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[RESENHA #530] Você não existe, uma obra inspirada pelo universo, de Juliana Moura

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Encontre as melhores resenhas de livros, documentários e cinema no Post Literal. Explore análises aprofundadas e fique por dentro das novidades do mundo literário e cinematográfico.

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[RESENHA #530] Você não existe, uma obra inspirada pelo universo, de Juliana Moura


MOURA, Juliana: Você não existe: uma obra inspirada pelo universo. Rio de Janeiro: Autografia Editora,  2020, 198p.

Este livro é, como diz a autora, uma manifestação de gratidão. Juliana Moura é cristã e conheceu o sentido da vida através de sua participação e vida religiosa, seus ensinamentos e reflexões nos levam à percorrer caminhos não mais percorridos pelas massas. Esta obra é um convite particular e individual da autora para um coletivo de pessoas: todas a quem o livro alcançar.  A obra é um misto de ativação de consciência e fluxo de fé e mudança de hábito, as questões aqui abordadas foram transformadas em um caminho de mudança de dentro para fora através de questionamentos e perguntas feitas em momentos específicos da vida. 

Quem somos nós? quem sou eu? para onde vou? de onde vim? qual a minha missão neste mundo? como entender a vida e toda essa jornada? Essas são apenas algumas questões que nos são apresentadas pela autora, aqui, através da leitura dos capítulos não enumerados, somos apresentados à uma série de questionamentos e hipóteses que nos fazem refletir a essência do humano, do viver.

No capítulo as cinco leis básicas, a autora nos presenteia com cinco grandes pilares universais do fundamentalismo do ser, são estas, questões que nós colocamos à mesa para um debate profundo de nós para com o nosso interior. Sendo estes:

a) Há algo muito maior que governa tudo e sou apenas parte de um todo;

b) toda ação gera uma reação

c) como parte do universo, preciso fazer minha parte, a fim de manter a harmonia. Autorresponsabilidade.

d) o universo sabe a verdade. Traduzindo, não tem como mentir para o universo. Afinal, ele capta a nossa essência, não a nossa personalidade.

e) aceitar a vontade suprema do universo, e assim, seguir o fluxo da vida.

Estes cinco pilares, denominados leis, regem o universo, e entendê-los e parte da nossa caminhada. Entender que temos uma missão, que somos parte de um todo e não uma parte isolada é um processo longo e demorado que toma de nós tempo para reflexão e aprendizado. Entender que somos matéria, parte de um todo, luz e escuridão, é entender que somos seres dotados de uma dualidade particular de cada um.

Despertar a consciência cósmica, para o que chamo de a grande verdade, é desafiador. Exige esforço. É uma verdadeira luta interior. Mas, uma vez consciente do quem realmente somos, a vida passa a fazer sentido e tudo fica mais leve [...] - (p.52)

O livro é, como mencionado pela autora, uma reflexão das paradas obrigatórias em nossa vida: um processo longo de reflexão e aprendizado que exige esforço, porém, compensativo. A narrativa da autora, é, como dito por ela, uma partilha daquilo o que foi aprendido durante sua jornada, e guardar isso para si, seria egoísmo. 

Em tese, a obra nos convida à entender que não existimos - vide título - somos apenas poeira passageira neste universo, e que devemos entender e trabalhar as nuances da vida entre a matéria e o espiritual, pois é isso que somos: matéria que ocupa um espaço no mundo que não nos pertence, ou seja, passageiro. Entender que precisamos nos desprender dos prazeres do corpo é um processo que leva longas horas de reflexão e pensamentos.

Ah, o livro também incluem diversos espaços para reflexão do leitor, para pensar, anotar e progredir em sua jornada de autodescoberta e revolução e paz interior.

Somos apenas parte do universo, tudo o que vivemos é parte de um processo maior do que nós mesmos. Não temos o conhecimento necessário para compreender todos os mistérios e as complexidades do universo, mas temos a capacidade de apreciar e admirar a beleza e a fantasia que ele nos oferece. É possível compreender alguns desses mistérios através de estudos, reflexões, vivência pessoais e um processo doloroso e lento de reconhecermos como parte de um todo, não o centro. É impossível entender verdadeiramente todos os segredos que o universo nos apresenta. O universo é infinitamente grande e diversificado e, ao mesmo tempo, um todo único. Esta constatação nos leva a uma única conclusão: que somos infinitamente pequenos e insignificantes em relação ao universo.

Se pudéssemos catalogar em um pequeno espaço alguns ensinamentos, seria algo assim, exercício de minha própria reflexão:

a) Há algo muito maior que governa tudo e sou apenas parte de um todo; b) Estou conectado a todas as outras formas de vida e à energia cósmica que nos une; c) Acredito que existe uma força mais alta, que une todos nós e nos conecta à natureza; d) Compreendo que todos somos uma parte importante deste universo, e que nossas ações podem afetar o equilíbrio do todo; e) Respeito os direitos de todos os seres vivos e os ciclos de renovação da natureza; f) Reconheço que minhas ações podem ter efeitos positivos ou negativos no todo; g) Estou comprometido com o bem-estar de todos e trabalho para o equilíbrio do universo.

Um livro poético, carregado de fé e simbolismos que permeiam a vida e a tornam mais leve. Indicado para todo leitor que está buscando um sentido na vida ou a compreensão desta e das vidas que viveremos no espiritual.

[lançamento] Você não existe, de Juliana Moura


“Quantas vezes você se perguntou qual é o sentido da vida?”. Esta é a primeira de muitas perguntas que Juliana Moura faz ao longo do seu livro Você não existe. Sua obra, em geral, pode ser sintetizada, jamais resumida, a essa questão. Tal interrogação vai se desdobrando nas páginas seguintes revelando aspectos ocultos inerentes ao universo e ao ser humano. É um livro que instiga a participação do leitor a fim de promover uma revolução de consciência através da reflexão e do autoconhecimento. Afinal, ninguém muda ninguém. É uma obra totalmente inspirada pelo universo e tem o propósito de trazer à tona a verdade de cada um desde que este esteja disposto e comprometido com seu próprio processo evolutivo. Evoluir exige consciência. Consciência exige presença. Se este livro chegou até você é porque tem algo valioso a dizer para sua alma. Afinal, nada é por acaso. Leia e descubra, por si só, o que o universo tem para te dizer.


[lançamento] A jornada do despertar, de Antonina Buriti

Antonina Buriti lança obra sobre jornada para o despertar 

A jornada para o despertar durante um relacionamento de duas almas gêmeas que tiveram a oportunidade de viver um amor verdadeiro. É preciso apostar na vida. Essa constitui uma das principais mensagens da obra Jornada do Despertar, escrita pelas mãos da autora Antonina Buriti. É preciso aprender a parar, diz a autora ao leitor. O objetivo deste livro é compartilhar muito do que a autora aprendeu e vivenciou na busca do autoconhecimento, da espiritualidade e do fortalecimento da fé dentro de um relacionamento. Antonina Buriti é engenheira, advogada, executiva, empresária, consteladora sistêmica, reikiana, leitora de aura, mãe e agora escritora. Através de seu primeiro livro, Antonina Buriti conta sua história com seu grande amor, André Luís. 

