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Márcio Sampaio recebe homenagem na Academia Mineira e Letras
Divulgação “Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético” será lançado às 10h, na sede da AML, com João Pombo Barile, Flávio Vignoli e o homenag...
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A autora best-seller da Amazon apresenta “Tempos Amarelos” (editora SEDAS) e “Um namoro de mentira com meu k-idol” Autora, editora e médic...
“Corpos, Fendas e Fronteiras” mergulha na formação subjetiva de uma jovem mulher em trânsito entre afetos, países e lutas políticas, entre...
Publicada pelo selo de originais da Leiturinha, estreia de Laís Graf combina humor, poesia e afeto para falar sobre autoestima, amizade e ...
Em “Crônicas de um mentiroso – Era uma vez no Nordeste…”, o juiz e escritor narra a jornada de um homem que atravessa o século 20 entre sold...
Leonardo Gudel “A poeta não foge do sujo, vai até o limite, sempre em favor da ideia, sem sacrificar o encantamento perverso de algumas im...
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“Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético” será lançado às 10h, na sede da AML, com João Pombo Barile, Flávio Vignoli e o homenageado. O evento é gratuito e aberto ao público
A Academia Mineira de Letras realiza no sábado, 25 de outubro, às 10h, uma homenagem ao artista e poeta Márcio Sampaio (Cadeira 28), com o lançamento do Suplemento Especial “Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético”. O evento contará com a presença de João Pombo Barile, editor do Suplemento MG, Flávio Vignoli, organizador da edição especial, e do homenageado. A entrada é gratuita e aberta ao público. O evento acontece na sede da AML (Rua da Bahia, 1466 – Centro).
A publicação resulta da pesquisa “A obra como caleidoscópio do arquivo de Márcio Sampaio”, de Flávio Vignoli, que investiga a extensa e multifacetada produção do artista entre os anos de 1965 e 1985 — período que coincide com a ditadura militar no Brasil. O estudo aborda a constituição do arquivo do autor como um espaço de invenção e memória, revelando sua dimensão interdisciplinar, em que arte, literatura, crítica, design, curadoria e pesquisa se entrelaçam. Figura essencial das vanguardas mineiras, Sampaio é reconhecido por obras como Galeria antropofágica e Labirinto antropófago, marcos da arte conceitual brasileira que dialogam com Duchamp e Oswald de Andrade.
Ao revisitar sua trajetória, a homenagem ressalta Márcio Sampaio como um paradigma do artista pesquisador contemporâneo, cuja obra ultrapassa fronteiras entre palavra e imagem, arte e vida. Sua contribuição como poeta, crítico e curador consolidou uma visão crítica e libertária da arte mineira, que continua a inspirar novas gerações.
SERVIÇO “Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético” |
INFORMAÇÕES PARA IMPRENSA
Assessoria de Imprensa AML - Amanda Magalhães
(31) 9 3301-0161| comunicacao@
A autora best-seller da Amazon apresenta “Tempos Amarelos” (editora SEDAS) e “Um namoro de mentira com meu k-idol”
Autora, editora e médica oftalmologista nipo-brasileira Verônica Yamada lança dois títulos que transitam entre gêneros, trazendo em “Tempos Amarelos” (Editora SEDAS, 136 págs.) uma narrativa distópica que aborda a hiperprodutividade tóxica e a importância da ancestralidade nos processos de cura; e logo depois produzindo “Um namoro de mentira com meu k-idol”, uma comédia romântica, dentro do universo dos k-idols.
Com trajetória que inclui diferentes gêneros e públicos, Verônica estreou com “A face obscura de Lívia”, e também já lançou a autoficção “Loucura e Perversidade”, a fantasia “Herdeiros das Trevas”, o livro de contos “Código de Vingança” — premiado com o VII Prêmio Talentos Helvéticos — e, mais recentemente, a distopia “Carne de segunda”, que se tornou um best-seller na Amazon. Ainda publicou títulos infantis e participou de antologias.
Distopia, ficção de cura e ancestralidade
Em Tempos Amarelos, publicado pela Editora SEDAS, Verônica apresenta uma protagonista nipo-brasileira em um futuro distópico marcado pela exaustão física e emocional. Marina, condicionada à produtividade extrema, entra em estado de “battery-out” — conceito criado pela autora que representa o colapso energético do corpo humano. Em coma, ela passa a compartilhar um espaço onírico com Kaue, homem que desperta de um coma após mais de uma década. Juntos, os personagens enfrentam traumas familiares e questões identitárias ligadas à ancestralidade asiática.
O Brasil é o segundo país com mais pessoas sofrendo de síndrome de burnout. O esgotamento provocado pelo excesso de trabalho já afeta 30% dos trabalhadores brasileiros, ficando atrás apenas do Japão, que apresenta um índice de 70%. Os dados são de 2024 e foram divulgados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANMT) e pela International Stress Management Association (ISMA), respectivamente.
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Inspirada em sua própria vivência como mulher nipo-brasileira, Verônica percorre estereótipos associados às pessoas amarelas e a relação de cobrança extrema com o trabalho. “Eu mesma já passei por alguns burnouts e me sinto sobrecarregada o tempo todo”, explica a autora. “Queria mostrar que ninguém quer entrar em burnout, mas que nos sentimos sempre pressionados a produzir.”
E se seu crush fosse um k-idol?
Em “Um namoro de mentira com meu k-idol”, Verônica explora um romance internacional e contratos de amor, misturando o universo dos idols coreanos com a leveza de um romance slow burn, transportando o leitor por cenários no Brasil, Suíça e Coreia do Sul, e celebrando o amor de forma divertida, envolvente e surpreendentemente real.
No livro, a autora apresenta a história de Sophia, uma empreendedora brasileira especializada em amigurumis, e de Hyunjae, um idol coreano que precisa preservar sua imagem pública. Unidos por um contrato de namoro falso, os dois embarcam em uma jornada repleta de desencontros, escândalos e sentimentos que evoluem do fingimento para o amor genuíno. A autora, fã de comédias românticas, K-pop e K-dramas, utiliza o clichê do “namoro de mentira” para explorar emoções verdadeiras em um cenário fantasioso, trazendo leveza e humor à narrativa.Divulgação
Com uma escrita envolvente e personagens carismáticos, o romance destaca o contraste entre a vida simples de Sophia e o universo glamouroso de Hyunjae, promovendo identificação e emoção. A narrativa alterna entre os pontos de vista dos protagonistas, aprofundando a conexão com o leitor. Inspirada por autoras como Emily Henry e Ali Hazelwood, Veronica constrói diálogos afiados e cenas que misturam o cotidiano com o brilho da fama, transmitindo mensagens sobre autenticidade, sonhos e a crença no amor.
