companhia das letras

Resenha: Noite na taverna, de Álvares de Azevedo

domingo, 8 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


Proporciona ao leitor uma viagem ao mundo fantástico da melancolia e morbidez que caracterizam a época em que viveu Álvares de Azevedo. Numa taverna, um grupo de conhecidos reúne-se para espantar o tédio com o vinho nos lábios e contos macabros afluindo da mente.

ISBN-13: 9788571750371
ISBN-10: 8571750378
Ano: 1994 / Páginas: 139
Idioma: português
Editora: Garnier

Contos / Ficção / Literatura Brasileira / Crime / Horror / Drama

RESENHA

Noite na Taverna é uma narrativa(construída em sete partes). Que conta sobre (violentação, corrupção, incesto, adultério, necrofilia, traição, antropofagia, assassinatos por vingança ou amor). Solfieri, A mulher, Bertram, Ângela, A mulher do comandante, O comandante, Gennaro, Godofredo Walsh ,Laura, Nauza, Claudius Hermann, A Duquesa Eleonora,O Duque Maffio, Johann, Artur ou Arnold, Geórgia, O Irmão. O livro inicialmente é narrado em terceira pessoa, onde apresentam os personagens na taverna, depois se torna em primeira pessoa com cada personagem contando suas historias. Uma Taverna, (Uma taberna (ou taverna) é, de uma forma geral, um lugar de negócios ou de encontros de pessoas que vão para beber bebidas alcoólicas e onde também pode ser servido algum tipo de alimentação. O livro foi escrito tanto em tempo cronológico como em tempo psicológico. O tempo que decorre dentro da taverna é cronológico. A partir do momento que os jovens começam a contar suas histórias, eles mergulham nas lembranças do passado e o tempo passa a ser psicológico. A primeira parte constitui uma espécie de apresentação do ambiente da taverna, da roda de bebedeira, de situação em que se encontram os personagens, do clima pesado e vampiresco. O tom declamatório anuncia a noitada e as história que estão por vir. Solfieri decide contar sua história, conforme sugere Archibald, desejoso de histórias fantásticas,cheias de sangue e paixão. Conta, então, que uma noite, ao vagar por uma rua, em Roma, passa por uma ponte, quando as luzes dos palácios se apagam.Vê a sombra de uma mulher chorando, numa escura e solitária janela, parecendo uma estátua pálida à lua.Bertram conta que, também, uma mulher, uma donzela de Cadiz ,Angela , o levou à bebida e a duelar com seus três melhores amigos e a enterrá-los.Quando decide casar com ela e consegue lhe dar o primeiro beijo, recebe carta do pai, pedindo seu retorno à Dinamarca. Encontra o velho já moribundo,chora, mas por saudades de Angela. Dois anos depois, vende toda fortuna,coloca o dinheiro num banco de Hamburgo e volta para a Espanha. Encontra a moça casada e mãe de um filho. A paixão persiste e os amantes passam a se encontrar às escondidas, vivendo verdadeiras loucuras noturnas até que o marido, enciumado, descobre tudo. Gennaro, aos 18 anos, é aprendiz de pintor e aluno de Godofredo. Vive na casa do mestre como um filho, recebendo,no corredor, antes de dormir, beijos de Laura. Um dia,desperta e a encontra em sua cama, perdendo a cabeça diante da estonteante beleza da virgem. A cena se repete ao longo de3 meses, quando a menina lhe diz que deve pedi-la em casamento, porque espera um filho. O moço nada responde,ela desmaia e se afasta, tornando-se cada dia mais pálida. Claudius Hermann, após preâmbulos em que discursa com os amigos de orgia acerca de diversos temas, expõe sua história, onde narra suas loucuras e orgias e de como desperdiçou uma fortuna no turfe,vem Londres, onde vê uma bela amazonas, a duquesa Eleonora, esposa do duque Maffio. Está em um bilhar em Paris, jogando com Artur que, numa jogada definitiva para Johann, se encosta à mesa, por descuido ou de propósito. A mesa estremece e Johann é levado à derrota. O perdedor, enlouquecido de raiva, desafia o parceiro para um duelo. Antes porém, Artur pede ao adversário que,vcaso morra, entregue a carta, que está em seu bolso, e o anel no seu dedo, para uma mulher que dirá, mais tarde quem é. É noite alta na taverna, todos dormem. Entra uma mulher pálida,vvestida de negro, procurando alguém com uma lanterna na mão. Vê Arnold, tenta beijá-lo, mas o deixa em paz, voltando-se para Johann, tornando-se, subitamente, sombria. Traz, além da lanterna, um punhal, que crava no pescoço deste último, enxugando as mãos ensanguentadas no cabelo do ferido. Vai até Arnold e o desperta. Ele a reconhece; é a irmã de Johann, agora transformada na prostituta Giorgia, a quem Arnold pede que lhe chame de Artur, como outrora. Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em 12 de setembro de 1831 na cidade de São Paulo, estudante de Direito, Bacharelou-se em Letras no Colégio Pedro II em fins de 1847.nas férias de 1851-2 adoeceu no Rio, onde as passava sempre e depois de dolorosa operação para extrair um tumor na fossa ilíaca, morreu quando acusava o 5° ano, no dia 25 de abril de 1852.Tinha vinte anos e sete meses.É o principal representante no Brasil da

