companhia das letras

Análise do filme "As horas"

terça-feira, 10 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta



1) INTRODUÇÃO

Neste trabalho será abordada uma pesquisa referente ao filme “As Horas”, com o objetivo de estabelecer conhecimentos sobre as patologias apresentadas no filme e o que elas comprometem na vida de seus portadores. Juntamente com a síntese do filme “As Horas”.

2) SÍNTESE DO FILME

O filme “As Horas” baseia-se na obra literária de Michael Cunningham. Ambos, o filme e o livro, apresentam como personagens centrais Virginia Woolf, Laura Brown e Clarissa Vaughan. Essas três mulheres vivem, em épocas diferentes, conflitos semelhantes. As três personagens têm em comum o sentimento de não pertinência ao mundo cotidiano, que lhes reserva papéis bem definidos, com sua cota de sacrifícios e alegrias. Todas denotam

algum grau de profundidade filosófica e existencial nas experiências mais comuns, tais como: tomar café, comprar flores e fazer um bolo.

O enredo apresenta-se em três diferentes momentos históricos, desenrolados de forma paralela. Inicialmente, retrata Virginia Woolf, em 1923, escrevendo seu célebre livro Mrs.Dalloway. Em Richmond, onde, junto ao marido Leonard, busca a quietude necessária ao seu conturbado estado mental, o filme revela momentos cruciais, que simbolizam sua vida social, familiar e intrapsíquica, culminando com seu suicídio em 1941.

A segunda história passa-se em 1949, num subúrbio de Los Angeles. Laura Brown, casada com um herói de guerra Dan, mãe de um menino de 5 anos Richard e grávida do segundo filho, vê-se angustiada com sua vida e pensa em cometer suicídio. A trama relata apenas um dia na vida dessa mulher, que é leitora assídua de Virginia Woolf e, no momento, está lendo seu livro Mrs.Dalloway. Essa personagem tem uma família e uma vida comum, aparentemente sem conflitos, o que pode afastar qualquer hipótese de motivo externo atual para a depressão retratada. Seu marido está comemorando aniversário, e, como esposa, embora desanimada, Laura sente-se obrigada a lhe preparar uma surpresa. O filho aflito percebe e acompanha o sofrimento da mãe. Laura é incapaz de pensar algo diferente da morte, estando isso evidenciado em seu olhar.

A terceira parte do filme restringe-se a relatar o dia em que Clarissa prepara uma festa para Richard, em função de uma premiação literária que este receberia. Eles foram amantes por um verão na juventude e cultivaram uma forte amizade até os dias atuais. Aqui, são retratados os sentimentos de Clarissa em relação a Richard, explicitados em sua visita rotineira ao amigo e durante os preparativos da festa, quando se põe a refletir sobre eles. Richard está em estado terminal de saúde e insinua a ela sua intenção de se suicidar. Em apenas um dia, várias e intensas situações são dramatizadas por estes personagens.

3) Virginia Woolf

Virginia Woolf, nasceu em Londres 25 de janei ro de 1882, faleceu em Lewes em 28 de março de 1941 foi uma escritora e editora britanica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo.

Virginia desempenhava um papel de significância dentro da sociedade literária londrina durante o período entreguerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928), bem como o livro-ensaio Um Quarto Só Para Si (1929), onde encontra-se a famosa citação "Uma mulher deve ter dinheiro e um quarto próprio se ela quiser escrever ficção".

Biografia

Estreou na literatura em 1915 com um romance (The Voyage Out) e posteriormente teria realizado uma série de obras notáveis, as quais lhe valeriam o título de "a Proust inglesa". Faleceu em 1941, tendo cometido suicídio.

Virginia Woolf era filha do editor Leslie Stephen, o qual deu-lhe uma educação esmerada, de forma que a jovem teria frequentado desde cedo o mundo literário.

Em 1912, casou-se com Leonard Woolf, com quem funda, em 1917, a Hogarth Press, editora que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia Woolf apresentava crises depressivas. Em 1941, deixou um bilhete para seu marido, Leonard Woolf, e para a irmã, Vanessa. Neste bilhete, ela se despede das pessoas que mais amara na vida, e comete suicídio.

Virginia Woolf foi integrante do grupo de Bloomsbury, círculo de intelectuais que, após a Primeira Guerra Mundial, se posicionaria contra as tradições literárias, políticas e sociais da Era Vitoriana. Deste grupo participaram, dentre outros, os escritores Roger Fry e Duncan Grant; os historiadores e economistas Lytton Strachey e John Maynard Keynes; e os críticos Clive Bell e Desmond McCarthy.

A obra de Virginia é classificada como modernista. O fluxo de consciência foi uma de suas marcas mais conhecidas e da qual é considerada uma das criadoras.