Link de aquisição de “Tempos Amarelos”: https://docs.google.com/forms/
Link de aquisição de “Um namoro de mentira com meu k-idol”: https://forms.gle/
“Corpos, Fendas e Fronteiras” mergulha na formação subjetiva de uma jovem mulher em trânsito entre afetos, países e lutas políticas, entrelaçando poesia, memória e insurgência.
“Ana é uma voz plural de mulheres que escrevem e espantam os antigos silêncios, que podem viver, agir, transbordar. Ela faz parte desta luta que há séculos risca um patriarcado que silenciou e dividiu as mulheres, dentro delas mesmas e dentre suas semelhantes. Ana vem reunir pedaços, soprar feridas, acender corpos em suas fagulhas. Brisa e brasa, reinventam terras, e Ana está apenas começando. Quem a lê sente: ela já começou há muito tempo.”
Susana Fuentes, escritora, atriz, pesquisadora, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Prêmio Oceanos, no texto de quarta capa do livro
“Ana Carolina Francisco parece ser a principal representante (sem o sentido ortodoxo de periodização ou de filiação a uma corrente) de uma linguagem poética que pode ser definida como teatro da subversão, algo empírico, que desestrutura emoções e eterniza aparentes efemeridades cotidianas. Sua poesia é uma verdadeira prova de sobrevivência, individual e personalizada, da atitude do leitor diante de olhos enviesados e fronteiriços que evocam uma outra forma de visão: através das fendas.”
Sérgio Mota, professor de Literatura e de Cinema Brasileiro da PUC-Rio, no texto do prefácio
Em “Corpos, Fendas e Fronteiras” (Editora Letramento), a escritora, roteirista e jornalista Ana Carolina Francisco reúne poemas escritos entre os 18 e 23 anos, que narram a jornada de crescimento de uma jovem atravessada por afetos, deslocamentos e descobertas do início da vida adulta. Escritos em cafés, guardanapos, cadernos antigos e madrugadas insones entre Rio de Janeiro, Inglaterra e Estados Unidos, os poemas transitam em temas como as primeiras paixões, sexualidade, choques culturais, política, feminismo e a dualidade entre desejo e repressão.
A coletânea nasce das vivências comuns entre mulheres — amizades, tabus, repressões — e faz da poesia um lugar de elaboração e expressão no começo da vida adulta. O livro conta com prefácio de Sérgio Mota, professor de Literatura e de Cinema Brasileiro da PUC-Rio, e texto de quarta capa assinado por Susana Fuentes, escritora, atriz, pesquisadora, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Prêmio Oceanos.
“O olhar valorizado pela poeta é justamente o olhar que não se limita à contemplação, mas que reflete sobre si e o mundo, na disposição do texto em que se inscreve, como escultura, no espaço em branco da folha”, observa Sérgio. “Os textos de Ana parecem perguntar: como explicitar uma cartografia de um mundo que está sob o signo dos corpos, do amor, dos olhares, de uma realidade que parece ter ultrapassado a sua medida?”
O livro é dividido em cinco partes, que funcionam como ensaios poéticos sobre a vida e olha da autora: 1) No sussurro entre frestas; 2) Prece; 3) Fendas, Fraturas e Fronteiras; 4) Curvas de corpo e abismo; e 5) Do meu suor, um rio. A partir dos poemas, vamos acompanhando a trajetória de uma jovem mulher que busca afirmar sua voz diante das imposições sociais, culturais e íntimas que a cercam. Além disso, o prelúdio “No Sussurro Entre Frestas” dá um tom inicial para obra, com poemas que convidam o leitor a adentrar no “universo visual e sensorial de Ana”, como define Sérgio.
Ana vive e questiona o mundo, constantemente. A experiência de ser uma mulher latina no exterior, o impacto de amizades femininas e a necessidade de fabular a própria vida se entrelaçam em versos que funcionam tanto como registro pessoal quanto como gesto político de enunciação. “Contar a nossa história primeiro nos salva e depois nunca sabemos quem ela pode abraçar, acolher e fortalecer. Quando nós mulheres escrevemos e compartilhamos esse escrito, além de ser um um ato de coragem, é um momento de respiro: o mundo de fora, tão intrusivo em nossas vidas, se aquietando, somos somente eu e o papel. Volto o olhar para mim mesma e deixo expandir minhas sensações, meus ruídos, colecionando e polindo memórias como quem lava cetim. E depois, ter seu texto lido por outra, e o texto de outra lido por você… são lufadas de ar fresco”, reflete a autora.
Em “Corpos, Fendas e Fronteiras”, o pessoal é político, e a política se encontra justamente nas entrelinhas íntimas das poesias, que falam ao mesmo tempo para dentro e para fora, do pessoal e do coletivo. “Eu vejo a escrita de si mesmo como um tensionamento entre realidade e ficção, como uma importante ferramenta política”, ressalta a autora. “Ana Carolina Francisco organiza e desorganiza, ao mesmo tempo, essas imagens que viram matéria de poesia, de forma madura, sem deixar de propor uma gramática questionadora e combativa, na performance dos corpos na cidade. Temos aqui um eu que confronta o mundo”, sublinha o professor.
Entre suas referências, Ana Carolina Francisco cita autoras como Adélia Prado e Hilda Hilst, cuja escrita também rompe com os limites de uma educação religiosa. Enquanto Adélia transita entre fé e cotidiano, Hilda explora desejos, limites e o sagrado de forma intensa. Em “Corpos, Fendas e Fronteiras”, essas vozes reverberam em poemas que enfrentam silenciamentos e dão corpo às vivências femininas, fazendo da poesia um território de criação e partilha, onde o íntimo se expande em direção ao coletivo.
A coletânea também reflete a importância das redes afetivas e do diálogo entre gerações de mulheres, costurando memórias de ancestralidade com os dilemas do presente. Entre dor e desejo, encontro e desencontro, Ana Carolina transforma em palavras os conflitos de crescer e reinventar-se em diferentes territórios. O resultado é quase um “romance de formação em versos”, em que a escrita se mostra tanto vulnerável quanto insurgente. A autora também se inspira em nomes como Pablo Neruda, Ana Cristina César, Marc Chagall, T.S. Elliot, Vinicius de Moraes e, principalmente, Florbela Espanca, a quem dedica a obra.
