cuíca, tornou-se um dos cuiqueiros mais célebres da história, modernizando o instrumento. Viveu uma vida boêmia, marcada por jogos e sedução, mas também se destacou como músico de acompanhamento e protagonista, sendo requisitado em shows e gravações. Viajou pelo Brasil e pelo mundo, participando até mesmo de produções cinematográficas. Nos últimos anos, enfrentou dificuldades financeiras e precisou se sustentar com um emprego no cais do porto. Sua última atuação artística foi anunciada em uma boate no Rio de Janeiro. Ministrinho dedicou sua vida à cuíca e teve uma de suas antigas cuícas exposta no Museu da Imagem e do Som, infelizmente perdida em um incêndio em 1981. Sua trajetória honra o samba brasileiro.

Boca de Ouro foi um músico lendário dedicado à cuíca, com uma trajetória intensa e fascinante. Sua vida foi marcada por mistérios, desde seu apelido até sua origem, que permanece desconhecida. Com uma incrível musicalidade, Boca se destacou como um dos melhores cuiqueiros de sua época, conquistando fama no Brasil e internacionalmente. No entanto, sua vida pessoal foi marcada por acontecimentos trágicos e rumores, como seu envolvimento com a bebida e sua morte misteriosa, que até hoje suscita dúvidas.

O livro "Cuícas Imortais" é uma obra que celebra a importância da cuíca na cultura brasileira, destacando os músicos que contribuíram para sua história e evolução. A narrativa envolvente e detalhada traz à tona personagens fascinantes e suas trajetórias marcantes, revelando a complexidade e riqueza por trás desse instrumento tão emblemático. A pesquisa profunda e o respeito à memória dos cuiqueiros tornam o livro uma leitura indispensável para quem deseja entender melhor a influência da cuíca no samba e na música brasileira como um todo. A abordagem sensível e informativa dos autores J. Muniz e Paulinho Bicolor enaltece a importância cultural da cuíca, tornando o livro uma obra fundamental para quem aprecia e valoriza a riqueza da nossa música.

Explorando as profundezas da existência: uma jornada através dos "Contos céticos" de Adriana Lunardi


A coletânea de contos "Contos céticos", da aclamada escritora Adriana Lunardi, nos transporta para um universo de imperfeições belas que surgem da tragédia do cotidiano. Com uma narrativa fascinante e repleta de imagens extraordinárias criadas a partir de elementos simples da existência, Lunardi desafia a manipulação por glossários, medicamentos ou truques. Em seus contos, somos confrontados com a delícia e o desespero de coexistir, explorando temas profundos como solidão, amor, memória e identidade.

Cada conto mergulha nas complexidades das relações humanas e nos faz refletir sobre a natureza da criatividade, da culpa e da busca pela verdade. A autora utiliza uma linguagem poética e introspectiva para transmitir emoções profundas e nos levar a questionar a fragilidade e a efemeridade da vida. Com habilidade magistral, Lunardi nos conduz por um caminho de descobertas e revelações, transformando a leitura em uma experiência envolvente e marcante. "Contos céticos" é, sem dúvida, uma obra que ressoa na alma do leitor e o convida a explorar as nuances da condição humana.

Resenha: Contos céticos, de Adriana Lunardi

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APRESENTAÇÃO

A escrita de Adriana Lunardi traz uma astúcia que nos coloca, sempre de repente, na companhia das belezas imperfeitas que decorrem da tragédia cotidiana – a¬li, de onde não se pode fugir, o deleite e desespero de coexistir; ali, quando há sempre um eu, um outro.

Desconfiados e a seu lado, acompanhamos um estrangeiro na praia, criamos personagens, perdemos o ar por completo em uma pandemia, e a visão, na velhice. Em seus nove contos e uma nota do destino, conhecemos crianças erráticas, idosos mais erráticos ainda, escritores vaidosos e autoflagelados, e vislumbramos o que chamam de ‘loucura que acomete gênios e artistas’, mas sequer chegamos perto de tocá-la – é impossível. Olhamos no olho do mistério porque, em Contos céticos, não há quarta parede diante do luto, das últimas imagens que se tem de alguém. Tudo pode ser maculado. Uma criança, a literatura, Paris.

Mas o que torna Contos céticos uma coletânea excepcional são as imagens extraordinárias que Lunardi é capaz de criar a partir de elementos triviais da existência. Sua narrativa fascinante não vem apenas de uma habilidade magistral, mas de sua uma profunda intimidade com a palavra. O fio condutor que atravessa os contos deste livro não se estica e não se pretende linear, prefere antes partir-se e buscar o remendo, fazer nós e novelos; sua natureza, no entanto, é inequívoca, e diz: estou aqui para fazer literatura.


RESENHA


Adriana Lunardi, aclamada escritora e ganhadora de diversos prêmios, nos presenteia com Contos céticos, uma celebração da literatura e suas diversas formas. Seus nove contos e uma nota do destino nos levam a um universo de imperfeições belas que surgem da tragédia do cotidiano, explorando a delícia e o desespero de coexistir. Em meio a crianças caprichosas, idosos mais ainda, escritores arrogantes e autocentrados, Lunardi nos presenteia com imagens extraordinárias criadas a partir de elementos banais, desafiando a manipulação por glossários, medicamentos ou truques. Em sua narrativa, a autora utiliza a dúvida e a ironia para explorar uma realidade que não pode ser deturpada. Adriana Lunardi nos confronta com nossa própria ridicularidade, revelando a beleza que reside em nós quando as luzes se apagam. Sua obra deixa uma marca indelével, como bem observou Adriana Lisboa, com "um quê de ternura, um arrepio de poema".


