A produção musical e a vida cultural de São Paulo são o eixo central de três lançamentos recentes da editora Terreno Estranho, que se encontram em um evento dedicado ao diálogo entre literatura, memória e cena sonora. As obras — O Som de São Paulo, de Fabiana Caso e Talita Hoffmann, Deslumbre – Histórias de obsessão musical, de Gaía Passarelli, e Jardim Quitaúna: Crônicas de paixão, política e cultura pop, de Rodrigo Carneiro — partem de perspectivas distintas, mas convergem ao explorar a cidade como território de experiências estéticas, afetivas e históricas. Em comum, além da relação direta com São Paulo, os autores compartilham trajetórias ligadas ao jornalismo musical, com exceção de Hoffmann, responsável pela dimensão visual de um dos projetos.
O encontro, mediado pela jornalista Renata Simões, propõe uma conversa aberta sobre os processos criativos, as memórias e os recortes culturais que atravessam as três publicações. Na sequência, a programação se estende com discotecagem da também jornalista Camila Yahn, ampliando a experiência para além do debate e aproximando o público do universo sonoro abordado nos livros. Com entrada gratuita, o evento ocorre na quinta-feira, 19 de março, a partir das 18h, no Bar Alto, na Vila Madalena, tradicional reduto cultural da zona oeste paulistana.
Gaia Passarelli / Divulgação
Entre os destaques, Deslumbre, de Gaía Passarelli, se apresenta como uma narrativa híbrida que articula memória pessoal, crítica cultural e reportagem. Com prefácio de Camilo Rocha e ilustrações de Tiago Lacerda, o livro revisita momentos-chave da formação musical da autora, traçando um percurso que passa por espaços emblemáticos da noite paulistana, como o Espaço Retrô e o Hell’s Club, além dos bastidores da MTV Brasil. Ao longo da obra, Passarelli constrói uma espécie de cartografia afetiva da Geração X, acompanhando transformações que vão dos anos 1980 à consolidação da cultura digital nos anos 2000. As seções “Backstage”, distribuídas entre os capítulos, ampliam esse universo ao reunir referências que vão do pós-punk ao eletrônico experimental, evidenciando a música como linguagem formadora de identidade. Mais do que um relato autobiográfico, o livro propõe uma reflexão sobre o papel da música como força estruturante da experiência contemporânea.
Rodrigo Carneiro / Divulgação
Já Jardim Quitaúna, de Rodrigo Carneiro, investe em uma abordagem memorialista que transita entre o íntimo e o coletivo. Sem se configurar como autobiografia tradicional, a obra reúne crônicas que exploram episódios marcantes da trajetória do autor, nascido em 1972, articulando vivências pessoais com acontecimentos da cultura pop brasileira. O livro recupera histórias que atravessam diferentes camadas da cena artística, do mainstream ao underground, incluindo encontros com figuras como Jello Biafra e Chico Science, além de episódios que revelam os bastidores do jornalismo cultural. O título remete ao bairro de Osasco onde Carneiro cresceu, funcionando como ponto de partida para uma narrativa que conecta periferia, mídia e produção artística. Com prefácio de Adriana Ferreira Silva, o livro reafirma o olhar atento do autor sobre as relações entre cultura, política e subjetividade.
Com uma proposta mais panorâmica, O Som de São Paulo, de Fabiana Caso e Talita Hoffmann, se estrutura como uma ampla cartografia da produção musical paulistana entre 1967 e 1985. A obra percorre movimentos que vão da psicodelia ao pós-punk, passando pelo tropicalismo, pela Vanguarda Paulista e por diversas vertentes que moldaram o cenário sonoro da cidade. A partir de pesquisa jornalística e construção visual elaborada, o livro reúne depoimentos, registros históricos e referências que incluem artistas, casas noturnas, lojas de discos e circuitos culturais fundamentais para a consolidação dessas cenas. Nomes como Os Mutantes, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e As Mercenárias aparecem ao lado de espaços icônicos como o Lira Paulistana e o Madame Satã, compondo um mosaico que articula memória e análise. Com estrutura não linear e projeto gráfico dinâmico, a publicação se aproxima de um almanaque contemporâneo, combinando informação e experimentação estética. A edição, bilíngue, inclui ainda um mapa que localiza geograficamente os principais pontos abordados, estabelecendo conexões entre passado e presente.
Juntas, as três obras oferecem leituras complementares sobre a música como elemento central da cultura urbana paulistana. Seja pelo viés íntimo, histórico ou documental, os livros reafirmam São Paulo como um dos principais polos de experimentação artística do país, evidenciando como suas múltiplas cenas continuam a reverberar na literatura, no jornalismo e na memória coletiva.
A música e a cultura de São Paulo é tema das três obras lançadas pela Terreno Estranho: O Som de São Paulo de Fabiana Caso e Talita Hoffmann, Deslumbre - Histórias de obsessão musical de Gaía Passarelli e Jardim Quitaúna: Crônicas de paixão, política e cultura pop de Rodrigo Carneiro. Dentre muitos pontos em comum, além de habitantes de SP, os três autores são jornalistas musicais (Talita Hoffmann é ilustradora).