[lançamento] A morte também aprecia o jazz, de Edimilson de Almeida


A morte também aprecia o jazz

No novo livro de Edimilson de Almeida Pereira, as formas do jazz e de outros ritmos da afro-diáspora levam o poeta a reunir linguagens e artistas dos mais variados tempos, como Dizzy Gillespie e Elizeth Cardoso, além de convocar outras linguagens, entre elas a das pinturas do cubano Wifredo Lam ou a dos versos de León Damas, poeta da Guiana-Francesa. Como escreve Claudete Daflon no texto de orelha, “evocando a morte, Edimilson de Almeida Pereira nos joga em cheio no centro da vida”. E é do centro dessa vida pulsante que esses poemas nos convidam para dançar. 

O livro conta com posfácio de Michel Mingote Ferreira de Ázara e edição de Bruna Beber.

[lançamento] O Girassol, de Oscar Pilagallo






O girassol que nos tinge

Em 8 de janeiro de 2023, uma multidão vestida de amarelo tomou conta de Brasília numa manifestação violenta e antidemocrática, em tudo diversa do que pregava o manifesto de mais quarenta anos antes que dá título a este livro. Em 1984, durante a ditadura militar, um documento produzido pela classe artística desfraldava a luta pelo voto direto para presidente e declarava o desejo da sociedade de “usar o amarelo das flores sem medo, o girassol amarelo que nos guia, tinge e alimenta”. A metáfora captava o anseio daqueles que, saindo às ruas em busca da democracia, inauguraram a maior manifestação popular do Brasil: as Diretas Já.

Às vésperas dos quarenta anos do movimento, o jornalista Oscar Pilagallo analisa o curso histórico de tais acontecimentos, mostrando como a vontade de votar para presidente estava nas mais diversas esferas da sociedade civil.

Com uma linguagem leve, Pilagallo apresenta um painel histórico que vai da formação da convergência democrática à derrocada dos militares. Entremeando análise política e episódios anedóticos — quase inéditos de tão esquecidos —, a narrativa prende a atenção dos leitores que não vivenciaram o período e refresca a memória de quem participou da festa cívica. O livro traz ainda fotografias da época, além de uma cronologia e apêndices informativos sobre a carreira posterior dos protagonistas. Embora haja quem diga que as Diretas Já não foram bem-sucedidas em seu propósito, O girassol que nos tinge argumenta que as praças coalhadas de gente garantiram a participação popular no processo que pôs fim a duas décadas de ditadura.

[lançamentos] Sequelas, de Karla França



Karla França escreve sobre realidades que viveu ao tentar a sorte em outro país

Sequelas, da designer gráfico Karla França, reúne histórias vividas pela autora a partir da sua decisão irrevogável de tentar a sorte em outro país. O recheio do livro mistura personagens inusi- tados, amores encerrados e partidas cheias de saudade. Repleto de humor e de birra, de crise existen- cial e melancolia madura, Sequelas conduz seus personagens e seus leitores às questões pungentes de imigração, do que a vida tem de pior e, acima de tudo, de melhor.

Mas o sabor predominante da obra vai além disso: é uma história de superação e redenção, construída por uma personagem dúbia e dupla, feita de arrogância e fragilidade, em busca de si mesma. Não se trata somente de uma obra de quem fincou sua bandeira em outro país, mas compartilha-se o prazer que é traduzir as palavras em vida. Vida que esconde-se por trás das sequelas. O jogo da vida. O livro, com narrativa leve, proporciona uma leitura dinâmica e agradável, é uma leitura-viagem devoradora que nos leva a incríveis descobertas. Alimenta a alma, o corpo e a mente com as reflexões transmitidas. Prende também pelo coração, com confidências da autora sobre sua relação com a vida e tudo que ela pode trazer.

Karla França, em Sequelas, oferece uma abordagem diferente, pouco vista, provocando no leitor um outro olhar sobre o significado da vida. Indo além do simples compartilhar, produziu um livro inspirador, levando o público a uma incrível viagem pelo mundo sem sair do lugar.

SOBRE A AUTORA

Karla França é designer gráfico e escritora. Já escreveu alguns ensaios e crônicas, entre os quais, Sequelas, seu primeiro romance, que está sendo adaptado para o espanhol e francês. Nasceu em 1971 e cresceu em Belém do Pará. Aos 34 anos decidiu partir do Brasil e fixou residência na França, onde vive até hoje. Desde 2006 a autora mora em Paris com o marido e as quatro filhas.

[Lançamento] Formas feitas no escuro, de Leda Cartum

Formas feitas no escuro

Seja em cidades vazias, seja nas profundezas do oceano ou à hora crepuscular em um apartamento, a roda narrativa destes minicontos passa da terceira à primeira pessoa enquanto as formas dos enredos se avolumam. Os personagens — um homem, você e eu — são sujeitos de outros tempos, desde o passado longínquo ao futuro incerto. As histórias estão repletas de tentáculos e novelos que se desenrolam ao infinito, tentando capturar a frequência limítrofe entre a realidade e o sonho. Formas feitas no escuro é um livro quase táctil, que desafia o leitor a flutuar, mergulhar ou voar por mitologias e sabedorias ancestrais. Mas também trata do cotidiano presente, do tédio que invade um quarto, do tempo que corre quando procrastinamos uma tarefa simples.

Nele, Leda Cartum propõe uma poética cheia de texturas — da terra úmida, das cascas de folhas secas, da madeira do chão de taco —, num trabalho exíguo com imagens que de outro modo não se fixariam, e seriam sombras opacas perdidas no longo caminho da visão à fala, da ideia à escrita. É impossível descrever os contos sem enumerar as feras, os gatos noturnos, os detalhes, a elasticidade do tempo, a escuridão vibrante da natureza. Isso porque de modo lúdico, Cartum propõe que se preste atenção aos segredos do móvel mais estático no canto de um cômodo qualquer.

Entre a fábula, a crônica e a poesia, Formas feitas no escuro transita entre gêneros e surpreende por sua leveza, clareza e despretensão.  Mas, como afirma Angélica Freitas na orelha que assina para o livro, “talvez essa questão do gênero (é poesia? É prosa?) nem nos interesse. Importa aqui o trabalho da imaginação, o trânsito do escuro para o claro, e vice-versa”.

TÍTULO | FORMAS FEITAS NO ESCURO


AUTORA | LEDA CARTUM


CAPA | CRISTINA GU E GABRIELA SACCHETTO


FORMATO | 13,5 X 20 CM


NÚMERO DE PÁGINAS | 88


PAPEL | PÓLEN BOLD 90 G


R$ 64,90 | R$ 49,90 (e-book)

[RESENHA #529] Tempo aberto, vários autores



Tempo aberto é uma obra de ficção comemorativa publicada pelo Grupo Editorial Record em celebração aos oitenta anos de existência do conglomerado editorial, que atualmente abarca onze selos que publicam os mais variados gêneros literários. O titulo é uma alusão ao tempo que se encontra em percurso contínuo, assim como o compromisso do Grupo e de seus editores com as publicações e o compromisso com a qualidade do material publicado ao longo dos anos.