Contos Céticos é uma coletânea excepcional que se destaca pelas imagens extraordinárias criadas pela autora a partir de elementos simples do cotidiano. Sua narrativa envolvente é fruto não apenas de habilidade excepcional, mas também de uma profunda conexão com a palavra. Os contos deste livro não seguem uma linha reta, preferem se emaranhar e encontrar soluções criativas; no entanto, sua essência é clara: estão ali para fazer literatura. Todas as personagens dos contos carregam um olhar cético e desencantado, questionando o que é dado como certo. O livro representa uma redescoberta de sua própria escrita, com uma valorização da ficção como uma aposta estética em sua jornada literária, o que torna a missão de leitura algo excepcionalmente encantador, ao passo, de que, somos confrontados com nuances descritivas que nos levam a questionar nossa capacidade de interpretação, repleto de contos que mergulham de forma profunda na nossa identidade. 


Silêncio, exílio se desenrola em fragmentos que se entrelaçam de forma singular. A protagonista narra seus encontros com um estrangeiro misterioso em uma praia, enquanto reflete sobre suas fantasias, medos e inseguranças.


A autora utiliza uma linguagem poética e ao mesmo tempo perturbadora, criando uma atmosfera de suspense e inquietude ao redor da relação entre a protagonista e o estrangeiro. A presença constante do mar e a descrição detalhada das ondas e da paisagem marinha contribuem para a tensão crescente ao longo do conto. A protagonista revela a sua fascinação pelo inesperado, o absurdo e o terror do dia a dia, e seu relacionamento com o estrangeiro parece ser marcado por um misto de curiosidade e medo. A personagem também parece lutar contra suas próprias inseguranças e fobias, enquanto tenta decifrar os sinais que se apresentam diante dela.


A narrativa é rica em simbolismos e metáforas, que exploram temas como a vulnerabilidade humana, a dualidade entre o amor e o medo, e a complexidade das relações interpessoais. O conto evoca uma atmosfera onírica e perturbadora, onde a realidade e a fantasia se misturam de maneira intrigante. A protagonista parece confrontar seus próprios medos e alcançar uma espécie de redenção, ao perceber que a tragédia que imaginara não passava de sua própria projeção. 


Script girl é uma narrativa densa e introspectiva que explora a solidão e o isolamento em meio a uma crise global, como a pandemia. A protagonista reflete sobre seus relacionamentos e o amor, projetando suas fantasias e expectativas em figuras masculinas do seu cotidiano. A autora cria personagens complexos e ambíguos, como Tom, Tibério, César e Gus, que representam diferentes aspectos da jornada emocional da protagonista. Cada um deles desperta emoções e questionamentos na narradora, revelando suas próprias inquietações e desejos.


A escrita poética de Lunardi aborda temas profundos como a busca por significado, a solidão e a efemeridade dos relacionamentos. A dualidade entre realidade e fantasia, vida vivida e vida imaginada, cria uma atmosfera melancólica e contemplativa. Apesar disso, o conto pode parecer fragmentado e hermético, com passagens e reflexões que não se conectam claramente. A densidade da narrativa e as referências literárias e cinematográficas podem desafiar alguns leitores.


Bodas de Pó nos apresenta um encontro entre um casal divorciado, Frederico e a narradora, que se reúnem para discutir a situação de saúde dele e o rumo de suas vidas. O texto é permeado por silêncios carregados de significados, revelando mágoas e arrependimentos não expressos verbalmente. A narrativa é marcada pela presença de lembranças e reflexões sobre o passado do relacionamento dos personagens, as dificuldades enfrentadas e as escolhas feitas ao longo do tempo. A autora aborda de maneira sensível a complexidade das relações humanas, mostrando como as divergências e conflitos podem perdurar mesmo após o fim de um casamento.


A ambientação do conto em uma cafeteria cria uma atmosfera íntima e melancólica, onde as emoções dos personagens parecem se entrelaçar com as conversas ao redor e a movimentação do ambiente. A garçonete, figura secundária, também é explorada de forma simbólica, representando uma espécie de refúgio e serenidade em contraste com a turbulência emocional dos protagonistas. A autora utiliza uma linguagem poética e metafórica para explorar as emoções dos personagens, dando destaque aos gestos e silêncios que revelam mais do que as palavras. O conto nos leva a refletir sobre a efemeridade da vida e dos relacionamentos, a solidão e a inevitabilidade do tempo que nos separa daqueles que um dia foram importantes em nossas vidas.


Animal extinto aborda temas como memória, identidade e desconexão em um mundo futurista onde implantes e próteses neuronais se tornaram comuns. A narrativa segue um protagonista que passa por um processo de remoção de implantes ilegais em seu cérebro e é confrontado com lembranças e sensações que o levam a questionar sua própria existência. O conto apresenta uma atmosfera distópica e tecnológica, onde os personagens lidam com dilemas éticos e emocionais relacionados à sua própria humanidade. A relação entre o protagonista e seu irmão, que sofre de uma condição neurológica, adiciona uma camada emocional à história.


