companhia das letras

Análise/resenha: Esaú e Jacó, de Machado de Assis

domingo, 8 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


ISBN-13: 9788508045303
ISBN-10: 8508045301
Ano: 1904 / Páginas: 192
Idioma: português
Editora: Ática

O título é extraído da Bíblia, remetendo-nos ao Gênesis, é à história de Rebeca, que privilegia o filho Jacó, em detrimento do outro filho, Esaú, fazendo-os inimigos irreconciliáveis. A inimizade dos gêmeos Pedro e Paulo, do romance de Machado, não tem causa explícita, daí a denominação de romance "AB OVO" (desde o ovo). É o romance da ambigüidade, narrado em 3ª pessoa, pelo Conselheiro Aires. Pedro e Paulo seriam "os dois lados da verdade". À medida que vão crescendo, os irmãos começam a definir seus temperamentos diversos: são rivais em tudo. Paulo é impulsivo, arrebatado, Pedro é dissimulado e conservador - o que vem a ser motivo de brigas entre os dois. Já adultos, a causa principal de suas divergências passa a ser de ordem política - Paulo é republicano e Pedro, monarquista. Estamos em plena época da Proclamação da República, quando decorre a ação do romance. Até em seus amores, os gêmeos são competitivos. Flora, a moça de quem ambos gostam, se entretém com um e outro, sem se decidir por nenhum dos dois: é retraída, modesta, e seu temperamento avesso a festas e alegrias levou o Conselheiro Aires a dizer que ela era "inexplicável". O conselheiro é mais um grande personagem da galeria machadiana, que reaparecerá como memorialista no próximo e último romance do autor: velho diplomata aposentado, de hábitos discretos e gosto requintado, amante de citações eruditas, muitas vezes interpreta o pensamento do próprio romancista. As divergências entre os irmãos continuam, muito embora, com a morte de Flora, tenham jurado junto a seu túmulo uma reconciliação perpétua. Continuam a se desentender, agora em plena tribuna, depois que ambos se elegeram deputados, e só se reconciliam ao fim do livro com novo juramento de amizade eterna, este feito junto ao leito da mãe agonizante. 

Ficção / Literatura Brasileira / Romance / Suspense e Mistério

ANÁLISE

Esaú e Jacó foi um romance publicado em 1904, na época foi considerado um livro de Segunda linha de Machado de Assis, comparando com outros publicados anteriormente. Os críticos da época achavam que o autor neste romance teria suavizado o seu realismo tornando o menos explicito e contundente diminuindo com isso, o seu humor acido, e seus criticas mortas da sociedade do seu tempo e o seu homem burguês.

Hoje, porém já se admite que esse romance é o mais bem elaborado de Machado e o de mais difícil compreensão e interpretação. Neste livro o autor se considera apenas o editor do romance na verdade o escritor é o conselheiro Aires no qual é personagem do livro e narrador da historia. Nesta obra nota-se claramente que a narrativa vem sendo feita por um narrador esterno a historia, ou seja, que não atua como personagem, que sabe tudo sobre a vida externa e interna dos personagens e que de cima tem a visão total da sociedade e dos lugares onde ela se move.

Ele chega a ponto de falar do conselheiro em 3º pessoa, ao qual o próprio Machado (editor fictício) apropria-se da narrativa e torna-se narrador e personagem fazendo a invenção de si mesmo. Muitos críticos consideram o conselheiro Aires um autohego de Machado de Assis, ou seja, seu dublê, um porta voz de sua opiniões. Nesta linha de raciocínio posso dizer que Machado é o autor real e conselheiro Aires autor fictício e personagem.
No romance Esaú e Jacó percebe-se bem que foi escrito sob a visão de mundo do Conselheiro e os fatos são contados através de seu ponto de vista e sua posição ideológica que é fundamentada na narrativa, ele é quem opina sobre a significância da matéria narrada, mesmoque não possa esclarecer todos os enigmas. Podemos dizer que em Esaú e Jacó, Machado de Assis Inovou o elemento mais importante da narrativa o narrador algo novo para o seu tempo, traços de sua modernidade.

