Em 23 de julho de 2011, o mundo silenciou para ouvir o último eco da voz de Amy Winehouse. Aos 27 anos, a "Diva do Soul" deixava um vácuo imensurável na música contemporânea, mas iniciava, sem saber, uma complexa jornada póstuma que transcenderia seus discos de platina. Quase quinze anos após sua morte, o nome de Amy volta a estampar as manchetes não por sua arte, mas por uma amarga disputa judicial que coloca seu pai, Mitch Winehouse, contra as mulheres que foram, durante anos, os pilares de sustentação emocional da cantora: Naomi Parry e Catriona Gourlay. O epicentro do conflito é um leilão de itens pessoais avaliado em aproximadamente 730 mil libras esterlinas — algo em torno de R$ 5,3 milhões na cotação atual. A acusação é grave: Mitchell Winehouse, na qualidade de administrador do espólio da filha, alega que Parry e Gourlay se apropriaram e venderam bens que pertenciam legalmente à herança de Amy, sem autorização da família e sem o repasse dos lucros para a fundação bene...
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Vitor Zindacta
As Damas de Ferro e Lona: A Saga das Bruxas da Noite na Segunda Guerra Mundial.
No verão de 1941, o mundo assistia, atônito, ao avanço implacável da máquina de guerra alemã. A Operação Barbarossa, a invasão da União Soviética pelo Terceiro Reich, não era apenas uma campanha militar; era uma guerra de aniquilação. Enquanto as divisões Panzer avançavam centenas de quilômetros por dia e a Luftwaffe dominava os céus, o destino de Moscou parecia selado. No entanto, em meio ao caos da retirada e ao desespero das linhas de frente, um fenômeno singular começou a tomar forma: a mobilização total da população russa, incluindo suas mulheres, em uma escala nunca antes vista na história moderna. Entre essas mulheres estava Marina Raskova. Antes da guerra, Raskova já era uma lenda viva na União Soviética, uma espécie de Amelia Earhart russa. Ela fora a primeira mulher a se tornar navegadora profissional na Força Aérea Soviética e detinha recordes mundiais de voos de longa distância. Quando a guerra estourou, Raskova percebeu que milhares de mulheres queriam lutar, mas eram barr...
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Vitor Zindacta
A queda do edifício VANE
Nunca fui um homem de crenças vãs ou de sobressaltos infantis perante o escuro. Minha mente, forjada na precisão matemática do esquadro e do compasso, sempre buscou a ordem na disposição das pedras e do aço. No entanto, sinto que a sanidade é uma fachada tão frágil quanto o reboco de um cortiço vitoriano, pronta para ruir ao primeiro sinal de uma infiltração invisível. Moro no trigésimo segundo andar do Edifício Vane, uma estrutura de brutalismo tardio que se ergue sobre o centro da metrópole como um monólito de indiferença. Minha aflição, que os médicos insistem em rotular como uma mera exacerbação sensorial — uma hiperacusia nervosa —, é, na verdade, uma maldição de clareza. Eu não apenas ouço o mundo; eu o disseco através do som. Ouço o lamento do metal sofrendo com a dilatação térmica, o murmúrio elétrico das lâmpadas de neon que agonizam nas ruas lá embaixo e, mais perturbadoramente, o silêncio que não é silêncio. Foi em uma terça-feira de novembro, sob um céu da cor de um cadáver...
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