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Mês do Orgulho: poeta paulista ousa em procedimentos de escrita, como uso de IA, para discutir questões políticas e eróticas da masculinidade

"Testoste-TRIP", estreia de Felipe Eduardo Lázaro Braga, é uma das primeiras obras brasileiras a experimentar com poesia gerada por Inteligência Artificial “Pisar (com o pé direito) no acidentado e por vezes movediço campo da poesia brasileira contemporânea trazendo debaixo do braço elementos como a matemática, a psicanálise, Warhol & Wesley Safadão, Blue Space & Shakespeare, a deliciosa putaria conversada em aplicativos de encontros, diálogos com inteligências artificiais e tantos outros elementos magnificamente desconcertantes é tarefa arriscada. Lemos aqui uma espécie de Joaquim Cardozo atravessado pelo riso e pelas questões queer. Talvez do risco e do riso nasçam, justamente, os pontos altos deste alto livro” Trecho da orelha de “testoste-TRIP",  assinada por Matheus Guménin Barreto,  poeta, editor da Revista Ruído Manifesto e tradutor A capa de "testoste-TRIP" (150 págs., Kotter Editorial) , livro de estreia do poeta paulista Felipe Eduardo Lá...

[RESENHA #569] Por um momento, um dia, uma vida ou sei lá o quê, de Hugo Bessa

APRESENTAÇÃO Quando um advogado bem-sucedido, mas frustrado, e uma dona de casa infeliz se envolvem em um acidente de carro, não imaginam que aquele pequeno momento que os fez colidir é definitivo e, à sua maneira, fatal. Induzidos a manterem contato por situações nem sempre alheias às suas vontades, eles acabam se transformando, o que desperta sonhos antigos, novas possibilidades, mas também dores e segredos que preferiam deixar para trás. Uma história sobre pequenos instantes que podem mudar um momento, um dia ou uma vida inteira. RESENHA Bessa, Hugo. Por um momento, um dia, uma vida ou sei lá o quê ... / Hugo Bessa – Guaratinguetá, SP: Editora Penalux, 2023. Roberto, 56, casado com Ivana, trabalha para uma construtora como gerente, na qual detesta, tudo o que ele mais gostaria era incendiar tudo e observar o caos e o desaparecimento de tudo aquilo enquanto aproveita uma deliciosa dose de cachaça, mas ele não pode. Tarde, rotina de trabalho, a tela de seu computador pisca - um novo e...

[RESENHA #568] O poder do ultrajovem, de Carlos Drummond de Andrade

APRESENTAÇÃO O poder ultrajovem reúne textos publicados por Carlos Drummond de Andrade na imprensa entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970. Trata-se de um poderoso conjunto de prosa e verso - sempre pendendo para os domínios da crônica, gênero que o grande escritor mineiro praticou como poucos -, em que o olhar maduro e algo desencantado (mas com muita ironia) do autor se debruça sobre os mais diversos aspectos da vida e da sociedade daquela época. Temas como a amizade, a história do Brasil, a vida no Rio de Janeiro, as artes, o Carnaval, o futebol e até mesmo a ecologia aparecem no estilo leve e sempre afiado de Drummond. As crianças e os jovens ocupam um espaço à parte no livro, pois são agudos os apontamentos a respeito das transformações pelas quais meninos e meninas atravessavam naqueles tempos conturbados em que conviviam, ao menos no Brasil, os hippies e um regime antidemocrático instaurado em 1964 (tendo ficado ainda mais duro e violento justamente na passa...

[RESENHA #567] Esquecer para lembrar, de Carlos Drummond de Andrade

APRESENTAÇÃO Segundo volume da reunião de poemas memorialísticos de Drummond, Boitempo II: Esquecer para lembrar retorna em novo projeto, com posfácio de Heloisa Murgel Starling. Em Boitempo II, Drummond se afasta da infância rural e ingressa em um mundo novo, o da tecnização forçada, onde só importa o que cada um produz ou comercializa: chapéu, gaiola, punhal, geleia, pão de queijo, caixão. O menino de Itabira, porém, nada fabrica: apenas assiste às fabricações. É desse ponto de vista, de observador desconfi­ado, que vemos o progresso en­fim chegar ao Brasil do interior, impondo suas multas e restrições: é proibido galopar pelas ruas de pedra, estender roupa branca entre os túmulos do cemitério, rezar alto de madrugada. Mas, então, pergunta-se o futuro poeta: “Que fazer, para não morrer de paz?” Carlos é mandado à escola, deixa a casa paterna, aventura-se no trem de ferro, estuda latim e gramática, destaca-se nos panfletos estudantis, ganha o apelido de Anarquista. Os padres o expulsa...

