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[RESENHA #613] Enquanto houver limoeiros, de Zoulfa Katouh

Enquanto houver limoeiros é um romance ambientado na Revolução Síria que queima com o fogo da esperança, do amor e das possibilidades.
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APRESENTAÇÃO

Salama Kassab era estudante de farmácia quando os gritos pela liberdade irromperam na Síria. Ela ainda tinha os pais e o irmão mais velho. Ela ainda tinha um lar e uma vida normal de jovem.

Agora, Salama é voluntária em um hospital em Homs, ajudando os feridos que chegam sem parar. Secretamente, porém, está desesperada para encontrar um jeito de sair de seu país adorado antes que sua cunhada, Layla, dê à luz. Tão desesperada que manifestou a personificação de seu medo na forma de Khawf, uma entidade que a acompanha a cada movimento no esforço de mantê-la segura.

Mas, mesmo com Khawf pressionando-a para deixar a Síria, Salama está dividida entre a lealdade ao seu país e o impulso de sobreviver. Ela terá que enfrentar tiros e bombas, ataques militares e seu próprio senso de moralidade antes de finalmente respirar em liberdade. E, quando o caminho dela cruza com o de Kenan ― um garoto que ela deveria ter conhecido em uma ocasião bem diferente ―, Salama começa a questionar a decisão de deixar o país.

Antes que seja tarde, Salama deverá aprender a enxergar os eventos ao seu redor como eles realmente são ― não uma guerra, mas uma revolução ― e decidir como gritar pela liberdade da Síria.

RESENHA

Salama Kassub, uma estudante de farmácia de apenas dezoito anos, tinha uma vida feliz com uma família amorosa composta por seus pais, irmão e cunhada. Ela era uma adolescente comum, cheia de sonhos para um futuro promissor. No entanto, a guerra e a revolução chegaram à Síria, sua terra natal, e deixaram sua vida em ruínas. Agora, Salama é forçada a assumir o papel de médica, já que os profissionais de saúde estão escassos. Todos os dias, ela testemunha a dor do sangue, doenças e mortes, pois os feridos não param de chegar. O mar de rostos desolados — crianças, idosos e mulheres grávidas — é constante, enquanto as bombas e balas atravessam vidas indefesas.

Salama é levada ao seu limite absoluto, encontrando conforto apenas em sua cunhada grávida, Laya, sendo o último membro de sua família. Temendo que sua casa em Homs seja atacada pelas forças militares, Salama sabe que ela e Laya precisam partir e buscar refúgio em um país estrangeiro, mesmo que essa decisão não seja fácil para alguém tão jovem. No meio de tudo isso, Salama é atormentada por Khawf, uma figura que só ela pode ver, personificando seus piores medos. E há também Kenan, um garoto com quem ela sente que deveria ter um futuro diferente.

No entanto, mesmo com Khawf pressionando-a para partir, quando Salama cruza o caminho de Kenan, o garoto com quem ela estava destinada a se encontrar naquele dia fatídico, ela começa a questionar sua decisão de deixar sua casa para trás. Conforme o tempo passa, Salama percebe que precisa enxergar os eventos ao seu redor de forma mais clara — não apenas como uma guerra, mas como uma revolução. Ela precisa decidir como também irá lutar pela liberdade da Síria.

O pai e o irmão mais velho de Salama foram capturados pelas forças governamentais durante um protesto, enquanto sua mãe morreu em um bombardeio. Salama decidiu partir com Layla, sua cunhada grávida e melhor amiga, além de Khawf, a personificação de seu medo em árabe. Juntos, eles embarcam em uma perigosa jornada pelo mar em busca de refúgio na Alemanha, enfrentando fome e exaustão. No entanto, Salama se vê dividida, angustiada pela culpa de possíveis consequências para Layla e seu bebê caso se atrasem.

Em meio a essa situação desesperadora, Salama encontra um propósito ao ajudar sua amada terra natal como voluntária em um hospital. No entanto, o peso de lidar com um fluxo constante de vítimas, incluindo crianças que morrem de forma agonizante, afeta sua saúde mental frágil. É nesse momento que ela conhece Kenan, um jovem de 19 anos que cuida de seus irmãos órfãos e está determinado a fazer sua parte enviando vídeos de protestos para o YouTube. O amor que floresce entre eles é um ato de desafio esperançoso, mas conforme o controle do Exército Sírio Livre sobre Homs enfraquece, a realidade de um destino terrível caso sejam capturados aumenta a urgência de suas decisões.

A prosa de Katouh é verdadeiramente cativante, com uma escrita bela e emocionalmente envolvente. Ela consegue despertar uma gama de emoções nos leitores, desde raiva e tristeza até humor e esperança. Salama, Layla e Kenan são personagens que se tornam queridos desde as primeiras páginas e certamente permanecerão em nossos corações por muito tempo. Este romance deixa uma marca profunda.

Além disso, a história nos faz conscientes do clima atual na Síria, capturando os gritos por liberdade que ecoam no país. Ao mesmo tempo, somos lembrados de que mesmo em meio à tragédia, ainda pode haver momentos de felicidade e esperança. Recomendo este livro para leitores jovens adultos e crianças maduras com mais de 14 anos, pois sua mensagem poderosa e sua narrativa envolvente conseguem tocar pessoas de todas as idades.

A AUTORA

Zoulfa Katouh nasceu no Canadá, de pais sírios, e atualmente mora na Suíça. Ela faz mestrado em ciências farmacêuticas e encontra inspiração digna do Studio Ghibli nas montanhas, lagos e estrelas ao seu redor. Quando não está falando sozinha na floresta, está bebendo café gelado, assando biscoitos e bolos lindos e contando para todo mundo que queira ouvir sobre como o BTS abriu caminho. Um de seus muitos sonhos é que Kim Nam-joon leia um livro seu. Se isso acontecer, ela vai morrer na mesma hora. Enquanto houver limoeiros é seu romance de estreia.

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