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Academia Mineira de Letras entrega Prêmio AML 2025 a Maria do Carmo Ferreira por “Poesia reunida”, no dia 28 de outubro

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Academia Mineira de Letras entrega Prêmio AML 2025 a Maria do Carmo Ferreira por “Poesia reunida”, no dia 28 de outubro

 

A Academia Mineira de Letras realiza, no dia 28 de outubro, às 19h30, a cerimônia de entrega do Prêmio Academia Mineira de Letras 2025, que consagra o livro Poesia reunida (Martelo Casa Editorial, 2024), de Maria do Carmo Ferreira, como a grande obra vencedora desta edição. A solenidade contará com a presença dos organizadores Fabrício Marques e Silvana Guimarães, do sobrinho da poeta, Rogério Ferreira Cardoso, e do presidente da AML, Jacyntho Lins Brandão. O Prêmio Academia Mineira de Letras, que tem patrocínio da Fundação Lucas Machado (Feluma), concede R$ 40 mil à autora laureada. A distinção é concedida anualmente por indicação dos acadêmicos da AML e reconhece livros lançados por autores mineiros — ou radicados em Minas Gerais há pelo menos cinco anos — no ano anterior à premiação.


Publicada pela primeira vez em formato de livro, Poesia reunida, de Maria do Carmo Ferreira reúne 231 poemas distribuídos em três volumes — Cave CarmenCoram populo e Quantum satis — e marca a consagração de uma das vozes mais inventivas da poesia mineira. A edição, organizada por Fabrício Marques e Silvana Guimarães, resgata a produção poética de Maria do Carmo Ferreira, autora elogiada por Augusto de CamposDécio Pignatari e Sebastião Nunes, por essa obra que permaneceu inédita em livro durante décadas.


Realizado por Fabrício Marques e Silvana Guimarães, o trabalho de reunir a poesia dispersa da autora foi árduo: “o conjunto de poemas era enorme, não estava organizado e exigiu uma seleção apurada. Toda a poesia dela é muito bem elaborada, inventiva e audaz. A tarefa obrigou-nos também a fazer uma revisão rigorosa, considerando o Acordo Ortográfico de 1990 e os neologismos que a autora criou em diversas línguas”, acrescentam. Convencer a poeta a autorizar a publicação não foi simples. No posfácio de Cave Carmen, Silvana lembra: “Eu não me conformava com o verbo desistir. E insistia na publicação de seu livro, na importância que ele teria para a poesia, fazia das tripas coração para convencê-la, mas ela permanecia inflexível. Muitas vezes, desligou o telefone na minha cara, pedindo-me que não ligasse mais para falar desse ‘assunto’”. A persistência deu resultado, e agora a trilogia conquista seu primeiro prêmio — justamente em Minas Gerais, terra natal da poeta. Depois de anunciado o resultado do Prêmio AML, Poesia Reunida ainda tornou-se semifinalista do Prêmio Jabuti, um dos prêmios literários mais importantes do país.


Para Rogério Ferreira Cardoso, sobrinho da poeta, este é um reconhecimento histórico para a tia, que está hospitalizada e já com um gradual declínio da consciência, há um ano e meio. “É muito importante, embora ela não tenha procurado esse reconhecimento em vida; ela escreveu muito e divulgou pouco. E, na verdade, quem mais se beneficia é o público, por conhecê-la e ter acesso a toda a sua obra”, afirma. Rogério destaca ainda que Maria do Carmo foi “uma poeta muito à frente do seu tempo e de muito recurso, porque estudou muito”. Formada em Letras e Literatura, com mestrado na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, em 1972, Maria do Carmo foi a única da família a se enveredar para as Letras e poderia ter seguido carreira acadêmica no exterior. 


A cerimônia de premiação será aberta ao público e representa um momento de celebração da literatura mineira, reafirmando o compromisso da Academia Mineira de Letras com a valorização da produção literária do Estado e de suas figuras mais notáveis. O Prêmio Academia Mineira de Letras 2025 acontece graças ao patrocínio da Fundação Lucas Machado (Feluma).


ACADEMIA MINEIRA DE LETRAS: TRADIÇÃO EM PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

Desde muito cedo as Academias de Letras brasileiras tinham como uma de suas missões o reconhecimento da produção escrita contemporânea por meio da concessão de prêmios literários. No que diz respeito à Academia Mineira de Letras, em seus primeiros movimentos de premiação, em 1943, laureou João Camilo de Oliveira Torres com o Prêmio Diogo de Vasconcelos, pela obra O homem e a montanha: introdução ao estudo das influências da situação geográfica para a formação do espírito mineiro (publicada em 1944). Em 1947, uma outra condecoração, de nome Prêmio Bernardo Mascarenhas, foi atribuída a Paulo Tamm, pelo livro João Pinheiro (1947).


Tudo indica que apenas em 1947 foi encontrado o mecenas que permitiu a criação do prêmio anual, o empresário Othon Linch Bezerra de Melo. Assim, no mesmo ano foi estabelecido, pela AML, o regulamento do “Prêmio Othon Linch Bezerra de Melo – Academia Mineira de Letras” no valor de Cr$20.000,00, a ser concedido anualmente a obra de autor mineiro publicada no ano imediatamente anterior. O prêmio agraciou, em 1948, Murilo Rubião pela sua obra O ex-mágico (1946). Assim, a partir de 1948 até 1969, o prêmio foi concedido regularmente, exceção feita ao ano de 1958, em que “não foi conferido a ninguém, em virtudes de tramitação do processo, através de incidentes vários”. 


Dentre os premiados, destacam-se Lúcia Machado de Almeida premiada em, 1953, com a obra Passeio a Sabará; Afonso Ávila, em 1954, foi premiado por Açude; Zilah Corrêa de Araújo, com Uma flor sobre o muro, recebeu a premiação, em 1956; Maria Luiza Ramos, em 1959, com Psicologia e estética de Raul Pompéia; Ângela Vaz Leão, em 1961, premiada por História de palavras; Maria José de Queirós, em 1963, por Do indianismo ao indigenismo. Dos agraciados, alguns se tornaram acadêmicos posteriormente, como nos casos de Henriqueta Lisboa (premiada em 1950, com ingresso na AML em 1963), Wilton Cardoso de Sousa (premiado em 1951 e tornado acadêmico em 1983), Edison Moreira (premiação, 1952; ingresso, 1965), Waldemar Pequeno (premiado em 1955, ingresso em 1973), Maria José de Queiroz (agraciada em 1963, ingresso em 1968).


A primeira referência ao nome “Prêmio Academia Mineira de Letras” remonta a 1950, quando foi ele concedido a Emílio Moura, pelo livro de poemas O espelho e a musa, publicado no ano anterior, sem que se saiba tratar-se de premiação avulsa ou já do prêmio que passa a ser atribuído com mais regularidade a partir de 1966. É de 1964 o registro de que a Academia Mineira de Letras havia recebido, naquela data, doação de um lote de ações do Banco da Lavoura de Minas Gerais. Entre os destaques desta nova fase, estão: Mário Palmério, premiado em 1966 por Chapadão do Bugre (1965); André Carneiro, em 1967, por Espaçopleno (1966); Moacyr Scliar, em 1968, por O Carnaval dos Animais (1968); Wilmar Silva, em 2002, por Arranjos de Pássaros e Flores (2001); e Murilo Badaró, em 2004, por Vida e Obra de Afonso Arinos de Melo Franco (2006).


Em 2023 a Academia Mineira de Letras retomou a premiação, com apoio de Fernando Moreira Sales, premiando Laura Cohen, por Caruncho (2022). Em 2024, premiou José Eduardo Gonçalves, por Pistas Falsas (2023). Em 2025, a Academia Mineira de Letras conta com o patrocínio da Fundação Cultural Lucas Machado, Feluma e premia Maria do Carmo Ferreira, Poesia reunida (2024).


