Dando sequência aos eventos do primeiro longa, reencontramos o clã Garrity após o impacto do cometa interestelar que quase varreu a vida do mapa. Forçados a abandonar a relativa segurança do bunker na Groenlândia, eles agora encaram uma travessia implacável pelas planícies congeladas e cadavéricas da Europa. O objetivo é a busca atávica por um novo refúgio e o vislumbre de um reinício em um mundo que já não se parece com nada que conhecemos.
Nutro um fascínio quase ancestral por assistir à humanidade quitar suas dívidas com o planeta através da lente do cinema catástrofe. Para mim, esse é um nicho de entretenimento que se valida com o mínimo de exposição verbal; exijo apenas que o espetáculo visual sustente os absurdos geológicos com brio até os créditos subirem. O primeiro Destruição Final (2020) cumpriu esse "arroz com feijão" de forma satisfatória, garantindo sua aprovação no meu crivo estético e, de quebra, plantando a semente para esta continuação — que prova, ironicamente, que o fim do mundo era apenas o ato de abertura.
A simpática unidade familiar, estabelecida no refúgio ao término da produção anterior, logo vê seu porto seguro desmoronar — literalmente. A expulsão para o mundo exterior dita o ritmo da trama: uma busca linear por abrigo. A premissa é econômica, direta e traça fronteiras narrativas bem nítidas, delegando ao exagero visual a tarefa de sustentar o interesse do público. Mais uma vez, a produção entrega o estritamente necessário para não naufragar, variando bem o cardápio de fenômenos naturais vingativos, mas sem nunca ousar. Falta ao filme a coragem de subverter o tema ou criar planos cinematográficos que sobrevivam na memória após as luzes se acenderem.
O roteiro também se esquiva de qualquer reflexão profunda sobre o papel humano no colapso ambiental, escondendo-se atrás de uma "causa natural" como motor do caos. O discurso de união e paz para o recomeço soa como uma interpretação fadigada de Imagine; uma tentativa anêmica de sugerir complexidade social ou geopolítica sem nunca chegar perto de espelhar a realidade fora da tela. É um exercício de escapismo que tenta vestir uma roupagem de engajamento, mas que se revela, no fundo, bastante covarde.
Em última análise, talvez minha expectativa estivesse alta demais para uma obra que já havia se mostrado mediana em suas ambições. É um projeto que cumpre sua função de entreter dentro de uma minutagem enxuta, mas que não faz o menor esforço para transcender a mediocridade do gênero — e, sendo honesto, talvez essa ambição jamais tenha passado perto do set de filmagens.


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