Baixe todas as obras de Karl Marx gratuitamente


Existem autores que não apenas escrevem livros, mas desenham os mapas das tensões que moldam o mundo moderno. Karl Marx é, sem dúvida, o mais central deles. Seja você um entusiasta da economia, um estudante de história ou alguém em busca de entender as engrenagens do capital, o acesso direto às fontes primárias é o único caminho para superar os clichês e compreender a profundidade de seu pensamento.

No Post Literal, acreditamos que o conhecimento não deve ter cercas. Dentro do nosso projeto Literatura Acessível, selecionamos e organizamos toda a bibliografia disponível de Marx — desde seus manuscritos de juventude e suas cartas sobre a geopolítica mundial (como os textos sobre a Índia e a Pérsia) até o rigor científico de O Capital.

Como obras em domínio público, estes textos pertencem agora ao patrimônio comum da humanidade. Abaixo, você encontrará uma biblioteca digital organizada para download gratuito, permitindo que a crítica da economia política e a filosofia da práxis estejam a apenas um clique de distância.


OS 18 BRUMÁRIOS DE LUIS BONAPARTE

O livro O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, escrito por Karl Marx entre dezembro de 1851 e março de 1852, é uma das obras mais fundamentais da análise política e histórica moderna. A obra disseca o golpe de Estado de 2 de dezembro de 1851 na França, através do qual Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão I, dissolveu a Assembleia Nacional e instaurou o Segundo Império.

A REVOLUÇÃO CHINESA NA EUROPA

Nesta obra, Marx analisa como a Revolução Taiping e a instabilidade na China impactaram o comércio britânico e a economia europeia. Ele argumenta que a resistência chinesa ao colonialismo provocou uma crise de superprodução no Ocidente, acelerando as tensões sociais na Europa.

O texto demonstra a interconexão global, onde uma revolta no Oriente poderia ser o estopim para transformações revolucionárias no mundo capitalista.

Carta a Wilhelm Bracke

A Carta a Wilhelm Bracke (1875) serve como prefácio crítico à famosa Crítica ao Programa de Gotha. Nela, Marx expressa seu total repúdio ao projeto de programa de fusão do Partido Operário Social-Democrata com a União Geral dos Operários Alemães. Ele condena as concessões teóricas ao lassallismo, classificando o documento como um retrocesso que sacrifica princípios revolucionários em troca de uma unidade política superficial e desprovida de rigor científico.

COMENTÁRIOS MARGINAIS AO PROGRAMA DO PARTIDO OPERÁRIO ALEMÃO

Escrita em 1875, esta obra — popularmente conhecida como Crítica do Programa de Gotha — constitui um dos documentos mais contundentes do pensamento maduro de Karl Marx. O texto apresenta uma análise rigorosa e polêmica das diretrizes adotadas para a unificação do movimento operário alemão, atacando o que Marx considerava concessões teóricas perigosas ao socialismo de influência lassalliana.

CRÍTICA DA FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL

O Gemini disse Escrita entre 1843 e 1844, a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel marca o momento em que Marx rompe definitivamente com o idealismo hegeliano para fundar as bases do seu materialismo histórico. Nesta obra, Marx inverte a lógica de Hegel: enquanto para Hegel o Estado era a realização da razão e o criador da sociedade civil, Marx demonstra que é a sociedade civil (as relações econômicas e sociais) que condiciona a forma e a existência do Estado.

DESLOCAMENTO DO CENTRO DE GRAVIDADE MUNDIAL

A obra "O Deslocamento do Centro de Gravidade Mundial" (originalmente Die Verschiebung des Welt-Schwerpunkts), escrita por Karl Marx em 1850, é um texto breve, mas profético. Publicado na Nova Gazeta Renana, o artigo analisa o impacto da descoberta de ouro na Califórnia e o crescimento dos Estados Unidos e da bacia do Pacífico na economia global. Diferente de seus tratados filosóficos, este é um texto de geopolítica e economia aplicada, onde Marx prevê a transição da hegemonia europeia para a americana.