SOBRE A AUTORA E OS ORGANIZADORES DA OBRA PREMIADA


Nascida em Cataguases, Minas Gerais, em 1938, Maria do Carmo Ferreira, a “Carminha”, teve sua veia poética influenciada pelo pai, dentista e autor de sonetos, e pela irmã Celina Ferreira, que a apresentou aos clássicos brasileiros e hispano-americanos. Estudou, viveu em São Paulo, Europa e EUA, tornou-se mestre em Literatura Comparada pela Universidade de Illinois, depois se fixou no Rio de Janeiro e, posteriormente, em Niterói. Trabalhou por mais de 30 anos na Rádio MEC, criando e coordenando programas literários. Foi publicada em revistas como JoséImãInvenção e Poesia Livre, e teve 78 poemas editados no Suplemento Literário de Minas Gerais entre 1966 e 2002. Incentivada por Murilo Rubião, aproximou-se do grupo concretista de São Paulo, estreando na revista Invenção em 1967. Tradutora de autores como Emily Dickinson, Yeats, Mallarmé e Neruda, viu na internet uma nova forma de expressão antes de afastar-se da poesia, em 2009.


Fabrício Marques nasceu em Manhuaçu (MG). É poeta e jornalista, doutor em Literatura Comparada pela UFMG (2004). Publicou quatro livros de poemas, além de, entre outros, Fuera del alcance de la memoria (antologia de poemas, edição bilíngue/espanhol-português, trad. Agustín Arrosteguy, Vallejo&Co, 2019, com apoio da FBN), e o ensaio Aço em Flor: a Poesia de Paulo Leminski (Belo Horizonte: Autêntica, 2001; 2. ed. Belo Horizonte/Campinas: UFMG/Unicamp, 2024). Dirigiu em 2004 o histórico Suplemento Literário de Minas Gerais.


Silvana Guimarães nasceu em Belo Horizonte (MG), onde vive. Escritora, é formada em Ciências Sociais pela UFMG. Foi pianista e especialista em transporte público. É editora da Germina — Revista de Literatura & Arte e do coletivo Escritoras Suicidas. Revisou e organizou incontáveis livros de poesia alheios. Participou de várias antologias poéticas nacionais e estrangeiras. O corpo inútil, no prelo, é o seu primeiro livro de poesia. Segundo ela, provavelmente, o único.






INFORMAÇÕES PARA IMPRENSA

Assessoria de Imprensa AML - Amanda Magalhães

(31)  9 3301-0161| comunicacao@academiamineiradeletras.org.br

Danilo Heitor, finalista do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica, reflete sobre política, emergência climática e relações humanas

Divulgação

Publicado pela Editora Folheando, os 25 contos de ficção científica do livro “Quase Agora” explora futuros possíveis a partir de cenários distópicos, utópicos e tecnológicos; dois contos da obra foram finalistas do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica em 2024 e 2025

Escrito entre 2020 e 2023, "Quase agora" (212, págs.,Editora Folheando) é o novo livro de Danilo Heitor, professor, editor e escritor paulistano. A coletânea reúne 25 contos de ficção científica que transitam entre a imaginação futurista e as tensões do presente, explorando desde os impactos de tecnologias ainda inexistentes até encontros improváveis entre civilizações e temporalidades. “Sempre fui fã de ficção científica, principalmente por conta das discussões políticas e sociais que ela levanta”, explica o autor. “Os contos nasceram de reflexões sobre as consequências da tecnologia e das relações de poder em nosso cotidiano.”

A obra está dividida em quatro blocos. Em "Novas tecnologias", surgem histórias que tratam das consequências positivas e negativas de inovações ainda hipotéticas. Em "Viagens", o contato com outros tempos e lugares provoca conflitos e descobertas. "Distopias" expõe futuros de dominação e resistência, enquanto "Utopias" sugere que o encontro com o diferente não precisa, necessariamente, resultar em violência. “No geral, o livro traz questionamentos sobre como lidamos com o outro, com o poder e com a tecnologia”, resume.

O processo de escrita, ele explica, foi "profundamente coletivo", marcado pela troca em comunidades literárias como a Revista Mafagafo e a Editora Escambau: “Ao contrário do que diz o estereótipo, escrever sempre foi um ato comunitário para mim. Grande parte dos contos nasceu de desafios de escrita e da troca intensa com outros escritores e leitoras”. Esse vínculo com a comunidade de escritores também levou dois dos contos do livro, "A visagem do ovo" e “Retirante em Tóngbù”, a serem finalistas da Odisseia de Literatura Fantástica 2024 e 2025, respectivamente, na categoria narrativa curta de ficção científica.

O livro representa uma virada na trajetória do autor dentro do gênero. “Esse livro consolidou minha percepção de que as comunidades de escrita são essenciais para o processo criativo e me abriu caminhos para novas histórias, especialmente com recortes utópicos”, afirma Heitor. O último conto da coletânea já foi traduzido e publicado em inglês, ampliando ainda mais o alcance da obra.

Divulgação


Com linguagem que transita entre o humor, a poesia e o sombrio, "Quase agora" experimenta diferentes estilos narrativos. “Minha escrita costuma focar nas relações interpessoais, mas aqui também arrisquei novas formas, como no conto Alarme ou em Monkey Man”, destaca. Essa pluralidade ecoa as influências literárias e artísticas do autor, que vão de Octavia Butler e Ursula K. Le Guin ao punk rock, passando por Jorge Aragão, Cartola e clássicos do cinema de ficção científica como Alien, Planeta dos Macacos e 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Para além da ficção, "Quase agora" também dialoga com o presente, convidando o leitor a refletir sobre temas urgentes, como política, emergência climática, comunidade e perspectivas de futuro. “O livro me transformou porque me fez querer insistir nos recortes utópicos, apesar deles serem minoria entre os 25 contos. Precisamos imaginar futuros possíveis que não sejam apenas de destruição”, reflete.


Sobre o autor

Danilo Heitor é professor de Geografia, escritor e editor. Nascido e criado em São Paulo, formou-se em Geografia pela USP em 2009 e atua há mais de 15 anos em educação, com passagem por redes públicas e privadas, editoras e projetos comunitários. “Minha trajetória na educação e no movimento cultural independente sempre alimentou minha escrita, que busca dialogar com a realidade social”, afirma.

É autor de três livros de ficção científica e foi finalista do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica em 2024 e 2025. Também coorganizou o festival literário Relampeio e tem a sua própria editora, a País Nenhum, focada em ficção especulativa do Sul global.

Márcio Sampaio recebe homenagem na Academia Mineira e Letras

Divulgação

“Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético” será lançado às 10h, na sede da AML, com João Pombo Barile, Flávio Vignoli e o homenageado. O evento é gratuito e aberto ao público

A Academia Mineira de Letras realiza no sábado, 25 de outubro, às 10h, uma homenagem ao artista e poeta Márcio Sampaio (Cadeira 28), com o lançamento do Suplemento Especial “Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético”. O evento contará com a presença de João Pombo Barile, editor do Suplemento MG, Flávio Vignoli, organizador da edição especial, e do homenageado. A entrada é gratuita e aberta ao público. O evento acontece na sede da AML (Rua da Bahia, 1466 – Centro).

A publicação resulta da pesquisa “A obra como caleidoscópio do arquivo de Márcio Sampaio”, de Flávio Vignoli, que investiga a extensa e multifacetada produção do artista entre os anos de 1965 e 1985 — período que coincide com a ditadura militar no Brasil. O estudo aborda a constituição do arquivo do autor como um espaço de invenção e memória, revelando sua dimensão interdisciplinar, em que arte, literatura, crítica, design, curadoria e pesquisa se entrelaçam. Figura essencial das vanguardas mineiras, Sampaio é reconhecido por obras como Galeria antropofágica e Labirinto antropófago, marcos da arte conceitual brasileira que dialogam com Duchamp e Oswald de Andrade.