80 anos de existência em 8 grandes contos que narram as oito décadas de  vida brasileira em períodos históricos que abarcam de 1942 à 2022. As narrativas aqui distribuídas se relacionam com diferentes acontecimentos e críticas, como: o papel da mulher na sociedade, a violência das ruas, o alcance do regime militar durante o período da repressão, a redemocratização, dentre outros. Para tal, reuniu-se nesta edição oito autores inesquecíveis: Nélida Piñon; Alberto Mussa; Francisco Azevedo; Carla Madeira; Nei Lopes; Antônio Torres; Cristovão Tezza e Claudia Lage.

Vale ressaltar que as obras aqui apresentadas são carregadas de mensagens e simbolismos característicos do tempo ao qual foi-se proposto representar, de forma tal que deve-se atentar-se em se obter uma leitura além das entrelinhas, percorrendo as nuances descritivas que delineam caminhos distintos de narrativa, foco e acontecimento.

Fazem parte desta edição comemorativa os contos:

Aberto Mussa - Encruzilhada na ladeira do Timbau (1942-1952)

A violência nas cidades: Este conto mantem sua essência original dos anos 40 e fala-nos sobre uma ficção que ocorre durante a ocupação do morro da formiga. A narrativa aborda a vida de Tião Saci, um homem que decide se mudar para o morro da formiga e morar com Déo, porém, seu real interesse estava nos trabalhos espirituais e na entidade que por lá habitava na figura de um rapaz conhecido por Lacraia.

Nélida Piñon - I love my Husband (1952-1962)

O papel da mulher na sociedade: Uma história narrada em primeira pessoa por uma mulher que fala-nos acerca de seu convívio com seu marido e seus desdobramentos, suas descrições sobre o cotidiano e o tratamento que levara de seu marido e a visão da sociedade sobre o casamento são arcaicas, antigas e características do século 18, apesar da história dar todos os indícios de se tratar de algo ambientado entre o século dezenove e vinte.

Francisco Azevedo - Em 1969, um concurso literário e uma viagem de contrastes (1962-1972)

Oposição da ditadura x contracultura: A história narra o percurso de Frájara, um entusiasta da escrita que vence um concurso literário e uma viagem para terras estrangeiras durante o período da ditadura militar no Brasil, durante o processo de contracultura em que se encontravam Brasil x EUA. Chumbo e censura, uma história sobre o impacto da escrita e das experiências durante um período de retrocesso cultural.

Antônio Torres - Atrás da cerca (1972-1982)

O alcance do regime militar no sertão: Uma narrativa sobre o impacto do regime militar do sertão e a instauração da censura e a preocupação de um morador em relação à como proceder: não posso contar o que não vi, não posso falar o que não vi.

Carla Madeira - Corte seco (1982-1992)

O despertar da juventude durante o período de redemocratização: Narrado em primeira pessoa pela personagem Elizabete, a história fala-nos do processo de confiança de pais e filha durante o desespero pelo sumiço de um blazer e a quebra de confiança.

Nei Lopes - Manchete de Jornal (1992-2002)

A força da cultura popular às vésperas da revolução digital: Narrativa que começa com um possível fato curioso: um homem de nome Alvimar da Silva, recém falecido, havia sido enterrado vivo. Este foi o estopim e surgimento de uma série de manchetes investigativas regradas à boas doses de sensacionalismo.

Claudia Lage - um delírio por moira (2002-2012)

As pressões cotidianas no mundo contemporâneo: As pressões de uma garota para realização de coisas básicas com um pano de fundo fluído. Aluguel, energia, comida, água e despesas básicas e a pressão para ser o melhor a cada dia para sobrevivência.

Cristovão Tezza - O herói da sombra (2012-2022)

A história da venda de um carro antigo e problemático e os desdobramentos de um bem feitor.

A obra em si é uma construção significativa em contribuição literária, a decisão da editora em republicar estes contos traz a tona a importância do debate e da literatura como instrumento de fomento principal da educação e dos movimentos ligados à cultura. 80 anos de história do Brasil e do grupo, certamente um número significativo e único.

Indicado para todo leitor de bons contos.

[RESENHA #528] Odisseia erótica, de Bento Verboto


Bento Verboto é o pseudônimo da autora Umbra.


A odisseia é caraterizado por uma viagem marcada por eventos imprevisíveis, e na voz e definição do autor, ela é a chance que temos de nos reinventar em meio à mudança. Esta obra é um emaranhado poético que caracteriza e elucida em suas páginas sentimentos que afloram em meio ao encontro e desencontro de almas, do sexo e da falta dele, do desejo e do sentimento tudo por meio do desejo e de uma narrativa que provoca-nos diferentes sensações, pois ela nos aborda em diferentes óticas e perspectivas dos encontros e dos amantes que conquistamos ao longo da nossa vida.

Das características da obra, duas delas merecem destaque: os poemas possuem link de músicas que complementam a leitura, o que torna tudo mais pessoal e garante uma experiência única, trazendo a tona os sentimentos que, certamente, ocasionaram na escrita desta obra. Outro ponto interessante é a possibilidade de ler o livro de trás para frente, como em uma joga de vira-vira, ou seja, é possível abrir o livro por ambas as capas e realizar a leitura, uma vez que ambas contemplam uma série de poéticas.

O livro, como revelou o autor em nota, é sobre as dores insuportáveis e suportáveis sofridas por grandes amores e por ilusões amorosas, todas marcantes.

Ele

era sobre ele

a falta dele

o medo dele

A música que toca 

E eu fujo

Dele

de tudo o que envolva

Ele

(p.226)


Algo interessante de se observar é que à depender da parte lida do livro (capa frente-verso) os sentimentos se diversificam, a impressão que temos é que de um lado somos apresentados à uma mistura de sentimentos em meio à paixão, já do outro, somos contemplados com a visão amadurecida do processo do amor, repleto de reflexões que trazem a tona uma série de encontros com o passado e as pazes com o presente. Uma tática magistral.


Das terras que cruzei

Em poucas já botei

O pé

E habitei de verdade

somente em mim

(p.163)


Fala-nos sobre lembranças:


Eu estive me observando nos espelhos das ruas

Nos reflexos da cidade

Agora estou escondido no seu quarto, pelos meus textos que você guardou.

Queime minhas cartas como o sol queimou minha pele

Você me machucou de qualquer maneira.

Era uma questão de tempo para que alguém se ferisse.

Me observo, mas não sei se te vejo.

sou eu mesmo?

(p.126 em incorporando afetos)


...de saudade


Ainda tenho a sensação 

de sua boca mordendo o meu pescoço

e todos os jogos que você gosta

mãos em torno do meu corpo

senti que estava sozinho de novo

coloquei você num altar:

criei fantasias e fetiches de amor

(p.113 em meu corpo)


...do despertar


O amor não surge, e a gente culpa

nossos corpos de não terem química,

quando toda essa nossa biologia era só na teoria.

(p.100 em a noite na minha cabeça)


Bento Verboto é profundo em todas as suas nuances, sua escrita nos rasga de dentro para fora em distintas regiões, seus escritos penetram a carne e o íntimo do leitor, parte em direções opostas e múltiplas e nos convida à viver e vivenciar sua dor, seu gozo, suas paixões e sua evolução.