A escrita de Lunardi é poética e melancólica, transmitindo a sensação de estranhamento e desolação do protagonista diante de sua própria desconexão com o mundo. A cena final, com a aparição de um animal extinto, simboliza a perda e a busca pela identidade perdida.


Biografia e correspondência, nos apresenta uma narrativa envolvente que mergulha nas nuances do comportamento humano e nas complexidades das relações interpessoais. Através de uma descrição minuciosa do ambiente de uma livraria e das ações dos personagens, somos levados a refletir sobre a natureza humana e suas motivações. A protagonista, Inês, é retratada de forma intrigante, como uma mulher perspicaz e calculista, que observa atentamente o comportamento das pessoas ao seu redor. Sua postura reservada e sua capacidade de antecipar as ações dos outros revelam uma personalidade enigmática e misteriosa.


O conto aborda temas como solidão, descontentamento e busca por significado, através dos diálogos internos de Inês e de suas interações com os demais personagens. A descrição detalhada das cenas e dos pensamentos da protagonista cria uma atmosfera densa e intrigante, que nos convida a penetrar nas camadas mais profundas da psique humana. A colisão causada por Inês com a moça de lenço é o clímax do conto, um momento crucial que revela a natureza sombria e manipuladora da protagonista. A forma como ela manipula a situação e se aproveita da vulnerabilidade da outra pessoa para atingir seus objetivos nos faz questionar até que ponto somos capazes de ir em busca de nossos próprios interesses.


Toda história em Paris é uma autobiografia, acompanha a narrativa de uma entrevistadora profissional que se vê diante de uma autora em crise, Miranda Sodré, que confessa ter plagiado um livro. Através de um diálogo tenso e cheio de nuances, a entrevistadora busca compreender os motivos por trás da confissão de Miranda e desvendar a verdade por trás do plágio. O conto traz à tona questões sobre autenticidade, fama, pressão social e a complexidade das relações humanas. A autora, através de diálogos bem construídos e uma narrativa envolvente, conduz o leitor por um caminho de descobertas e revelações, fazendo questionamentos sobre a natureza da criatividade, da culpa e da busca pela verdade.


A personagem de Miranda é apresentada de forma multifacetada, demonstrando suas fraquezas, seus medos e suas contradições. A autenticidade de seus sentimentos se choca com a máscara que ela mantém perante o mundo, levando a um desfecho surpreendente e impactante, um conto que instiga reflexões sobre a natureza humana, a busca pela autenticidade e as consequências de nossas escolhas. Com uma narrativa sensível e perspicaz, a autora consegue capturar a complexidade das relações interpessoais e nos levar a questionar o que realmente nos move e define nossa trajetória.


Enquadramento aborda a relação entre duas irmãs enquanto lidam com a chegada de um novo bebê na família. A narrativa é conduzida pela protagonista, que narra a dinâmica complexa entre ela e sua irmã mais nova, Kazuo, em meio a mudanças no ambiente familiar.


A autora utiliza uma composição detalhada do ambiente, como a divisão do quarto entre as camas das duas irmãs e a dinâmica de poder sobre os espaços compartilhados, para explorar os sentimentos de inveja, rivalidade e amor entre as personagens. Através da criação de um mundo imaginário, as irmãs constroem uma narrativa fictícia com personagens e histórias que refletem suas próprias vivências e emoções. O conto aborda questões relacionadas à infância, como a adaptação a mudanças familiares, a rivalidade entre irmãos e a busca por identidade e reconhecimento. A autora mescla elementos lúdicos e emotivos, criando uma atmosfera delicada e envolvente que cativa o leitor com uma narrativa  habilmente construída, com um ritmo fluido e uma linguagem poética que captura a inocência e a complexidade das relações familiares. O desfecho inesperado traz um choque de realidade que desestabiliza a fantasia criada pelas irmãs, resultando em uma reflexão sobre a fragilidade e a efemeridade da infância. É um conto sensível e envolvente que explora temas universais como o amor, a rivalidade e a passagem do tempo, revelando nuances emocionais e psicológicas das personagens. Através de uma narrativa intimista e cuidadosamente elaborada, a autora consegue transmitir os conflitos e as delicadezas das relações familiares de forma tocante e profunda.


Bildungsroman, é uma narrativa angustiante e envolvente que nos leva a refletir sobre questões familiares, o crescimento e a descoberta de si mesmo. A protagonista, uma criança de apenas oito anos, é pega em flagrante realizando mais uma fuga, o que acaba gerando um desconforto e uma tensão palpável dentro de sua casa. A narradora faz jus ao título do conto, que remete ao gênero literário que retrata a formação e o amadurecimento de um personagem. A personagem principal, ainda tão jovem, já se vê diante das consequências de seus atos e de suas escolhas, sendo levada a enfrentar a dura realidade do seu comportamento indisciplinado.