Ao revisitar sua trajetória, a homenagem ressalta Márcio Sampaio como um paradigma do artista pesquisador contemporâneo, cuja obra ultrapassa fronteiras entre palavra e imagem, arte e vida. Sua contribuição como poeta, crítico e curador consolidou uma visão crítica e libertária da arte mineira, que continua a inspirar novas gerações.


SERVIÇO
Homenagem a Márcio Sampaio, com lançamento do Suplemento Especial

“Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético”
Com João Pombo Barile, Flávio Vignoli e Márcio Sampaio
Data: 25/10, sábado, às 10h
Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 - Lourdes)
Entrada gratuita.


INFORMAÇÕES PARA IMPRENSA

Assessoria de Imprensa AML - Amanda Magalhães

(31)  9 3301-0161| comunicacao@academiamineiradeletras.org.br

Verônica Yamada lança duas obras que transitam entre diferentes gêneros literários

 

A autora best-seller da Amazon apresenta “Tempos Amarelos” (editora SEDAS) e “Um namoro de mentira com meu k-idol”


Autora, editora e médica oftalmologista nipo-brasileira Verônica Yamada lança dois títulos que transitam entre gêneros, trazendo em “Tempos Amarelos” (Editora SEDAS, 136 págs.) uma narrativa distópica que aborda a hiperprodutividade tóxica e a importância da ancestralidade nos processos de cura; e logo depois produzindo “Um namoro de mentira com meu k-idol”, uma comédia romântica, dentro do universo dos k-idols.


Com trajetória que inclui diferentes gêneros e públicos, Verônica estreou com “A face obscura de Lívia”, e também já lançou a autoficção “Loucura e Perversidade”, a fantasia “Herdeiros das Trevas”, o livro de contos “Código de Vingança” — premiado com o VII Prêmio Talentos Helvéticos — e, mais recentemente, a distopia “Carne de segunda”, que se tornou um best-seller na Amazon. Ainda publicou títulos infantis e participou de antologias.

Distopia, ficção de cura e ancestralidade

Em Tempos Amarelos, publicado pela Editora SEDAS, Verônica apresenta uma protagonista nipo-brasileira em um futuro distópico marcado pela exaustão física e emocional. Marina, condicionada à produtividade extrema, entra em estado de “battery-out” — conceito criado pela autora que representa o colapso energético do corpo humano. Em coma, ela passa a compartilhar um espaço onírico com Kaue, homem que desperta de um coma após mais de uma década. Juntos, os personagens enfrentam traumas familiares e questões identitárias ligadas à ancestralidade asiática.

O Brasil é o segundo país com mais pessoas sofrendo de síndrome de burnout. O esgotamento provocado pelo excesso de trabalho já afeta 30% dos trabalhadores brasileiros, ficando atrás apenas do Japão, que apresenta um índice de 70%. Os dados são de 2024 e foram divulgados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANMT) e pela International Stress Management Association (ISMA), respectivamente.

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Inspirada em sua própria vivência como mulher nipo-brasileira, Verônica percorre estereótipos associados às pessoas amarelas e a relação de cobrança extrema com o trabalho. “Eu mesma já passei por alguns burnouts e me sinto sobrecarregada o tempo todo”, explica a autora. “Queria mostrar que ninguém quer entrar em burnout, mas que nos sentimos sempre pressionados a produzir.”


E se seu crush fosse um k-idol?

Em “Um namoro de mentira com meu k-idol”, Verônica explora um romance internacional e contratos de amor, misturando o universo dos idols coreanos com a leveza de um romance slow burn, transportando o leitor por cenários no Brasil, Suíça e Coreia do Sul, e celebrando o amor de forma divertida, envolvente e surpreendentemente real.  

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No livro, a autora apresenta a história de Sophia, uma empreendedora brasileira especializada em amigurumis, e de Hyunjae, um idol coreano que precisa preservar sua imagem pública. Unidos por um contrato de namoro falso, os dois embarcam em uma jornada repleta de desencontros, escândalos e sentimentos que evoluem do fingimento para o amor genuíno. A autora, fã de comédias românticas, K-pop e K-dramas, utiliza o clichê do “namoro de mentira” para explorar emoções verdadeiras em um cenário fantasioso, trazendo leveza e humor à narrativa.

Com uma escrita envolvente e personagens carismáticos, o romance destaca o contraste entre a vida simples de Sophia e o universo glamouroso de Hyunjae, promovendo identificação e emoção. A narrativa alterna entre os pontos de vista dos protagonistas, aprofundando a conexão com o leitor. Inspirada por autoras como Emily Henry e Ali Hazelwood, Veronica constrói diálogos afiados e cenas que misturam o cotidiano com o brilho da fama, transmitindo mensagens sobre autenticidade, sonhos e a crença no amor.

Link de aquisição de “Tempos Amarelos”: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeqLaGCU4b-rP2tKmzuuVskXQn4L4kNPQ13D6nkHmySnAUvqw/viewform 

Link de aquisição de “Um namoro de mentira com meu k-idol”: https://forms.gle/vKpRkveF1RYVw9eP9

Ana Carolina Francisco compartilha narrativa poética de coming of age

 

“Corpos, Fendas e Fronteiras” mergulha na formação subjetiva de uma jovem mulher em trânsito entre afetos, países e lutas políticas, entrelaçando poesia, memória e insurgência.

“Ana é uma voz plural de mulheres que escrevem e espantam os antigos silêncios, que podem viver, agir, transbordar. Ela faz parte desta luta que há séculos risca um patriarcado que silenciou e dividiu as mulheres, dentro delas mesmas e dentre suas semelhantes. Ana vem reunir pedaços, soprar feridas, acender corpos em suas fagulhas. Brisa e brasa, reinventam terras, e Ana está apenas começando. Quem a lê sente: ela já começou há muito tempo.”

Susana Fuentes, escritora, atriz, pesquisadora, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Prêmio Oceanos, no texto de quarta capa do livro

 

“Ana Carolina Francisco parece ser a principal representante (sem o sentido ortodoxo de periodização ou de filiação a uma corrente) de uma linguagem poética que pode ser definida como teatro da subversão, algo empírico, que desestrutura emoções e eterniza aparentes efemeridades cotidianas. Sua poesia é uma verdadeira prova de sobrevivência, individual e personalizada, da atitude do leitor diante de olhos enviesados e fronteiriços que evocam uma outra forma de visão: através das fendas.”

 

Sérgio Mota, professor de Literatura e de Cinema Brasileiro da PUC-Rio, no texto do prefácio

 

 

Em “Corpos, Fendas e Fronteiras” (Editora Letramento)a escritora, roteirista e jornalista Ana Carolina Francisco reúne poemas escritos entre os 18 e 23 anos, que narram a jornada de crescimento de uma jovem atravessada por afetos, deslocamentos e descobertas do início da vida adulta. Escritos em cafés, guardanapos, cadernos antigos e madrugadas insones entre Rio de Janeiro, Inglaterra e Estados Unidos, os poemas transitam em temas como as primeiras paixões, sexualidade, choques culturais, política, feminismo e a dualidade entre desejo e repressão.

 

A coletânea nasce das vivências comuns entre mulheres — amizades, tabus, repressões — e faz da poesia um lugar de elaboração e expressão no começo da vida adulta. O livro conta com prefácio de Sérgio Mota, professor de Literatura e de Cinema Brasileiro da PUC-Rio, e texto de quarta capa assinado por Susana Fuentes, escritora, atriz, pesquisadora, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Prêmio Oceanos.

 

“O olhar valorizado pela poeta é justamente o olhar que não se limita à contemplação, mas que reflete sobre si e o mundo, na disposição do texto em que se inscreve, como escultura, no espaço em branco da folha”, observa Sérgio. “Os textos de Ana parecem perguntar: como explicitar uma cartografia de um mundo que está sob o signo dos corpos, do amor, dos olhares, de uma realidade que parece ter ultrapassado a sua medida?”

