Imagem: Companhia das letras/ divulgação O livro O Pacto da Branquitude , de Cida Bento, estabelece um marco analítico fundamental para a compreensão das relações raciais no Brasil, deslocando o foco tradicional do "problema do negro" para a investigação das estruturas que sustentam o privilégio branco . A autora, doutora em psicologia e cofundadora do Ceert, utiliza sua vasta experiência em psicologia organizacional para deslindar como o racismo opera de forma estrutural e institucional, muitas vezes sob um manto de silêncio e naturalização . A obra é dividida em dez capítulos que exploram desde as raízes históricas da colonização até as manifestações contemporâneas do que ela define como "pacto narcísico da branquitude" . No cerne da tese de Bento está o "pacto narcísico", um acordo tácito e não verbalizado entre pessoas brancas para a preservação de privilégios . Diferente de uma conspiração explícita, esse fenômeno manifesta-se como uma aliança inconsc...
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Vitor Zindacta
Das páginas para as telas: o ano em que os livros dominam as estreias do cinema
O cinema sempre buscou inspiração nas páginas dos livros, mas há anos em que essa relação se torna especialmente evidente. Em 2026, a temporada de estreias reforça a tradição das adaptações literárias, com produções que vão do romance gótico do século XIX a narrativas contemporâneas, passando por clássicos e best-sellers que conquistaram milhões de leitores antes de chegarem às salas de cinema. O fenômeno não é novo, mas o conjunto de títulos programados para este ano mostra uma indústria que continua recorrendo à literatura para alimentar sua criatividade, buscando histórias com apelo emocional já testado e personagens capazes de atravessar gerações. Entre os lançamentos mais comentados está a nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes , dirigida por Emerald Fennell e estrelada por Margot Robbie e Jacob Elordi, que reacende o interesse pelo clássico de Emily Brontë. O filme, que estreou em fevereiro de 2026, é descrito como uma adaptação livre do romance publicado em 1847, um dos gran...
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Vitor Zindacta
O retorno sangrento de uma lenda: por que “Kill Bill: The Whole Bloody Affair” reacende o culto ao cinema de Tarantino
Imagem: Divulgação Quando Kill Bill chegou aos cinemas no início dos anos 2000, o projeto parecia, ao mesmo tempo, uma homenagem e um desafio. Quentin Tarantino, já consagrado por filmes como Pulp Fiction e Cães de Aluguel , decidiu mergulhar em um universo de referências que ia do cinema de artes marciais ao western italiano, passando pelos animes japoneses e pelo exploitation americano. O resultado foi um épico de vingança dividido em dois volumes, lançados em 2003 e 2004, que se tornaram instantaneamente objetos de culto. Duas décadas depois, a história retorna aos cinemas brasileiros em uma nova montagem: Kill Bill: The Whole Bloody Affair , a versão definitiva do quarto longa-metragem do diretor. A chegada dessa edição estendida, com quase cinco horas de duração, reacende o interesse pelo filme e por tudo o que ele representou na trajetória de Tarantino. Lançada originalmente nos Estados Unidos em dezembro e com estreia prevista no Brasil para março de 2026, a nova versão reúne...
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Vitor Zindacta
Entre o riso e o horror: como “Socorro!” transforma o desastre em espetáculo de personalidade
Imagem: Disney Brasil / Divulgação Há filmes que seguem fórmulas tão rígidas que poderiam ser assinados por qualquer diretor, sem que o público percebesse grande diferença. Outros, no entanto, carregam uma identidade tão forte que bastam alguns minutos para reconhecer a mão de quem está por trás da câmera. Socorro! pertence a esse segundo grupo. Dirigido por Sam Raimi, cineasta conhecido por sua mistura particular de terror e humor, o longa se apresenta como um “terrir” assumido, daqueles que provocam repulsa e gargalhadas na mesma medida, e que só funcionam quando o caos é conduzido por uma visão autoral clara. A proposta do filme é simples, quase clássica: duas pessoas com personalidades opostas se veem presas em uma situação extrema e precisam aprender a sobreviver juntas. No centro da história está Linda Liddle, funcionária dedicada de uma empresa que sonha com uma promoção que mudaria sua vida. O cargo, porém, acaba indo para Bradley Preston, herdeiro arrogante que assume o...