A relação conturbada com seu pai e a sensação de não ser compreendida pelos adultos ao seu redor são elementos marcantes na trama. A menina é colocada de castigo em um ambiente abandonado da casa, onde se vê sozinha e obrigada a lidar com seus pensamentos e sentimentos. Ao longo da história, a protagonista encontra uma forma de se expressar e de se encontrar através da escrita. Ela começa a listar objetos e palavras no espaço ao seu redor, demonstrando sua criatividade e sua necessidade de se fazer presente e ser notada. A escrita envolvente nos conduz por um fluxo de pensamentos tão intensos e profundos quanto os da própria personagem. A sensação de isolamento e a busca por identidade são temas recorrentes que fazem o leitor refletir sobre sua própria jornada de crescimento e amadurecimento, o que faz a escrita de Lunardi um exercício de reflexão acerca da complexidade da infância e da formação da identidade.


Condições do tempo nos apresenta a história de um protagonista que retorna à casa de um antigo amor, Guilherme, após um longo período de ausência. A narrativa é rica em detalhes e reflexões sobre a passagem do tempo, as relações humanas e as escolhas que moldam nossa existência. O protagonista é confrontado com suas memórias e arrependimentos ao revisitar a casa e os momentos compartilhados com Guilherme. A presença do cão Lucius, o jardim bem cuidado, a arte de Guilherme e a atmosfera da festa realizada na casa são elementos que o levam a refletir sobre sua própria vida e as consequências de suas ações passadas.


A narrativa é habilmente construída, alternando entre passado e presente, sonho e realidade, revelando camadas profundas de emoção e arrependimento. A relação entre o protagonista e Guilherme é complexa e carregada de significados, mostrando o peso das escolhas e a dificuldade de lidar com as consequências.  É um conto profundo e emocionante que nos faz refletir sobre as escolhas que fazemos e as consequências que enfrentamos ao longo de nossas vidas. A complexidade dos personagens e a narrativa habilidosa tornam a leitura envolvente e cativante, deixando uma marca duradoura na mente do leitor.

Resenha: Contra o Identitarismo Neoliberal: um Ensaio de Poíesis Crítica Pela Apologia das Artes , de Rubens Russomanno Ricciardi

Foto: Arte digital / Divulgação

APRESENTAÇÃO

A obra é um ensaio de poíesis crítica pela apologia das artes. Trata-se, na filosofia das artes, de uma nova epistemologia voltada às questões da linguagem e da ideologia – ao mesmo tempo hermenêutica e dialética, existencial e crítica. Se, em Marx e Engels, há uma práxis crítica e, na Escola de Frankfurt, uma theoría crítica, com a poíesis crítica pretende-se preencher a lacuna do esquecimento da poíesis e solucionar a confusão entre práxis e poíesis. Definindo a elaboração da obra de linguagem enquanto processo crítico-inventivo, a poíesis não é teórica nem prática. Para a poíesis crítica importa o lógos poético, prosseguindo não apenas os trabalhos iniciados por Heidegger, mas também desde Heráclito e Aristóteles. Com a poíesis crítica se evidencia o abismo que há hoje entre as artes e a indústria da cultura. Os estudos abrangem também as diferenças entre linguagem e comunicação; entre obra de arte e kitsch.

RESENHA

Rubens Russomanno Ricciardi, nascido em 1964, aborda questões urgentes relacionadas ao universo musical em seu ensaio, que incluem política, justiça social, ecossistema, poíesis e práxis. Ele denuncia a ocupação da indústria da cultura nos campos das linguagens artísticas, especialmente na música, e como teorias como a decolonização e o eurocentrismo são usadas para lucrar com o domínio das massas. Russomanno defende a necessidade de colocar a indústria da cultura em seu lugar e destaca a importância de distinguir arte dessa indústria. Ele critica a busca por sucesso imediato por gestores de instituições públicas, que desconsideram os processos civilizatórios que são desenvolvidos a longo prazo e alerta sobre os desastres que concessões no meio do caminho podem causar.

O autor esclarece que a poíesis crítica propõe uma abordagem que integra a questão da linguagem e da ideologia, buscando preencher a lacuna entre práxis e poíesis. O ensaio questiona o eurocentrismo e a decolonialidade, criticando a aversão às artes e à música geradas por ideologias neoliberais. O texto também aborda a crítica ao identitarismo e ao culturalismo, apontando para a influência da indústria da cultura dos EUA e a alienação e coisificação promovidas pelo neoliberalismo. Por fim, a estética, cultura, comunicação e identidade são conceitos vistos como neologismos tardios e extrínsecos à natureza da arte pela poíesis crítica.

Neste ensaio, o autor critica a colonização genocida promovida pela Europa ao longo dos séculos, destacando o racismo, a exploração mercantilista e a perseguição às minorias. Também aborda a resistência aos excessos de alguns grupos identitários neoliberais, que deturpam questões histórico-filosóficas e servem a novas ideologias colonialistas. O autor defende um estudo crítico sobre a eurocentricidade nas artes e a decolonialidade. Além disso, enfatiza a importância da poíesis crítica e da valorização das artes de todos os tempos e lugares, especialmente as brasileiras. Por fim, propõe um maior fomento às artes no Brasil e convida para um estudo conjunto visando uma discussão conceitual alternativa ao culturalismo e à hegemonia neoliberal na indústria da cultura.

