Uma análise crítica de como a linguística funcional e cognitiva podem transformar o ensino da sintaxe e aproximar gramática e uso real da língua.
SPERANÇA-CRISCUOLO, Ana Carolina. Funcionalismo e cognitivismo na sintaxe do português: uma proposta de descrição e análise de orações subordinadas substantivas para o ensino. São Paulo: Editora Unesp Digital, 2015. Recurso digital (ePDF). ISBN 978-85-68334-45-4. CDD: 469.5.
A obra “Funcionalismo e Cognitivismo na Sintaxe do Português”, de Ana Carolina Sperança-Criscuolo, insere-se no campo contemporâneo da linguística aplicada ao ensino da língua portuguesa, propondo uma abordagem inovadora para o estudo da sintaxe. Originado de uma pesquisa acadêmica vinculada ao campo da Linguística e à formação docente, o livro apresenta uma proposta teórica e metodológica que busca integrar duas correntes importantes da linguística moderna — o funcionalismo e o cognitivismo — para reinterpretar um dos tópicos tradicionalmente mais complexos do ensino de gramática: as orações subordinadas substantivas.
A relevância do trabalho reside em seu esforço de superar a histórica separação entre gramática e texto, problema frequentemente apontado como um dos principais entraves do ensino de língua portuguesa nas escolas brasileiras. A autora parte da premissa de que a sintaxe não deve ser compreendida apenas como um conjunto de estruturas formais, mas como um instrumento de construção de sentido e de organização discursiva. Nesse sentido, a obra busca reposicionar o estudo da gramática dentro de uma perspectiva comunicativa e cognitiva, aproximando teoria linguística e prática pedagógica.
Logo nas primeiras páginas, o prefácio assinado por Antônio Suárez Abreu contextualiza o problema central da obra: a tradição pedagógica brasileira separou historicamente o ensino de gramática do ensino de produção textual. Segundo ele, nas aulas de gramática predominam classificações e nomenclaturas, enquanto nas aulas de texto predominam discussões estilísticas e de gêneros discursivos. Esse descompasso metodológico resulta em uma aprendizagem fragmentada da língua. Nesse cenário, a proposta de Sperança-Criscuolo surge como alternativa integradora. Conforme afirma o prefácio, o estudo demonstra que as orações subordinadas são frequentemente utilizadas para introduzir a voz de outros enunciadores no discurso, permitindo que o falante dialogue com diferentes perspectivas textuais. Como observa o prefaciador, essas construções permitem ao autor incorporar ideias de outros indivíduos ou fontes no texto, fenômeno fundamental na escrita acadêmica, jornalística e literária.
A introdução da obra esclarece a motivação principal da pesquisa: as dificuldades persistentes no ensino da gramática nas escolas. A autora observa que, embora os estudos linguísticos tenham avançado significativamente nas últimas décadas, o ensino de língua portuguesa ainda enfrenta desafios estruturais, sobretudo no que diz respeito à capacidade de leitura e produção textual dos estudantes. Nesse contexto, ela argumenta que a sintaxe desempenha um papel central na arquitetura textual e deve ser analisada não apenas sob critérios formais, mas também sob critérios pragmáticos e cognitivos. Em suas palavras, o estudo da sintaxe pode contribuir para “um melhor entendimento e maior domínio dessas construções e, consequentemente, dos textos em que se manifestam” (p.14).
O primeiro capítulo apresenta um panorama histórico dos estudos linguísticos, examinando a evolução das teorias sobre a linguagem desde a antiguidade até a linguística contemporânea. A autora mostra que, desde os estudos gregos, a análise da língua esteve fortemente associada à classificação e definição de categorias gramaticais. Esse modelo influenciou profundamente o ensino de gramática no Ocidente, consolidando um método baseado na identificação de paradigmas e na memorização de nomenclaturas. Tal tradição, embora relevante para o desenvolvimento da linguística como disciplina científica, acabou reforçando uma visão normativa e estruturalista da língua.
A autora argumenta que essa tradição explica a persistência de práticas pedagógicas centradas na análise formal da linguagem. De acordo com o livro, durante séculos o ensino de língua materna baseou-se na ideia de que o domínio das estruturas gramaticais garantiria automaticamente a competência textual dos alunos. Entretanto, essa suposição revelou-se limitada. Como afirma a autora, o ensino tradicional privilegiou “a observação de como se agrupam os elementos linguísticos para formar frases e sua classificação”, sem considerar suficientemente os contextos de uso da linguagem (p.18).