[RESENHA#567] O menino antigo, de Carlos Drummond de Andrade

  APRESENTAÇÃO Primeiro volume da reunião de poemas memorialísticos de Drummond, Boitempo I: Menino antigo retorna em novo projeto, com posfácio de Carlos Bracher. Originalmente publicada por Drummond em três volumes — em 1968, 1973 e 1979 —, a série Boitempo parece endossar, não sem ironia, dois de seus versos mais simples: “Viver é saudade / prévia.” Ao compô-la, o poeta admitia que voltava a ser criança em Itabira, e com volúpia”, embora uma voz não nomeada o exortasse, desde sempre, a calar tais lembranças bobocas de menino”. Não calou. Ao revisitar o passado, alegou que apenas escrevia o seu presente. Na verdade, foi além. Recordando as impressões de infância no “mundo minas”, também deixou registrada parte da biografi­a de um Brasil de essência escravagista e predatória. A agritortura”, o garimpo, o comércio, tudo admirava o pequeno Carlos, atento às vontades daquilo que talvez já identifi­casse como “privilégio” e “propriedade” — aliás, Drummond dá esses títulos a dois poema...

[RESENHA #566] Em busca de um teatro pobre, de Grotowski

APRESENTAÇÃO Quase 50 anos após a primeira publicação de Em busca de um teatro pobre no Brasil, a Civilização Brasileira, republica a principal obra que revoluciona as artes cênicas no século XX, de maneira tão inovadora que segue relevante e oportuna para os dias atuais. Com prefácio de Peter Brook, renomado diretor de teatro e cinema, Em busca de um teatro pobre volta para as prateleiras das livrarias brasileiras em nova primeira edição com layout de capa igual à original publicada em 1976. Segundo Yan Michalski, importante teatrólogo polaco-brasileiro, fundador da Casa de Artes das Laranjeiras (CAL), neste livro: “A pobreza do teatro pobre de Grotowski nada tem a ver com a pobreza do teatro brasileiro. A nossa pobreza é uma realidade de força maior imposta pelo nosso subdesenvolvimento; e em certos casos ela se manifesta de paradoxais exibições de opulência material. A pobreza de Grotowski é uma opção quase metafísica, resultante de uma aristocrática riqueza de tradições contraditó...

[RESENHA #565] Niéde Guidon - uma arqueóloga no sertão, de Adriana Abujamra

  APRESENTAÇÃO Livro sobre a arqueóloga Niéde Guidon, guardiã de um dos maiores sítios de pinturas rupestres do mundo, o Parque Nacional Serra da Capivara, patrimônio cultural da humanidade. Neste perfil da arqueóloga Niéde Guidon, a jornalista Adriana Abujamra revela a bravura e a doçura daquela que dedicou sua vida a proteger o maior tesouro arqueológico brasileiro, a despeito das opressões estruturais e da falta de apoio do Estado. Desde a década de 1970, Niéde reúne recursos para proteger o Parque Nacional Serra da Capivara – declarado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Ainda sem o devido reconhecimento no Brasil, Niéde é célebre internacionalmente por empreender uma revolução no sertão do Piauí, levando educação, arte e melhores condições de vida para toda a região. Nestas páginas, leitores e leitoras poderão se aprofundar não apenas na vida dessa mulher à frente do seu tempo, mas também no cotidiano de amigos e sertanejos que convivem com Niéde e são responsáveis ...

[RESENHA #565] Amazonas, abolicionistas e ativistas, de Mikki Kendall e A. D'amico

APRESENTAÇÃO Esta graphic novel, da escritora, ativista e crítica cultural Mikki Kendall, é uma obra divertida e fascinante que apresenta as principais figuras e acontecimentos que promoveram os direitos das mulheres, desde a Antiguidade até a Era Moderna. Além disso, este interessante livro apresenta as proezas de mulheres notáveis ao longo da história de rainhas e combatentes da liberdade a guerreiras e espiãs , além de citar importantes passagens sobre os movimentos progressistas liderados por mulheres que moldaram a história, entre eles, abolição, sufrágio feminino, trabalho, direitos civis, libertação do grupo LGBTQ+, direitos reprodutivos e muito mais. RESENHA A obra amazonas, abolicionistas e ativistas é uma graphic novel (HQ) elaborada por Mikki Kendall com colaboração das ilustrações de A.  D'amico, ambas ativistas políticas do universo e das causas feministas e representação midiática. A obra é um fomento necessário à literatura em prol da valorização do poder da mulher n...