Neste episódio do Rádio Literal, mergulhamos no universo transgressor de Hilda Hilst através do estudo "Hilda Hilst e o seu Penduliar", de Nilce Maria de Azevedo Reguera. Investigamos como a autora utilizou o "penduliar" — a oscilação violenta entre o sagrado e o escatológico — para implodir as estruturas da linguagem e do mercado editorial. Da agonia de Lázaro à procrastinação irônica de Osmo, entenda por que o fracasso da comunicação em Hilst é, na verdade, sua maior obra de arte.
Hilda Hilst e a Arte de Esculpir o Silêncio com o Caos
A literatura de Hilda Hilst não é um lugar de conforto; é uma zona de impacto. No mais recente debate do blog Post Literal, exploramos o estudo denso publicado pela Editora Unesp que mapeia o exato momento em que a linguagem lógica de Hilst entra em colapso para dar lugar ao sublime e ao grotesco.
O conceito central é o Penduliar. Como um relógio antigo que nunca para no centro, a escrita de Hilda transita sem aviso entre a contenção clássica e a dispersão total. Ela subverte matrizes canônicas — como cantares bíblicos e cantigas de amor petrarquistas — e as submete aos abalos de um século XX marcado pela ditadura e pelo excesso de informação.
A Falência da Comunicação como Resistência
A análise destaca três momentos cruciais da prosa hilstiana de 1970, presente na obra Fluxo-Floema:
O Lázaro Grotesco: Ao retornar dos mortos com a "verdade cósmica", Lázaro é recebido por uma multidão interessada apenas em saber se ele "comeu marmelos" no além. É o telefone sem fio definitivo da humanidade.
O Narrador Sucateiro: Em Osmo, o protagonista descreve minúcias irrelevantes, como uma cueca de pele de ovo, para evitar dizer qualquer coisa de importante, evidenciando como o homem moderno perdeu a capacidade de transmitir experiências reais.
O Manuscrito de Mil Páginas: Em Fluxo, o personagem Oruiscka, pressionado pelo mercado editorial para produzir algo "fácil", responde com um calhamaço de mil páginas repetindo uma única palavra inventada: Aiurgor.
Para Hilst, destruir a linguagem era a única forma honesta de berrar para um Deus que parece estar em silêncio.
Por que você precisa ler (e ouvir) sobre isso?
Para entender o "Penduliar": Descubra como a oscilação entre o divino e o escatológico define a estética hilstiana.
Desconstrução de Gêneros: Veja como ela implodiu a poesia, o teatro e a prosa por dentro.
Crítica ao Mercado: Entenda a resistência de Hilda contra a literatura de "fácil digestão".
A Dialética da Alegoria: Uma reflexão sobre como a mente brilhante pode ser cooptada pelo sistema e como a arte de Hilda foge disso.
Ficou curioso para entender como mil páginas de uma palavra só podem ser genialidade?
Neste episódio do Rádio Literal, mergulhamos no universo transgressor de Hilda Hilst através do estudo "Hilda Hilst e o seu Penduliar", de Nilce Maria de Azevedo Reguera. Investigamos como a autora utilizou o "penduliar" — a oscilação violenta entre o sagrado e o escatológico — para implodir as estruturas da linguagem e do mercado editorial. Da agonia de Lázaro à procrastinação irônica de Osmo, entenda por que o fracasso da comunicação em Hilst é, na verdade, sua maior obra de arte.
Hilda Hilst e a Arte de Esculpir o Silêncio com o Caos
A literatura de Hilda Hilst não é um lugar de conforto; é uma zona de impacto. No mais recente debate do blog Post Literal, exploramos o estudo denso publicado pela Editora Unesp que mapeia o exato momento em que a linguagem lógica de Hilst entra em colapso para dar lugar ao sublime e ao grotesco.
O conceito central é o Penduliar. Como um relógio antigo que nunca para no centro, a escrita de Hilda transita sem aviso entre a contenção clássica e a dispersão total. Ela subverte matrizes canônicas — como cantares bíblicos e cantigas de amor petrarquistas — e as submete aos abalos de um século XX marcado pela ditadura e pelo excesso de informação.
A Falência da Comunicação como Resistência
A análise destaca três momentos cruciais da prosa hilstiana de 1970, presente na obra Fluxo-Floema:
O Lázaro Grotesco: Ao retornar dos mortos com a "verdade cósmica", Lázaro é recebido por uma multidão interessada apenas em saber se ele "comeu marmelos" no além. É o telefone sem fio definitivo da humanidade.
O Narrador Sucateiro: Em Osmo, o protagonista descreve minúcias irrelevantes, como uma cueca de pele de ovo, para evitar dizer qualquer coisa de importante, evidenciando como o homem moderno perdeu a capacidade de transmitir experiências reais.
O Manuscrito de Mil Páginas: Em Fluxo, o personagem Oruiscka, pressionado pelo mercado editorial para produzir algo "fácil", responde com um calhamaço de mil páginas repetindo uma única palavra inventada: Aiurgor.
Para Hilst, destruir a linguagem era a única forma honesta de berrar para um Deus que parece estar em silêncio.
Por que você precisa ler (e ouvir) sobre isso?
Para entender o "Penduliar": Descubra como a oscilação entre o divino e o escatológico define a estética hilstiana.
Desconstrução de Gêneros: Veja como ela implodiu a poesia, o teatro e a prosa por dentro.
Crítica ao Mercado: Entenda a resistência de Hilda contra a literatura de "fácil digestão".
A Dialética da Alegoria: Uma reflexão sobre como a mente brilhante pode ser cooptada pelo sistema e como a arte de Hilda foge disso.
Ficou curioso para entender como mil páginas de uma palavra só podem ser genialidade?
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