A análise histórica apresentada na obra evidencia também as mudanças paradigmáticas ocorridas no campo da linguística ao longo do século XX. A autora discute o surgimento do estruturalismo e posteriormente da gramática gerativa, ressaltando a contribuição dessas correntes para a formalização dos estudos linguísticos. Contudo, ela também aponta as limitações dessas abordagens, especialmente no que diz respeito à compreensão do papel do contexto e da intenção comunicativa na organização da linguagem.
Nesse ponto, a obra introduz o funcionalismo linguístico como alternativa teórica. Diferentemente das abordagens formalistas, o funcionalismo considera que as estruturas linguísticas são moldadas pelas funções comunicativas que desempenham. Em outras palavras, a forma gramatical não existe isoladamente, mas surge como resposta às necessidades comunicativas dos falantes. Como sintetiza a autora, no paradigma funcional “é a função que determina a forma”, o que implica analisar a língua a partir das condições reais de uso e das intenções discursivas dos interlocutores (p.29).
A perspectiva cognitivista, por sua vez, complementa essa abordagem ao enfatizar os processos mentais envolvidos na produção e interpretação da linguagem. Inspirada em autores como Lakoff, Fauconnier e Turner, a autora discute o papel da integração conceptual na construção do significado linguístico. Segundo essa perspectiva, a organização sintática das frases reflete estruturas cognitivas mais profundas relacionadas à maneira como os seres humanos conceptualizam a realidade.
A parte central da obra dedica-se à análise das orações subordinadas substantivas sob essa perspectiva funcionalista-cognitivista. A autora argumenta que essas construções não devem ser vistas apenas como elementos sintáticos subordinados a uma oração principal, mas como estruturas que desempenham funções discursivas específicas. Em muitos casos, elas permitem ao falante introduzir opiniões, crenças ou informações atribuídas a outras fontes, funcionando como mecanismos de mediação discursiva.
Por exemplo, ao empregar verbos dicendi — como “dizer”, “afirmar”, “acreditar” ou “pensar” — o falante introduz proposições que representam diferentes pontos de vista. Esse recurso não apenas organiza a informação no texto, mas também permite ao enunciador posicionar-se em relação ao conteúdo apresentado. Assim, a estrutura sintática torna-se instrumento de construção argumentativa.
A análise proposta pela autora considera três dimensões principais dessas construções: os aspectos formais, os aspectos semânticos e os aspectos pragmático-discursivos. Entre os critérios formais estão a escolha do predicador e a estrutura da oração subordinada; entre os critérios semânticos estão os tipos de estados de coisas ou conteúdos proposicionais envolvidos; e entre os critérios pragmáticos estão elementos como modalização, confiabilidade da informação e preservação da face discursiva.
Ao desenvolver essa análise, a autora demonstra que a sintaxe não pode ser compreendida isoladamente. Pelo contrário, ela constitui um ponto de encontro entre diferentes níveis da linguagem — semântico, pragmático e discursivo. Esse enfoque multidimensional permite compreender de maneira mais precisa o funcionamento das estruturas linguísticas.
Outro aspecto relevante da obra é sua preocupação pedagógica. A autora não se limita a apresentar uma análise teórica das orações subordinadas; ela também discute as implicações dessa análise para o ensino de língua portuguesa. Segundo ela, a gramática deve ser ensinada como ferramenta para a compreensão e produção de textos, e não como um sistema de regras abstratas desvinculado da comunicação.
Essa proposta dialoga diretamente com debates contemporâneos sobre o ensino de língua materna. A autora observa que, a partir da década de 1980, muitos estudos passaram a criticar o ensino tradicional de gramática e a defender abordagens centradas no texto. No entanto, essa mudança acabou gerando um novo problema: em muitos casos, o ensino de gramática foi praticamente abandonado, o que também prejudicou a aprendizagem linguística. A solução proposta pela autora consiste em integrar gramática e discurso em um modelo pedagógico unificado.
A contribuição científica da obra, portanto, reside em três aspectos principais. Primeiro, ela oferece uma síntese teórica entre funcionalismo e linguística cognitiva, duas correntes que frequentemente são tratadas separadamente. Segundo, apresenta uma análise detalhada das orações subordinadas substantivas sob essa perspectiva integrada. Terceiro, propõe implicações pedagógicas concretas para o ensino de língua portuguesa.