BIOGRAFIA
Nascido no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, filho de mulato em uma sociedade ainda escravocrata, paupérrimo, sofrendo de gagueira e epilepsia, nada indicaria que Joaquim Maria Machado de Assis teria, ao morrer em 1908, um enterro de estadista, seguido por milhares de admiradores pelas ruas da cidade em que nasceu, viveu e morreu. Autodidata, aos 15 começa a trabalhar em tipografias, onde conhece escritores importantes, como Manuel Antônio de Almeida. Em 1855 inicia sua carreira literária com a publicação de um poema na revista Marmota Fluminense. Consegue, logo depois, um emprego na Secretaria da Fazenda. Trabalha a vida toda na burocracia, na qual vai galgando posições até ser Ministro substituto. Mas a carreira burocrática é apenas uma forma de ganhar o sustento, ainda que humilde, que o possibilita escrever. Contribui com diversos jornais e revistas e, com a publicação de seus livros de poesia, contos e romances, só vai ganhando em notoriedade e respeito. Em 1869, casa-se, enfrentando grave preconceito racial da família, com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais. Em 1876, antes mesmo de publicar a parcela de sua obra mais significativa, já é considerado, na companhia de José de Alencar, um dos maiores escritores brasileiros. Em 1881 inicia a publicação dos seus romances realistas. Em 1896 é um dos principais responsáveis pela fundação da Academia Brasileira de Letras, do qual é eleito presidente vitalício. Em 1904 morre Carolina. Quatro anos depois, Machado de Assis, consagrado como o maior escritor brasileiro, é enterrado com pompa no Rio de Janeiro. O mulato paupérrimo do Morro do Livramento tornara-se um dos homens mais respeitados do país.

O poeta

Machado de Assis iniciou sua carreira literária como poeta. Seu livro de estréia foi Crisálidas (1864), que lhe conferiu imediata notoriedade. Embora sua poesia esteja muito aquém da prosa que o imortalizou, nunca deixou de escrever poemas. Em 1870 lança Falenas, em 1875, Americanas  e, em 1901, as suas Poesias Completas, que ainda não incluem um dos seus mais famosos poemas, o belo soneto A Carolina, escrito após a morte da esposa, em 1904.

O cronista

Seguindo a linha dos textos de Ao Correr da Pena, de José de Alencar, Machado de Assis contribuiu durante toda a sua carreira com textos breves para jornais, em que comenta os mais variados assuntos da vida do Rio de Janeiro e do país. Esses textos leves, de temática cotidiana, podem ser considerados os precursores da crônica moderna, em que se haveriam de destacar, no século seguinte, escritores como Rubem Braga, Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade. A produção do Machado cronista se inicia já em 1859 e se estende até 1904, com raras interrupções. Sua produção mais madura foi publicada nas colunas do jornal  Gazeta de Notícias, em que contribui de 1881 a 1904: Balas de Estalo (1883-1885), Bons Dias! (1888-1889) e principalmente em A Semana (1892-1897).
 
O crítico
Também para os jornais, Machado de Assis escreveu durante toda a vida textos críticos. Sua produção infindável envolve ensaios teóricos, como O passado, o presente e o futuro da nossa literatura (1858), O ideal do crítico (1865) e Notícia da atual literatura brasileira - instinto de nacionalidade (1873), diversas resenhas críticas importantes, como aquela ao livro O Primo Basílio, de Eça de Queirós (1878) e inúmeras críticas de teatro.
 
O contista
Muitos das centenas de contos que Machado de Assis escreveu ao longo da vida se perderam, com o desaparecimento dos números dos jornais em que foram publicados. Outros estão apenas agora sendo republicados em livro. Sua versatilidade como contista é imensa. Escreveu tanto para os jornais mais sentimentalóides quanto para publicações seriíssimas. A qualidade dos contos varia de acordo com a publicação e o público leitor a que se destinavam. Entre as coletâneas de contos que publicou, destacam-se Papéis Avulsos (1882), com o grande conto, ou novela, O Alienista, Teoria do Medalhão e O Espelho, e Várias Histórias (1896) em que se encontram, entre outras obras-primas da concisão e do impacto narrativo, A Causa Secreta, A Cartomante e Um Homem Célebre.