Jean-François Lyotard pensou a pós-modernidade a partir da relação entre conhecimento e poder decisório do terror tecnocrata, mas o conceito acabou sendo adotado pela economia e pelas artes. No entanto, a ideia de pós-modernidade não faz sentido nessas áreas, uma vez que o neoliberalismo não representa a superação do capitalismo e a modernidade artística sempre esteve envolta em paradoxos desde suas primeiras gerações. O neologismo de decolonialidade de Aníbal Quijano também foi desvirtuado e acabou prejudicando os estudos de linguagem. Tanto pós-modernidade quanto eurocentrismo e decolonialidade, idealizados na esquerda, se tornaram pautas neoliberais, chegando a afetar a teoria e a subsistência das artes. Na América Latina, a aversão ao eurocentrismo acabou favorecendo a imagem dos EUA, estabelecendo o problema no eurocentrismo em vez do centrismo norte-americano.

O livro aborda a poíesis, que engloba artistas como poetas, arquitetos, coreógrafos, entre outros, e envolve os processos de concepção e produção de obras de arte. Destaca a importância da crítica e invenção na linguagem artística, discute a relação entre Marx, Engels e a ausência do conceito de poíesis, e explora a autonomia dialética da arte. O texto também menciona a importância da mímesis, do distanciamento crítico e da abstração na poíesis, ressaltando a necessidade de preservar a liberdade artística e evitar a alienação. Por fim, aborda conceitos como pólemos em Heráclito, a fusão de horizontes e a valorização da liberdade dentro das restrições na criação artística. A poíesis engloba a composição autoral e o tratamento inventivo do material artístico, enquanto a práxis é o processo hermenêutico de interpretação e execução corporal das fontes da obra. A técnica nas artes é essencial para a constituição da linguagem, representando uma essência ontológica que envolve tanto a poíesis quanto a práxis. O conceito de lógos, originalmente grego e relacionado à linguagem e inteligência, é fundamental para o entendimento das artes representativas, como teatro, dança e música. Heidegger ressalta a importância da alétheia, o desvelamento na linguagem, que diferencia a téchne, arte, da epistéme, conhecimento nas ciências. A distinção entre artista e artesão também é abordada, ressaltando a importância do know-how e do trabalho manual na técnica artística.

O texto discute a diferença entre a poíesis humana e a poíesis da natureza, destacando a monumentalidade da poíesis da phýsis. O autor argumenta que o Homo sapiens, sem sabedoria, se considera um Homo creativus, mas na verdade é um Homo stultus que perturba a natureza. É enfatizada a importância de distinguir entre a criação da natureza e as invenções humanas, assim como a necessidade de humildade e respeito diante da natureza. Além disso, é abordada a questão da relação entre a religião e a destruição da natureza, ressaltando a importância do cuidado com o meio ambiente. Por fim, são propostos quatro desdobramentos para o lógos humano: homologia, lógos filosófico, lógos poético e lógos corpóreo, discutindo a importância da theoría, poíesis e práxis nas artes e na filosofia, destacando a necessidade de uma visão crítica e existencial para compreender a complexidade dos fenômenos. A theoría é essencial para as ciências da natureza e a filosofia, bem como para a poíesis e práxis nas artes. A transformação do mundo depende de um pensamento crítico, da poíesis e do olhar profundo sobre as questões da essência para além da aparência. A poíesis é uma forma de utopia que transforma o mundo, enquanto a práxis política sem poíesis crítica pode levar ao fracasso. A arte e a filosofia radicais são fundamentais para compreender e transformar a realidade. O texto também critica a redução da teoria e da prática, enfatizando a importância da poíesis na criação artística e em outros campos como a engenharia e medicina. O esquecimento da poíesis prejudica não apenas as artes, mas também questões ideológicas e linguísticas, sendo essencial valorizar a invenção e a originalidade nas artes.

O ensaio também aborda questões como identitarismo, homossexualidade, luta pela igualdade social, história da homossexualidade na Alemanha, críticas de Marx e Engels, eurocentrismo, decolonialidade, arte brasileira, vandalismo, inclusão neoliberal, CAPES, ensino, pesquisa, extensão universitária, cultura na universidade, política cultural e autonomia das artes. Enfatiza a importância da pesquisa rigorosa, da crítica à sociedade repressiva, da arte como expressão da condição humana e do desenvolvimento de políticas que promovam a emancipação e a transformação social, concluindo assim, que, a linguagem, portanto, é essencial para a expressão artística, a compreensão crítica e a emancipação do pensamento crítico-existencial na poíesis crítica. Ela transcende a mera comunicação para se tornar a base da obra de arte e da reflexão filosófica, sendo fundamental para a compreensão do mundo e da existência humana.

O autor também aborda a questão do esquecimento da poíesis em Marx e Engels em relação a Max Stirner, destacando a importância da poíesis na produção artística e sua diferença em relação à produção de trabalho. Ele critica a falta de reconhecimento da poíesis na estética, ressaltando a importância da percepção sensorial e da habilidade inventiva na criação artística. O autor também menciona casos de censura identitária na arte, destacando a importância de valorizar a poíesis em vez de priorizar a práxis ou a representatividade em questões artísticas.