Sobre a autora
Atualmente residindo no Rio, Ana Carolina Francisco é escritora, roteirista e jornalista, com atuação entre literatura, cinema e teatro. Formada em Comunicação Social pela PUC-Rio, estudou Cinema e TV na UCLA (EUA) e Comunicação na University of Liverpool (Reino Unido). É mestranda em Comunicação na UERJ e autora do livro de poesias “Corpos, Fendas e Fronteiras” (2022), lançado em eventos como a Bienal do Livro e a FLIP. Seus trabalhos autorais já foram premiados e exibidos em festivais no Brasil e no exterior.
Adquira “Corpos, fendas e fronteiras” no site da Editora Letramento: https://www.
Publicada pelo selo de originais da Leiturinha, estreia de Laís Graf combina humor, poesia e afeto para falar sobre autoestima, amizade e valorização das diferenças
Em uma floresta repleta de animais animados para o tradicional show de talentos, um lobo-guará sente que não tem nada de especial a oferecer. Esse é o ponto de partida de "O talento do Guará" (Leiturinha, 32 págs.), livro de estreia da escritora curitibana Laís Graf. Com rimas divertidas, a narrativa mostra, de maneira delicada e engraçada, a importância de cada criança reconhecer e valorizar suas próprias habilidades.
A obra, ilustrada pela designer e artista visual Deise Lino, apresenta uma história que combina humor e emoção. “Quis escrever algo que fosse interessante não apenas para as crianças, mas também para os adultos que leem para elas. Em vários momentos, incluí piadinhas que só os responsáveis vão captar”, conta a autora. O resultado é uma experiência de leitura que une gerações, transformando o momento da narração em um espaço de afeto e troca.
O enredo acompanha o lobo-guará, que, inseguro sobre suas habilidades, decide não participar do evento anual. Com a ajuda de uma coruja sábia e de um coelho dançarino, ele descobre que cada um tem seu tempo e que todo talento floresce quando encontra espaço para ser cultivado. “O livro mostra que todas as pessoas são únicas, que o mundo se torna mais bonito quando compartilhamos nossas habilidades e que a amizade pode ser o impulso necessário para que a gente floresça”, destaca Laís.
A construção da narrativa nasceu da imersão da escritora no universo do personagem. Durante um mês, Laís se dedicou a imaginar como seria a vida do Guará, até finalmente colocar a história no papel. O texto, escrito em versos rimados, foi concluído em apenas dez dias. “Eu me diverti muito ao escrever. Até depois de terminar, seguia pensando em novas rimas, como se a cadência do livro não me deixasse ir embora”, lembra.
Além de trazer humor e poesia, "O talento do Guará" toca em temas fundamentais para a infância, como empatia, respeito e valorização das diferenças. “Quero que as crianças sintam que cada talento é válido e que não existe um modelo único de sucesso”, afirma.
Publicado como original da Leiturinha, maior clube de assinatura de livros infantis do Brasil, com 340 mil assinantes, o título foi enviado diretamente às casas de dezenas de milhares de crianças. O retorno positivo do público levou à continuidade da parceria de Laís com o clube, resultando em novos livros, como "Samba de uma flauta só" e "O segredo dos números".
Para a autora, o lançamento de seu primeiro livro representou um marco. “A partir do momento em que vi meu nome impresso, pude dizer com todas as letras que era escritora. Foi um divisor de águas na minha vida, a motivação para seguir adiante e escrever mais histórias”, revela.
Se por um lado a experiência marcou sua estreia literária, por outro também redefiniu sua trajetória profissional. “Antes, eu escrevia porque estava com vontade. Depois do Guará, percebi que também era um ofício, um trabalho. E que poderia trilhar esse caminho de forma consistente”, reflete.
Sobre a autora
Laís Graf nasceu em Curitiba, em 1992, onde também cresceu e vive até hoje. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná em 2013 e concluiu a pós-graduação em Escrita Criativa pela Universidade de Fortaleza em 2022. Desde 2013, atua como profissional autônoma na produção de conteúdos, elaborando textos, roteiros para vídeos e podcasts para empresas como O Boticário, Santander, Kraft Heinz, Philip Morris, Gelopar e Positivo Informática. Estreou na literatura infantil com O talento do Guará (2022), seguido por Samba de uma flauta só (2024) e O segredo dos números (2025), todos publicados pela Leiturinha. Seus livros já chegaram a mais de 100 mil crianças em todo o Brasil.
Em “Crônicas de um mentiroso – Era uma vez no Nordeste…”, o juiz e escritor narra a jornada de um homem que atravessa o século 20 entre soldados, cangaceiros e revolucionários, confrontando as próprias verdades em meio à violência e ao amor.
“Era eu, a vereda, e dois cadáveres ensanguentados. Primeiros corpos crivados por balas a serem captados por estes olhos, cujas gravuras se carimbariam para o resto da vida em meu juízo. Morte ao vivo e a cores. Dois tiros bem dados por um padre. E isso era só o começo da aventura.”
Trecho do livro
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Nessa trajetória, ele encontra figuras históricas marcantes, como o político comunista Luís Carlos Prestes e o explorador britânico Percy Fawcett. O romance é o primeiro volume de um total de cinco que narrará os desdobramentos dessa saga, reverenciando obras de mestres da literatura brasileira como Guimarães Rosa e Graciliano Ramos.
A narrativa é construída em primeira pessoa e organizada em duas linhas temporais: o presente, centrado na velhice do protagonista, e o passado, que detalha sua infância e juventude. A história perpassa temas como verdade, mentira e memória, contradições da natureza humana, Brasil histórico e suas narrativas, culpa, arrependimento e redenção, e relações familiares.
Sobre esse último tópico, o autor revela um toque pessoal. “Fiz um exercício de reflexão: como eu seria, daqui a 30 anos, quando minha filha, já adulta, sequer me conhecesse”, conta Kleiton Ferreira, complementando: “O processo de escrita foi criar uma metáfora para isso, começando por criar também um narrador mentiroso, que iria se justificar pelos erros, transferir a culpa, para no fim reconhecer o fracasso humano.”
