companhia das letras

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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


Tudo começa pelo título... Uma sentença que assusta e instiga ao mesmo tempo.

O título me chamou a atenção, me fez querer saber sobre o que se tratava. O que posso dizer é que o filme me deixou arrepiada (literalmente falando!) Em várias passagens. Trata – se de um filme que traz uma visão diferente dos ocorridos do século XX, no qual os personagens anônimos são demonstrados com grandes acontecimentos. Artistas, intelectuais, líderes políticos e religiosos são demonstrados por nomes. Para começar o filme tem somente uma cena filmada, que é apresentada no inicio e no final, o restante conforme visto e pesquisada é uma edição, de certo modo muito bem feito pelo diretor. A trilha sonora se adequa bem ao contexto e a imagem passada pelo filme, numa forma geral o filme é justo, onde o diretor faz diversas viagens através do tempo sem uma cronologia certa, os sinais do avanço da modernidade são claros, e esta modernidade é reconstruída de maneira humana, através de personagens reais. Em vários pontos do filme dá para enxergar certo protesto contra a imposição do homem na modernidade Uma forma de mostrar que apesar da alienação e do individualismo, ainda sim são os homens que constrói nossa história. Os nomes famosos que aparecem no filme nos ajudam a compreender a constante rotatividade da modernidade. Picasso mostra ao mundo através de suas pinturas, Freud faz uma interpretação do homem moderno em suas citações, Hitler quer um mundo higienizado. O filme não deixa de ser irônico enquanto crítica de forma exaustiva os avanços da modernidade, como no caso do operário da Renault, que trabalhou toda a sua vida montando carros, mas morreu sem nunca ter possuído um. O mundo cada vez mais voltado a ciência, as cidades mudam, se transformam, a poluição das máquinas tira o cheiro das cidades. Quanta vantagem tem as adaptações das pessoas, os conceitos mudam conforme o tempo em uma velocidade que a sociedade se adapta, especializações de trabalho, o homem perde a consciência do todo, e cada vez mais alienada se torna mais vazio e manipulável. O tempo escraviza o homem, a pessoa não tem mais tempo para as relações pessoais (passeios em família, reunião escolar de um filho, uma tarde de descanso na rede na varanda de sua casa) as relações humanas são cada vez mais frágeis. A dependência da máquina chega ao ponto que o mundo não poderia mais funcionar sem elas, a influência da modernidade atinge todas as áreas do mundo, até as mais remotas, como no caso do agricultor boliviano que nunca tinha ido a uma guerra e também não tinha energia, mas adorava Coca-Cola. As guerras são os acontecimentos com mais repercussões do século XX. Pessoas comuns se veem obrigadas a lutar por algo que não entendem ou não concordam, onde a coragem delas se resume a unicamente, medo da morte. Defendem-se não sabem por que e nem quem é o verdadeiro inimigo, esperam a hora de comer, a hora de lutar, até que uma maldita bomba põe fim nessa espera. Outra consequência da guerra é a entrada na mulher no campo de trabalho, enquanto seus companheiros estão no campo de batalha, elas ocupam uma vaga nas indústrias com árduas horas, onde no fim da guerra não aceitam mais a antiga realidade, onde surgem as reinvindicações feministas. Em 1960 a revolução feminista chega ao auge com a queima dos sutiãs e invenção da minissaia. A globalização cria um à uniformidade dos gostos, dos sonhos, dos pensamentos, o ideal de vida passa a ser o mesmo para todos o ter se confundem com o ser, celular, eletrodomésticos, carro, casa, Mcdonalds resumem os ideais de vida da sociedade. Ao final, são mostradas diversas religiões, talvez como elo que ainda existe entre a humanidade e os seres humanos, e o que resta dos seus sentimentos remotos, os mortos no cemitério que pelos vivam esperam, a interpretação mais certa provavelmente que nos juntemos a eles, ou que nos lembremos deles, ou até mesmo que façamos algo para mudar essa realidade, deprimente em que estamos, por influência destes defuntos, penso que veio para no fundo mostrar que por mais que sejam nossas diferenças no mundo, a morte vem para nos igualar, perante ela, acabaremos todos iguais, embaixo de um tumulo ricos e pobres, famosos e desconhecidos, grandes líderes e pequenos guerreiros, é um filme um tanto melancólico, pelos fatos nele mostrado com junção a trilha sonora, que nos faz pensar como algumas barbaridades puderam acontecer, mas em certos momentos nos dá uma esperança, uma sensação otimista, que talvez ainda tenha jeito se todos tiverem a mesma consciência e lutar para vivermos em um mundo melhor, onde a única coisa e propósito que todos querem é ser feliz, e para isso é só vivendo e lutando, para que o mundo de hoje seja um mundo melhor amanhã para nossos netos.·.
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