O autor reconhece a importância de valorizar a ancestralidade negra e indígena nas artes brasileiras, destacando a luta política e econômica por justiça, igualdade e dignidade. Discute a questão do racismo cotidiano e a importância de combinar raça e classe na luta social. Também aborda a questão do conceito de raça e sua relação com o racismo, defendendo a necessidade de preservar a memória dos artistas pretos e pardos no Brasil, desde o período colonial até os dias atuais. Além disso, questiona a visão deturpada de elitismo cultural por parte de alguns setores, destacando a importância dos projetos sociais e das escolas de música na formação educacional das crianças.

O autor entende que conceito de cultura passou por mudanças significativas desde o Iluminismo, deixando de ser associado apenas à agricultura e se tornando manifestação do intelecto humano. Nos tempos modernos, a cultura é confundida com arte, mas isso prejudica a compreensão da essência da arte. A divisão entre alta e baixa cultura é preconceituosa e não ajuda a compreender as artes. A ideia de cultura se generalizou e prevalece até hoje, mas pode ser prejudicial para as artes. A indústria da cultura, um monstro engendrado pela racionalidade, contribui para a confusão entre cultura e arte. A poíesis crítica busca emancipar as artes dos campos da cultura, comunicação e identidades. Atualmente, a cultura é predominada pelo kitsch e a arte é sufocada por ela. A cultura não pode se confundir com o mundo da vida, e a arte é uma exceção que se distancia crítica das ideologias culturais. Os processos de coisificação e alienação são intensificados pelo capitalismo neoliberal, que lucra com a cultura. A cultura contemporânea, produzida em série, se tornou um espetáculo kitsch do capitalismo predatório, que destrói as inteligências e linguagens humanas.

Nesta obra, expõe-se também que Mario Stoppino e Norberto Bobbio discutem os significados fraco e forte de cultura, fazendo paralelos com a ideologia em Marx e Engels. O significado fraco abrange todas as manifestações humanas, enquanto o forte se concentra na poíesis crítica. A cultura fraca relativiza todas as atividades humanas como arte e filosofia, mas não consegue diferenciá-las. No significado forte, a cultura se restringe ao costume, ao hábito, e à norma, além de buscar a exceção e a singularidade na superação da lógica de um sistema. O texto critica a priorização da indústria da cultura em detrimento das artes, defendendo a liberdade das expressões artísticas e alertando para a alienação causada pela invasão cultural. Estudos culturais devem valorizar a poíesis crítica e a liberdade inventiva das artes, fugindo dos padrões impostos pela indústria da cultura. Os casos de Bach e Beethoven são apresentados como exemplos de artistas que transcendem sua época e se destacam pela qualidade e originalidade de suas obras.

A discussão sobre a aporia entre conservador e progressista na poíesis crítica revela a incoerência e os engodos presentes nesse debate. A delimitação entre conservador e progressista acaba levando a caminhos viciados. A luta por preservar a natureza e a dignidade da vida humana é essencial, mas forçar uma definição simplista entre os dois extremos não reflete a complexidade da realidade. A dicotomia conservador/progressista não é suficiente para entender as nuances ideológicas e políticas em questão. Em meio a críticas à política econômica conservadora e à iconoclastia progressista, é possível perceber a complexidade das relações entre partidos políticos e ideologias. A resistência às invasões culturais e a valorização da poíesis como forma de transcendência são aspectos centrais na reflexão sobre os desafios contemporâneos das artes.

A obra de Rubens Russomanno Ricciardi destaca a importância de compositores como Bach e Mozart, considerados universalmente influentes. Questiona o relativismo cultural da indústria da cultura, que valoriza a diversidade, mas acaba impondo suas próprias ideologias. Discute também a diferença entre arte popular e indústria cultural, e aponta incoerências nas pautas identitárias neoliberais em relação às artes milenares, ressaltando a importância da integridade ontológico-poético-crítica e fazendo críticas a algumas posturas e práticas.

Apesar dos questionamentos e críticas apresentados, a obra de Rubens Russomanno Ricciardi se destaca por abordar questões urgentes e relevantes relacionadas ao universo musical e à indústria da cultura. Sua defesa da importância da poíesis crítica, da valorização das artes de todos os tempos e lugares, e do combate ao eurocentrismo e à colonização genocida são aspectos que merecem destaque. O autor demonstra um profundo conhecimento e reflexão sobre temas complexos como identitarismo, neoliberalismo, racismo e preservação da natureza, apontando para a necessidade de uma visão crítica e existencial para compreender e transformar a realidade. A obra de Rubens Russomanno Ricciardi contribui para ampliar o debate e o entendimento sobre as questões artísticas e culturais da atualidade, estimulando o leitor a refletir e se posicionar diante desses desafios.

