Postagens

Editora Senac São Paulo lança “Retrofit em multivisão”, obra que amplia o debate sobre o futuro das cidades

A Editora Senac São Paulo anuncia o lançamento de “ Retrofit em multivisão" , obra que aprofunda o debate contemporâneo sobre a requalificação de edificações existentes sob múltiplas perspectivas técnicas, conceituais e estratégicas. Mais do que um livro voltado a especialistas, a publicação coloca em pauta um tema central para o presente e o futuro das cidades sobre como atualizar, preservar e dar novos usos ao que já está construído. Organizado por Carlos Pinto Del Mar, o volume reúne contribuições de Adriana Levisky, Carlos Alberto de Moraes Borges, Carlos Augusto Mattei Faggion, Eduardo Akira Sugino, Ercio Thomaz, João da Rocha Lima Jr., Marcos Ferreira Gavião, Mauricio Linn Bianchi, Ricardo Pedro Guazzelli Rosario e Silvana Cambiaghi. A diversidade de formações desses profissionais, que inclui arquitetura, engenharia, direito, meio ambiente e gestão, sustenta a proposta central da obra: tratar o retrofit como um campo multidisciplinar que articula aspectos técnicos, jurídicos...

Misoginia digital: Sábados Feministas discute como o ódio nas redes alimenta a violência contra as mulheres

  Imagem: / Divulgação O aumento da violência contra as mulheres, longe de ser um fenômeno recente, ganha novas dimensões na era digital e exige uma leitura que leve em conta o papel do discurso de ódio nas redes sociais. Sob essa perspectiva, o Sábados Feministas recebe  Bruna Camilo,  socióloga e cientista política, pesquisadora nas áreas de gênero e misoginia, para a palestra  ”Violência contra as mulheres: misoginia e ódio nas redes sociais” , no dia  11 de abril, a partir das 10h, na Academia Mineira de Letras  [Rua da Bahia, 1466 – Centro]. O evento é gratuito e aberto ao público. A partir de sua pesquisa, que incluiu a observação direta de grupos em plataformas como o Telegram, a pesquisadora Bruna Camilo aponta para a existência de espaços digitais que operam como verdadeiros ecossistemas de reprodução de violência simbólica. “Precisamos compreender a influência das redes sociais e das big techs em nossas vidas e, principalmente, na vida dos meninos...

Andrea Nunes lança suspense policial jovem que promove discussão sobre a violência contra mulheres

Divulgação A escritora e procuradora de Justiça Andrea Nunes lança, em pré-venda pela editora Flyve , o romance Presunção de Inocência , obra que articula suspense jurídico e crítica social ao abordar a violência contra a mulher sob uma perspectiva contemporânea e voltada ao público jovem. O título já está disponível no site oficial da editora, ao preço de R$ 69,90, antecipando um lançamento que promete mobilizar leitores e fomentar debates urgentes. O pano de fundo da narrativa dialoga diretamente com a realidade brasileira. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o país registrou 1.568 feminicídios em 2025, o equivalente a uma taxa de 1,43 mortes a cada 100 mil mulheres — um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. É nesse contexto que a autora constrói uma ficção que, embora ambientada em um cenário acadêmico, reflete dinâmicas concretas de violência, silenciamento e desigualdade de gênero. Na trama, personagens femininas atravessam situações extrema...

São Paulo na música e na literatura no Bar Alto

A produção musical e a vida cultural de São Paulo são o eixo central de três lançamentos recentes da editora Terreno Estranho, que se encontram em um evento dedicado ao diálogo entre literatura, memória e cena sonora. As obras — O Som de São Paulo , de Fabiana Caso e Talita Hoffmann, Deslumbre – Histórias de obsessão musical , de Gaía Passarelli, e Jardim Quitaúna: Crônicas de paixão, política e cultura pop , de Rodrigo Carneiro — partem de perspectivas distintas, mas convergem ao explorar a cidade como território de experiências estéticas, afetivas e históricas. Em comum, além da relação direta com São Paulo, os autores compartilham trajetórias ligadas ao jornalismo musical, com exceção de Hoffmann, responsável pela dimensão visual de um dos projetos. O encontro, mediado pela jornalista Renata Simões, propõe uma conversa aberta sobre os processos criativos, as memórias e os recortes culturais que atravessam as três publicações. Na sequência, a programação se estende com discotecagem d...

A vida como corrida que ninguém anunciou — e o medo de nunca chegar

  Existe um momento em que a comparação deixa de ser um gesto pontual e passa a ser um modo de existir. Não é mais apenas olhar para o outro de vez em quando — é medir a própria vida constantemente a partir de referências externas. Como se houvesse uma régua invisível pairando sobre tudo, determinando o quanto eu avancei, o quanto estou atrasado, o quanto ainda falta para ser, enfim, suficiente. Eu sinto isso com uma frequência incômoda. Não acontece apenas em grandes marcos — carreira, dinheiro, reconhecimento. Acontece nas pequenas coisas também. Na forma como alguém se expressa com segurança, na clareza de quem parece saber exatamente o que quer, na estabilidade de quem já construiu algo que ainda me escapa. E, diante disso, algo dentro de mim recua. Porque a comparação não é neutra. Ela raramente se manifesta como admiração pura. Quase sempre vem acompanhada de um deslocamento — uma sensação de que o outro ocupa um lugar que eu não consegui alcançar. E, quando essa sensação se ...