Suas reflexões sobre a arte literária - da liberdade de criação ao prazer da leitura - baseadas em obras-primas de Conrad Defoe, Dostoievski, Jane Austen, Joyce, Montaigne, Tolstoi, Tchekov, Sterne, entre outros clássicos, foram reunidos em dois volumes publicados pela Hogarth Press em 1925 e 1932 sob o título de The Common Reader - O Leitor Comum, homenagem explícita da autora àquele que, livre de qualquer tipo de obrigação, lê para seu próprio desfrute pessoal. Uma seleta destes ensaios, reveladores da busca de Virginia Woolf por uma estética não só do texto, mas de sua percepção, foi

reunida em língua portuguesa em 2007 pela Graphia Editorial, com tradução de Luciana Viegas. Virginia Woolf editou outro livro também: "A Viúva eo papagaio" o qual não teve muito sucesso.

4) Patologias que constam no filme “As Horas”

As patologias que aparecem no filme “As Horas”, que afetam as três personagens (Virginia Woolf, Laura Brown, Clarissa Vaughn) é a depressão com a insatisfação e o fracasso de suas vidas. Há também a doença do personagem Richard ele está com AIDS, e vive em um apartamento sujo e frio, uma história que gira entorno de um dos livros publicados por Virginia Wollf “Mrs Dalloway”.

Veremos como essas doenças interferem na vida das pessoas e como a AIDS interfere também na vida psicologica de uma pessoa.

Depressão ou Transtorno depressivo maior

É um problema psiquiatrico e psicológico caracterizado pela perda de prazer nas atividades diarias, a alterações cognitivas tais como a capacidade de raciocinar adequadamente, de se concentrar ou de tomar decisões, a também disturbios psicomotores como a sensação de fraqueza, alterações no sono como insônia, ou hipersonolência e alterações no apetite como a perda de apetite, ou o aumento do apetite, redução do interesse sexual e ideação suícida.

A depressão diferencia-se do comportamento “triste” ou do humor-melancólico, que afeta a maioria das pessoas regurlarmente, por se tratar de uma condição duradoura (pelo menos seis meses no caso de menores de dezoito anos e um ano no caso de adultos) com fatores neurológicos acompanhado de vários sintomas específicos. Ou seja, depressão não é tristeza. É uma doença que precisa de tratamento.

As causa da depressão são inúmeras entre as mais notaveis estão as questões Genéticas, Alimentares, stress, estilo de vida, rejeição, uso de drogas, problemas na escola como o Bullying, e outros fatores.

Tipos de Depressão

Depressão dissimulada ou equivalente: Síndrome comum tratada pelo médico não psiquiatra. Os pacientes apresentam sinais típicos de depressão, mas o componente afetivo é afastado ou negado, muitas vezes expresso por sintomas somáticos. A depressão é revelada à medida que são penetradas as defesas do paciente.

Depressão reativa ou secundária: Surge em resposta a um estresse identificável, como perdas (reações a luto), doenças físicas graves

(tumores cerebrais, hipotireoidismo, etc.) ou uso/abstinência de drogas (corticoides barbitúricos, anticoncepcionais, hormônio tireoidiano, etc.). Correspondem a 60% de todas as depressões.

Depressão menor ou distimia: Falta de humor crônico, que dura pelo menos dois anos nos adultos e se manifesta pela síndrome depressiva, onde o paciente consegue funcionar socialmente, mas sem experimentar prazer.

Depressão maior ou unipolar: Desordem primária e endógena, caracterizada por episódios depressivos em períodos variáveis da vida do paciente, geneticamente predisposto à doença. Atualmente, pode ser tratada com medicamentos e psicoterapia. Corresponde a cerca de 25% de todas as depressões.

Transtorno de humor bipolar: Desordem primária e endógena, caracterizada por episódios depressivos alternados com fases de mania ou de humor normal. No estado de mania, a pessoa tem prejudicado o seu raciocínio, bem como sua capacidade de julgamento e o comportamento social; envolve-se facilmente em negócios mirabolantes ou aventuras; toma atitudes inadequadas e incertas. Se não tratada adequadamente, pode evoluir para quadros psicóticos. Corresponde a cerca de 10% de todas as depressões.

Forma mais grave e rara de depressão, caracterizada pela perda de autoestima humor não-reativo a estímulos agradáveis, acentuado retardo ou agitação psicomotora, delírios (perturbações do pensamento) e alucinações

(perturbações da percepção).

Depressão pós-parto: O parto e as alterações que ele traz, sejam hormonais ou na rotina da mulher, podem ser um potente estressor, desencadeando a depressão em mulheres com tendências à mesma.