Uma obra instigante para compreender as entranhas do Brasil
A trama começa na década de 1980, com o protagonista — um homem de mais de 70 anos — trabalhando como zelador de uma escola pública numa vila rural. Enquanto tenta estabelecer contato com a filha que desconhece o parentesco, relembra os desafios do início de sua vida. A narrativa retorna então ao passado, quando o rapaz órfão vivia com os tios em uma casa paupérrima no interior da Bahia. De lá, é catapultado para o fogo cruzado entre grupos revolucionários, legalistas e desertores, percorrendo caminhos controversos e experimentando situações limites.
Uma das qualidades inegáveis do livro é que nada parece forçado ou inverossímil. Kleiton sustenta com habilidade cada reviravolta nas mais de 360 páginas. Fatos e personagens históricos são apresentados com riqueza de detalhes, resultado de extenso trabalho de pesquisa. A composição de cenas contundentes, combinada a diálogos rápidos e marcantes, confere à narrativa um estilo cinematográfico.
O conjunto da obra evidencia a influência de Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, ao mesmo tempo em que Kleiton Ferreira entrega uma obra singular, instigante e relevante para compreender as entranhas do Brasil.
Kleiton Ferreira nasceu e vive em Arapiraca (AL), região metropolitana do agreste alagoano. Formado em Direito, trabalhou como montador de móveis e carteiro antes de ingressar na área jurídica, primeiro como estagiário da Justiça Federal e depois como advogado. Em 2019, foi aprovado para o cargo de juiz federal.
Sua trajetória inspiradora rendeu o livro “Na última vaga: De montador de móveis a juiz federal: a luta para ser aprovado no concurso mais difícil do Brasil” (Editora Labrador, 192 págs.), lançado em 2024.
No exercício da magistratura, Kleiton destaca-se pela sensibilidade com que atende as pessoas. Trechos das audiências públicas são compartilhados nas redes sociais — no Instagram, o juiz soma 2 milhões de seguidores — e registram milhares de visualizações e comentários elogiando sua empatia e seriedade, especialmente no atendimento a trabalhadores prestes a se aposentar.
O cenário jurídico também inspirou seu romance anterior, “A espada da justiça” (Editora Labrador, 160 págs.), protagonizado por um juiz federal refletindo sobre a vida e o trabalho após a chegada de um jovem substituto. Com Crônicas de um mentiroso – Era uma vez no Nordeste..., Kleiton demonstra maturidade literária e dá mais um passo na consolidação da carreira como escritor.
“Primeiro, a aproximação familiar (a tempo) com relação à minha filha; segundo, a reflexão sobre os erros do passado (que em alguma medida o protagonista também comete); e o poder do amadurecimento, pois como Guimarães Rosa dizia: ‘o melhor da vida é que as pessoas podem mudar’”, reflete o autor.
“— Ele pode me matar — soltei tenso e indignado.
— Pode, eu sei — ele respondeu serenamente. — É por isso que a coragem faz um homem ser um homem de verdade, controlando o medo de morrer. Você não quer morrer, mas se consome pela angústia de não poder ajudar. Quer ajudar e naturalmente tem medo, e então procura motivos para ficar inerte, indiferente, lava as mãos, se esconde, vira o rosto, prefere não ver o sofrimento do outro, mesmo sabendo que ele está lá e existe, porque assim mente a si com motivos apenas verossímeis de que não sabia de nada.
— Tempo demais se passou. O que há de fazer agora? E de mãos limpas? — eu insistia em empecilhos dos mais diversos.
— Astúcia, Paulo. Astúcia! Coloque-se no lugar do homem.”
Carla Brasil (@eu.carlabrasil) não estreia de forma tímida. Cronofagia (Editora Appris) é uma irrupção — uma obra que atravessa o leitor com seus 37 poemas de carne e ironia, onde o tempo deixa de ser medida e se torna matéria. É poesia que grita, sangra e debocha do presente, ao mesmo tempo em que o contempla com assombro.
Com prefácio do cineasta, dramaturgo e também poeta Ruy Guerra, o livro já nasce em meio a elogios raros. “É muito bom ler uma jovem poeta como Carla Brasil, que na sua primeira arremetida chega tão longe. Me dá vontade de usar um daqueles sonoros palavrões descarados, para escancarar o meu entusiasmo”, escreve ele, destacando a ousadia e a densidade da autora.
A obra, que já foi lançada na Bienal do Livro Rio e na FLIP, ganha uma nova sessão especial na Livraria Travessa, de Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 97), no Rio, com um bate-papo exclusivo com Ruy Guerra. O encontro acontece dia 13 de novembro, às 19h.
O tempo como devorador — e como personagem
Na tensão entre lirismo e brutalidade, Carla Brasil transforma o tempo — esse algoz invisível e onipresente — em protagonista. Seus versos encaram a ansiedade digital, a compressão da subjetividade, o esgotamento da produtividade e a ironia cruel de uma era que promete ganho de tempo, mas entrega apenas exaustão.
“Esse jogo perverso entre aceleração e esgotamento é a essência do livro”, explica a autora. “O tempo não é um bem que possuímos, mas uma força que nos intersecta, nos escapa e, ao mesmo tempo, nos consome.”
A partir dessa visão, Cronofagia desenha uma experiência poética que desafia rótulos. A identidade é fluida, a memória é falha, o amor é um hiato, e a existência — uma coreografia entre o absurdo e o encantamento.
Entre o escracho e o abismo
Para Ruy Guerra, a escrita de Carla Brasil é um “retrato impiedoso de um tempo ansioso, barulhento e vazio”. Sua poesia transita entre o sublime e o grotesco, entre a filosofia e o esgoto, sem concessões. “Carla Brasil abre o seu livro com uma paródia sofrida e indignada do hino nacional, marcando a sua vocação do abismo”, observa o autor, referindo-se ao poema “Hino Marginal Brasileiro”, que subverte o patriotismo em um grito de desencanto:
Em outro momento, em “Clichês do tempo”, o embate com o relógio é íntimo e devastador:
Poesia Visual
Multiartista de formação e atuação, Carla Brasil assina também a direção criativa do projeto gráfico de Cronofagia. Desde a concepção da capa até o conceito das ilustrações de Daniel Uires, sua visão estética compõe o mesmo corpo poético dos textos. “A fusão entre palavra e imagem não são apenas ilustrativas — fazem parte da narrativa do livro”, afirma.
Uma autora que provoca territórios
Poeta, escritora e artista visual, Carla Brasil vive e cria no Rio de Janeiro, movida por um impulso que une literatura, design, artes plásticas e fotografia. Sua produção reflete as contradições da contemporaneidade com lirismo, ironia e crítica social, sem medo de encarar o grotesco como matéria estética.