Resenha: Luiz Gama Contra o Império: A Luta Pelo Direito no Brasil da Escravidão, de Bruno Rodrigues de Lima

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APRESENTAÇÃO

“Luiz Gama contra o Império” marca um novo estágio nos estudos sobre a trajetória e a obra de Luiz Gama, este personagem tão importante de nossa história, nosso maior advogado, nosso abolicionista primeiro e um dos grandes pensadores da formação social brasileira. Bruno Lima dá corpo e nos permite um mergulho profundo no pensamento de Luiz Gama, mas também nas mazelas e nas possibilidades emancipatórias que fazem parte do Brasil." SILVIO ALMEIDA

"Se a História do Brasil fosse um misterioso quebra-cabeça e estivesse faltando uma de suas peças essenciais, você não levaria muito tempo para perceber que este livro é a peça que faltava." TÂMIS PARRON A Editora Contracorrente tem a satisfação de anunciar o lançamento do livro “Luiz Gama contra o Império: A luta pelo direito no Brasil da Escravidão”, de autoria do pesquisador Bruno Rodrigues de Lima, reconhecidamente o maior especialista na obra de Luiz Gama.

A obra, que nasce clássica, corresponde à versão revista e atualizada da tese de doutorado que o autor defendeu na Faculdade de Direito da Johann Wolfgang Goethe-Universität Frankfurt am Main e que lhe rendeu o prêmio Walter Kolb de melhor tese de doutorado da Universidade de Frankfurt e a medalha Otto Hahn de destaque científico da Sociedade Max Planck.

RESENHA

A obra ressalta a importância de Luiz Gama como um pensador do Brasil, não apenas como um advogado e abolicionista. Ele foi fundamental na análise da realidade brasileira, criticando suas estruturas políticas e jurídicas. Sua luta pela abolição da escravidão também estava ligada à necessidade de uma mudança política, mostrando que a liberdade dos escravizados dependia da liberdade do país de suas amarras políticas e econômicas. Além disso, Luiz Gama também trouxe a questão africana para a formação do Brasil, sendo um defensor da liberdade dos africanos trazidos à força para o país. O livro "Luiz Gama contra o Império" marca um novo estágio nos estudos sobre Luiz Gama, destacando sua importância como advogado, abolicionista e pensador da formação social brasileira.

O livro é uma versão revista e atualizada da tese de doutorado de Bruno Rodrigues de Lima, defendida em 2022. O trabalho recebeu prêmios e reconhecimento acadêmico. O autor agradece aos professores, ao Instituto Max Planck, colegas acadêmicos, funcionários de arquivos, equipe da editora Contracorrente, amigos e família. Ele também destaca a importância da orientação de seu orientador, Thomas Duve, e do apoio de diversos professores ao longo de sua formação acadêmica.

A obra se inicia narrando os acontecimentos em 1880, quando o juiz Lúcio de Mendonça escreveu o primeiro perfil biográfico do jurista Luiz Gama, destacando a importância do direito na vida e na luta contra a escravidão de Gama. Mendonça sugeriu que a história do jurista deve ser estudada através do direito, e não da política ou do romance. A vida de Gama é marcada por suas atividades como soldado, amanuense, advogado e teórico da sociedade, desenvolvendo uma literatura normativo-pragmática voltada para a produção de liberdade. Seu legado é ressaltado como fundamental para a compreensão da história do direito no Brasil do século XIX, fazendo com que a história do labirinto na literatura ocidental foi reinterpretada por Jorge Luis Borges em 1947 em seu conto "A casa de Astérion", oferecendo uma nova visão do mito do Minotauro. Borges humanizou o monstro, que antes era visto apenas como irracional, trazendo a solidão e o pensamento à sua personagem. Posteriormente, o texto aborda a relação entre o Brasil do século XIX, visto como um labirinto de nações, e a política do contrabando negreiro, que direcionou a entrada de milhões de africanos no país, influenciando a luta pela liberdade dos negros escravizados e libertos. A trajetória de Luiz Gama, nascido na Bahia em meio a essa realidade, é apresentada como um exemplo de resistência e luta por liberdade em um contexto marcado pelo contrabando e pela escravidão.

Na novela Bartleby, o escrevente, o advogado narra a contratação do misterioso Bartleby, que entra para seu escritório como um copista dedicado, mas se recusa a fazer qualquer coisa, respondendo apenas com um "preferiria não fazer". A recusa de Bartleby começa a influenciar os outros personagens, levando-o a perder o emprego e acabar na prisão. O comportamento de Bartleby é interpretado de diversas formas por críticos literários, relacionando-o com a modernidade e a alienação do trabalho. O texto também explora a relação do autor com o direito e a burocracia, destacando a atuação de Luiz Gama na defesa dos direitos dos africanos livres em São Paulo durante o século XIX, mostrando como ele utilizou seu conhecimento normativo para garantir a liberdade dessas pessoas. No entanto, Luiz Gama assumiu o papel de liderança na redação do jornal Radical Paulistano, dedicando-se principalmente a temas jurídicos. Suas crônicas forenses abordavam injustiças e abusos cometidos pelo sistema judiciário, como casos de escravos submetidos a torturas e mortes brutais. Gama utilizava a literatura para denunciar a violência do sistema escravista e a corrupção na administração da justiça, confrontando diretamente juízes e autoridades que permitiam esses abusos. Com uma abordagem crítica e contundente, ele questionava a moralidade e a justiça do Império do Brasil, defendendo a liberdade e os direitos humanos em meio a um cenário de opressão e desigualdade.