O bate papo é mediado pela jornalista Renata Simões. E a discotecagem depois do bate papo é da também jornalista Camila Yahn.
A entrada é gratuita.
São Paulo na música e na literatura
Bate papo com os autores: Fabiana Caso, Gaía Passarelli e Rodrigo Carneiro Mediação de Renata Simões E discotecagem de Camila Yahn Quinta-feira, 19 de março A partir das 18 horas Bar Alto - R. Aspicuelta, 194, Vila Madalena, São Paulo
A produção musical e a vida cultural de São Paulo são o eixo central de três lançamentos recentes da editora Terreno Estranho, que se encontram em um evento dedicado ao diálogo entre literatura, memória e cena sonora. As obras — O Som de São Paulo, de Fabiana Caso e Talita Hoffmann, Deslumbre – Histórias de obsessão musical, de Gaía Passarelli, e Jardim Quitaúna: Crônicas de paixão, política e cultura pop, de Rodrigo Carneiro — partem de perspectivas distintas, mas convergem ao explorar a cidade como território de experiências estéticas, afetivas e históricas. Em comum, além da relação direta com São Paulo, os autores compartilham trajetórias ligadas ao jornalismo musical, com exceção de Hoffmann, responsável pela dimensão visual de um dos projetos.
O encontro, mediado pela jornalista Renata Simões, propõe uma conversa aberta sobre os processos criativos, as memórias e os recortes culturais que atravessam as três publicações. Na sequência, a programação se estende com discotecagem da também jornalista Camila Yahn, ampliando a experiência para além do debate e aproximando o público do universo sonoro abordado nos livros. Com entrada gratuita, o evento ocorre na quinta-feira, 19 de março, a partir das 18h, no Bar Alto, na Vila Madalena, tradicional reduto cultural da zona oeste paulistana.
Já Jardim Quitaúna, de Rodrigo Carneiro, investe em uma abordagem memorialista que transita entre o íntimo e o coletivo. Sem se configurar como autobiografia tradicional, a obra reúne crônicas que exploram episódios marcantes da trajetória do autor, nascido em 1972, articulando vivências pessoais com acontecimentos da cultura pop brasileira. O livro recupera histórias que atravessam diferentes camadas da cena artística, do mainstream ao underground, incluindo encontros com figuras como Jello Biafra e Chico Science, além de episódios que revelam os bastidores do jornalismo cultural. O título remete ao bairro de Osasco onde Carneiro cresceu, funcionando como ponto de partida para uma narrativa que conecta periferia, mídia e produção artística. Com prefácio de Adriana Ferreira Silva, o livro reafirma o olhar atento do autor sobre as relações entre cultura, política e subjetividade.
Com uma proposta mais panorâmica, O Som de São Paulo, de Fabiana Caso e Talita Hoffmann, se estrutura como uma ampla cartografia da produção musical paulistana entre 1967 e 1985. A obra percorre movimentos que vão da psicodelia ao pós-punk, passando pelo tropicalismo, pela Vanguarda Paulista e por diversas vertentes que moldaram o cenário sonoro da cidade. A partir de pesquisa jornalística e construção visual elaborada, o livro reúne depoimentos, registros históricos e referências que incluem artistas, casas noturnas, lojas de discos e circuitos culturais fundamentais para a consolidação dessas cenas. Nomes como Os Mutantes, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e As Mercenárias aparecem ao lado de espaços icônicos como o Lira Paulistana e o Madame Satã, compondo um mosaico que articula memória e análise. Com estrutura não linear e projeto gráfico dinâmico, a publicação se aproxima de um almanaque contemporâneo, combinando informação e experimentação estética. A edição, bilíngue, inclui ainda um mapa que localiza geograficamente os principais pontos abordados, estabelecendo conexões entre passado e presente.
Juntas, as três obras oferecem leituras complementares sobre a música como elemento central da cultura urbana paulistana. Seja pelo viés íntimo, histórico ou documental, os livros reafirmam São Paulo como um dos principais polos de experimentação artística do país, evidenciando como suas múltiplas cenas continuam a reverberar na literatura, no jornalismo e na memória coletiva.
A música e a cultura de São Paulo é tema das três obras lançadas pela Terreno Estranho: O Som de São Paulo de Fabiana Caso e Talita Hoffmann, Deslumbre - Histórias de obsessão musical de Gaía Passarelli e Jardim Quitaúna: Crônicas de paixão, política e cultura pop de Rodrigo Carneiro. Dentre muitos pontos em comum, além de habitantes de SP, os três autores são jornalistas musicais (Talita Hoffmann é ilustradora).
O bate papo é mediado pela jornalista Renata Simões. E a discotecagem depois do bate papo é da também jornalista Camila Yahn.
A entrada é gratuita.
São Paulo na música e na literatura
Bate papo com os autores: Fabiana Caso, Gaía Passarelli e Rodrigo Carneiro
Mediação de Renata Simões
E discotecagem de Camila Yahn
Quinta-feira, 19 de março
A partir das 18 horas
Bar Alto - R. Aspicuelta, 194, Vila Madalena, São Paulo
Entrada gratuita
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