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Análise: Razão e Sensibilidade, de Jane Austen

terça-feira, 10 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta

"Razão e Sensibilidade" é um livro em que as irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança, nos aponta para um excelente panorama da vida das mulheres de sua época. As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz.

Ficção / Literatura Estrangeira / Romance


ANÁLISE

Nas academias ou universidades, o termo refere-se frequentemente a departamentos e programas práticos de Estudos Ingleses, designação que procura dar conta do facto de as antigas colónias da Inglaterra terem desenvolvido a sua literatura própria e de falarem variantes do inglês. Por outras palavras, a literatura inglesa é tão diversa como as diversas variantes de inglês faladas no mundo.


A literatura inglesa marca muito bem as Eras literárias e períodos da história, cada um com uma característica diferente que influenciou o restante do mundo, em todas as artes.

A seguir, o trabalho presente, expõe uma obra literária inglesa clássica e de grande importância para a história registrada, e uma das autoras que mais marcou a época vivida e que até os dias de hoje é referência no seu contexto.

2. BIOGRAFIA DA AUTORA

Jane Austen (1775-1817) nascida em uma família provinciana em Steventon (Inglaterra), e uma família pertencente à nobreza agrária, sua situação e ambiente serviram de contexto para todas as suas obras, cujo tema gira em torno do casamento da protagonista. A inocência das obras de Austen é apenas aparente, e pode ser interpretada de várias maneiras. Os meios acadêmicos a têm considerado uma escritora conservadora, apesar de a crítica feminista atual reconhecer em suas obras uma dramatização do pensamento de Mary Wollstonecraft sobre a educação da mulher. Filha de um clérigo, após a morte do pai, em 1801, a vida de Jane Austen consistiu em passar temporadas na casa dos irmãos e em visitas eventuais a amigos e outros parentes.

A obra de Austen está isolada na literatura europeia, porque à sua época o curso da evolução literária estava ainda determinado pelo romantismo.

Muito objetiva a respeito do mundo em que viveu e dos personagens que criou, e excluído todo e qualquer subjetivismo através de uma severa disciplina classicista, a obra de Jane Austen revela profunda seriedade moral na crítica da vida, pouco lirismo e nenhuma paixão.

Ao mesmo tempo, seus livros possuem um fino humorismo, quase escondido atrás de um estilo de understatement (narração incompleta), tipicamente inglês. Seu espírito cômico se exercitou sobre paixões mais intelectualizadas, menos imediatas: orgulho, vaidade, ambição, contradições pessoais, preconceitos.

3. ESTILO E GÊNERO LITERÁRIO DA OBRA

A história relata os relacionamentos de Elinor e Marianne Dashwood, duas filhas do segundo casamento de Mr. Dashwood. Elas têm uma jovem irmã, Margaret, e um meio-irmão mais velho, John. Quando seu pai morre, a propriedade da família passa para John, o único filho homem, e as mulheres Dashwood se vêem em circunstâncias adversas. O romance relata a mudança das irmãs Dashwood para uma nova casa, mais simples e distante, e seus relacionamentos. O contraste entre as irmãs, mostrando Elinor mais racional e Mariane mais emotiva e passional, é resolvido quando cada uma encontra, à sua maneira, a felicidade. Ao longo da história, Elinor e Marianne buscam o equilíbrio entre a razão (ou pura lógica) e a sensibilidade (ou pura emoção) na vida e no amor.

A obra é intitulada como Romance. Por aproximar-se, por vezes, do melodrama, apresentando-se como um agitado romance da vida privada, a obra pode ser subestimada. No entanto, os diversos aspectos por ela abordados com relação ao amor e à maneira de reagir aos infortúnios da vida devem ser considerados como um prazeroso estímulo na leitura da obra. Austen nos apresenta uma poderosa crítica aos valores do período.

4. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

Segundo Richard Whately, em sua análise sobre a técnica e o efeito moral na ficção de Jane Austen, sua obra não altera nossa credibilidade, nem surpreende nossa imaginação, apesar de mostrar uma grande variedade de incidentes. As figuras de afeição e sensibilidade romântica eram primeiramente atributos de personagens fictícios, sendo pouco usuais na realidade; a maior parte encontra seu clímax mediante a repetição indiscriminada, a arte de copiar da natureza, dado que se encontra presente em todos os aspectos da vida.

Este panorama se expõe ante um leitor não como uma sucessão de cenas próprias de um mundo imaginário, pois a obra de Austen se centra em aspectos cotidianos e, portanto, alinhados com a vida real. A variedade, o entretenimento e o caminho incerto do protagonista são temas que a autora aborda na totalidade de suas obras. Não é menos importante a prioridade que concede ao detalhe, e a descrição realista e ilustrada de personagens e lugares.

A vulgaridade e a ambição da época napoleônica, quando o Iluminismo destruíra toda estrutura da ingênua fé medieval e a ciência inspirara uma forma nova de filosofia que enfatizava a busca dos prazeres terrenos; o início do Romantismo do século XIX, que se propõe a fazer uma revisão dos progressos da fase das Luzes, dos efeitos da urbanização, mecanização e racionalismo; a reflexão sobre os caminhos morais da sociedade, são temas expostos de forma clara a precisa. A principal característica do romance é a análise de reações e reflexões da alma humana.

Austen escreve o primeiro esboço de Elinor and Marianne (depois intitulado Sense and Sensibility) em 1795, aos 19 anos. Enquanto ela escrevera, na adolescência, um grande número de ficções curtas, Elinor and Marianne foi seu primeiro romance longo. O roteiro gira em torno do contraste entre o senso de razão de Elinor, e o emocionalismo de Marianne; as duas irmãs podem ter sido inspiradas no relacionamento de Jane com sua irmã mais velha, Cassandra, de forma que Cassandra seria a dotada de razão e ela mesma, Jane, a emocional.

Austen pode ter reivindicado para si mesma o senso de racionalidade, ou simplesmente pode ter tentado fazer uma paródia sobre o romantismo exagerado e a sensibilidade que eram próprios aos anos 1790. O tratamento que Austen dá às duas irmãs é complexo e multi-facetado. A biógrafa de Austen, Claire Tomalin, argumenta que Sense and Sensibility tem "wobble in its approach", que é explicada pelo fato de Austen, no curso de sua escrita, ter gradualmente ficado em dúvida se o senso ou a sensibilidade venceriam no final. Ela descreve Marianne com qualidades atraentes: inteligência, talento musical, franqueza e a capacidade de amar profundamente. Ela também insiste que Willoughby, com todas as suas falhas, continua a amá-la, da mesma forma. Por essas razões, alguns leitores consideram o casamento de Marianne com o Coronel Brandon um final insatisfatório.

5. ENREDO

Quando Mr. Dashwood morre, sua propriedade - Norland Park – passa diretamente para John, seu único filho, do primeiro casamento. Sua segunda esposa, Mrs. Dashwood, e as três filhas, Elinor, Marianne e Margaret, são deixadas apenas com uma pequena pensão.

Em seu leito de morte, Mr. Dashwood tinha obtido a promessa de John, no sentido de prover suas irmãs, mas a esposa de John, Fanny, persuade-o a quebrar sua promessa e a não sustentar mais suas cunhadas. John e Fanny se mudam para Norland imediatamente após a morte do pai, e tomam conta da propriedade. As mulheres Dashwood, sentindo-se estranhas em seu antigo lar, procuram um novo lugar para morar, dentro de seus poucos recursos.

O irmão de Fanny, Edward Ferrars, um amável, modesto, inteligente, mas reservado jovem, vem a Norland para uma visita; ele e Elinor ficam claramente atraídos um pelo outro, e Mrs. Dashwood tem esperança de que os dois venham a casar. Fanny insiste em deixar claro, porém, que sua mãe, Mrs. Ferrars, uma ponderosa viúva, quer o filho casado com uma mulher de alta classe; Mrs. Dashwood, indignada com a situação, resolve se mudar o quanto antes. Apesar do interesse de Edward por Elinor, seu comportamento reservado dificulta a clareza de suas intenções. Elinor desencoraja a esperança de sua família naquele casamento, apesar de, em seu coração, ter secretamente a esperança de realizá-lo.