CONTEXTO SOCIAL
AUTOR
Machado de Assis foi um dos mais geniais escritores. Prolífico, produziu crônica, poesia, contos, romances, crítica e peças de teatro. Seu estilo é marcado pela ironia, pela digressão, metalinguagem e profunda análise psicológica, mergulhando na alma humana e revelando seus cantos mais escuros e ocultos.
Destacou-se principalmente como contista e romancista. Entre seus mais famosos romances destacamos Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, D. Casmurro. Entre os livros de contos, vale citar Papéis Avulsos, Histórias sem Data, Várias Histórias e Relíquias da Casa Velha

OBRA

A obra esta inserida em uma época de grande divergência política, de um lado as pessoas que eram republicanas e de outro os monarquistas. E numa ascensão rápida de uma burguesia industrial ascendente no qual o autor conhecia muito bem, e os fazendeiros barões do café em grave crise, os quais ocasionam grandes conflitos políticos.
A historia se passa no Brasil durante a sua proclamação da republica em que os ideais políticos vindos da Europa, principalmente da França se deparam juntamente com a cultura e as crendices deste país.
Os personagens são burgueses vivem dentro do contexto político brasileiro.
O autor da um duplo sentido na obra indo do realismo até o irrealismo total, nem tudo que está escrito é o espelho fiel e exato da vida real, e o autor não faz questão que seja, e nem tenta explicar porque.

RESUMO

O título é extraído da Bíblia, remetendo-nos ao Gênesis, é à história de Rebeca, que privilegia o filho Jacó, em detrimento do outro filho, Esaú, fazendo-os inimigos irreconciliáveis. A inimizade dos gêmeos Pedro e Paulo, do romance de Machado, não tem causa explícita, daí a denominação de romance "AB OVO" (desde o ovo).
É o romance da ambigüidade, narrado em 3ª pessoa, pelo Conselheiro Aires. Pedro e Paulo seriam "os dois lados da verdade". À medida que vão crescendo, os irmãos começam a definir seus temperamentos diversos: são rivais em tudo. Paulo é impulsivo, arrebatado, Pedro é dissimulado e conservador - o que vem a ser motivo de brigas entre os dois. Já adultos, a causa principal de suas divergências passa a ser de ordem política - Paulo é republicano e Pedro, monarquista. Estamos em plena época da Proclamação da República, quando decorre a ação do romance.
Até em seus amores, os gêmeos são competitivos. Flora, a moça de quem ambos gostam, se entretém com um e outro, sem se decidir por nenhum dos dois: é retraída, modesta, e seu temperamento avesso a festas e alegrias levou o Conselheiro Aires a dizer que ela era "inexplicável". O conselheiro é mais um grande personagem da galeria machadiana, que reaparecerá como memorialista no próximo e último romance do autor: velho diplomata aposentado, de hábitos discretos e gosto requintado, amante de citações eruditas, muitas vezes interpretam o pensamento do próprio romancista.

As divergências entre os irmãos continuam, muito embora, com a morte de Flora, tenham jurado junto a seu túmulo uma reconciliação perpétua. Continuam a se desentender, agora em plena tribuna, depois que ambos se elegeram deputados, e só se reconciliam ao fim do livro com novo juramento de amizade eterna, este feito junto ao leito da mãe agonizante.