 

O livro é dividido em cinco partes, que funcionam como ensaios poéticos sobre a vida e olha da autora: 1) No sussurro entre frestas; 2) Prece; 3) Fendas, Fraturas e Fronteiras; 4) Curvas de corpo e abismo; e 5) Do meu suor, um rio. A partir dos poemas, vamos acompanhando a trajetória de uma jovem mulher que busca afirmar sua voz diante das imposições sociais, culturais e íntimas que a cercam. Além disso, o prelúdio “No Sussurro Entre Frestas” dá um tom inicial para obra, com poemas que convidam o leitor a adentrar no “universo visual e sensorial de Ana”, como define Sérgio.


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Ana vive e questiona o mundo, constantemente. A experiência de ser uma mulher latina no exterior, o impacto de amizades femininas e a necessidade de fabular a própria vida se entrelaçam em versos que funcionam tanto como registro pessoal quanto como gesto político de enunciação. “Contar a nossa história primeiro nos salva e depois nunca sabemos quem ela pode abraçar, acolher e fortalecer. Quando nós mulheres escrevemos e compartilhamos esse escrito, além de ser um um ato de coragem, é um momento de respiro: o mundo de fora, tão intrusivo em nossas vidas, se aquietando, somos somente eu e o papel. Volto o olhar para mim mesma e deixo expandir minhas sensações, meus ruídos, colecionando e polindo memórias como quem lava cetim. E depois, ter seu texto lido por outra, e o texto de outra lido por você… são lufadas de ar fresco”, reflete a autora.

 

Em “Corpos, Fendas e Fronteiras”, o pessoal é político, e a política se encontra justamente nas entrelinhas íntimas das poesias, que falam ao mesmo tempo para dentro e para fora, do pessoal e do coletivo. “Eu vejo a escrita de si mesmo como um tensionamento entre realidade e ficção, como uma importante ferramenta política”, ressalta a autora. “Ana Carolina Francisco organiza e desorganiza, ao mesmo tempo, essas imagens que viram matéria de poesia, de forma madura, sem deixar de propor uma gramática questionadora e combativa, na performance dos corpos na cidade. Temos aqui um eu que confronta o mundo”, sublinha o professor.

Entre suas referências, Ana Carolina Francisco cita autoras como Adélia Prado e Hilda Hilst, cuja escrita também rompe com os limites de uma educação religiosa. Enquanto Adélia transita entre fé e cotidiano, Hilda explora desejos, limites e o sagrado de forma intensa. Em “Corpos, Fendas e Fronteiras”, essas vozes reverberam em poemas que enfrentam silenciamentos e dão corpo às vivências femininas, fazendo da poesia um território de criação e partilha, onde o íntimo se expande em direção ao coletivo.

A coletânea também reflete a importância das redes afetivas e do diálogo entre gerações de mulheres, costurando memórias de ancestralidade com os dilemas do presente. Entre dor e desejo, encontro e desencontro, Ana Carolina transforma em palavras os conflitos de crescer e reinventar-se em diferentes territórios. O resultado é quase um “romance de formação em versos”, em que a escrita se mostra tanto vulnerável quanto insurgente. A autora também  se inspira em nomes como Pablo Neruda, Ana Cristina César, Marc Chagall, T.S. Elliot, Vinicius de Moraes e, principalmente, Florbela Espanca, a quem dedica a obra.

 

Sobre a autora

 

Atualmente residindo no Rio, Ana Carolina Francisco é escritora, roteirista e jornalista, com atuação entre literatura, cinema e teatro. Formada em Comunicação Social pela PUC-Rio, estudou Cinema e TV na UCLA (EUA) e Comunicação na University of Liverpool (Reino Unido). É mestranda em Comunicação na UERJ e autora do livro de poesias “Corpos, Fendas e Fronteiras” (2022), lançado em eventos como a Bienal do Livro e a FLIP. Seus trabalhos autorais já foram premiados e exibidos em festivais no Brasil e no exterior.

 

Adquira “Corpos, fendas e fronteiras” no site da Editora Letramento: https://www.editoraletramento.com.br/produto/corpos-fendas-e-fronteiras.html

“O talento do Guará”: livro infantil em versos rimados mostra às crianças que todo talento floresce no seu tempo

 

Publicada pelo selo de originais da Leiturinha, estreia de Laís Graf combina humor, poesia e afeto para falar sobre autoestima, amizade e valorização das diferenças

Em uma floresta repleta de animais animados para o tradicional show de talentos, um lobo-guará sente que não tem nada de especial a oferecer. Esse é o ponto de partida de "O talento do Guará" (Leiturinha, 32 págs.), livro de estreia da escritora curitibana Laís Graf. Com rimas divertidas, a narrativa mostra, de maneira delicada e engraçada, a importância de cada criança reconhecer e valorizar suas próprias habilidades.

 

A obra, ilustrada pela designer e artista visual Deise Lino, apresenta uma história que combina humor e emoção. “Quis escrever algo que fosse interessante não apenas para as crianças, mas também para os adultos que leem para elas. Em vários momentos, incluí piadinhas que só os responsáveis vão captar”, conta a autora. O resultado é uma experiência de leitura que une gerações, transformando o momento da narração em um espaço de afeto e troca.

 

O enredo acompanha o lobo-guará, que, inseguro sobre suas habilidades, decide não participar do evento anual. Com a ajuda de uma coruja sábia e de um coelho dançarino, ele descobre que cada um tem seu tempo e que todo talento floresce quando encontra espaço para ser cultivado. “O livro mostra que todas as pessoas são únicas, que o mundo se torna mais bonito quando compartilhamos nossas habilidades e que a amizade pode ser o impulso necessário para que a gente floresça”, destaca Laís.

 

A construção da narrativa nasceu da imersão da escritora no universo do personagem. Durante um mês, Laís se dedicou a imaginar como seria a vida do Guará, até finalmente colocar a história no papel. O texto, escrito em versos rimados, foi concluído em apenas dez dias. “Eu me diverti muito ao escrever. Até depois de terminar, seguia pensando em novas rimas, como se a cadência do livro não me deixasse ir embora”, lembra.

 

Além de trazer humor e poesia, "O talento do Guará" toca em temas fundamentais para a infância, como empatia, respeito e valorização das diferenças. “Quero que as crianças sintam que cada talento é válido e que não existe um modelo único de sucesso”, afirma.

 

Publicado como original da Leiturinha, maior clube de assinatura de livros infantis do Brasil, com 340 mil assinantes, o título foi enviado diretamente às casas de dezenas de milhares de crianças. O retorno positivo do público levou à continuidade da parceria de Laís com o clube, resultando em novos livros, como "Samba de uma flauta só" e "O segredo dos números".


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Para a autora, o lançamento de seu primeiro livro representou um marco. “A partir do momento em que vi meu nome impresso, pude dizer com todas as letras que era escritora. Foi um divisor de águas na minha vida, a motivação para seguir adiante e escrever mais histórias”, revela.

 

Se por um lado a experiência marcou sua estreia literária, por outro também redefiniu sua trajetória profissional. “Antes, eu escrevia porque estava com vontade. Depois do Guará, percebi que também era um ofício, um trabalho. E que poderia trilhar esse caminho de forma consistente”, reflete.

 

Sobre a autora

 

Laís Graf nasceu em Curitiba, em 1992, onde também cresceu e vive até hoje. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná em 2013 e concluiu a pós-graduação em Escrita Criativa pela Universidade de Fortaleza em 2022. Desde 2013, atua como profissional autônoma na produção de conteúdos, elaborando textos, roteiros para vídeos e podcasts para empresas como O Boticário, Santander, Kraft Heinz, Philip Morris, Gelopar e Positivo Informática. Estreou na literatura infantil com O talento do Guará (2022), seguido por Samba de uma flauta só (2024) e O segredo dos números (2025), todos publicados pela Leiturinha. Seus livros já chegaram a mais de 100 mil crianças em todo o Brasil.