Um dos primos de Mrs. Dashwood, o poderoso Sir John Middleton, oferece a elas uma pequena casa em sua propriedade de Devonshire, Barton Park, e Mrs. Dashwood decide aceitar. Ela e as filhas não conseguem deixar de comparar sua antiga Norland com a propriedade atual, mas procuram fazer o melhor que podem com a nova casa. Elas são bem recebidas por Sir John, que insite em lhes oferecer jantares e convivência social com a família, frequentemente, em sua grande casa em Barton Park. Ao lado de Sir John, estão sua reservadea e insípida esposa e sua sogra, Mrs. Jennings, uma viúva rica e um tanto vulgar que, com seu bom-humor e espírito brincalhão imediatamente decide encontrar maridos para as senhoritas Dashwood.

Enquanto visitam Sir John, as Dashwoods conhecem um velho amigo, o reservado, sério, mas gentil Coronel Brandon, que fica atraído por Marianne, e Mrs. Jennings percebe-o.

Marianne não se agrada da ideia, por considerer o Coronel Brandon, aos 35 anos, um velho incapaz de se apaixonar, ou inspirar amor em alguém.

Durante uma caminhada Marianne, ao fugir da chuva, cai e machuca seu tornozelo. Repentinamente, um belo rapaz, John Willoughby, que estava visitando sua tia, Mrs. Smith, e passava por perto, vê o acidente e carrega Marianne até sua casa, adquirindo sua admiração mediante o bom gosto, romantismo, e seu conhecimento de poesia e arte. Willoughby surge exatamente como o oposto do quieto e reservado Brandon. Ele passa a visitar Marianne diariamente, e Elinor e Mrs. Dashwood suspeitam que os dois estão secretamente compromissados.

Elinor preocupa-se com a atitude precipitada e descuidada de Marianne em presença de Willoughby e a previne, mas Marianne recusa a esconder suas emoções, acreditando na sinceridade. Durante um picnic, Willoughby e Marianne separam-se dos outros e vão até a propriedade de Willoughby, e Elinor fica surpresa e preocupada pelo fato de a irmã ir sozinha visitar uma casa em que a proprietária, Mrs Smith, lhe é uma desconhecida.

No dia seguinte, Mrs Dashwood e Elinor encontram Marianne desesperada após a visita de Willoughby; ele informara que sua tia o estava mandando para Londres, a negócios, e que não mais retornaria para Barton Park.

Edward Ferrars faz uma breve visita às Dashwoods em Barton, mas se mostra infeliz e Elinor teme que ele não tenha sentimentos por ela. Anne e Lucy Steele, duas primas um tanto vulgares e incultas de Lady Middleton, vêm passar uns dias em Barton Park. Lucy conta em segredo para Elinor sobre um compromisso que tem há tempos com Edward. Apesar de inicialmente Elinor reprovar Edward por provocar sua afeição sem estar livre para isso, ela percebe que o envolvimento com Lucy foi juvenil, e talvez possa ter sido um engano, e acredita que Edward não ame Lucy, mas não possa quebrar o compromisso assumido. Elinor esconde seu desapontamento, e fica difícil ouvir os desabafos de Lucy sem poder ser sincera em seu amor por Edward.

Elinor e Marianne vão, durante o inverno, à casa de Mrs. Jennings, em Londres. Marianne escreve uma série de cartas para Willoughby, e ele posteriormente escreve a ela, devolvendo sua mecha de cabelo e informando de seu compromisso com Miss Grey, uma rica mulher com £50,000 (equivalente a £1.7 milhões atualmente).6 Marianne fica arrasada, e admite para Elinor que ela e Willoughby nunca tiveram relamente um compromisso, mas que ela o amava e acreditava que ele a amava também.