Seu talento já foi reconhecido em premiações literárias nacionais, como o Prêmio Poesia Agora – Primavera 2020 (Editora Trevo) e a Seleção Poesia Brasileira – Poetize 2021 (Vivara Editora Nacional), nas quais teve poemas selecionados entre milhares de inscritos.
Em Cronofagia, Carla Brasil faz da linguagem o campo de batalha onde o eu-lírico enfrenta o colapso cotidiano com sarcasmo, melancolia e fúria poética. Um livro que devora o tempo — antes que o tempo nos devore.
FICHA TÉCNICA
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“Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético” será lançado às 10h, na sede da AML, com João Pombo Barile, Flávio Vignoli e o homenageado. O evento é gratuito e aberto ao público
A Academia Mineira de Letras realiza no sábado, 25 de outubro, às 10h, uma homenagem ao artista e poeta Márcio Sampaio (Cadeira 28), com o lançamento do Suplemento Especial “Márcio Sampaio, um caleidoscópio poético”. O evento contará com a presença de João Pombo Barile, editor do Suplemento MG, Flávio Vignoli, organizador da edição especial, e do homenageado. A entrada é gratuita e aberta ao público. O evento acontece na sede da AML (Rua da Bahia, 1466 – Centro).
A publicação resulta da pesquisa “A obra como caleidoscópio do arquivo de Márcio Sampaio”, de Flávio Vignoli, que investiga a extensa e multifacetada produção do artista entre os anos de 1965 e 1985 — período que coincide com a ditadura militar no Brasil. O estudo aborda a constituição do arquivo do autor como um espaço de invenção e memória, revelando sua dimensão interdisciplinar, em que arte, literatura, crítica, design, curadoria e pesquisa se entrelaçam. Figura essencial das vanguardas mineiras, Sampaio é reconhecido por obras como Galeria antropofágica e Labirinto antropófago, marcos da arte conceitual brasileira que dialogam com Duchamp e Oswald de Andrade.
Ao revisitar sua trajetória, a homenagem ressalta Márcio Sampaio como um paradigma do artista pesquisador contemporâneo, cuja obra ultrapassa fronteiras entre palavra e imagem, arte e vida. Sua contribuição como poeta, crítico e curador consolidou uma visão crítica e libertária da arte mineira, que continua a inspirar novas gerações.
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A autora best-seller da Amazon apresenta “Tempos Amarelos” (editora SEDAS) e “Um namoro de mentira com meu k-idol”
Autora, editora e médica oftalmologista nipo-brasileira Verônica Yamada lança dois títulos que transitam entre gêneros, trazendo em “Tempos Amarelos” (Editora SEDAS, 136 págs.) uma narrativa distópica que aborda a hiperprodutividade tóxica e a importância da ancestralidade nos processos de cura; e logo depois produzindo “Um namoro de mentira com meu k-idol”, uma comédia romântica, dentro do universo dos k-idols.
Com trajetória que inclui diferentes gêneros e públicos, Verônica estreou com “A face obscura de Lívia”, e também já lançou a autoficção “Loucura e Perversidade”, a fantasia “Herdeiros das Trevas”, o livro de contos “Código de Vingança” — premiado com o VII Prêmio Talentos Helvéticos — e, mais recentemente, a distopia “Carne de segunda”, que se tornou um best-seller na Amazon. Ainda publicou títulos infantis e participou de antologias.
Distopia, ficção de cura e ancestralidade
Em Tempos Amarelos, publicado pela Editora SEDAS, Verônica apresenta uma protagonista nipo-brasileira em um futuro distópico marcado pela exaustão física e emocional. Marina, condicionada à produtividade extrema, entra em estado de “battery-out” — conceito criado pela autora que representa o colapso energético do corpo humano. Em coma, ela passa a compartilhar um espaço onírico com Kaue, homem que desperta de um coma após mais de uma década. Juntos, os personagens enfrentam traumas familiares e questões identitárias ligadas à ancestralidade asiática.
O Brasil é o segundo país com mais pessoas sofrendo de síndrome de burnout. O esgotamento provocado pelo excesso de trabalho já afeta 30% dos trabalhadores brasileiros, ficando atrás apenas do Japão, que apresenta um índice de 70%. Os dados são de 2024 e foram divulgados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANMT) e pela International Stress Management Association (ISMA), respectivamente.
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Inspirada em sua própria vivência como mulher nipo-brasileira, Verônica percorre estereótipos associados às pessoas amarelas e a relação de cobrança extrema com o trabalho. “Eu mesma já passei por alguns burnouts e me sinto sobrecarregada o tempo todo”, explica a autora. “Queria mostrar que ninguém quer entrar em burnout, mas que nos sentimos sempre pressionados a produzir.”
E se seu crush fosse um k-idol?
Em “Um namoro de mentira com meu k-idol”, Verônica explora um romance internacional e contratos de amor, misturando o universo dos idols coreanos com a leveza de um romance slow burn, transportando o leitor por cenários no Brasil, Suíça e Coreia do Sul, e celebrando o amor de forma divertida, envolvente e surpreendentemente real.
No livro, a autora apresenta a história de Sophia, uma empreendedora brasileira especializada em amigurumis, e de Hyunjae, um idol coreano que precisa preservar sua imagem pública. Unidos por um contrato de namoro falso, os dois embarcam em uma jornada repleta de desencontros, escândalos e sentimentos que evoluem do fingimento para o amor genuíno. A autora, fã de comédias românticas, K-pop e K-dramas, utiliza o clichê do “namoro de mentira” para explorar emoções verdadeiras em um cenário fantasioso, trazendo leveza e humor à narrativa.Divulgação
Com uma escrita envolvente e personagens carismáticos, o romance destaca o contraste entre a vida simples de Sophia e o universo glamouroso de Hyunjae, promovendo identificação e emoção. A narrativa alterna entre os pontos de vista dos protagonistas, aprofundando a conexão com o leitor. Inspirada por autoras como Emily Henry e Ali Hazelwood, Veronica constrói diálogos afiados e cenas que misturam o cotidiano com o brilho da fama, transmitindo mensagens sobre autenticidade, sonhos e a crença no amor.
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“Corpos, Fendas e Fronteiras” mergulha na formação subjetiva de uma jovem mulher em trânsito entre afetos, países e lutas políticas, entrelaçando poesia, memória e insurgência.