Academia Mineira de Letras entrega Prêmio AML 2025 a Maria do Carmo Ferreira por “Poesia reunida”, no dia 28 de outubro

 

A Academia Mineira de Letras realiza, no dia 28 de outubro, às 19h30, a cerimônia de entrega do Prêmio Academia Mineira de Letras 2025, que consagra o livro Poesia reunida (Martelo Casa Editorial, 2024), de Maria do Carmo Ferreira, como a grande obra vencedora desta edição. A solenidade contará com a presença dos organizadores Fabrício Marques e Silvana Guimarães, do sobrinho da poeta, Rogério Ferreira Cardoso, e do presidente da AML, Jacyntho Lins Brandão. O Prêmio Academia Mineira de Letras, que tem patrocínio da Fundação Lucas Machado (Feluma), concede R$ 40 mil à autora laureada. A distinção é concedida anualmente por indicação dos acadêmicos da AML e reconhece livros lançados por autores mineiros — ou radicados em Minas Gerais há pelo menos cinco anos — no ano anterior à premiação.


Publicada pela primeira vez em formato de livro, Poesia reunida, de Maria do Carmo Ferreira reúne 231 poemas distribuídos em três volumes — Cave CarmenCoram populo e Quantum satis — e marca a consagração de uma das vozes mais inventivas da poesia mineira. A edição, organizada por Fabrício Marques e Silvana Guimarães, resgata a produção poética de Maria do Carmo Ferreira, autora elogiada por Augusto de CamposDécio Pignatari e Sebastião Nunes, por essa obra que permaneceu inédita em livro durante décadas.


Realizado por Fabrício Marques e Silvana Guimarães, o trabalho de reunir a poesia dispersa da autora foi árduo: “o conjunto de poemas era enorme, não estava organizado e exigiu uma seleção apurada. Toda a poesia dela é muito bem elaborada, inventiva e audaz. A tarefa obrigou-nos também a fazer uma revisão rigorosa, considerando o Acordo Ortográfico de 1990 e os neologismos que a autora criou em diversas línguas”, acrescentam. Convencer a poeta a autorizar a publicação não foi simples. No posfácio de Cave Carmen, Silvana lembra: “Eu não me conformava com o verbo desistir. E insistia na publicação de seu livro, na importância que ele teria para a poesia, fazia das tripas coração para convencê-la, mas ela permanecia inflexível. Muitas vezes, desligou o telefone na minha cara, pedindo-me que não ligasse mais para falar desse ‘assunto’”. A persistência deu resultado, e agora a trilogia conquista seu primeiro prêmio — justamente em Minas Gerais, terra natal da poeta. Depois de anunciado o resultado do Prêmio AML, Poesia Reunida ainda tornou-se semifinalista do Prêmio Jabuti, um dos prêmios literários mais importantes do país.


Para Rogério Ferreira Cardoso, sobrinho da poeta, este é um reconhecimento histórico para a tia, que está hospitalizada e já com um gradual declínio da consciência, há um ano e meio. “É muito importante, embora ela não tenha procurado esse reconhecimento em vida; ela escreveu muito e divulgou pouco. E, na verdade, quem mais se beneficia é o público, por conhecê-la e ter acesso a toda a sua obra”, afirma. Rogério destaca ainda que Maria do Carmo foi “uma poeta muito à frente do seu tempo e de muito recurso, porque estudou muito”. Formada em Letras e Literatura, com mestrado na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, em 1972, Maria do Carmo foi a única da família a se enveredar para as Letras e poderia ter seguido carreira acadêmica no exterior. 


A cerimônia de premiação será aberta ao público e representa um momento de celebração da literatura mineira, reafirmando o compromisso da Academia Mineira de Letras com a valorização da produção literária do Estado e de suas figuras mais notáveis. O Prêmio Academia Mineira de Letras 2025 acontece graças ao patrocínio da Fundação Lucas Machado (Feluma).


ACADEMIA MINEIRA DE LETRAS: TRADIÇÃO EM PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

Desde muito cedo as Academias de Letras brasileiras tinham como uma de suas missões o reconhecimento da produção escrita contemporânea por meio da concessão de prêmios literários. No que diz respeito à Academia Mineira de Letras, em seus primeiros movimentos de premiação, em 1943, laureou João Camilo de Oliveira Torres com o Prêmio Diogo de Vasconcelos, pela obra O homem e a montanha: introdução ao estudo das influências da situação geográfica para a formação do espírito mineiro (publicada em 1944). Em 1947, uma outra condecoração, de nome Prêmio Bernardo Mascarenhas, foi atribuída a Paulo Tamm, pelo livro João Pinheiro (1947).


Tudo indica que apenas em 1947 foi encontrado o mecenas que permitiu a criação do prêmio anual, o empresário Othon Linch Bezerra de Melo. Assim, no mesmo ano foi estabelecido, pela AML, o regulamento do “Prêmio Othon Linch Bezerra de Melo – Academia Mineira de Letras” no valor de Cr$20.000,00, a ser concedido anualmente a obra de autor mineiro publicada no ano imediatamente anterior. O prêmio agraciou, em 1948, Murilo Rubião pela sua obra O ex-mágico (1946). Assim, a partir de 1948 até 1969, o prêmio foi concedido regularmente, exceção feita ao ano de 1958, em que “não foi conferido a ninguém, em virtudes de tramitação do processo, através de incidentes vários”. 


Dentre os premiados, destacam-se Lúcia Machado de Almeida premiada em, 1953, com a obra Passeio a Sabará; Afonso Ávila, em 1954, foi premiado por Açude; Zilah Corrêa de Araújo, com Uma flor sobre o muro, recebeu a premiação, em 1956; Maria Luiza Ramos, em 1959, com Psicologia e estética de Raul Pompéia; Ângela Vaz Leão, em 1961, premiada por História de palavras; Maria José de Queirós, em 1963, por Do indianismo ao indigenismo. Dos agraciados, alguns se tornaram acadêmicos posteriormente, como nos casos de Henriqueta Lisboa (premiada em 1950, com ingresso na AML em 1963), Wilton Cardoso de Sousa (premiado em 1951 e tornado acadêmico em 1983), Edison Moreira (premiação, 1952; ingresso, 1965), Waldemar Pequeno (premiado em 1955, ingresso em 1973), Maria José de Queiroz (agraciada em 1963, ingresso em 1968).


A primeira referência ao nome “Prêmio Academia Mineira de Letras” remonta a 1950, quando foi ele concedido a Emílio Moura, pelo livro de poemas O espelho e a musa, publicado no ano anterior, sem que se saiba tratar-se de premiação avulsa ou já do prêmio que passa a ser atribuído com mais regularidade a partir de 1966. É de 1964 o registro de que a Academia Mineira de Letras havia recebido, naquela data, doação de um lote de ações do Banco da Lavoura de Minas Gerais. Entre os destaques desta nova fase, estão: Mário Palmério, premiado em 1966 por Chapadão do Bugre (1965); André Carneiro, em 1967, por Espaçopleno (1966); Moacyr Scliar, em 1968, por O Carnaval dos Animais (1968); Wilmar Silva, em 2002, por Arranjos de Pássaros e Flores (2001); e Murilo Badaró, em 2004, por Vida e Obra de Afonso Arinos de Melo Franco (2006).


Em 2023 a Academia Mineira de Letras retomou a premiação, com apoio de Fernando Moreira Sales, premiando Laura Cohen, por Caruncho (2022). Em 2024, premiou José Eduardo Gonçalves, por Pistas Falsas (2023). Em 2025, a Academia Mineira de Letras conta com o patrocínio da Fundação Cultural Lucas Machado, Feluma e premia Maria do Carmo Ferreira, Poesia reunida (2024).


