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| Foto: Arte digital |
A literatura contemporânea brasileira ganha, em 2025, uma obra que desafia as fronteiras entre o realismo visceral e o horror metafórico: "Homens e Insetos", do escritor Silvio Costta. Publicado pela editora Laranja Original , o livro mergulha nas entranhas de uma periferia que transita entre o esgoto e o palácio, utilizando uma linguagem de precisão cirúrgica para narrar a ascensão de figuras arquetípicas em um sistema em decomposição. Através de personagens como a Repórter, o Homem da Bicicleta e o Investigador, a trama tece uma crítica mordaz ao espetáculo político e à desumanização urbana, transformando a "quebrada" no epicentro de uma metamorfose sombria e inevitável. Esta análise técnica disseca a arquitetura narrativa de um dos títulos mais impactantes da atualidade, onde a violência e o lirismo se encontram em um tubo de esgoto que serve como útero para uma nova e inquietante realidade.
A narrativa de Silvio Costta em "Homens e Insetos" opera como um mecanismo de precisão técnica que disseca a anatomia da exclusão social sob uma lente de realismo visceral e fantástico
A construção do bebê como um ser de "pele líquida" e sem orifícios faciais convencionais é um triunfo da alegoria somática
A linguagem de Costta é tátil e olfativa, forçando o leitor a experienciar o "cheiro de fio queimado" das câmeras que falham e a "calmaria" magnética que o bebê impõe ao ambiente
Quando a protagonista utiliza seus novos sentidos para "ver o que cada um tem por dentro", a obra atinge um patamar de crítica social aguda: a cegueira física é superada por uma visão transcendental que revela uma sociedade composta por "gente translúcida", desprovida de segredos diante da verdade nua da periferia
O autor demonstra uma maestria ímpar ao dissecar o "complexo de espetáculo" que sustenta a ascensão da Repórter, personagem que transita da mediação jornalística para o exercício do poder estatal
Através de um flashback datado de 1997, o autor expõe a natureza predatória das relações de poder dentro do aparato policial
Em contraponto à amoralidade institucional do Investigador, surge a figura mitológica do Homem da Bicicleta, cuja construção literária é um dos pontos mais altos do livro
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| Imagem: Arte digital |
A linguagem utilizada para descrever o submundo do "Coiso" e das "bocas de fumo" é impregnada de uma simbologia entomológica que eleva a obra ao patamar da alta literatura alegórica
A Repórter, agora elevada ao cargo de governadora, utiliza a retórica do "combate às drogas" para mascarar uma reconfiguração do crime organizado, onde o tráfico não acaba, mas "migra de poder"
O desfecho de "Homens e Insetos" consolida-se como uma peça de engenharia narrativa que sela a indissociabilidade entre o destino humano e a biologia da sobrevivência
A construção do desfecho técnico da obra opera sob uma lógica de entropia e metamorfose
A linguagem atinge seu ápice lírico e sombrio nos parágrafos finais, onde a neblina da madrugada atua como um véu que equaliza o crime e a redenção
Finalmente, a obra conclui-se com um diagnóstico rigoroso sobre a circularidade da violência e a permanência das estruturas de poder
SOBRE O AUTOR
Silvio Costta; escritor, com 40 publicações e outras no prelo. Trabalha com temas diversos e literatura para todas as idades. Têm livros e juvenis, com destaque para temas sobre natureza, ética, filosofia e sociedade. Possui publicações de poesia, romances e pedagógicos. Em literatura adulta, publicou o romance; A arte de não ser definitivo (Amelie Editorial) e lança em 2026, seu segundo romance Homens e Insetos pela Editora Laranja Original. É formado em jornalismo e pós graduado em filosofia e Psicanálise nos contos de fada. Mora em São Paulo.



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