“Ana é uma voz plural de mulheres que escrevem e espantam os antigos silêncios, que podem viver, agir, transbordar. Ela faz parte desta luta que há séculos risca um patriarcado que silenciou e dividiu as mulheres, dentro delas mesmas e dentre suas semelhantes. Ana vem reunir pedaços, soprar feridas, acender corpos em suas fagulhas. Brisa e brasa, reinventam terras, e Ana está apenas começando. Quem a lê sente: ela já começou há muito tempo.”
Susana Fuentes, escritora, atriz, pesquisadora, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Prêmio Oceanos, no texto de quarta capa do livro
“Ana Carolina Francisco parece ser a principal representante (sem o sentido ortodoxo de periodização ou de filiação a uma corrente) de uma linguagem poética que pode ser definida como teatro da subversão, algo empírico, que desestrutura emoções e eterniza aparentes efemeridades cotidianas. Sua poesia é uma verdadeira prova de sobrevivência, individual e personalizada, da atitude do leitor diante de olhos enviesados e fronteiriços que evocam uma outra forma de visão: através das fendas.”
Sérgio Mota, professor de Literatura e de Cinema Brasileiro da PUC-Rio, no texto do prefácio
Em “Corpos, Fendas e Fronteiras” (Editora Letramento), a escritora, roteirista e jornalista Ana Carolina Francisco reúne poemas escritos entre os 18 e 23 anos, que narram a jornada de crescimento de uma jovem atravessada por afetos, deslocamentos e descobertas do início da vida adulta. Escritos em cafés, guardanapos, cadernos antigos e madrugadas insones entre Rio de Janeiro, Inglaterra e Estados Unidos, os poemas transitam em temas como as primeiras paixões, sexualidade, choques culturais, política, feminismo e a dualidade entre desejo e repressão.
A coletânea nasce das vivências comuns entre mulheres — amizades, tabus, repressões — e faz da poesia um lugar de elaboração e expressão no começo da vida adulta. O livro conta com prefácio de Sérgio Mota, professor de Literatura e de Cinema Brasileiro da PUC-Rio, e texto de quarta capa assinado por Susana Fuentes, escritora, atriz, pesquisadora, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Prêmio Oceanos.
“O olhar valorizado pela poeta é justamente o olhar que não se limita à contemplação, mas que reflete sobre si e o mundo, na disposição do texto em que se inscreve, como escultura, no espaço em branco da folha”, observa Sérgio. “Os textos de Ana parecem perguntar: como explicitar uma cartografia de um mundo que está sob o signo dos corpos, do amor, dos olhares, de uma realidade que parece ter ultrapassado a sua medida?”
O livro é dividido em cinco partes, que funcionam como ensaios poéticos sobre a vida e olha da autora: 1) No sussurro entre frestas; 2) Prece; 3) Fendas, Fraturas e Fronteiras; 4) Curvas de corpo e abismo; e 5) Do meu suor, um rio. A partir dos poemas, vamos acompanhando a trajetória de uma jovem mulher que busca afirmar sua voz diante das imposições sociais, culturais e íntimas que a cercam. Além disso, o prelúdio “No Sussurro Entre Frestas” dá um tom inicial para obra, com poemas que convidam o leitor a adentrar no “universo visual e sensorial de Ana”, como define Sérgio.
Ana vive e questiona o mundo, constantemente. A experiência de ser uma mulher latina no exterior, o impacto de amizades femininas e a necessidade de fabular a própria vida se entrelaçam em versos que funcionam tanto como registro pessoal quanto como gesto político de enunciação. “Contar a nossa história primeiro nos salva e depois nunca sabemos quem ela pode abraçar, acolher e fortalecer. Quando nós mulheres escrevemos e compartilhamos esse escrito, além de ser um um ato de coragem, é um momento de respiro: o mundo de fora, tão intrusivo em nossas vidas, se aquietando, somos somente eu e o papel. Volto o olhar para mim mesma e deixo expandir minhas sensações, meus ruídos, colecionando e polindo memórias como quem lava cetim. E depois, ter seu texto lido por outra, e o texto de outra lido por você… são lufadas de ar fresco”, reflete a autora.
Em “Corpos, Fendas e Fronteiras”, o pessoal é político, e a política se encontra justamente nas entrelinhas íntimas das poesias, que falam ao mesmo tempo para dentro e para fora, do pessoal e do coletivo. “Eu vejo a escrita de si mesmo como um tensionamento entre realidade e ficção, como uma importante ferramenta política”, ressalta a autora. “Ana Carolina Francisco organiza e desorganiza, ao mesmo tempo, essas imagens que viram matéria de poesia, de forma madura, sem deixar de propor uma gramática questionadora e combativa, na performance dos corpos na cidade. Temos aqui um eu que confronta o mundo”, sublinha o professor.
Entre suas referências, Ana Carolina Francisco cita autoras como Adélia Prado e Hilda Hilst, cuja escrita também rompe com os limites de uma educação religiosa. Enquanto Adélia transita entre fé e cotidiano, Hilda explora desejos, limites e o sagrado de forma intensa. Em “Corpos, Fendas e Fronteiras”, essas vozes reverberam em poemas que enfrentam silenciamentos e dão corpo às vivências femininas, fazendo da poesia um território de criação e partilha, onde o íntimo se expande em direção ao coletivo.
A coletânea também reflete a importância das redes afetivas e do diálogo entre gerações de mulheres, costurando memórias de ancestralidade com os dilemas do presente. Entre dor e desejo, encontro e desencontro, Ana Carolina transforma em palavras os conflitos de crescer e reinventar-se em diferentes territórios. O resultado é quase um “romance de formação em versos”, em que a escrita se mostra tanto vulnerável quanto insurgente. A autora também se inspira em nomes como Pablo Neruda, Ana Cristina César, Marc Chagall, T.S. Elliot, Vinicius de Moraes e, principalmente, Florbela Espanca, a quem dedica a obra.
Sobre a autora
Atualmente residindo no Rio, Ana Carolina Francisco é escritora, roteirista e jornalista, com atuação entre literatura, cinema e teatro. Formada em Comunicação Social pela PUC-Rio, estudou Cinema e TV na UCLA (EUA) e Comunicação na University of Liverpool (Reino Unido). É mestranda em Comunicação na UERJ e autora do livro de poesias “Corpos, Fendas e Fronteiras” (2022), lançado em eventos como a Bienal do Livro e a FLIP. Seus trabalhos autorais já foram premiados e exibidos em festivais no Brasil e no exterior.