Um livro feito para quem ama poesia e reflexões profundas sobre amores e desilusões.

[RESENHA #527] Flow por grafia, de Taz Mureb

Flow por grafia não tem definição, não tem forma, é um livro livre que não se encaixa em um padrão normativo de publicação, mas se diferencia de tudo e todos em poética e sinestesia. Taz Mureb, trouxe em suas páginas um misto de tudo o que acredita e luta em vida em suas músicas. Artista do rap, a escrita da autora caracteriza-se por ser multifacetada, há aqui, ausência de forma predominante, mas mistura-se entre todas suas escritas um misto de poesias, poemas, cartas, confissões e músicas, tudo poeticamente alinhado à uma diagramação repleta de ilustrações que casam-se em passos lentos ao propósito da narrativa: mostrar quem é Taz Mureb.

Flow por grafia é uma obra que fala por si só, suas páginas, repleta de poesias e poemas de parachoque de caminhão, caminham-se e se somam com uma diagramação que transmite a mensagem de imposição e imponência, há aqui força e bravura. Páginas com destaque em vermelho, poesias e poemas que transitam entre um capítulo e outro e um emaranhado poético construído dentre os inúmeros gêneros que conversam entre si na construção de uma unidade de sentido ampla e única.

Sua obra nos convida a pensar sobre a vida, realizações, sonhos e acaso. A cada página uma nova reflexão, um novo questionamento e uma nova posição. Você estaria pronto para enfrentar de frente as verdades que a vida impõe ou você só caminha e espera que a vida lhe explique?


A vida sabe melhor do que nós mesmos o que é melhor para nós

A questão é: você aceita os caminhos da vida?

ou vive na ilusão de achar que tem

controle e atrapalha todos os planos?

[...])(p.18)


dinheiro move o mundo, mas não se mova só por dinheiro (p.41)


e algumas provocações doem na alma:


Certos tipos de

Felicidade são muitos específicos.

Tem gente que só vai ser feliz

depois que morrer [...](p.53)


e outros nos convidam à entender que somos dotados de limitações:

Sou apenas a metade de um todo

Uma parte de algo em constante evolução

Assim consigo ser algo mutável movimento

Que se transforma por e para você

Sendo a metade consigo ser inteiramente aquilo que quis ou sonho de tudo o que deveria ser

[...](p.107, em apenas metade)


e outras nos fazem refletir sobre nossa condição:


O valor da vida não pode ser

sentido individualmente.

Nós somos apenas peças do jogo

A gente só entende

a parte que participamos.

Não sabemos qual é o fim da partida

O verdadeiro valor da vida

só se entende coletivamente

[...](p.135 em colombina de maio)


Taz consegue transmitir muito mais que apenas uma escrita, ela transmite sentimento e vida em suas letras e palavras. Seu dom transmite reflexão e afrontamento de ideias que nos fazem pensar sobre nossa vida, limitações e sobre nós mesmos e nossa conduta. Uma obra poética repleta de vida.

Um livro que fala por si, indicado para todo bom leitor, filósofo ou para amantes de uma poesia pungente e reflexiva.

[RESENHA#526] Agridoce, de Andréa Rezende


Falar de poesia sempre evoca um sentimento de responsabilidade maior do que de outros livros, isso ocorre pois a subjetividade habita nas entrelinhas do sentimento. A poesia é, costumo dizer, a leitura da alma, ou seja, a real interpretação da obra nos é revelada no momento em que nosso caminho se cruza com os desdobramentos da verdades impostas em suas linhas. 

Agridoce é como chamamos a mistura que ocorre entre o doce e o salgado ou entre o ácido e o doce. O titulo não poderia ser melhor. A obra transmite um misto entre o doce dos desejos e o ácido da realidade, o salgado das lutas e o doce das conquistas. A autora, professora, traz em seus versos muito daquilo o que acredita e luta, e para tal, ela debruça-se em desvencilhar os sentimentos decorrentes de sua formação e carreira, trazendo para o leitor um misto de sentimentos que lhe são únicos, fazendo-nos caminhar por seus anseios e desejos de uma forma sublime.

Este emaranhado poético ao qual Andréa Rezende nos submete é um livro de frente de batalha, de militância, de relevância e importância. A autora nos apresenta uma construção poética que trava e batalha com a realidade. Suas linhas denunciam o crime impune, o amor não vivido, a sorte não semeada, o caminho não traçado e a impunidade tão praticada.

O primeiro poema, homônimo do livro, é uma descrição breve da poética desta artista, aqui, ela nos revela todo lado acri-doce de sua obra.

O que é doce em mim

Desliza, suporta discursos, 

Temas em curso ou desuso


Neste trecho observa-se que a autora caracteriza seus sentimentos como algo que desliza e se transforma em discursos, podemos inferir que que todo este emaranhado poético nasceu de uma necessidade pungente de expurgar todo sentimento enraizado em sua crenças, o que originou toda esta escrita militante. 

O poema a espera é uma alusão à espera que ocorre durante o processo de transformação do alunado por meio da experiência de ensino escolar e das metodologias de ensino, aqui, a autora usa de sua expertise para elaborar uma proposta de intervenção em favor da espera de um futuro melhor para o professor, para o aluno e para o ensino.

Porque sou professor

sou a paz, a espera, a possibilidade

Porque sou professor, 

sou a favor do amor

Do conhecimento, da verdade

[...]


seguindo com sua narrativa que milita e grita, a autora nos brinda com um poema/homenagem à  Marielle Franco.

Marielle da maré

tão jovem, tão densa

tão cheia de fé


Marielle da maré

tão forte, tão negra

tão genuinamente mulher 

[...]


Em CondeNAÇÃO, a autora traz um visceral poema acerca do julgo popular, do preconceito e da criminalização do pobre, do negro, do nordestino, do favelado, das minorias por meio de uma repulsa que é característica da nação, não como uma culpabilização, mas como o reconhecimento de que estas problemáticas sociais são enraizadas no sentido de estarem por todos os cantos e lados, mostrando assim, a necessidade de reconhecermos a importância destas pautas para diminuir o impacto de nossas ações sobre nossos semelhantes, não como diferentes por seus atributos, mas por sermos iguais em existência.

Condenem a nação

esqueçam todo o seu legado

todos os acertos e bravuras

todos os feitos e inclusão

seu crime foi maior

[...] grifos meus.


condem também o pobre

o negro, o nordestino

a mulher, as minorias

o oprimido, os esquecidos

[...] grifos meus


O momento é doce, seus desdobramentos salgados, a vida é doce, os acontecimentos, salgados. A educação é doce, a ignorância salgada, e é seguindo esses preceitos que a autora segue, ela caminha entre a linha tênue da verdade dos fatos e das dores dos acontecimentos, ela se desdobra por meio de gritos que podem - e certamente vão - ser ecoados pela eternidade e por todas as ruas e bairros à quem pretende alcançar. Este não é um livro de poesias (apenas) é uma obra que nos convida à olhar para dentro e depois para fora e analisar ao nosso redor. Andréa Rezende escreve como quem escreve com a alma, como quem delineia os sentimentos de insatisfação por meio da escrita, da poesia e das artes.