Do ponto de vista metodológico, o livro destaca-se pela clareza expositiva e pela organização sistemática dos conceitos. A autora apresenta as bases teóricas de maneira acessível, permitindo que leitores não especializados em linguística acompanhem o raciocínio desenvolvido. Ao mesmo tempo, a obra mantém rigor acadêmico e diálogo constante com a bibliografia especializada.
Em termos críticos, pode-se observar que o livro concentra-se sobretudo na análise teórica das construções sintáticas, dedicando menos espaço à aplicação empírica em sala de aula. Estudos de caso mais detalhados sobre práticas pedagógicas poderiam ampliar ainda mais o impacto da proposta apresentada. Ainda assim, essa limitação não diminui a relevância da obra, que oferece fundamentos sólidos para futuras pesquisas no campo da linguística aplicada.
Em síntese, “Funcionalismo e Cognitivismo na Sintaxe do Português” constitui uma contribuição significativa para os estudos linguísticos no Brasil. Ao integrar teoria linguística e reflexão pedagógica, a obra propõe um novo olhar sobre a gramática e seu papel no ensino da língua. Mais do que uma análise de estruturas sintáticas, o livro apresenta uma reflexão sobre a própria natureza da linguagem e sobre os caminhos possíveis para tornar o ensino de língua portuguesa mais significativo e eficaz.
Biografia da autora
Ana Carolina Sperança-Criscuolo é pesquisadora na área de Linguística e Língua Portuguesa, com atuação acadêmica vinculada à Universidade Estadual Paulista (UNESP). Sua produção científica concentra-se nos estudos de sintaxe, funcionalismo linguístico, linguística cognitiva e ensino de língua materna. O livro “Funcionalismo e Cognitivismo na Sintaxe do Português” resulta de sua pesquisa de doutorado, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara. Ao longo de sua carreira, a autora tem se dedicado à investigação das relações entre teoria linguística e práticas pedagógicas, buscando desenvolver modelos de análise que contribuam para o aprimoramento do ensino de gramática e da formação de professores de língua portuguesa.
Uma análise crítica de como a linguística funcional e cognitiva podem transformar o ensino da sintaxe e aproximar gramática e uso real da língua.
SPERANÇA-CRISCUOLO, Ana Carolina. Funcionalismo e cognitivismo na sintaxe do português: uma proposta de descrição e análise de orações subordinadas substantivas para o ensino. São Paulo: Editora Unesp Digital, 2015. Recurso digital (ePDF). ISBN 978-85-68334-45-4. CDD: 469.5.
A obra “Funcionalismo e Cognitivismo na Sintaxe do Português”, de Ana Carolina Sperança-Criscuolo, insere-se no campo contemporâneo da linguística aplicada ao ensino da língua portuguesa, propondo uma abordagem inovadora para o estudo da sintaxe. Originado de uma pesquisa acadêmica vinculada ao campo da Linguística e à formação docente, o livro apresenta uma proposta teórica e metodológica que busca integrar duas correntes importantes da linguística moderna — o funcionalismo e o cognitivismo — para reinterpretar um dos tópicos tradicionalmente mais complexos do ensino de gramática: as orações subordinadas substantivas.
A relevância do trabalho reside em seu esforço de superar a histórica separação entre gramática e texto, problema frequentemente apontado como um dos principais entraves do ensino de língua portuguesa nas escolas brasileiras. A autora parte da premissa de que a sintaxe não deve ser compreendida apenas como um conjunto de estruturas formais, mas como um instrumento de construção de sentido e de organização discursiva. Nesse sentido, a obra busca reposicionar o estudo da gramática dentro de uma perspectiva comunicativa e cognitiva, aproximando teoria linguística e prática pedagógica.
Logo nas primeiras páginas, o prefácio assinado por Antônio Suárez Abreu contextualiza o problema central da obra: a tradição pedagógica brasileira separou historicamente o ensino de gramática do ensino de produção textual. Segundo ele, nas aulas de gramática predominam classificações e nomenclaturas, enquanto nas aulas de texto predominam discussões estilísticas e de gêneros discursivos. Esse descompasso metodológico resulta em uma aprendizagem fragmentada da língua. Nesse cenário, a proposta de Sperança-Criscuolo surge como alternativa integradora. Conforme afirma o prefácio, o estudo demonstra que as orações subordinadas são frequentemente utilizadas para introduzir a voz de outros enunciadores no discurso, permitindo que o falante dialogue com diferentes perspectivas textuais. Como observa o prefaciador, essas construções permitem ao autor incorporar ideias de outros indivíduos ou fontes no texto, fenômeno fundamental na escrita acadêmica, jornalística e literária.