Amar de novo depois do desgaste — o medo silencioso de ser rejeitado outra vez

Existe um tipo de cansaço que não passa com descanso. Ele se instala depois de uma relação que, em vez de nutrir, consome. Não é apenas o fim que dói — é o que fica depois. A forma como passamos a nos ver, a forma como passamos a interpretar o outro, a forma como o amor, que antes parecia possibilidade, se torna terreno instável. Eu saí de uma relação assim carregando mais do que memórias. Carregando dúvidas. Dúvidas sobre mim, sobre o outro, sobre o que é aceitável, sobre o que é real. Porque relações tóxicas não terminam quando acabam — elas continuam reverberando na forma como a gente se aproxima de alguém novo. E é aí que o medo começa. Não um medo evidente, que paralisa imediatamente. Mas um medo mais sutil, que se infiltra nas pequenas coisas. Na forma como interpreto mensagens, na expectativa antes de um encontro, na necessidade quase automática de antecipar sinais de rejeição. Como se, a qualquer momento, algo fosse dar errado — porque, antes, deu. Existe uma memória emocional ...

Aprender a sustentar o próprio silêncio — e o medo de não ser suficiente sozinho

Existe uma pergunta que não costuma ser dita em voz alta, mas que ecoa com insistência nos intervalos da rotina: será que eu vou conseguir viver assim, sozinho? Não sozinho no sentido literal, físico, mas sozinho no modo como a vida se organiza quando não há uma rede constante de presenças, quando os vínculos são poucos, espaçados, ou quando simplesmente não existem da forma como a sociedade espera. Eu já me vi diante dessa pergunta mais vezes do que gostaria de admitir. Não como um exercício teórico, mas como um confronto íntimo. Porque viver só, de verdade, não é apenas uma condição externa — é uma experiência interna que expõe fragilidades que normalmente ficam escondidas quando há alguém por perto. Existe uma pressão silenciosa que diz que não deveríamos estar assim. Ela aparece nas comparações mais banais — grupos de amigos que se encontram com frequência, mensagens que circulam o tempo todo, agendas cheias, histórias compartilhadas. Existe um modelo implícito de vida social a...

O medo de amar tarde demais — e a ilusão de que o amor tem prazo

  Existe um tipo de silêncio que só aparece quando a noite se alonga mais do que deveria e não há ninguém para preencher o espaço entre um pensamento e outro. Não é um silêncio externo, desses que se resolvem com música ou distração. É um silêncio interno, mais denso, que carrega uma pergunta que evitamos durante o dia: e se eu nunca encontrar alguém? Eu já senti isso. Não como uma ideia distante, mas como um aperto real, físico quase, que se instala no peito quando começo a pensar no tempo passando. Porque o amor, ao contrário de outras conquistas, não depende apenas de mim. E essa falta de controle é, talvez, o que mais assusta. Há uma narrativa muito bem construída sobre o amor. Ela diz que, em algum momento, inevitavelmente, encontraremos alguém. Que existe uma espécie de encontro destinado, uma pessoa certa, um encaixe que resolve a solidão de forma definitiva. Crescemos acreditando nisso, consumindo histórias que reforçam essa ideia, vendo relações que parecem confirmar essa ...

Crescer é aprender a decepcionar — inclusive a si mesmo

Há um momento silencioso, quase imperceptível, em que crescer deixa de ser uma promessa e passa a ser um peso. Não acontece de forma dramática, não há uma ruptura clara, nenhum anúncio solene que declare: “agora você é adulto”. Em vez disso, é um acúmulo — de pequenas decisões, de silêncios engolidos, de expectativas que já não cabem mais no corpo. Eu percebi isso não quando alcancei algo, mas quando comecei a temer perder. E, mais ainda, quando comecei a temer decepcionar. Quando somos mais jovens, existe uma espécie de inocência estrutural que nos sustenta. Acreditamos que há um caminho correto, uma forma certa de viver, um roteiro invisível que, se seguido com disciplina, nos levará a um lugar de pertencimento e reconhecimento. Crescer, no entanto, desmonta essa ilusão peça por peça. Descobrimos que não há garantias, que o esforço não é uma moeda estável, e que, no fundo, ninguém sabe exatamente o que está fazendo — apenas disfarçam melhor. Mas o que mais me assombra não é essa ausê...

A urgência de chegar antes dos 30 — e o peso invisível de não saber para onde

Existe uma espécie de relógio não declarado que começa a fazer barulho dentro da cabeça quando nos aproximamos dos 30. Ele não foi instalado por nós, embora insistamos em acreditar que sim. Foi herdado — de conversas atravessadas, de expectativas familiares, de histórias de sucesso repetidas à exaustão, de uma cultura que romantiza a precocidade como se o valor de uma vida pudesse ser medido pela velocidade com que ela se organiza. Eu sinto esse relógio. Não o vejo, não sei exatamente de onde ele vem, mas ele está lá, pulsando, lembrando, cobrando. Ele me diz, em tons diferentes dependendo do dia, que já deveria ter conquistado mais, que já deveria estar mais estável, mais resolvido, mais definido. Há sempre um “mais” que não se completa. E é nesse espaço — entre o que sou e o que imagino que deveria ser — que a pressão cresce. O problema nunca foi apenas o tempo. Foi a comparação. Porque não basta olhar para si. Em algum momento, inevitavelmente, olhamos para os outros. E o que vemos ...