CRITICA
DIÁRIO DO NORDESTE

Dos escritores brasileiros, poucos podem se comparar ao mestre do Realismo, Machado de Assis. Sua prosa recheada de ironia, ceticismo e crítica aos valores burgueses é imortal e universal. Um dos clássicos da chamada primeira fase de Machado, “Helena”, obra-prima lançada pouco antes dos três livros que marcaram o realismo machadiano - “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba”, “Don Casmurro”, “Helena” faz parte da série Clássicos para o Vestibular do Diário do Nordeste, lançada pela editora ABC e indispensável para responder as questões de literatura e português de qualquer vestibular. “A trama do romance é acidentada, constituindo uma exceção na sobriedade dos enredos machadianos”, explica Vera Moraes, mestre em teoria da literatura e professora-assistente do Departamento de Literatura da UFC. “É sua única narrativa longa romanesca e pode, do ponto de vista da surpresa e do suspense, ser considerada uma obra bem realizada”. O livro conta às desventuras da personagem título, uma moça pobre que o destino coloca como falsa herdeira de uma família rica. Ela sustenta o equívoco, mas não consegue tirar proveito da situação e apaixona-se por Estácio, seu suposto irmão. Decorre daí um enredo envolvente. A história passa-se na chácara do Conselheiro Vale, no bairro da Tijuca.
Pode-se resumir o romance “Helena” como um retrato da família patriarcal brasileira. Tanto cultiva a dignidade pessoal e toda sorte de valores espirituais, no que é auxiliado pela Igreja Católica, como a escravidão e as desigualdades sociais, mantidas pela mesma Igreja. A personagem principal é a mulher romântica por excelência e personagem condenada por antecipação, fatalmente fadada a intrometer-se de maneira equivocada na família.
Carioca, o mulato Machado de Assis nasceu no Morro do Livramento, em 1839. Passou sua infância na chácara de sua madrinha onde seus pais eram agregados. Após a morte da irmã e da mãe, o pai casa-se com Maria Inês e muda-se para São Cristóvão. Segundo críticos literários contemporâneos, o mito de que o escritor era gago, tinha sífilis e era extremamente pobre não se sustenta. Como também é inconsistente a tese de que teria aprendido francês com um forneiro de padaria. A rua e a padaria não existiram.
Após 1872, Machado iniciou sua obra romanesca, com “Ressurreição”, “A Mão e a Luva”, “Helena” e “Iaiá Garcia”. Mesmo presos ainda à linguagem que caracteriza o Romantismo, já nesses escritos pode-se encontrar temas constantes em Machado: o interesse de ascensão social a todo custo e a crítica da moral burguesa. Em 1881, “Memórias Póstumas de Brás Cubas” foi publicado, sendo posteriormente considerado o marco zero do Realismo. Vieram então “Quincas Borba” e “Don Casmurro”. Nesses três o tema central é o pessimismo corrosivo e a hipocrisia social. Nesse sentido, Machado criou uma galeria de tipos inesquecíveis, para quem o interesse é a mola mestra do mundo.
Paralelo aos livros, Machado também era um mestre da crônica e do conto. Nos últimos livros, de acordo com a crítica, “Esaú e Jacó” (1904) e “Memorial de Aires” (1908), predomina a sobriedade, o apaziguamento, a inexistência da ironia e do pessimismo e, sobretudo no último, temos de maneira sensível a noção do tempo que passa, a memória proustiana que é despertada pelos pregões da rua, e que ilumina a vida do narrador Aires.

CRÍTICA
PROF. TEOTÔNIO MARQUES FILHO
Ao estudar a obra de Machado de Assis, a crítica divide-a em duas fases bem distintas cujo marco delimitado é o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881. Até essa data, a obra machadiana é marcadamente romântica, onde sobressaem poesia, contos e os romances Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e laiá Garcia (1878).
  A partir de 1881, com a publicação das Memórias, Machado de Assis muda de tal forma, que Lúcia Miguel Pereira, chega a afirmar que “tal obra não podia ter saído de tal homem”. A partir daí, “Machado liberou o demônio interior e começa uma nova aventura”: a análise de caracteres, numa verdadeira dissecação da alma humana. É a segunda fase - fase marcadamente realista, sem a qual “não teríamos Machado de Assis”.
  Além de contos, poesia, teatro, crítica, integram essa fase os romances seguintes, entre os quais está o nosso Esaú e Jacó (1904): Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1908), seu último romance.
  Criticamente, Esaú e Jacó não é o melhor romance de Machado de Assis, chegando Massaud Moisés a colocá-lo como “um declínio”, principalmente se comparado aos outros romances da segunda fase: “Esaú e Jacó é simples, mas simples por fora e por dentro”, conclui o crítico.
  Entretanto, vale a pena ler o livro não só pelas virtuosidades do estilo de Machado de Assis como pela história narrada e outras pérolas que o escritor vai jogando ao longo do romance.
  Como já ficou situado, Esaú e Jacó se enquadra no estilo realista, o que procuraremos mostrar a seguir.

  O ESTILO DE ÉPOCA
Cronologicamente, Esaú e Jacó é um livro que surgiu nos fins do Realismo (1904), estando fora da fase áurea do Realismo brasileiro e da ficção machadiana (1880-1900). Isso quer dizer que se torna difícil enquadrar o romance nos moldes realistas, como quer a crítica, ao situá-lo na segunda fase de Machado de Assis. Talvez mais correto seria localizá-lo numa terceira fase... Além do mais, por essa época (1893), surgia um novo estilo - o Simbolismo, que, apesar de ser um movimento essencialmente poético, vai manifestar-se no livro de Machado de Assis.