A introdução da obra esclarece a motivação principal da pesquisa: as dificuldades persistentes no ensino da gramática nas escolas. A autora observa que, embora os estudos linguísticos tenham avançado significativamente nas últimas décadas, o ensino de língua portuguesa ainda enfrenta desafios estruturais, sobretudo no que diz respeito à capacidade de leitura e produção textual dos estudantes. Nesse contexto, ela argumenta que a sintaxe desempenha um papel central na arquitetura textual e deve ser analisada não apenas sob critérios formais, mas também sob critérios pragmáticos e cognitivos. Em suas palavras, o estudo da sintaxe pode contribuir para “um melhor entendimento e maior domínio dessas construções e, consequentemente, dos textos em que se manifestam” (p.14).
O primeiro capítulo apresenta um panorama histórico dos estudos linguísticos, examinando a evolução das teorias sobre a linguagem desde a antiguidade até a linguística contemporânea. A autora mostra que, desde os estudos gregos, a análise da língua esteve fortemente associada à classificação e definição de categorias gramaticais. Esse modelo influenciou profundamente o ensino de gramática no Ocidente, consolidando um método baseado na identificação de paradigmas e na memorização de nomenclaturas. Tal tradição, embora relevante para o desenvolvimento da linguística como disciplina científica, acabou reforçando uma visão normativa e estruturalista da língua.
A autora argumenta que essa tradição explica a persistência de práticas pedagógicas centradas na análise formal da linguagem. De acordo com o livro, durante séculos o ensino de língua materna baseou-se na ideia de que o domínio das estruturas gramaticais garantiria automaticamente a competência textual dos alunos. Entretanto, essa suposição revelou-se limitada. Como afirma a autora, o ensino tradicional privilegiou “a observação de como se agrupam os elementos linguísticos para formar frases e sua classificação”, sem considerar suficientemente os contextos de uso da linguagem (p.18).
A análise histórica apresentada na obra evidencia também as mudanças paradigmáticas ocorridas no campo da linguística ao longo do século XX. A autora discute o surgimento do estruturalismo e posteriormente da gramática gerativa, ressaltando a contribuição dessas correntes para a formalização dos estudos linguísticos. Contudo, ela também aponta as limitações dessas abordagens, especialmente no que diz respeito à compreensão do papel do contexto e da intenção comunicativa na organização da linguagem.
Nesse ponto, a obra introduz o funcionalismo linguístico como alternativa teórica. Diferentemente das abordagens formalistas, o funcionalismo considera que as estruturas linguísticas são moldadas pelas funções comunicativas que desempenham. Em outras palavras, a forma gramatical não existe isoladamente, mas surge como resposta às necessidades comunicativas dos falantes. Como sintetiza a autora, no paradigma funcional “é a função que determina a forma”, o que implica analisar a língua a partir das condições reais de uso e das intenções discursivas dos interlocutores (p.29).
A perspectiva cognitivista, por sua vez, complementa essa abordagem ao enfatizar os processos mentais envolvidos na produção e interpretação da linguagem. Inspirada em autores como Lakoff, Fauconnier e Turner, a autora discute o papel da integração conceptual na construção do significado linguístico. Segundo essa perspectiva, a organização sintática das frases reflete estruturas cognitivas mais profundas relacionadas à maneira como os seres humanos conceptualizam a realidade.
A parte central da obra dedica-se à análise das orações subordinadas substantivas sob essa perspectiva funcionalista-cognitivista. A autora argumenta que essas construções não devem ser vistas apenas como elementos sintáticos subordinados a uma oração principal, mas como estruturas que desempenham funções discursivas específicas. Em muitos casos, elas permitem ao falante introduzir opiniões, crenças ou informações atribuídas a outras fontes, funcionando como mecanismos de mediação discursiva.