Um livro memorável para todo aluno, pai, negro, nordestino, e para quem deseja ler e encontrar em uma narrativa uma boa poesia, uma boa dose de vida e verdade.

[RESENHA #530] Você não existe, uma obra inspirada pelo universo, de Juliana Moura


MOURA, Juliana: Você não existe: uma obra inspirada pelo universo. Rio de Janeiro: Autografia Editora,  2020, 198p.

Este livro é, como diz a autora, uma manifestação de gratidão. Juliana Moura é cristã e conheceu o sentido da vida através de sua participação e vida religiosa, seus ensinamentos e reflexões nos levam à percorrer caminhos não mais percorridos pelas massas. Esta obra é um convite particular e individual da autora para um coletivo de pessoas: todas a quem o livro alcançar.  A obra é um misto de ativação de consciência e fluxo de fé e mudança de hábito, as questões aqui abordadas foram transformadas em um caminho de mudança de dentro para fora através de questionamentos e perguntas feitas em momentos específicos da vida. 

Quem somos nós? quem sou eu? para onde vou? de onde vim? qual a minha missão neste mundo? como entender a vida e toda essa jornada? Essas são apenas algumas questões que nos são apresentadas pela autora, aqui, através da leitura dos capítulos não enumerados, somos apresentados à uma série de questionamentos e hipóteses que nos fazem refletir a essência do humano, do viver.

No capítulo as cinco leis básicas, a autora nos presenteia com cinco grandes pilares universais do fundamentalismo do ser, são estas, questões que nós colocamos à mesa para um debate profundo de nós para com o nosso interior. Sendo estes:

a) Há algo muito maior que governa tudo e sou apenas parte de um todo;

b) toda ação gera uma reação

c) como parte do universo, preciso fazer minha parte, a fim de manter a harmonia. Autorresponsabilidade.

d) o universo sabe a verdade. Traduzindo, não tem como mentir para o universo. Afinal, ele capta a nossa essência, não a nossa personalidade.

e) aceitar a vontade suprema do universo, e assim, seguir o fluxo da vida.

Estes cinco pilares, denominados leis, regem o universo, e entendê-los e parte da nossa caminhada. Entender que temos uma missão, que somos parte de um todo e não uma parte isolada é um processo longo e demorado que toma de nós tempo para reflexão e aprendizado. Entender que somos matéria, parte de um todo, luz e escuridão, é entender que somos seres dotados de uma dualidade particular de cada um.

Despertar a consciência cósmica, para o que chamo de a grande verdade, é desafiador. Exige esforço. É uma verdadeira luta interior. Mas, uma vez consciente do quem realmente somos, a vida passa a fazer sentido e tudo fica mais leve [...] - (p.52)

O livro é, como mencionado pela autora, uma reflexão das paradas obrigatórias em nossa vida: um processo longo de reflexão e aprendizado que exige esforço, porém, compensativo. A narrativa da autora, é, como dito por ela, uma partilha daquilo o que foi aprendido durante sua jornada, e guardar isso para si, seria egoísmo. 

Em tese, a obra nos convida à entender que não existimos - vide título - somos apenas poeira passageira neste universo, e que devemos entender e trabalhar as nuances da vida entre a matéria e o espiritual, pois é isso que somos: matéria que ocupa um espaço no mundo que não nos pertence, ou seja, passageiro. Entender que precisamos nos desprender dos prazeres do corpo é um processo que leva longas horas de reflexão e pensamentos.

Ah, o livro também incluem diversos espaços para reflexão do leitor, para pensar, anotar e progredir em sua jornada de autodescoberta e revolução e paz interior.

Somos apenas parte do universo, tudo o que vivemos é parte de um processo maior do que nós mesmos. Não temos o conhecimento necessário para compreender todos os mistérios e as complexidades do universo, mas temos a capacidade de apreciar e admirar a beleza e a fantasia que ele nos oferece. É possível compreender alguns desses mistérios através de estudos, reflexões, vivência pessoais e um processo doloroso e lento de reconhecermos como parte de um todo, não o centro. É impossível entender verdadeiramente todos os segredos que o universo nos apresenta. O universo é infinitamente grande e diversificado e, ao mesmo tempo, um todo único. Esta constatação nos leva a uma única conclusão: que somos infinitamente pequenos e insignificantes em relação ao universo.

Se pudéssemos catalogar em um pequeno espaço alguns ensinamentos, seria algo assim, exercício de minha própria reflexão:

a) Há algo muito maior que governa tudo e sou apenas parte de um todo; b) Estou conectado a todas as outras formas de vida e à energia cósmica que nos une; c) Acredito que existe uma força mais alta, que une todos nós e nos conecta à natureza; d) Compreendo que todos somos uma parte importante deste universo, e que nossas ações podem afetar o equilíbrio do todo; e) Respeito os direitos de todos os seres vivos e os ciclos de renovação da natureza; f) Reconheço que minhas ações podem ter efeitos positivos ou negativos no todo; g) Estou comprometido com o bem-estar de todos e trabalho para o equilíbrio do universo.

Um livro poético, carregado de fé e simbolismos que permeiam a vida e a tornam mais leve. Indicado para todo leitor que está buscando um sentido na vida ou a compreensão desta e das vidas que viveremos no espiritual.

[lançamento] Você não existe, de Juliana Moura


“Quantas vezes você se perguntou qual é o sentido da vida?”. Esta é a primeira de muitas perguntas que Juliana Moura faz ao longo do seu livro Você não existe. Sua obra, em geral, pode ser sintetizada, jamais resumida, a essa questão. Tal interrogação vai se desdobrando nas páginas seguintes revelando aspectos ocultos inerentes ao universo e ao ser humano. É um livro que instiga a participação do leitor a fim de promover uma revolução de consciência através da reflexão e do autoconhecimento. Afinal, ninguém muda ninguém. É uma obra totalmente inspirada pelo universo e tem o propósito de trazer à tona a verdade de cada um desde que este esteja disposto e comprometido com seu próprio processo evolutivo. Evoluir exige consciência. Consciência exige presença. Se este livro chegou até você é porque tem algo valioso a dizer para sua alma. Afinal, nada é por acaso. Leia e descubra, por si só, o que o universo tem para te dizer.


[lançamento] A jornada do despertar, de Antonina Buriti

Antonina Buriti lança obra sobre jornada para o despertar 

A jornada para o despertar durante um relacionamento de duas almas gêmeas que tiveram a oportunidade de viver um amor verdadeiro. É preciso apostar na vida. Essa constitui uma das principais mensagens da obra Jornada do Despertar, escrita pelas mãos da autora Antonina Buriti. É preciso aprender a parar, diz a autora ao leitor. O objetivo deste livro é compartilhar muito do que a autora aprendeu e vivenciou na busca do autoconhecimento, da espiritualidade e do fortalecimento da fé dentro de um relacionamento. Antonina Buriti é engenheira, advogada, executiva, empresária, consteladora sistêmica, reikiana, leitora de aura, mãe e agora escritora. Através de seu primeiro livro, Antonina Buriti conta sua história com seu grande amor, André Luís. 