AIDS- Sindrome de imunodeficiência adquirida

Doença que afetou Richard no filme “As Horas” que consequentemente o levou ao quadro de depressão grave o levando ao ato de suicídio

É uma doença do sistema imunológico humano causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Esta condição reduz progressivamente a eficácia do sistema imunológico e deixa as pessoas suscetíveis a infecções oportunistas e tumores. O HIV é transmitido através do contato direto de uma membrana mucosa ou na corrente sanguínea com um fluido corporal que contêm o HIV, tais como sangue, sêmen, secreção vaginal, fluido preseminal e leite materno. Esta transmissão pode acontecer durante o sexo anal, vaginal ou oral, transfusão de sangue, agulhas hipodérmicas contaminadas, o intercâmbio entre a mãe e o bebê durante a gravidez, parto, amamentação.

A AIDS foi reconhecida pela primeira vez pelos Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos, em 1981, e sua causa, o HIV, foi identificado no início dos anos 1980.

Embora os tratamentos para a AIDS e HIV possam retardar o curso da doença, não há atualmente nenhuma cura ou vacina. O tratamento anti-retroviral reduz a mortalidade e a morbidade da infecção pelo HIV, mas estes medicamentos são caros e o acesso a medicamentos anti-retrovirais de rotina não está disponível em todos os países. Devido à dificuldade em tratar a infecção pelo HIV, a prevenção da infecção é um objetivo-chave para controlar a pandemia da AIDS, com organizações de promoção da saúde do sexo seguro e programas de troca de seringas na tentativa de retardar a propagação do vírus.

AIDS, depressão e a descriminação social.

Vários estudos têm sugerido que nos pacientes com AIDS, tanto usuários de droga quanto homossexuais, a solidão e o isolamento aumentam a morbidade psiquiátrica, particularmente a depressão.

A depressão é o diagnóstico mais frequente na consultaria psiquiátrica de pacientes infectados ou que apresentam AIDS e a reação de ajustamento é a mais prevalente entre as síndromes depressivas. Os sintomas mais comuns são: fadiga, dificuldade de concentração, prejuízos de memória, apatia, ansiedade, hipocondria e diminuição da libido. A intensidade dos sintomas é muito variável e depende da personalidade pré-mórbida e da capacidade do indivíduo de lidar com o estresse.

O tratamento inadequado de uma depressão pode inclusive alterar o prognóstico do paciente. Um paciente deprimido tende a não aderir ao tratamento, a não tomar as medicações prescritas e a não acatar as orientações médicas, além do risco aumentado de suicídio.

Mesmo com os avanços obtidos no tratamento e com os meios de contágios identificados, a sociedade continua a evitar o soropositivo como se o mero contato social fosse capaz de transmitir o vírus, o que infelizmente coloca a pessoa portadora do HIV frente a dois desafios: um seria manter o seu estado de saúde e por outro lado lutar contra o preconceito e a discriminação da sociedade que ainda confunde a evitação do vírus com a evitação do portador do vírus, como se pessoa e vírus fossem a mesma coisa, fundidos em um só estado de existência e identidade.

Devido ao choque que pode causar o diagnostico positivo para o HIV dentro da família, algumas pessoas escondem seu estado de saúde, na maioria dos casos por medo a uma reação negativa por parte dos familiares. Por outro lado o apoio da família afeta de maneira positiva a auto-estima, a autoconfiança e a auto imagem do soropositivo e trás benefícios ao tratamento, fortalecendo o sujeito e o preparando para dar continuidade a sua vida, já que ser portador do HIV não é motivo para aposentadorias, trancamento de matriculas de estudo, abandono de atividades sociais, entre outros.

Conclusão

Este trabalho apresentou que a depressão ou transtorno depressivo maior afeta o psicológico tendo como características a perda ou alterações na vida emocional, no cognitivo, e na vida física de uma pessoa. Seja ela causada por fatores biológicos, físicos. E os tipos de depressão que podem afetar a população em geral. E como a AIDS exerce sobre seu portador a luta contra a discriminação social que também pode acarretar a um caso de depressão muitas vezes pela exclusão social ou familiar.

Tendo como base esses conhecimentos a depressão é um mal que afeta inúmeras pessoas ao redor do mundo e seu tratamento esta incluso o uso de medicações e de terapias. E que no mundo cotidiano as pessoas estão cada vez mais propicias a adquirir o estado de depressão por conta do estresse do cotidiano.

Referencias Bibliográficas

Síntese do filme: Revista Psiquiatr RS jan/abr 2006 ;28(1):83-92 http://www.jibelas.psc.br/tese%20sinara.html

Biografia de Virginia Woolf: fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Virginia_Woolf

Depressão ou Transtorno depressivo maior: http://www.revistapsiqrs.org.br

AIDS- Sindrome de imunodeficiência adquirida: http://en.wikipedia.org/wiki/AIDS

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