MANUSCRITOS ECONÔMICOS DE MARX DE 1861 A 1863

Os Manuscritos Econômicos de 1861-1863 representam o gigantesco "laboratório" teórico onde Marx deu forma definitiva aos conceitos centrais de sua obra máxima. Situados cronologicamente entre os Grundrisse (1857-58) e a publicação do Livro I d'O Capital (1867), esses cadernos contêm a primeira elaboração sistemática da teoria da mais-valia. Este material é particularmente famoso por conter a seção que hoje conhecemos como Teorias da Mais-Valia, frequentemente chamada de "o quarto volume" d'O Capital.

MENSAGEM DO COMITÊ CENTRAL À LIGA DOS COMUNISTAS

Escrita em março de 1850, a Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas é um dos documentos táticos mais viscerais de Marx e Engels. Redigida logo após o refluxo das revoluções de 1848, ela serve como um guia de sobrevivência e reorganização para a vanguarda operária alemã, que se sentia traída pela burguesia liberal.

O CAPITAL - PARTE III

A Parte III do Livro I de O Capital, intitulada "A Produção da Mais-Valia Absoluta", é o momento em que Marx entra no "laboratório secreto da produção". Após explicar a troca de mercadorias no mercado, ele demonstra como o capitalista extrai valor do trabalhador dentro da fábrica.

O TRATADO PERSA

O artigo "O Tratado Persa" (The Persian Treaty), escrito por Marx em 1857 para o New York Daily Tribune, é um exemplo magistral de sua faceta como analista de política externa e imperialismo. O texto examina o desfecho da Guerra Anglo-Persa e as manobras diplomáticas entre a Grã-Bretanha, a Pérsia (atual Irã) e a Rússia.

OS RESULTADOS EVENTUAIS DA DOMINAÇÃO BRITÂNICA NA INDIA

Escrito em julho de 1853, o artigo "Os Resultados Futuros da Dominação Britânica na Índia" (The Future Results of British Rule in India) é um dos textos mais complexos e debatidos de Marx. Nele, ele analisa o papel dialético do colonialismo: ao mesmo tempo em que denuncia a crueldade britânica, Marx identifica que a burguesia estava, involuntariamente, criando as bases materiais para uma revolução social na Ásia.

SALÁRIO, PREÇO E LUCRO

Originalmente proferida como uma série de palestras em 1865 para a Associação Internacional dos Trabalhadores, a obra "Salário, Preço e Lucro" é a melhor "porta de entrada" para a economia de Marx. Nela, ele responde diretamente a um colega, John Weston, que argumentava que aumentos salariais seriam inúteis por causarem inflação imediata.

TESES SOBRE FEUERBACH

Escritas em 1845, as Teses sobre Feuerbach consistem em onze breves anotações que Marx redigiu em seu caderno de notas. Publicadas apenas em 1888 por Engels, essas linhas representam o "germe genial da nova cosmovisão": a transição definitiva do materialismo passivo para o materialismo prático (práxis).

UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A CRÍTICA DA ECONOMIA POLÍTICA

Publicada em 1859, "Para a Crítica da Economia Política" (Zur Kritik der politischen Ökonomie) é a obra que antecede imediatamente O Capital. Embora trate detalhadamente da mercadoria e do dinheiro, ela é mundialmente famosa pelo seu Prefácio, onde Marx sintetiza, em poucas páginas, a sua concepção materialista da história.

O CAPITAL

Publicado originalmente em 1867, O Capital: Crítica da Economia Política (Das Kapital) é a obra-prima de Karl Marx. Diferente de um panfleto político, é um tratado científico denso que busca revelar a "lei econômica de movimento da sociedade moderna". Marx não foca na moralidade do capitalismo, mas em sua lógica interna e em suas contradições inevitáveis.

MISÉRIA DA FILOSOFIA

Escrita em 1847, Miséria da Filosofia é a resposta sarcástica e devastadora de Marx à obra Filosofia da Miséria, de Pierre-Joseph Proudhon. Este livro é um marco porque representa a primeira vez que Marx expõe publicamente as linhas gerais de sua nova concepção científica da economia e da história.