[lançamento] A morte também aprecia o jazz, de Edimilson de Almeida


A morte também aprecia o jazz

No novo livro de Edimilson de Almeida Pereira, as formas do jazz e de outros ritmos da afro-diáspora levam o poeta a reunir linguagens e artistas dos mais variados tempos, como Dizzy Gillespie e Elizeth Cardoso, além de convocar outras linguagens, entre elas a das pinturas do cubano Wifredo Lam ou a dos versos de León Damas, poeta da Guiana-Francesa. Como escreve Claudete Daflon no texto de orelha, “evocando a morte, Edimilson de Almeida Pereira nos joga em cheio no centro da vida”. E é do centro dessa vida pulsante que esses poemas nos convidam para dançar. 

O livro conta com posfácio de Michel Mingote Ferreira de Ázara e edição de Bruna Beber.

[lançamento] O Girassol, de Oscar Pilagallo






O girassol que nos tinge

Em 8 de janeiro de 2023, uma multidão vestida de amarelo tomou conta de Brasília numa manifestação violenta e antidemocrática, em tudo diversa do que pregava o manifesto de mais quarenta anos antes que dá título a este livro. Em 1984, durante a ditadura militar, um documento produzido pela classe artística desfraldava a luta pelo voto direto para presidente e declarava o desejo da sociedade de “usar o amarelo das flores sem medo, o girassol amarelo que nos guia, tinge e alimenta”. A metáfora captava o anseio daqueles que, saindo às ruas em busca da democracia, inauguraram a maior manifestação popular do Brasil: as Diretas Já.

Às vésperas dos quarenta anos do movimento, o jornalista Oscar Pilagallo analisa o curso histórico de tais acontecimentos, mostrando como a vontade de votar para presidente estava nas mais diversas esferas da sociedade civil.

Com uma linguagem leve, Pilagallo apresenta um painel histórico que vai da formação da convergência democrática à derrocada dos militares. Entremeando análise política e episódios anedóticos — quase inéditos de tão esquecidos —, a narrativa prende a atenção dos leitores que não vivenciaram o período e refresca a memória de quem participou da festa cívica. O livro traz ainda fotografias da época, além de uma cronologia e apêndices informativos sobre a carreira posterior dos protagonistas. Embora haja quem diga que as Diretas Já não foram bem-sucedidas em seu propósito, O girassol que nos tinge argumenta que as praças coalhadas de gente garantiram a participação popular no processo que pôs fim a duas décadas de ditadura.

[lançamentos] Sequelas, de Karla França



Karla França escreve sobre realidades que viveu ao tentar a sorte em outro país

Sequelas, da designer gráfico Karla França, reúne histórias vividas pela autora a partir da sua decisão irrevogável de tentar a sorte em outro país. O recheio do livro mistura personagens inusi- tados, amores encerrados e partidas cheias de saudade. Repleto de humor e de birra, de crise existen- cial e melancolia madura, Sequelas conduz seus personagens e seus leitores às questões pungentes de imigração, do que a vida tem de pior e, acima de tudo, de melhor.

Mas o sabor predominante da obra vai além disso: é uma história de superação e redenção, construída por uma personagem dúbia e dupla, feita de arrogância e fragilidade, em busca de si mesma. Não se trata somente de uma obra de quem fincou sua bandeira em outro país, mas compartilha-se o prazer que é traduzir as palavras em vida. Vida que esconde-se por trás das sequelas. O jogo da vida. O livro, com narrativa leve, proporciona uma leitura dinâmica e agradável, é uma leitura-viagem devoradora que nos leva a incríveis descobertas. Alimenta a alma, o corpo e a mente com as reflexões transmitidas. Prende também pelo coração, com confidências da autora sobre sua relação com a vida e tudo que ela pode trazer.

Karla França, em Sequelas, oferece uma abordagem diferente, pouco vista, provocando no leitor um outro olhar sobre o significado da vida. Indo além do simples compartilhar, produziu um livro inspirador, levando o público a uma incrível viagem pelo mundo sem sair do lugar.

SOBRE A AUTORA

Karla França é designer gráfico e escritora. Já escreveu alguns ensaios e crônicas, entre os quais, Sequelas, seu primeiro romance, que está sendo adaptado para o espanhol e francês. Nasceu em 1971 e cresceu em Belém do Pará. Aos 34 anos decidiu partir do Brasil e fixou residência na França, onde vive até hoje. Desde 2006 a autora mora em Paris com o marido e as quatro filhas.

[Lançamento] Formas feitas no escuro, de Leda Cartum

Formas feitas no escuro

Seja em cidades vazias, seja nas profundezas do oceano ou à hora crepuscular em um apartamento, a roda narrativa destes minicontos passa da terceira à primeira pessoa enquanto as formas dos enredos se avolumam. Os personagens — um homem, você e eu — são sujeitos de outros tempos, desde o passado longínquo ao futuro incerto. As histórias estão repletas de tentáculos e novelos que se desenrolam ao infinito, tentando capturar a frequência limítrofe entre a realidade e o sonho. Formas feitas no escuro é um livro quase táctil, que desafia o leitor a flutuar, mergulhar ou voar por mitologias e sabedorias ancestrais. Mas também trata do cotidiano presente, do tédio que invade um quarto, do tempo que corre quando procrastinamos uma tarefa simples.

Nele, Leda Cartum propõe uma poética cheia de texturas — da terra úmida, das cascas de folhas secas, da madeira do chão de taco —, num trabalho exíguo com imagens que de outro modo não se fixariam, e seriam sombras opacas perdidas no longo caminho da visão à fala, da ideia à escrita. É impossível descrever os contos sem enumerar as feras, os gatos noturnos, os detalhes, a elasticidade do tempo, a escuridão vibrante da natureza. Isso porque de modo lúdico, Cartum propõe que se preste atenção aos segredos do móvel mais estático no canto de um cômodo qualquer.

Entre a fábula, a crônica e a poesia, Formas feitas no escuro transita entre gêneros e surpreende por sua leveza, clareza e despretensão.  Mas, como afirma Angélica Freitas na orelha que assina para o livro, “talvez essa questão do gênero (é poesia? É prosa?) nem nos interesse. Importa aqui o trabalho da imaginação, o trânsito do escuro para o claro, e vice-versa”.

TÍTULO | FORMAS FEITAS NO ESCURO


AUTORA | LEDA CARTUM


CAPA | CRISTINA GU E GABRIELA SACCHETTO


FORMATO | 13,5 X 20 CM


NÚMERO DE PÁGINAS | 88


PAPEL | PÓLEN BOLD 90 G


R$ 64,90 | R$ 49,90 (e-book)

[RESENHA #529] Tempo aberto, vários autores



Tempo aberto é uma obra de ficção comemorativa publicada pelo Grupo Editorial Record em celebração aos oitenta anos de existência do conglomerado editorial, que atualmente abarca onze selos que publicam os mais variados gêneros literários. O titulo é uma alusão ao tempo que se encontra em percurso contínuo, assim como o compromisso do Grupo e de seus editores com as publicações e o compromisso com a qualidade do material publicado ao longo dos anos.