Adquira “Corpos, fendas e fronteiras” no site da Editora Letramento: https://www.
Publicada pelo selo de originais da Leiturinha, estreia de Laís Graf combina humor, poesia e afeto para falar sobre autoestima, amizade e valorização das diferenças
Em uma floresta repleta de animais animados para o tradicional show de talentos, um lobo-guará sente que não tem nada de especial a oferecer. Esse é o ponto de partida de "O talento do Guará" (Leiturinha, 32 págs.), livro de estreia da escritora curitibana Laís Graf. Com rimas divertidas, a narrativa mostra, de maneira delicada e engraçada, a importância de cada criança reconhecer e valorizar suas próprias habilidades.
A obra, ilustrada pela designer e artista visual Deise Lino, apresenta uma história que combina humor e emoção. “Quis escrever algo que fosse interessante não apenas para as crianças, mas também para os adultos que leem para elas. Em vários momentos, incluí piadinhas que só os responsáveis vão captar”, conta a autora. O resultado é uma experiência de leitura que une gerações, transformando o momento da narração em um espaço de afeto e troca.
O enredo acompanha o lobo-guará, que, inseguro sobre suas habilidades, decide não participar do evento anual. Com a ajuda de uma coruja sábia e de um coelho dançarino, ele descobre que cada um tem seu tempo e que todo talento floresce quando encontra espaço para ser cultivado. “O livro mostra que todas as pessoas são únicas, que o mundo se torna mais bonito quando compartilhamos nossas habilidades e que a amizade pode ser o impulso necessário para que a gente floresça”, destaca Laís.
A construção da narrativa nasceu da imersão da escritora no universo do personagem. Durante um mês, Laís se dedicou a imaginar como seria a vida do Guará, até finalmente colocar a história no papel. O texto, escrito em versos rimados, foi concluído em apenas dez dias. “Eu me diverti muito ao escrever. Até depois de terminar, seguia pensando em novas rimas, como se a cadência do livro não me deixasse ir embora”, lembra.
Além de trazer humor e poesia, "O talento do Guará" toca em temas fundamentais para a infância, como empatia, respeito e valorização das diferenças. “Quero que as crianças sintam que cada talento é válido e que não existe um modelo único de sucesso”, afirma.
Publicado como original da Leiturinha, maior clube de assinatura de livros infantis do Brasil, com 340 mil assinantes, o título foi enviado diretamente às casas de dezenas de milhares de crianças. O retorno positivo do público levou à continuidade da parceria de Laís com o clube, resultando em novos livros, como "Samba de uma flauta só" e "O segredo dos números".
Para a autora, o lançamento de seu primeiro livro representou um marco. “A partir do momento em que vi meu nome impresso, pude dizer com todas as letras que era escritora. Foi um divisor de águas na minha vida, a motivação para seguir adiante e escrever mais histórias”, revela.
Se por um lado a experiência marcou sua estreia literária, por outro também redefiniu sua trajetória profissional. “Antes, eu escrevia porque estava com vontade. Depois do Guará, percebi que também era um ofício, um trabalho. E que poderia trilhar esse caminho de forma consistente”, reflete.
Sobre a autora
Laís Graf nasceu em Curitiba, em 1992, onde também cresceu e vive até hoje. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná em 2013 e concluiu a pós-graduação em Escrita Criativa pela Universidade de Fortaleza em 2022. Desde 2013, atua como profissional autônoma na produção de conteúdos, elaborando textos, roteiros para vídeos e podcasts para empresas como O Boticário, Santander, Kraft Heinz, Philip Morris, Gelopar e Positivo Informática. Estreou na literatura infantil com O talento do Guará (2022), seguido por Samba de uma flauta só (2024) e O segredo dos números (2025), todos publicados pela Leiturinha. Seus livros já chegaram a mais de 100 mil crianças em todo o Brasil.
Em “Crônicas de um mentiroso – Era uma vez no Nordeste…”, o juiz e escritor narra a jornada de um homem que atravessa o século 20 entre soldados, cangaceiros e revolucionários, confrontando as próprias verdades em meio à violência e ao amor.
“Era eu, a vereda, e dois cadáveres ensanguentados. Primeiros corpos crivados por balas a serem captados por estes olhos, cujas gravuras se carimbariam para o resto da vida em meu juízo. Morte ao vivo e a cores. Dois tiros bem dados por um padre. E isso era só o começo da aventura.”
Trecho do livro
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| Divulgação |
Nessa trajetória, ele encontra figuras históricas marcantes, como o político comunista Luís Carlos Prestes e o explorador britânico Percy Fawcett. O romance é o primeiro volume de um total de cinco que narrará os desdobramentos dessa saga, reverenciando obras de mestres da literatura brasileira como Guimarães Rosa e Graciliano Ramos.
A narrativa é construída em primeira pessoa e organizada em duas linhas temporais: o presente, centrado na velhice do protagonista, e o passado, que detalha sua infância e juventude. A história perpassa temas como verdade, mentira e memória, contradições da natureza humana, Brasil histórico e suas narrativas, culpa, arrependimento e redenção, e relações familiares.
Sobre esse último tópico, o autor revela um toque pessoal. “Fiz um exercício de reflexão: como eu seria, daqui a 30 anos, quando minha filha, já adulta, sequer me conhecesse”, conta Kleiton Ferreira, complementando: “O processo de escrita foi criar uma metáfora para isso, começando por criar também um narrador mentiroso, que iria se justificar pelos erros, transferir a culpa, para no fim reconhecer o fracasso humano.”
Uma obra instigante para compreender as entranhas do Brasil
A trama começa na década de 1980, com o protagonista — um homem de mais de 70 anos — trabalhando como zelador de uma escola pública numa vila rural. Enquanto tenta estabelecer contato com a filha que desconhece o parentesco, relembra os desafios do início de sua vida. A narrativa retorna então ao passado, quando o rapaz órfão vivia com os tios em uma casa paupérrima no interior da Bahia. De lá, é catapultado para o fogo cruzado entre grupos revolucionários, legalistas e desertores, percorrendo caminhos controversos e experimentando situações limites.
Uma das qualidades inegáveis do livro é que nada parece forçado ou inverossímil. Kleiton sustenta com habilidade cada reviravolta nas mais de 360 páginas. Fatos e personagens históricos são apresentados com riqueza de detalhes, resultado de extenso trabalho de pesquisa. A composição de cenas contundentes, combinada a diálogos rápidos e marcantes, confere à narrativa um estilo cinematográfico.