Em março de 1872, o jurista Rudolf von Jhering proferiu uma conferência acadêmica em Viena, intitulada "A luta por direito", que teve grande impacto na literatura jurídica de diversos países. Jhering propôs o conceito de "luta" como fundamental para interpretar a história do direito, afirmando que todas as conquistas do direito foram alcançadas através de lutas árduas. Ele mencionou a abolição da escravidão como um exemplo marcante dessa luta pelo direito. Em seguida, o texto aborda a trajetória do jurista Luiz Gama na década de 1870, destacando sua atuação em uma ação judicial na comarca de Santos, envolvendo a partilha do inventário do comendador português Ferreira Neto. Gama solicitou informações sobre os escravos deixados pelo comendador, buscando compreender a situação desses indivíduos e possivelmente garantir-lhes a liberdade. Essa ação judicial foi um dos episódios marcantes da atuação de Gama na defesa dos direitos dos escravizados.

Em fevereiro de 1940, o poeta Paulo da Portela, junto a Cartola e Heitor dos Prazeres, tentou desfilar junto à escola de samba Portela, mas foram impedidos pela diretoria por não estarem trajando as cores da escola. Paulo ficou magoado e se afastou da Portela por nove anos. Após a sua morte, a escola o homenageou diversas vezes, mas a ferida do desentendimento ainda doía. Da mesma forma, Luiz Gama, abolicionista, foi esquecido e seu legado foi distorcido por outros historiadores, como Joaquim Nabuco, que preferiam creditar a liderança a outros. Apesar disso, o povo negro nunca deixou o nome de Paulo da Portela e Luiz Gama caírem no esquecimento, mantendo sua memória viva através da tradição oral, imprensa negra e celebrações anuais. A escola de samba Portela se comprometeu a recontar a história de Luiz Gama em seu desfile.

O estudo apresentado na obra pelo autor é extremamente relevante ao destacar a importância de Luiz Gama como pensador do Brasil, indo além de sua figura como advogado e abolicionista. No entanto, a obra poderia se aprofundar mais na análise do impacto das ideias e ações de Gama na sociedade brasileira da época, bem como em sua relevância para os dias atuais. Além disso, o texto poderia abordar de forma mais crítica as interpretações distorcidas de seu legado por parte de outros historiadores, como Joaquim Nabuco, e ressaltar a importância de preservar e perpetuar a memória de figuras como Luiz Gama na história do Brasil.

Ascensão das Trevas: O Segundo livro da saga Herdeiro das Trevas de C.S. Pacat já está entre nós

Foto: Arte digital / Divulgação
Ascensão das Trevas, segundo livro da saga Herdeiro das Trevas de C.S. Pacat já está entre nós e pode ser adquirido no site da editora Record ou sites de venda pela internet. Convidamos vocês à se aventurar no mundo mágico de Herdeiro das Trevas - Ascensão das Trevas - Vol. 2, a emocionante sequência do aclamado primeiro livro da série. Neste segundo volume, Will e seus amigos enfrentarão uma nova ameaça das Trevas que promete trazer ainda mais perigos e reviravoltas a suas vidas. Com segredos sombrios sendo revelados e alianças arriscadas sendo feitas, o destino de todos está em jogo.

Prepare-se para mergulhar em uma história repleta de magia, ação e mistério, onde a luta entre a Luz e as Trevas atinge novos patamares. Será que Will conseguirá manter sua verdadeira identidade em segredo? Será que o passado pode ser a chave para salvar o presente, ou o que causará a ruína de todos? Não perca a oportunidade de acompanhar essa emocionante jornada em Herdeiro das Trevas - Ascensão das Trevas - Vol. 2, e descobrir o desfecho dessa épica batalha que pode mudar o destino de um mundo inteiro. Escolha o seu lado e embarque nessa incrível aventura!



SINOPSE DO LIVRO

As Trevas estão de volta. E um mundo antigo prestes a ressurgir. Herdeiro das Trevas é a esperada sequência de Ascensão das Trevas. Dessa vez, Will e seus amigos precisarão lutar contra um mal que já caminha entre eles. Os guerreiros da Luz sobreviveram ao primeiro ataque das Trevas, mas pagaram um preço alto demais. Com outra ameaça prestes a eclodir, se não agirem depressa, muito mais tragédias estarão a caminho. Perseguidos pelas forças inimigas, Will e seus aliados precisam deixar a segurança do Salão e viajar até o mundo antigo para deter a ascensão das Trevas, fazendo novas e perigosas alianças e desvendando segredos impactantes do passado. No entanto, Will também esconde um segredo sombrio: sua verdadeira identidade. Caso a verdade venha à tona, quem é amigo pode se tornar um inimigo. Mas a atração que sente por James St. Clair, o Traidor, faz com que se aproxime cada vez mais de sua vida pregressa e das Trevas. Será que não apenas Will, mas também seus aliados, conseguirão lutar contra o próprio destino? Será que conhecer o passado pode ser a chave para salvar o presente, ou justamente o que causará o fim de todos? Herdeiro das Trevas é a imperdível sequência do best-seller Ascensão das Trevas. “Uma fantasia instigante. Eu simplesmente não conseguia largar.” — V. E. Schwab, autora de A vida invisível de Addie LaRue, best-seller do New York Times “Uma história narrada com detalhes devastadores e brilhantes. Ninguém consegue parar de ler.” — Chloe Gong, autora de Prazer


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