SOBRE A AUTORA E OS ORGANIZADORES DA OBRA PREMIADA


Nascida em Cataguases, Minas Gerais, em 1938, Maria do Carmo Ferreira, a “Carminha”, teve sua veia poética influenciada pelo pai, dentista e autor de sonetos, e pela irmã Celina Ferreira, que a apresentou aos clássicos brasileiros e hispano-americanos. Estudou, viveu em São Paulo, Europa e EUA, tornou-se mestre em Literatura Comparada pela Universidade de Illinois, depois se fixou no Rio de Janeiro e, posteriormente, em Niterói. Trabalhou por mais de 30 anos na Rádio MEC, criando e coordenando programas literários. Foi publicada em revistas como JoséImãInvenção e Poesia Livre, e teve 78 poemas editados no Suplemento Literário de Minas Gerais entre 1966 e 2002. Incentivada por Murilo Rubião, aproximou-se do grupo concretista de São Paulo, estreando na revista Invenção em 1967. Tradutora de autores como Emily Dickinson, Yeats, Mallarmé e Neruda, viu na internet uma nova forma de expressão antes de afastar-se da poesia, em 2009.


Fabrício Marques nasceu em Manhuaçu (MG). É poeta e jornalista, doutor em Literatura Comparada pela UFMG (2004). Publicou quatro livros de poemas, além de, entre outros, Fuera del alcance de la memoria (antologia de poemas, edição bilíngue/espanhol-português, trad. Agustín Arrosteguy, Vallejo&Co, 2019, com apoio da FBN), e o ensaio Aço em Flor: a Poesia de Paulo Leminski (Belo Horizonte: Autêntica, 2001; 2. ed. Belo Horizonte/Campinas: UFMG/Unicamp, 2024). Dirigiu em 2004 o histórico Suplemento Literário de Minas Gerais.


Silvana Guimarães nasceu em Belo Horizonte (MG), onde vive. Escritora, é formada em Ciências Sociais pela UFMG. Foi pianista e especialista em transporte público. É editora da Germina — Revista de Literatura & Arte e do coletivo Escritoras Suicidas. Revisou e organizou incontáveis livros de poesia alheios. Participou de várias antologias poéticas nacionais e estrangeiras. O corpo inútil, no prelo, é o seu primeiro livro de poesia. Segundo ela, provavelmente, o único.






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Danilo Heitor, finalista do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica, reflete sobre política, emergência climática e relações humanas

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Publicado pela Editora Folheando, os 25 contos de ficção científica do livro “Quase Agora” explora futuros possíveis a partir de cenários distópicos, utópicos e tecnológicos; dois contos da obra foram finalistas do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica em 2024 e 2025

Escrito entre 2020 e 2023, "Quase agora" (212, págs.,Editora Folheando) é o novo livro de Danilo Heitor, professor, editor e escritor paulistano. A coletânea reúne 25 contos de ficção científica que transitam entre a imaginação futurista e as tensões do presente, explorando desde os impactos de tecnologias ainda inexistentes até encontros improváveis entre civilizações e temporalidades. “Sempre fui fã de ficção científica, principalmente por conta das discussões políticas e sociais que ela levanta”, explica o autor. “Os contos nasceram de reflexões sobre as consequências da tecnologia e das relações de poder em nosso cotidiano.”

A obra está dividida em quatro blocos. Em "Novas tecnologias", surgem histórias que tratam das consequências positivas e negativas de inovações ainda hipotéticas. Em "Viagens", o contato com outros tempos e lugares provoca conflitos e descobertas. "Distopias" expõe futuros de dominação e resistência, enquanto "Utopias" sugere que o encontro com o diferente não precisa, necessariamente, resultar em violência. “No geral, o livro traz questionamentos sobre como lidamos com o outro, com o poder e com a tecnologia”, resume.

O processo de escrita, ele explica, foi "profundamente coletivo", marcado pela troca em comunidades literárias como a Revista Mafagafo e a Editora Escambau: “Ao contrário do que diz o estereótipo, escrever sempre foi um ato comunitário para mim. Grande parte dos contos nasceu de desafios de escrita e da troca intensa com outros escritores e leitoras”. Esse vínculo com a comunidade de escritores também levou dois dos contos do livro, "A visagem do ovo" e “Retirante em Tóngbù”, a serem finalistas da Odisseia de Literatura Fantástica 2024 e 2025, respectivamente, na categoria narrativa curta de ficção científica.

O livro representa uma virada na trajetória do autor dentro do gênero. “Esse livro consolidou minha percepção de que as comunidades de escrita são essenciais para o processo criativo e me abriu caminhos para novas histórias, especialmente com recortes utópicos”, afirma Heitor. O último conto da coletânea já foi traduzido e publicado em inglês, ampliando ainda mais o alcance da obra.

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Com linguagem que transita entre o humor, a poesia e o sombrio, "Quase agora" experimenta diferentes estilos narrativos. “Minha escrita costuma focar nas relações interpessoais, mas aqui também arrisquei novas formas, como no conto Alarme ou em Monkey Man”, destaca. Essa pluralidade ecoa as influências literárias e artísticas do autor, que vão de Octavia Butler e Ursula K. Le Guin ao punk rock, passando por Jorge Aragão, Cartola e clássicos do cinema de ficção científica como Alien, Planeta dos Macacos e 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Para além da ficção, "Quase agora" também dialoga com o presente, convidando o leitor a refletir sobre temas urgentes, como política, emergência climática, comunidade e perspectivas de futuro. “O livro me transformou porque me fez querer insistir nos recortes utópicos, apesar deles serem minoria entre os 25 contos. Precisamos imaginar futuros possíveis que não sejam apenas de destruição”, reflete.


Sobre o autor

Danilo Heitor é professor de Geografia, escritor e editor. Nascido e criado em São Paulo, formou-se em Geografia pela USP em 2009 e atua há mais de 15 anos em educação, com passagem por redes públicas e privadas, editoras e projetos comunitários. “Minha trajetória na educação e no movimento cultural independente sempre alimentou minha escrita, que busca dialogar com a realidade social”, afirma.

É autor de três livros de ficção científica e foi finalista do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica em 2024 e 2025. Também coorganizou o festival literário Relampeio e tem a sua própria editora, a País Nenhum, focada em ficção especulativa do Sul global.

Márcio Sampaio recebe homenagem na Academia Mineira e Letras

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“Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético” será lançado às 10h, na sede da AML, com João Pombo Barile, Flávio Vignoli e o homenageado. O evento é gratuito e aberto ao público

A Academia Mineira de Letras realiza no sábado, 25 de outubro, às 10h, uma homenagem ao artista e poeta Márcio Sampaio (Cadeira 28), com o lançamento do Suplemento Especial “Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético”. O evento contará com a presença de João Pombo Barile, editor do Suplemento MG, Flávio Vignoli, organizador da edição especial, e do homenageado. A entrada é gratuita e aberta ao público. O evento acontece na sede da AML (Rua da Bahia, 1466 – Centro).

A publicação resulta da pesquisa “A obra como caleidoscópio do arquivo de Márcio Sampaio”, de Flávio Vignoli, que investiga a extensa e multifacetada produção do artista entre os anos de 1965 e 1985 — período que coincide com a ditadura militar no Brasil. O estudo aborda a constituição do arquivo do autor como um espaço de invenção e memória, revelando sua dimensão interdisciplinar, em que arte, literatura, crítica, design, curadoria e pesquisa se entrelaçam. Figura essencial das vanguardas mineiras, Sampaio é reconhecido por obras como Galeria antropofágica e Labirinto antropófago, marcos da arte conceitual brasileira que dialogam com Duchamp e Oswald de Andrade.