80 anos de existência em 8 grandes contos que narram as oito décadas de  vida brasileira em períodos históricos que abarcam de 1942 à 2022. As narrativas aqui distribuídas se relacionam com diferentes acontecimentos e críticas, como: o papel da mulher na sociedade, a violência das ruas, o alcance do regime militar durante o período da repressão, a redemocratização, dentre outros. Para tal, reuniu-se nesta edição oito autores inesquecíveis: Nélida Piñon; Alberto Mussa; Francisco Azevedo; Carla Madeira; Nei Lopes; Antônio Torres; Cristovão Tezza e Claudia Lage.

Vale ressaltar que as obras aqui apresentadas são carregadas de mensagens e simbolismos característicos do tempo ao qual foi-se proposto representar, de forma tal que deve-se atentar-se em se obter uma leitura além das entrelinhas, percorrendo as nuances descritivas que delineam caminhos distintos de narrativa, foco e acontecimento.

Fazem parte desta edição comemorativa os contos:

Aberto Mussa - Encruzilhada na ladeira do Timbau (1942-1952)

A violência nas cidades: Este conto mantem sua essência original dos anos 40 e fala-nos sobre uma ficção que ocorre durante a ocupação do morro da formiga. A narrativa aborda a vida de Tião Saci, um homem que decide se mudar para o morro da formiga e morar com Déo, porém, seu real interesse estava nos trabalhos espirituais e na entidade que por lá habitava na figura de um rapaz conhecido por Lacraia.

Nélida Piñon - I love my Husband (1952-1962)

O papel da mulher na sociedade: Uma história narrada em primeira pessoa por uma mulher que fala-nos acerca de seu convívio com seu marido e seus desdobramentos, suas descrições sobre o cotidiano e o tratamento que levara de seu marido e a visão da sociedade sobre o casamento são arcaicas, antigas e características do século 18, apesar da história dar todos os indícios de se tratar de algo ambientado entre o século dezenove e vinte.

Francisco Azevedo - Em 1969, um concurso literário e uma viagem de contrastes (1962-1972)

Oposição da ditadura x contracultura: A história narra o percurso de Frájara, um entusiasta da escrita que vence um concurso literário e uma viagem para terras estrangeiras durante o período da ditadura militar no Brasil, durante o processo de contracultura em que se encontravam Brasil x EUA. Chumbo e censura, uma história sobre o impacto da escrita e das experiências durante um período de retrocesso cultural.

Antônio Torres - Atrás da cerca (1972-1982)

O alcance do regime militar no sertão: Uma narrativa sobre o impacto do regime militar do sertão e a instauração da censura e a preocupação de um morador em relação à como proceder: não posso contar o que não vi, não posso falar o que não vi.

Carla Madeira - Corte seco (1982-1992)

O despertar da juventude durante o período de redemocratização: Narrado em primeira pessoa pela personagem Elizabete, a história fala-nos do processo de confiança de pais e filha durante o desespero pelo sumiço de um blazer e a quebra de confiança.

Nei Lopes - Manchete de Jornal (1992-2002)

A força da cultura popular às vésperas da revolução digital: Narrativa que começa com um possível fato curioso: um homem de nome Alvimar da Silva, recém falecido, havia sido enterrado vivo. Este foi o estopim e surgimento de uma série de manchetes investigativas regradas à boas doses de sensacionalismo.

Claudia Lage - um delírio por moira (2002-2012)

As pressões cotidianas no mundo contemporâneo: As pressões de uma garota para realização de coisas básicas com um pano de fundo fluído. Aluguel, energia, comida, água e despesas básicas e a pressão para ser o melhor a cada dia para sobrevivência.

Cristovão Tezza - O herói da sombra (2012-2022)

A história da venda de um carro antigo e problemático e os desdobramentos de um bem feitor.

A obra em si é uma construção significativa em contribuição literária, a decisão da editora em republicar estes contos traz a tona a importância do debate e da literatura como instrumento de fomento principal da educação e dos movimentos ligados à cultura. 80 anos de história do Brasil e do grupo, certamente um número significativo e único.

Indicado para todo leitor de bons contos.

[RESENHA #528] Odisseia erótica, de Bento Verboto


Bento Verboto é o pseudônimo da autora Umbra.


A odisseia é caraterizado por uma viagem marcada por eventos imprevisíveis, e na voz e definição do autor, ela é a chance que temos de nos reinventar em meio à mudança. Esta obra é um emaranhado poético que caracteriza e elucida em suas páginas sentimentos que afloram em meio ao encontro e desencontro de almas, do sexo e da falta dele, do desejo e do sentimento tudo por meio do desejo e de uma narrativa que provoca-nos diferentes sensações, pois ela nos aborda em diferentes óticas e perspectivas dos encontros e dos amantes que conquistamos ao longo da nossa vida.

Das características da obra, duas delas merecem destaque: os poemas possuem link de músicas que complementam a leitura, o que torna tudo mais pessoal e garante uma experiência única, trazendo a tona os sentimentos que, certamente, ocasionaram na escrita desta obra. Outro ponto interessante é a possibilidade de ler o livro de trás para frente, como em uma joga de vira-vira, ou seja, é possível abrir o livro por ambas as capas e realizar a leitura, uma vez que ambas contemplam uma série de poéticas.

O livro, como revelou o autor em nota, é sobre as dores insuportáveis e suportáveis sofridas por grandes amores e por ilusões amorosas, todas marcantes.

Ele

era sobre ele

a falta dele

o medo dele

A música que toca 

E eu fujo

Dele

de tudo o que envolva

Ele

(p.226)


Algo interessante de se observar é que à depender da parte lida do livro (capa frente-verso) os sentimentos se diversificam, a impressão que temos é que de um lado somos apresentados à uma mistura de sentimentos em meio à paixão, já do outro, somos contemplados com a visão amadurecida do processo do amor, repleto de reflexões que trazem a tona uma série de encontros com o passado e as pazes com o presente. Uma tática magistral.


Das terras que cruzei

Em poucas já botei

O pé

E habitei de verdade

somente em mim

(p.163)


Fala-nos sobre lembranças:


Eu estive me observando nos espelhos das ruas

Nos reflexos da cidade

Agora estou escondido no seu quarto, pelos meus textos que você guardou.

Queime minhas cartas como o sol queimou minha pele

Você me machucou de qualquer maneira.

Era uma questão de tempo para que alguém se ferisse.

Me observo, mas não sei se te vejo.

sou eu mesmo?

(p.126 em incorporando afetos)


...de saudade


Ainda tenho a sensação 

de sua boca mordendo o meu pescoço

e todos os jogos que você gosta

mãos em torno do meu corpo

senti que estava sozinho de novo

coloquei você num altar:

criei fantasias e fetiches de amor

(p.113 em meu corpo)


...do despertar


O amor não surge, e a gente culpa

nossos corpos de não terem química,

quando toda essa nossa biologia era só na teoria.

(p.100 em a noite na minha cabeça)


Bento Verboto é profundo em todas as suas nuances, sua escrita nos rasga de dentro para fora em distintas regiões, seus escritos penetram a carne e o íntimo do leitor, parte em direções opostas e múltiplas e nos convida à viver e vivenciar sua dor, seu gozo, suas paixões e sua evolução.

Um livro feito para quem ama poesia e reflexões profundas sobre amores e desilusões.