influência byroniana ( ultra -romântica ) dos ingleses e alemães como todo escritor da paulista capital teve fim trágico bem a gosto burguês dos acadêmicos do Largo de São Francisco do século XIX. Álvares de Azevedo inscreve sua obra na tradição do romance gótico. Pode-se avaliar como provenientes do romance gótico inglês, não apenas vários dos temas de Azevedo, como incesto e assassinato entre familiares, como ainda o gosto pelos incidentes sensacionais - raptos, fugas, aventuras em rápida sucessão, etc. A imaginação romântica de Álvares de Azevedo marca de forma exuberante os contos do livro, narrados num estilo repleto de adjetivos e reticências, apresentando características como egocentrismo, dualidade, auto ironia, pessimismo e humor negro, ou seja, como um legítimo representante do ultrarromantismo. A primeira impressão do livro é que seriam tediosos diálogos de bêbados, onde tratariam de assuntos não muito interessantes. O que foi muito diferente, pois se obteve uma fantástica dinâmica entre o ambiente real da taverna e o psicológico narrado pelos jovens amigos, com historias envolventes de suspenses e surpresas que prendem o leitor a um universo totalmente diferente. Apesar de terem histórias que prendem o leitor num suspense, elas acabam passando uma visão de narradores sendo pessoas perigosas, assassinos sem nenhum escrúpulo, pois todas são trágicas, impregnadas de vícios, de crimes hediondos que vão de assassinatos a incestos o que chama a atenção é que nenhum foi preso ou pego para pagar por seus atos horríveis. Um ponto positivo e muito bonito da novela e a valorização do amor onde se tem belas declarações e poemas de amor onde existe grande envolvimento dos personagens. Mas o lado negativo mostra um amor acima de tudo, das regras, conceitos sociais e religiosos, não importando as consequências que esse amor trará, valorizando assim o momento do agora, do prazer. Trazendo assim frustrações, decepções, crimes e amores pervertidos. Com isso trazendo uma desvalorização da vida, podendo assim matar e morrer, pois a vida não faria mais sentido sem a mulher amada. Álvares de Azevedo inscreve sua obra na tradição do romance gótico. Pode-se avaliar como provenientes do romance gótico inglês, não apenas vários dos temas de Azevedo, como incesto e assassinato entre familiares, como ainda o gosto pelos incidentes sensacionais -raptos, fugas, aventuras em rápida sucessão, etc. Apresentando características como egocentrismo, dualidade, auto ironia, pessimismo e humor negro, ou seja, como um legítimo representante do ultrarromantismo.
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