Após a verdade sobre Willoughby, Coronel Brandon conta a Elinor que Willoughby havia seduzido sua protegida de 15 anos, Eliza Williams, e a abandonara quando ela ficara grávida. Brandon tivera um caso de amor com a mãe de Miss Williams, uma mulher que se assemelhava a Marianne, e cuja vida fora destruída por um casamento arranjado com o irmão do coronel.

Fanny Dashwood, que também está em Londres para a temporada, convence seu marido a não convidar as Dashwood para ficar em sua casa; ao invés disso convida as duas irmãs Steele. Lucy Steele se mostra arrogante, mas quando Mrs. Ferrars descobre seu envolvimento com Edward, fica furiosa enquanto Fanny expulsa as Misses Steele. Mrs. Ferrars ameaça deserdar Edward caso não rompa o compromisso, e esse, acreditando ser desonroso quebrá-lo, é deserdado em favor de seu irmão, Robert. Elinor e Marianne ficam pesarosas por Edward, pelo fato de estar casando com alguém que não ama.

O plano de Edward é se tornar pároco e o Coronel Brandon, sabendo de suas intenções e temendo sua ruína mediante tal casamento, consulta Elinor, questionando se deve ou não ajudá-lo a conseguir a paróquia, pois acredita que ele não tem meios para sustentar a esposa, após ser deserdado. Elinor conhece o irmão de Edward, Robert, e fica chocada ao perceber sua indiferença sobre o fato de Edward ter sido deserdado.

Após o inverno, as irmãs voltam para Barton através de Cleveland, a terra do genro de Mrs.Jennings, Mr. Palmer. Deprimida e desesperada pelo abandono de Willoughby, Marianne negligencia sua saúde e fica bastante doente. Sabendo da seriedade da doença, Willoughby procura Elinor e conta estar realmente apaixonado por Marianne, mas desde que foi deserdado devido ao relacionamento com Miss Williams, decidiu casar com a rica Miss Grey.

Elinor conta a Marianne sobre a visita de Willoughby, e Marianne admite que não seria feliz com tal casamento. Marianne também reconhece que sua doença foi fruto de sua excessiva sensibilidade e que desejara morrer, e agora seguiria o modelo de bom senso de Elinor.

A família acredita que Lucy já está casada com Edward; entretanto, no dia seguinte, Edward chega e revela que seu irmão, Robert Ferrars, é que casara com Lucy; dessa forma, pudera quebrar o antigo compromisso e estava livre. Edward pede a Elinor que se case com ele, e ela aceita. Edward se reconcilia com sua mãe, que o ajuda financeiramente, assim como com sua irmã Fanny. Edward e Elinor se casam e se mudam para Delaford.

A patronesse de Mr. Willoughby lhe dá sua herança, mediante o prudente casamento.

Nos próximos dois anos, Mrs. Dashwood, Marianne, e Margaret ficam mais tempo em Delaford. Marianne amadurece e, aos 19, decide casar com o Coronel Brandon, então com 37 anos. Apesar da rejeição inicial, a gratidão e respeito que adquiriu pelo Coronel se transformaram em amor. A casa do Coronel é perto da casa de Elinor e Edward, e as duas irmãs podem, então, se visitar regularmente.

6. CONCLUSÃO

Podemos concluir que a Obra Razão e Sensibilidade é uma das obras que mais marcaram o gênero da autora, falando de romance e ao mesmo tempo sendo crítica e bem humorada, levando aspectos de seu cotidiano para seus livros e fazendo com que sua obra tenha sido traduzida e virado filme contando a história das irmãs Dashwood.

O livro traz a delicadeza do romance e ao mesmo tempo a sagacidade de como as pessoas são diferentes e como cada um age de maneiras diferentes, mostrando que deve-se haver um equilíbrio entre a emoção e a razão para as coisas fluírem de fato.

Razão e Sensibilidade é um livro baseado nas emoções das mulheres. A narrativa se concentra nas idílicas tramas de amor e desilusão em que duas belas irmãs inglesas se envolvem. A obra se torna tão interessante por ser tão antiga e atingir de forma igualitária os amores e sentimentos das mulheres de atualmente.
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