Ao revisitar sua trajetória, a homenagem ressalta Márcio Sampaio como um paradigma do artista pesquisador contemporâneo, cuja obra ultrapassa fronteiras entre palavra e imagem, arte e vida. Sua contribuição como poeta, crítico e curador consolidou uma visão crítica e libertária da arte mineira, que continua a inspirar novas gerações.


SERVIÇO
Homenagem a Márcio Sampaio, com lançamento do Suplemento Especial

“Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético”
Com João Pombo Barile, Flávio Vignoli e Márcio Sampaio
Data: 25/10, sábado, às 10h
Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 - Lourdes)
Entrada gratuita.


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Verônica Yamada lança duas obras que transitam entre diferentes gêneros literários

 

A autora best-seller da Amazon apresenta “Tempos Amarelos” (editora SEDAS) e “Um namoro de mentira com meu k-idol”


Autora, editora e médica oftalmologista nipo-brasileira Verônica Yamada lança dois títulos que transitam entre gêneros, trazendo em “Tempos Amarelos” (Editora SEDAS, 136 págs.) uma narrativa distópica que aborda a hiperprodutividade tóxica e a importância da ancestralidade nos processos de cura; e logo depois produzindo “Um namoro de mentira com meu k-idol”, uma comédia romântica, dentro do universo dos k-idols.


Com trajetória que inclui diferentes gêneros e públicos, Verônica estreou com “A face obscura de Lívia”, e também já lançou a autoficção “Loucura e Perversidade”, a fantasia “Herdeiros das Trevas”, o livro de contos “Código de Vingança” — premiado com o VII Prêmio Talentos Helvéticos — e, mais recentemente, a distopia “Carne de segunda”, que se tornou um best-seller na Amazon. Ainda publicou títulos infantis e participou de antologias.

Distopia, ficção de cura e ancestralidade

Em Tempos Amarelos, publicado pela Editora SEDAS, Verônica apresenta uma protagonista nipo-brasileira em um futuro distópico marcado pela exaustão física e emocional. Marina, condicionada à produtividade extrema, entra em estado de “battery-out” — conceito criado pela autora que representa o colapso energético do corpo humano. Em coma, ela passa a compartilhar um espaço onírico com Kaue, homem que desperta de um coma após mais de uma década. Juntos, os personagens enfrentam traumas familiares e questões identitárias ligadas à ancestralidade asiática.

O Brasil é o segundo país com mais pessoas sofrendo de síndrome de burnout. O esgotamento provocado pelo excesso de trabalho já afeta 30% dos trabalhadores brasileiros, ficando atrás apenas do Japão, que apresenta um índice de 70%. Os dados são de 2024 e foram divulgados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANMT) e pela International Stress Management Association (ISMA), respectivamente.

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Inspirada em sua própria vivência como mulher nipo-brasileira, Verônica percorre estereótipos associados às pessoas amarelas e a relação de cobrança extrema com o trabalho. “Eu mesma já passei por alguns burnouts e me sinto sobrecarregada o tempo todo”, explica a autora. “Queria mostrar que ninguém quer entrar em burnout, mas que nos sentimos sempre pressionados a produzir.”


E se seu crush fosse um k-idol?

Em “Um namoro de mentira com meu k-idol”, Verônica explora um romance internacional e contratos de amor, misturando o universo dos idols coreanos com a leveza de um romance slow burn, transportando o leitor por cenários no Brasil, Suíça e Coreia do Sul, e celebrando o amor de forma divertida, envolvente e surpreendentemente real.  

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No livro, a autora apresenta a história de Sophia, uma empreendedora brasileira especializada em amigurumis, e de Hyunjae, um idol coreano que precisa preservar sua imagem pública. Unidos por um contrato de namoro falso, os dois embarcam em uma jornada repleta de desencontros, escândalos e sentimentos que evoluem do fingimento para o amor genuíno. A autora, fã de comédias românticas, K-pop e K-dramas, utiliza o clichê do “namoro de mentira” para explorar emoções verdadeiras em um cenário fantasioso, trazendo leveza e humor à narrativa.

Com uma escrita envolvente e personagens carismáticos, o romance destaca o contraste entre a vida simples de Sophia e o universo glamouroso de Hyunjae, promovendo identificação e emoção. A narrativa alterna entre os pontos de vista dos protagonistas, aprofundando a conexão com o leitor. Inspirada por autoras como Emily Henry e Ali Hazelwood, Veronica constrói diálogos afiados e cenas que misturam o cotidiano com o brilho da fama, transmitindo mensagens sobre autenticidade, sonhos e a crença no amor.

Link de aquisição de “Tempos Amarelos”: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeqLaGCU4b-rP2tKmzuuVskXQn4L4kNPQ13D6nkHmySnAUvqw/viewform 

Link de aquisição de “Um namoro de mentira com meu k-idol”: https://forms.gle/vKpRkveF1RYVw9eP9

Ana Carolina Francisco compartilha narrativa poética de coming of age

 

“Corpos, Fendas e Fronteiras” mergulha na formação subjetiva de uma jovem mulher em trânsito entre afetos, países e lutas políticas, entrelaçando poesia, memória e insurgência.

“Ana é uma voz plural de mulheres que escrevem e espantam os antigos silêncios, que podem viver, agir, transbordar. Ela faz parte desta luta que há séculos risca um patriarcado que silenciou e dividiu as mulheres, dentro delas mesmas e dentre suas semelhantes. Ana vem reunir pedaços, soprar feridas, acender corpos em suas fagulhas. Brisa e brasa, reinventam terras, e Ana está apenas começando. Quem a lê sente: ela já começou há muito tempo.”

Susana Fuentes, escritora, atriz, pesquisadora, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Prêmio Oceanos, no texto de quarta capa do livro

 

“Ana Carolina Francisco parece ser a principal representante (sem o sentido ortodoxo de periodização ou de filiação a uma corrente) de uma linguagem poética que pode ser definida como teatro da subversão, algo empírico, que desestrutura emoções e eterniza aparentes efemeridades cotidianas. Sua poesia é uma verdadeira prova de sobrevivência, individual e personalizada, da atitude do leitor diante de olhos enviesados e fronteiriços que evocam uma outra forma de visão: através das fendas.”

 

Sérgio Mota, professor de Literatura e de Cinema Brasileiro da PUC-Rio, no texto do prefácio

 

 

Em “Corpos, Fendas e Fronteiras” (Editora Letramento)a escritora, roteirista e jornalista Ana Carolina Francisco reúne poemas escritos entre os 18 e 23 anos, que narram a jornada de crescimento de uma jovem atravessada por afetos, deslocamentos e descobertas do início da vida adulta. Escritos em cafés, guardanapos, cadernos antigos e madrugadas insones entre Rio de Janeiro, Inglaterra e Estados Unidos, os poemas transitam em temas como as primeiras paixões, sexualidade, choques culturais, política, feminismo e a dualidade entre desejo e repressão.

 

A coletânea nasce das vivências comuns entre mulheres — amizades, tabus, repressões — e faz da poesia um lugar de elaboração e expressão no começo da vida adulta. O livro conta com prefácio de Sérgio Mota, professor de Literatura e de Cinema Brasileiro da PUC-Rio, e texto de quarta capa assinado por Susana Fuentes, escritora, atriz, pesquisadora, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Prêmio Oceanos.

 

“O olhar valorizado pela poeta é justamente o olhar que não se limita à contemplação, mas que reflete sobre si e o mundo, na disposição do texto em que se inscreve, como escultura, no espaço em branco da folha”, observa Sérgio. “Os textos de Ana parecem perguntar: como explicitar uma cartografia de um mundo que está sob o signo dos corpos, do amor, dos olhares, de uma realidade que parece ter ultrapassado a sua medida?”

