companhia das letras

Resenha: Senhora, de José de Alencar

domingo, 8 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


 Aurélia Camargo, filha de uma pobre costureira e órfã de pai, apaixonou-se por Fernando Seixas – homem ambicioso - a quem namorou. Este, porém, desfez a relação, movido pela vontade de se casar com uma moça rica, Adelaide Amaral, e pelo dote ao qual teria direito de receber. Passado algum tempo, Aurélia, já órfã de mãe também, recebe uma grande herança do avô e ascende socialmente.Passa, pois, a ser figura de destaque nos eventos da sociedade da época. Dividida entre o amor e o orgulho ferido, ela encarrega seu tutor e tio, Lemos, de negociar seu casamento com Fernando por um dote de cem contos de réis. O acordo realizado inclui, como uma de suas cláusulas, o desconhecimento da identidade da noiva por parte do contratado até as vésperas do casamento. Ao descobrir que sua noiva é Aurélia, Fernando se sente um felizardo, pois, na verdade, nunca deixara de amá-la. E abre seu coração para ela. A jovem, porém, na noite de núpcias, deixa claro: "comprou-o" para representar o papel de marido que uma mulher na sua posição social deve ter. Dormiram em quartos separados. Aurélia não só não pretende entregar-se a ele, como aproveita as oportunidades que o cotidiano lhe oferece para criticá-lo com ironia. Durante meses, uma relação conjugal marcada pelas ofensas e o sarcasmo se desenvolve entre os dois.

ISBN-13: 9788532205872
ISBN-10: 8532205879
Ano: 1999 / Páginas: 162
Idioma: português
Editora: FTD

RESENHAS

O escritor José de Alencar foi um dos primeiros escritores românticos do Brasil. Autor de grandes obras como O Guarani, Diva, Iracema, entre outros, marca o romantismo brasileiro com a personagem de Aurélia Camargo, em Senhora. Esta obra retrata o amor acima das dificuldades, pois Aurélia é uma jovem bela que luta por seus sonhos e ideais, mesmo após ser traída.

Pobre, esta moça acaba sendo trocada pelo homem que amava, Fernando Seixas, pela bagatela de um dote de trinta contos de réis, desembolsados por Adelaide Amaral, filha de um empregado da Alfândega.

Aurélia recebe uma herança e fica extremamente rica e despreza a todos os homens que a cortejam. Agora, esta 'Senhora' traída em sua sensibilidade não a perdoa. Em resposta ao acontecido, para vingar-se, usa o que mais aversão: o dinheiro.

Com muita astúcia, ela pede a seu tio e tutor, Lemos, que ofereça a sua mãe a Seixas, recém-chegado na corte. No entanto, há a condição de que a identidade dela não seja revelada e que o dote proposto seja irrecusável.

Fernando, em mão situação financeira, além de precisar comprar o enxoval da irmã não recusa. Os planos de Aurélia entram em ação. Até que o grande momento acontece. Ele é apresentado a sua futura esposa: ao (re)encontrá-la, acredita ter unido o amor e a fortuna, já que ela é um amor antigo que foi abandonado pelo dote de Adelaide.

Ledo engano do pobre rapaz. Na noite de núpcias é que são revelados os verdadeiros papéis do casal, ela a mulher traída, ele o homem vendido. Neste clima de casamento de conveniência que a história de amor da moça rica é contada. Aurélia, acaba que expondo os seus sentimentos a cada linha que compõem a obra.

Esta mulher que, inicialmente, é vista como um ser divino acaba tornando-se um misto de anjo e demônio. Personagem de contradições, tendo dentro de si 'a bela e a fera'. Ao maltratar o seu grande amor é que a 'Senhora' prova a sua dignidade.

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