Por exemplo, ao empregar verbos dicendi — como “dizer”, “afirmar”, “acreditar” ou “pensar” — o falante introduz proposições que representam diferentes pontos de vista. Esse recurso não apenas organiza a informação no texto, mas também permite ao enunciador posicionar-se em relação ao conteúdo apresentado. Assim, a estrutura sintática torna-se instrumento de construção argumentativa.
A análise proposta pela autora considera três dimensões principais dessas construções: os aspectos formais, os aspectos semânticos e os aspectos pragmático-discursivos. Entre os critérios formais estão a escolha do predicador e a estrutura da oração subordinada; entre os critérios semânticos estão os tipos de estados de coisas ou conteúdos proposicionais envolvidos; e entre os critérios pragmáticos estão elementos como modalização, confiabilidade da informação e preservação da face discursiva.
Ao desenvolver essa análise, a autora demonstra que a sintaxe não pode ser compreendida isoladamente. Pelo contrário, ela constitui um ponto de encontro entre diferentes níveis da linguagem — semântico, pragmático e discursivo. Esse enfoque multidimensional permite compreender de maneira mais precisa o funcionamento das estruturas linguísticas.
Outro aspecto relevante da obra é sua preocupação pedagógica. A autora não se limita a apresentar uma análise teórica das orações subordinadas; ela também discute as implicações dessa análise para o ensino de língua portuguesa. Segundo ela, a gramática deve ser ensinada como ferramenta para a compreensão e produção de textos, e não como um sistema de regras abstratas desvinculado da comunicação.
Essa proposta dialoga diretamente com debates contemporâneos sobre o ensino de língua materna. A autora observa que, a partir da década de 1980, muitos estudos passaram a criticar o ensino tradicional de gramática e a defender abordagens centradas no texto. No entanto, essa mudança acabou gerando um novo problema: em muitos casos, o ensino de gramática foi praticamente abandonado, o que também prejudicou a aprendizagem linguística. A solução proposta pela autora consiste em integrar gramática e discurso em um modelo pedagógico unificado.
A contribuição científica da obra, portanto, reside em três aspectos principais. Primeiro, ela oferece uma síntese teórica entre funcionalismo e linguística cognitiva, duas correntes que frequentemente são tratadas separadamente. Segundo, apresenta uma análise detalhada das orações subordinadas substantivas sob essa perspectiva integrada. Terceiro, propõe implicações pedagógicas concretas para o ensino de língua portuguesa.
Do ponto de vista metodológico, o livro destaca-se pela clareza expositiva e pela organização sistemática dos conceitos. A autora apresenta as bases teóricas de maneira acessível, permitindo que leitores não especializados em linguística acompanhem o raciocínio desenvolvido. Ao mesmo tempo, a obra mantém rigor acadêmico e diálogo constante com a bibliografia especializada.
Em termos críticos, pode-se observar que o livro concentra-se sobretudo na análise teórica das construções sintáticas, dedicando menos espaço à aplicação empírica em sala de aula. Estudos de caso mais detalhados sobre práticas pedagógicas poderiam ampliar ainda mais o impacto da proposta apresentada. Ainda assim, essa limitação não diminui a relevância da obra, que oferece fundamentos sólidos para futuras pesquisas no campo da linguística aplicada.
Em síntese, “Funcionalismo e Cognitivismo na Sintaxe do Português” constitui uma contribuição significativa para os estudos linguísticos no Brasil. Ao integrar teoria linguística e reflexão pedagógica, a obra propõe um novo olhar sobre a gramática e seu papel no ensino da língua. Mais do que uma análise de estruturas sintáticas, o livro apresenta uma reflexão sobre a própria natureza da linguagem e sobre os caminhos possíveis para tornar o ensino de língua portuguesa mais significativo e eficaz.
Biografia da autora
Ana Carolina Sperança-Criscuolo é pesquisadora na área de Linguística e Língua Portuguesa, com atuação acadêmica vinculada à Universidade Estadual Paulista (UNESP). Sua produção científica concentra-se nos estudos de sintaxe, funcionalismo linguístico, linguística cognitiva e ensino de língua materna. O livro “Funcionalismo e Cognitivismo na Sintaxe do Português” resulta de sua pesquisa de doutorado, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara. Ao longo de sua carreira, a autora tem se dedicado à investigação das relações entre teoria linguística e práticas pedagógicas, buscando desenvolver modelos de análise que contribuam para o aprimoramento do ensino de gramática e da formação de professores de língua portuguesa.
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