 

O livro é dividido em cinco partes, que funcionam como ensaios poéticos sobre a vida e olha da autora: 1) No sussurro entre frestas; 2) Prece; 3) Fendas, Fraturas e Fronteiras; 4) Curvas de corpo e abismo; e 5) Do meu suor, um rio. A partir dos poemas, vamos acompanhando a trajetória de uma jovem mulher que busca afirmar sua voz diante das imposições sociais, culturais e íntimas que a cercam. Além disso, o prelúdio “No Sussurro Entre Frestas” dá um tom inicial para obra, com poemas que convidam o leitor a adentrar no “universo visual e sensorial de Ana”, como define Sérgio.


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Ana vive e questiona o mundo, constantemente. A experiência de ser uma mulher latina no exterior, o impacto de amizades femininas e a necessidade de fabular a própria vida se entrelaçam em versos que funcionam tanto como registro pessoal quanto como gesto político de enunciação. “Contar a nossa história primeiro nos salva e depois nunca sabemos quem ela pode abraçar, acolher e fortalecer. Quando nós mulheres escrevemos e compartilhamos esse escrito, além de ser um um ato de coragem, é um momento de respiro: o mundo de fora, tão intrusivo em nossas vidas, se aquietando, somos somente eu e o papel. Volto o olhar para mim mesma e deixo expandir minhas sensações, meus ruídos, colecionando e polindo memórias como quem lava cetim. E depois, ter seu texto lido por outra, e o texto de outra lido por você… são lufadas de ar fresco”, reflete a autora.

 

Em “Corpos, Fendas e Fronteiras”, o pessoal é político, e a política se encontra justamente nas entrelinhas íntimas das poesias, que falam ao mesmo tempo para dentro e para fora, do pessoal e do coletivo. “Eu vejo a escrita de si mesmo como um tensionamento entre realidade e ficção, como uma importante ferramenta política”, ressalta a autora. “Ana Carolina Francisco organiza e desorganiza, ao mesmo tempo, essas imagens que viram matéria de poesia, de forma madura, sem deixar de propor uma gramática questionadora e combativa, na performance dos corpos na cidade. Temos aqui um eu que confronta o mundo”, sublinha o professor.

Entre suas referências, Ana Carolina Francisco cita autoras como Adélia Prado e Hilda Hilst, cuja escrita também rompe com os limites de uma educação religiosa. Enquanto Adélia transita entre fé e cotidiano, Hilda explora desejos, limites e o sagrado de forma intensa. Em “Corpos, Fendas e Fronteiras”, essas vozes reverberam em poemas que enfrentam silenciamentos e dão corpo às vivências femininas, fazendo da poesia um território de criação e partilha, onde o íntimo se expande em direção ao coletivo.

A coletânea também reflete a importância das redes afetivas e do diálogo entre gerações de mulheres, costurando memórias de ancestralidade com os dilemas do presente. Entre dor e desejo, encontro e desencontro, Ana Carolina transforma em palavras os conflitos de crescer e reinventar-se em diferentes territórios. O resultado é quase um “romance de formação em versos”, em que a escrita se mostra tanto vulnerável quanto insurgente. A autora também  se inspira em nomes como Pablo Neruda, Ana Cristina César, Marc Chagall, T.S. Elliot, Vinicius de Moraes e, principalmente, Florbela Espanca, a quem dedica a obra.

 

Sobre a autora

 

Atualmente residindo no Rio, Ana Carolina Francisco é escritora, roteirista e jornalista, com atuação entre literatura, cinema e teatro. Formada em Comunicação Social pela PUC-Rio, estudou Cinema e TV na UCLA (EUA) e Comunicação na University of Liverpool (Reino Unido). É mestranda em Comunicação na UERJ e autora do livro de poesias “Corpos, Fendas e Fronteiras” (2022), lançado em eventos como a Bienal do Livro e a FLIP. Seus trabalhos autorais já foram premiados e exibidos em festivais no Brasil e no exterior.

 

Adquira “Corpos, fendas e fronteiras” no site da Editora Letramento: https://www.editoraletramento.com.br/produto/corpos-fendas-e-fronteiras.html

“O talento do Guará”: livro infantil em versos rimados mostra às crianças que todo talento floresce no seu tempo

 

Publicada pelo selo de originais da Leiturinha, estreia de Laís Graf combina humor, poesia e afeto para falar sobre autoestima, amizade e valorização das diferenças

Em uma floresta repleta de animais animados para o tradicional show de talentos, um lobo-guará sente que não tem nada de especial a oferecer. Esse é o ponto de partida de "O talento do Guará" (Leiturinha, 32 págs.), livro de estreia da escritora curitibana Laís Graf. Com rimas divertidas, a narrativa mostra, de maneira delicada e engraçada, a importância de cada criança reconhecer e valorizar suas próprias habilidades.

 

A obra, ilustrada pela designer e artista visual Deise Lino, apresenta uma história que combina humor e emoção. “Quis escrever algo que fosse interessante não apenas para as crianças, mas também para os adultos que leem para elas. Em vários momentos, incluí piadinhas que só os responsáveis vão captar”, conta a autora. O resultado é uma experiência de leitura que une gerações, transformando o momento da narração em um espaço de afeto e troca.

 

O enredo acompanha o lobo-guará, que, inseguro sobre suas habilidades, decide não participar do evento anual. Com a ajuda de uma coruja sábia e de um coelho dançarino, ele descobre que cada um tem seu tempo e que todo talento floresce quando encontra espaço para ser cultivado. “O livro mostra que todas as pessoas são únicas, que o mundo se torna mais bonito quando compartilhamos nossas habilidades e que a amizade pode ser o impulso necessário para que a gente floresça”, destaca Laís.

 

A construção da narrativa nasceu da imersão da escritora no universo do personagem. Durante um mês, Laís se dedicou a imaginar como seria a vida do Guará, até finalmente colocar a história no papel. O texto, escrito em versos rimados, foi concluído em apenas dez dias. “Eu me diverti muito ao escrever. Até depois de terminar, seguia pensando em novas rimas, como se a cadência do livro não me deixasse ir embora”, lembra.

 

Além de trazer humor e poesia, "O talento do Guará" toca em temas fundamentais para a infância, como empatia, respeito e valorização das diferenças. “Quero que as crianças sintam que cada talento é válido e que não existe um modelo único de sucesso”, afirma.

 

Publicado como original da Leiturinha, maior clube de assinatura de livros infantis do Brasil, com 340 mil assinantes, o título foi enviado diretamente às casas de dezenas de milhares de crianças. O retorno positivo do público levou à continuidade da parceria de Laís com o clube, resultando em novos livros, como "Samba de uma flauta só" e "O segredo dos números".


Divulgação

 

Para a autora, o lançamento de seu primeiro livro representou um marco. “A partir do momento em que vi meu nome impresso, pude dizer com todas as letras que era escritora. Foi um divisor de águas na minha vida, a motivação para seguir adiante e escrever mais histórias”, revela.

 

Se por um lado a experiência marcou sua estreia literária, por outro também redefiniu sua trajetória profissional. “Antes, eu escrevia porque estava com vontade. Depois do Guará, percebi que também era um ofício, um trabalho. E que poderia trilhar esse caminho de forma consistente”, reflete.

 

Sobre a autora

 

Laís Graf nasceu em Curitiba, em 1992, onde também cresceu e vive até hoje. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná em 2013 e concluiu a pós-graduação em Escrita Criativa pela Universidade de Fortaleza em 2022. Desde 2013, atua como profissional autônoma na produção de conteúdos, elaborando textos, roteiros para vídeos e podcasts para empresas como O Boticário, Santander, Kraft Heinz, Philip Morris, Gelopar e Positivo Informática. Estreou na literatura infantil com O talento do Guará (2022), seguido por Samba de uma flauta só (2024) e O segredo dos números (2025), todos publicados pela Leiturinha. Seus livros já chegaram a mais de 100 mil crianças em todo o Brasil.

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