CRÍTICA
MANUEL BANDEIRA
Poeta modernista e ensaísta e tradutor.Tem a sedução dos pormenores. Uma ironia displicente. Um sorriso tão discreto. E sabe ver sempre as grandes franjas de algodão que remontam os mantos de veludo das virtudes, como escreveu inexcedivelmente em A Igreja do Diabo, nas Histórias Sem Data. Machado de Assis cronista quer capturar o tempo. Sim, "o desejo de capturar o tempo é uma necessidade da alma", como está em Esaú e Jacó. E ele nos diz, naquele seu estilo tão dele, que há homens cujo olho "serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio" (Esaú e Jacó)
Cronista e contista se completam. Há uma perfeita unidade na sua obra. Leiam-se Papeis Avulsos , História sem data, Páginas recolhidas, Várias histórias, Memórias de casa velha, com aquelas notáveis páginas que são O espelho, O alienista, A Igreja do Diabo, Cantiga de Esponsais, Um Homem Célebre, Idéias de Cenário, Missa do Galo, Uns Braços, A Causa Secreta, Surge-se gordo!, Noite de Almirante. E leiam-se as levíssimas crônicas, em que Machado se condensa, com a sua volúpia, a sua agilidade, o seu recato. O despudor e o pudor da inteligência.
Trata com leveza os assuntos graves. E com gravidade os assuntos leves. A teoria da alma exterior se insinua no cronista, a da equivalência das janelas, a Teoria do Medalhão, tudo aqui está, maliciosamente, gracejantemente, entre um bocejo e um piparote, com a leveza absoluta da imponderabilidade total.
E mistura tudo. E faz a sua salada. Muito à maneira de Montaigne, um falar simples e espontâneo, tal no papel como na boca, suculento e nervoso. Breve e denso, longe de afetação a artifício, desordenado, descosido e audaz. Um humor ávido de coisas desconhecidas, de coisas novas.

Um mozartiniano. A graça. A desenvoltura. Um não sei quê de trêfego. Uma vivacidade quase excessiva. Há o divertimento e há o delírio. As desconexões desaparecem. Tudo se aproxima. "Unidade impalpável e obscura."

Podemos dizer que Machado de Assis é a mais alta expressão do humorista brasileiro. A mais autêntica. Ele e Nabuco representam as expressões mais nítidas desse humanismo universalista brasileiro, que tem no Dom Casmurro e na Minha formação – ambos de 1900 – as suas imagens mais puras. Graça Aranha os aproximou na sua página mais bela, o prefácio enternecido e objetivo à Correspondência entre Machado e Nabuco, que ele conhecera tão bem.

O paralelo entre os dois amigos – um mais moço dez anos que o outro – nos lança em cheio naquela atmosfera de aticismo do Segundo Reinado, de que eles foram projeções aladas na República dos Conselheiros.
Escreve com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, como ele próprio disse nas Memórias Póstumas. Elíptico e reticente.

Machado de Assis:
Em seus contos, crônicas e romances, certos temas aparecem com bastante freqüência:
1-  a relatividade dos conceitos morais
2-  o tédio
3-  a transitoriedade da vida
4-  a loucura (como o Alienista)
5-  a vaidade
6-  a inconstância do ser humano
7-  a predominância do mal sobre o bem
8-  o adultério (tema suposto em Dom Casmurro)
9-  a contradição entre a aparência e a essência
10-  a inconstância do ser humano.