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Vitor Zindacta
A voz que atravessa o silêncio: como “A Voz de Hind Rajab” transforma um pedido de socorro em testemunho cinematográfico
Em 'A Voz de Hind Rajab', filme indicado ao Oscar, o tema supera a forma (Divulgação) Há filmes que se apoiam em grandes encenações, efeitos visuais e estruturas narrativas complexas para causar impacto. Outros, porém, escolhem o caminho oposto: reduzem tudo ao essencial e deixam que a força da realidade fale por si. A Voz de Hind Rajab , candidato da Tunísia ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2026, pertence a esse segundo grupo. Em vez de apostar em grandes cenas ou construções dramáticas elaboradas, o longa escolhe uma estratégia radicalmente simples e dolorosa: transformar um pedido real de socorro no centro absoluto de sua narrativa. O filme se inspira em um episódio verídico ocorrido durante o conflito entre Israel e Palestina. No coração da história está Hind, uma menina de cinco anos que ficou presa em um carro sob ataque em Gaza e conseguiu entrar em contato com voluntários do Crescente Vermelho. O que se ouve ao longo do filme não é apenas uma representação dram...
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Vitor Zindacta
Política pública amplia acesso: governo garante distribuição de livros em braille para milhares de estudantes cegos
Iniciativa inédita de entrega domiciliar fica disponível mediante cadastro na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (Foto: Leo Bicalho) Em um país marcado por profundas desigualdades educacionais, o acesso ao livro didático continua sendo uma das ferramentas mais importantes para a construção da autonomia intelectual e do aprendizado formal. Quando esse acesso envolve estudantes com deficiência visual, a presença de materiais adaptados deixa de ser apenas um recurso pedagógico e passa a representar uma questão de inclusão, cidadania e direito básico à educação. Em 2026, o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) reforça esse compromisso ao assegurar a produção e a distribuição de livros em braille para estudantes cegos e surdocegos da rede pública em todo o país. A iniciativa prevê a distribuição de 22,3 mil exemplares em braille ao longo do ano, com um investimento federal de mais de R$ 27 milhões. O objetivo é atender milhares de estudantes matriculados nos anos...
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Vitor Zindacta
As teorias que tentaram explicar o ser humano — e por que nenhuma delas dá conta da nossa história
Ilustração mostra como seria aparência dos hominídeos de Sima de los Huesos, que viveram há aproximadamente 400 mil anos mas tiveram DNA relacionado a outro grupo que habitou a Ásia centenas de milhares de anos depois Foto: Javier Trueba/Madrid Scientific Films Desde que a ciência começou a investigar as origens da espécie humana, uma pergunta se repete como um enigma persistente: o que exatamente nos tornou humanos? Ao longo do século XX, cientistas, antropólogos e biólogos propuseram uma série de teorias para responder a essa questão. Algumas se concentraram em comportamentos específicos, outras em mudanças físicas ou cognitivas. Muitas delas ganharam força em determinados períodos históricos, refletindo não apenas o conhecimento científico da época, mas também os valores culturais de seus proponentes. No entanto, a maior parte dessas hipóteses acabou sendo questionada ou relativizada. O problema central é simples: a evolução humana dificilmente pode ser explicada por um único ...
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Vitor Zindacta
Entre confetes, crítica social e romance: seis livros que mostram o Carnaval além da festa
Quando se fala em Carnaval, a primeira imagem que costuma surgir é a da música alta, das fantasias coloridas e das multidões nas ruas. No entanto, a festa mais popular do Brasil também é matéria-prima para escritores, pesquisadores e cronistas que enxergam na folia muito mais do que um momento de diversão coletiva. Ao longo da história, o Carnaval se transformou em cenário de romances, objeto de investigação histórica e símbolo de conflitos sociais, políticos e culturais. Seis livros, de gêneros e épocas diferentes, ajudam a revelar como essa celebração pode ser interpretada pela literatura, seja como pano de fundo para dramas pessoais, seja como retrato de um país em transformação. O primeiro deles é O País do Carnaval , romance de estreia de Jorge Amado. Publicado quando o autor tinha apenas 18 anos, o livro apresenta a história de Paulo Rigger, filho de fazendeiro que retorna ao Brasil após sete anos estudando na França. Ao chegar ao Rio de Janeiro, ele percebe um país diferente daq...
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