O conjunto da obra evidencia a influência de Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, ao mesmo tempo em que Kleiton Ferreira entrega uma obra singular, instigante e relevante para compreender as entranhas do Brasil.
Kleiton Ferreira nasceu e vive em Arapiraca (AL), região metropolitana do agreste alagoano. Formado em Direito, trabalhou como montador de móveis e carteiro antes de ingressar na área jurídica, primeiro como estagiário da Justiça Federal e depois como advogado. Em 2019, foi aprovado para o cargo de juiz federal.
Sua trajetória inspiradora rendeu o livro “Na última vaga: De montador de móveis a juiz federal: a luta para ser aprovado no concurso mais difícil do Brasil” (Editora Labrador, 192 págs.), lançado em 2024.
No exercício da magistratura, Kleiton destaca-se pela sensibilidade com que atende as pessoas. Trechos das audiências públicas são compartilhados nas redes sociais — no Instagram, o juiz soma 2 milhões de seguidores — e registram milhares de visualizações e comentários elogiando sua empatia e seriedade, especialmente no atendimento a trabalhadores prestes a se aposentar.
O cenário jurídico também inspirou seu romance anterior, “A espada da justiça” (Editora Labrador, 160 págs.), protagonizado por um juiz federal refletindo sobre a vida e o trabalho após a chegada de um jovem substituto. Com Crônicas de um mentiroso – Era uma vez no Nordeste..., Kleiton demonstra maturidade literária e dá mais um passo na consolidação da carreira como escritor.
“Primeiro, a aproximação familiar (a tempo) com relação à minha filha; segundo, a reflexão sobre os erros do passado (que em alguma medida o protagonista também comete); e o poder do amadurecimento, pois como Guimarães Rosa dizia: ‘o melhor da vida é que as pessoas podem mudar’”, reflete o autor.
“— Ele pode me matar — soltei tenso e indignado.
— Pode, eu sei — ele respondeu serenamente. — É por isso que a coragem faz um homem ser um homem de verdade, controlando o medo de morrer. Você não quer morrer, mas se consome pela angústia de não poder ajudar. Quer ajudar e naturalmente tem medo, e então procura motivos para ficar inerte, indiferente, lava as mãos, se esconde, vira o rosto, prefere não ver o sofrimento do outro, mesmo sabendo que ele está lá e existe, porque assim mente a si com motivos apenas verossímeis de que não sabia de nada.
— Tempo demais se passou. O que há de fazer agora? E de mãos limpas? — eu insistia em empecilhos dos mais diversos.
— Astúcia, Paulo. Astúcia! Coloque-se no lugar do homem.”
Carla Brasil (@eu.carlabrasil) não estreia de forma tímida. Cronofagia (Editora Appris) é uma irrupção — uma obra que atravessa o leitor com seus 37 poemas de carne e ironia, onde o tempo deixa de ser medida e se torna matéria. É poesia que grita, sangra e debocha do presente, ao mesmo tempo em que o contempla com assombro.
Com prefácio do cineasta, dramaturgo e também poeta Ruy Guerra, o livro já nasce em meio a elogios raros. “É muito bom ler uma jovem poeta como Carla Brasil, que na sua primeira arremetida chega tão longe. Me dá vontade de usar um daqueles sonoros palavrões descarados, para escancarar o meu entusiasmo”, escreve ele, destacando a ousadia e a densidade da autora.
A obra, que já foi lançada na Bienal do Livro Rio e na FLIP, ganha uma nova sessão especial na Livraria Travessa, de Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 97), no Rio, com um bate-papo exclusivo com Ruy Guerra. O encontro acontece dia 13 de novembro, às 19h.
O tempo como devorador — e como personagem
Na tensão entre lirismo e brutalidade, Carla Brasil transforma o tempo — esse algoz invisível e onipresente — em protagonista. Seus versos encaram a ansiedade digital, a compressão da subjetividade, o esgotamento da produtividade e a ironia cruel de uma era que promete ganho de tempo, mas entrega apenas exaustão.
“Esse jogo perverso entre aceleração e esgotamento é a essência do livro”, explica a autora. “O tempo não é um bem que possuímos, mas uma força que nos intersecta, nos escapa e, ao mesmo tempo, nos consome.”
A partir dessa visão, Cronofagia desenha uma experiência poética que desafia rótulos. A identidade é fluida, a memória é falha, o amor é um hiato, e a existência — uma coreografia entre o absurdo e o encantamento.
Entre o escracho e o abismo
Para Ruy Guerra, a escrita de Carla Brasil é um “retrato impiedoso de um tempo ansioso, barulhento e vazio”. Sua poesia transita entre o sublime e o grotesco, entre a filosofia e o esgoto, sem concessões. “Carla Brasil abre o seu livro com uma paródia sofrida e indignada do hino nacional, marcando a sua vocação do abismo”, observa o autor, referindo-se ao poema “Hino Marginal Brasileiro”, que subverte o patriotismo em um grito de desencanto:
Em outro momento, em “Clichês do tempo”, o embate com o relógio é íntimo e devastador:
Poesia Visual
Multiartista de formação e atuação, Carla Brasil assina também a direção criativa do projeto gráfico de Cronofagia. Desde a concepção da capa até o conceito das ilustrações de Daniel Uires, sua visão estética compõe o mesmo corpo poético dos textos. “A fusão entre palavra e imagem não são apenas ilustrativas — fazem parte da narrativa do livro”, afirma.
Uma autora que provoca territórios
Poeta, escritora e artista visual, Carla Brasil vive e cria no Rio de Janeiro, movida por um impulso que une literatura, design, artes plásticas e fotografia. Sua produção reflete as contradições da contemporaneidade com lirismo, ironia e crítica social, sem medo de encarar o grotesco como matéria estética.
Seu talento já foi reconhecido em premiações literárias nacionais, como o Prêmio Poesia Agora – Primavera 2020 (Editora Trevo) e a Seleção Poesia Brasileira – Poetize 2021 (Vivara Editora Nacional), nas quais teve poemas selecionados entre milhares de inscritos.
Em Cronofagia, Carla Brasil faz da linguagem o campo de batalha onde o eu-lírico enfrenta o colapso cotidiano com sarcasmo, melancolia e fúria poética. Um livro que devora o tempo — antes que o tempo nos devore.
FICHA TÉCNICA
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