ANALISE DA OBRA
O texto literário realiza-se como um espaço no qual se cruzam diversas linguagens, variadas vozes, diferentes discursos. O procedimento pelo qual se estabelece esse múltiplo diálogo é a intertextualidade. Ora, as vozes que se cruzam nesse espaço intertextual são vozes diferentes e às vezes opostas - caracterizando-se portanto o fenômeno da polifonia.
O romance Esaú e Jacó é rico nesses dois procedimentos. Sirva de modelo o capítulo I. Natividade e sua irmã Perpétua sobem o Morro do Castelo para consultar Bárbara, a cabocla vidente. Essa motivação e a cena da entrevista com a adivinha caracterizam o discurso mítico, a esfera da religiosidade e da crendice. Nesse caso, relacionado a um contexto popular. Mas o narrador faz referência a Ésquilo, considerado o criador da tragédia grega, a sua peça As eumênides e à personagem Pítia, sacerdotisa do templo de Apolo que pronunciava oráculos. Temos aqui novamente o discurso mítico, só que agora no contexto da antiguidade clássica, ambientado na sofisticada Grécia.
A referência ao teatro, por sua vez, remete a uma outra linguagem, e temos então a voz narrativa do romance dialogando com a voz da personagem teatral.
Observe-se, ainda, que durante a consulta, lá fora o pai da advinha tocava viola e cantarolava "uma cantiga do sertão do Norte" - portanto, outra voz / outro discurso se cruzando com os demais: a música e a poesia sertaneja.
E assim vamos encontrar ao longo do romance inúmeras referências, alusões, citações (inclusive em francês e latim), situações... - relacionadas com a Bíblia, com personagens famosos do mundo da política, da literatura, do teatro, da filosofia, da mitologia.
É bom salientar que um dos procedimentos intertextuais mais curiosos é o fato de, com certa freqüência, o narrador transcreve trechos do romance Memorial de Aires - uma espécie de diário do diplomata aposentado, e que ainda não havia sido publicado!

CONCLUSÃO

A obra Esaú e Jacó de Machado de Assis foi uma obra significativa para a leitura e importante por trazer traços de uma historia passada a muito tempo atrás, mas que transformada e trazida para os novos tempos mostra que outras historias ou romances passados podem servir como exemplo e modelo para os nossos dias.
Esaú e Jacó ou Pedro e Paulo mostram as divergência que acontecem entre irmãos, famílias e na política, como Machado de Assis utilizou a obra em relação a Esaú e Jacó duas nações divididas assim Pedro e Paulo por dois partidos distintos e opostos um ao outro.
No romance Esaú e Jacó percebe-se que podemos ter pontos significativos de passado e trazidos para a atualidade.

Resenha

Em Esaú e Jacó machado de Assis conta a historia de dois meninos gêmeos que tem uma inimizade, desde o útero e sem motivo aparente, parecido com a historia da Bíblia em que Rebeca privilegia o filho Jacó em detrimento ao outro filho Esaú, o qual segundo o autor e que deu origem ao nome do livro.
O romance da ambigüidade, narrada em 3ª pessoa, pelo Conselheiro Aires, o qual é autor e personagem do livro, ele mostra durante toda a narrativa, os dois lados da verdade tanto de Pedro como a de Paulo.
Os dois Personagens à medida que vão crescendo, começam a definir seus temperamentos, rivais em tudo. Paulo é impulsivo progressista e já na idade adulta se torna Republicano, Pedro é dissimulado e conservador e na idade adulta se torna Monarquista. Não podemos deixar de lembrar que esta historia acontece em plena Proclamação da republica.
Até no amor os gêmeos são competitivos, os dois gostam da mesma mulher. Flora moça indecisa que não sabe com quem quer ficar, e não consegue se decidir por nem um dos dois, a qual o conselheiro Aires descreve como “inexplicável”.
Neste livro o autor faz uma critica, as divergências políticas da época, e que dois irmãos, gêmeos, filhos da mesma mãe “Brasil”, briguem tanto por coisas bobas e sem explicação.
As brigas e as diferenças de opiniões dos dois irmãos seguem embora tenha jurado junto ao tumulo de sua mulher amada (Flora), uma reconciliação eterna, mas eles continuam a se desentender, eleitos deputados um por cada Partidos, agora os seus desentendimentos partem para as tribunas, acabam se reconciliam novamente no leito agonizante de sua mãe, o que não dura muito tempo. E segue suas divergências até o final do livro.
O autor do livro deixa bem claro o seu estilo contemporânea, o qual é um dos primeiros escritores a escreve um romance em terceira pessoa, mostrando as mazelas da sociedade, e da política do Brasil da época da Proclamação da Republica, o autor não fez questão de explicar as coisas, ele descreva as coisas daquele modo porque são assim, e não tem explicação, por isso não as tenta explicar.

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