[RESENHA #527] Flow por grafia, de Taz Mureb

Flow por grafia não tem definição, não tem forma, é um livro livre que não se encaixa em um padrão normativo de publicação, mas se diferencia de tudo e todos em poética e sinestesia. Taz Mureb, trouxe em suas páginas um misto de tudo o que acredita e luta em vida em suas músicas. Artista do rap, a escrita da autora caracteriza-se por ser multifacetada, há aqui, ausência de forma predominante, mas mistura-se entre todas suas escritas um misto de poesias, poemas, cartas, confissões e músicas, tudo poeticamente alinhado à uma diagramação repleta de ilustrações que casam-se em passos lentos ao propósito da narrativa: mostrar quem é Taz Mureb.

Flow por grafia é uma obra que fala por si só, suas páginas, repleta de poesias e poemas de parachoque de caminhão, caminham-se e se somam com uma diagramação que transmite a mensagem de imposição e imponência, há aqui força e bravura. Páginas com destaque em vermelho, poesias e poemas que transitam entre um capítulo e outro e um emaranhado poético construído dentre os inúmeros gêneros que conversam entre si na construção de uma unidade de sentido ampla e única.

Sua obra nos convida a pensar sobre a vida, realizações, sonhos e acaso. A cada página uma nova reflexão, um novo questionamento e uma nova posição. Você estaria pronto para enfrentar de frente as verdades que a vida impõe ou você só caminha e espera que a vida lhe explique?


A vida sabe melhor do que nós mesmos o que é melhor para nós

A questão é: você aceita os caminhos da vida?

ou vive na ilusão de achar que tem

controle e atrapalha todos os planos?

[...])(p.18)


dinheiro move o mundo, mas não se mova só por dinheiro (p.41)


e algumas provocações doem na alma:


Certos tipos de

Felicidade são muitos específicos.

Tem gente que só vai ser feliz

depois que morrer [...](p.53)


e outros nos convidam à entender que somos dotados de limitações:

Sou apenas a metade de um todo

Uma parte de algo em constante evolução

Assim consigo ser algo mutável movimento

Que se transforma por e para você

Sendo a metade consigo ser inteiramente aquilo que quis ou sonho de tudo o que deveria ser

[...](p.107, em apenas metade)


e outras nos fazem refletir sobre nossa condição:


O valor da vida não pode ser

sentido individualmente.

Nós somos apenas peças do jogo

A gente só entende

a parte que participamos.

Não sabemos qual é o fim da partida

O verdadeiro valor da vida

só se entende coletivamente

[...](p.135 em colombina de maio)


Taz consegue transmitir muito mais que apenas uma escrita, ela transmite sentimento e vida em suas letras e palavras. Seu dom transmite reflexão e afrontamento de ideias que nos fazem pensar sobre nossa vida, limitações e sobre nós mesmos e nossa conduta. Uma obra poética repleta de vida.

Um livro que fala por si, indicado para todo bom leitor, filósofo ou para amantes de uma poesia pungente e reflexiva.

[RESENHA#526] Agridoce, de Andréa Rezende


Falar de poesia sempre evoca um sentimento de responsabilidade maior do que de outros livros, isso ocorre pois a subjetividade habita nas entrelinhas do sentimento. A poesia é, costumo dizer, a leitura da alma, ou seja, a real interpretação da obra nos é revelada no momento em que nosso caminho se cruza com os desdobramentos da verdades impostas em suas linhas. 

Agridoce é como chamamos a mistura que ocorre entre o doce e o salgado ou entre o ácido e o doce. O titulo não poderia ser melhor. A obra transmite um misto entre o doce dos desejos e o ácido da realidade, o salgado das lutas e o doce das conquistas. A autora, professora, traz em seus versos muito daquilo o que acredita e luta, e para tal, ela debruça-se em desvencilhar os sentimentos decorrentes de sua formação e carreira, trazendo para o leitor um misto de sentimentos que lhe são únicos, fazendo-nos caminhar por seus anseios e desejos de uma forma sublime.

Este emaranhado poético ao qual Andréa Rezende nos submete é um livro de frente de batalha, de militância, de relevância e importância. A autora nos apresenta uma construção poética que trava e batalha com a realidade. Suas linhas denunciam o crime impune, o amor não vivido, a sorte não semeada, o caminho não traçado e a impunidade tão praticada.

O primeiro poema, homônimo do livro, é uma descrição breve da poética desta artista, aqui, ela nos revela todo lado acri-doce de sua obra.

O que é doce em mim

Desliza, suporta discursos, 

Temas em curso ou desuso


Neste trecho observa-se que a autora caracteriza seus sentimentos como algo que desliza e se transforma em discursos, podemos inferir que que todo este emaranhado poético nasceu de uma necessidade pungente de expurgar todo sentimento enraizado em sua crenças, o que originou toda esta escrita militante. 

O poema a espera é uma alusão à espera que ocorre durante o processo de transformação do alunado por meio da experiência de ensino escolar e das metodologias de ensino, aqui, a autora usa de sua expertise para elaborar uma proposta de intervenção em favor da espera de um futuro melhor para o professor, para o aluno e para o ensino.

Porque sou professor

sou a paz, a espera, a possibilidade

Porque sou professor, 

sou a favor do amor

Do conhecimento, da verdade

[...]


seguindo com sua narrativa que milita e grita, a autora nos brinda com um poema/homenagem à  Marielle Franco.

Marielle da maré

tão jovem, tão densa

tão cheia de fé


Marielle da maré

tão forte, tão negra

tão genuinamente mulher 

[...]


Em CondeNAÇÃO, a autora traz um visceral poema acerca do julgo popular, do preconceito e da criminalização do pobre, do negro, do nordestino, do favelado, das minorias por meio de uma repulsa que é característica da nação, não como uma culpabilização, mas como o reconhecimento de que estas problemáticas sociais são enraizadas no sentido de estarem por todos os cantos e lados, mostrando assim, a necessidade de reconhecermos a importância destas pautas para diminuir o impacto de nossas ações sobre nossos semelhantes, não como diferentes por seus atributos, mas por sermos iguais em existência.

Condenem a nação

esqueçam todo o seu legado

todos os acertos e bravuras

todos os feitos e inclusão

seu crime foi maior

[...] grifos meus.


condem também o pobre

o negro, o nordestino

a mulher, as minorias

o oprimido, os esquecidos

[...] grifos meus


O momento é doce, seus desdobramentos salgados, a vida é doce, os acontecimentos, salgados. A educação é doce, a ignorância salgada, e é seguindo esses preceitos que a autora segue, ela caminha entre a linha tênue da verdade dos fatos e das dores dos acontecimentos, ela se desdobra por meio de gritos que podem - e certamente vão - ser ecoados pela eternidade e por todas as ruas e bairros à quem pretende alcançar. Este não é um livro de poesias (apenas) é uma obra que nos convida à olhar para dentro e depois para fora e analisar ao nosso redor. Andréa Rezende escreve como quem escreve com a alma, como quem delineia os sentimentos de insatisfação por meio da escrita, da poesia e das artes.

Um livro memorável para todo aluno, pai, negro, nordestino, e para quem deseja ler e encontrar em uma narrativa uma boa poesia, uma boa dose de vida e verdade.

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