TRABALHO ASSALARIADO E CAPITAL

Publicada originalmente em 1849, com base em palestras proferidas por Marx em 1847 na Associação Operária de Bruxelas, Trabalho Assalariado e Capital é uma das exposições mais acessíveis e diretas da sua teoria econômica. É o texto onde Marx explica como a relação entre o operário e o capitalista é, inerentemente, uma relação de exploração e de oposição de interesses.

MANIFESTO COMUNISTA

Publicado em fevereiro de 1848, às vésperas das revoluções que incendiariam a Europa, o Manifesto do Partido Comunista é o documento político mais influente da história moderna. Escrito por Marx e Engels a pedido da Liga dos Comunistas, o texto abandona o tom puramente acadêmico para convocar a classe operária à ação histórica.

A IDEOLOGIA ALEMÃ

Escrita entre 1845 e 1846 em parceria com Friedrich Engels, A Ideologia Alemã (Die deutsche Ideologia) é a obra que marca a fundação do materialismo histórico. O texto permaneceu inédito durante a vida dos autores (Marx afirmou que o entregaram à "crítica roedora dos ratos" por já terem alcançado seu objetivo principal: a autocompreensão).

CRÍTICA AO PROGRAMA DE GOTHA

Crítica do Programa de Gotha (1875) merece um mergulho profundo em seus detalhes técnicos. Este é o documento onde Marx, já no fim da vida, é forçado a ser propositivo: ele para de apenas criticar o capitalismo e começa a desenhar como seria, na prática, a transição para o comunismo. O texto surgiu como uma carta privada de protesto contra a fusão de dois partidos operários alemães, que resultou em um programa cheio de concessões ao reformismo de Ferdinand Lassalle.

PARA UMA CRÍTICA DA ECONOMIA POLÍTICA

Para a Crítica da Economia Política (Zur Kritik der politischen Ökonomie) do seu famosíssimo Prefácio e da sua Introdução de 1857 (frequentemente publicada à parte). Se o Prefácio foca no Materialismo Histórico, o corpo da obra de 1859 é o primeiro esforço sistemático de Marx para expor a teoria do valor e do dinheiro que culminaria n'O Capital.

CRÍTICAS MARGINAIS AO ARTIGO 'O REI DA PRÚSSIA E A REFORMA SOCIAL', DE UM PRUSSIANO

Escrito em 1844 para o jornal Vorwärts! (Avante!), o artigo "Glosas Marginais Críticas ao Artigo 'O Rei da Prússia e a Reforma Social. De um Prussiano'" é o texto que marca o rompimento público e definitivo entre Marx e seu antigo aliado, Arnold Ruge (que assinava como "Um Prussiano"). Nesta obra, Marx ataca a visão de que a pobreza e os conflitos sociais podem ser resolvidos por decretos administrativos ou pela "boa vontade" do Estado, defendendo pela primeira vez a necessidade de uma revolução social com alma política.

A COMPANHIA DAS INDIAS ORIENTAIS: SUAS HISTÓRIA E A CONSEQUÊNCIA DE SUA ATIVIDADE

Escrito em 1853 para o New York Daily Tribune, o artigo "A Companhia das Índias Orientais: sua História e seus Resultados" (The East India Company — Its History and Results) é uma radiografia de como uma empresa privada se tornou o braço armado e administrativo do império britânico, transformando-se no maior monopólio da história. Neste texto, Marx abandona qualquer abstração filosófica para fazer uma análise histórica e econômica de como o capital comercial se transmuta em poder político e soberania territorial.

A DOMINAÇÃO BRITÂNICA NA ÍNDIA

Escrito em junho de 1853, o artigo "A Dominação Britânica na Índia" (The British Rule in India) é o precursor imediato do texto sobre os "resultados futuros" que analisamos anteriormente. Enquanto o outro foca no que viria depois, este se debruça sobre o impacto imediato e destrutivo do encontro entre o capitalismo industrial inglês e o milenar "despotismo oriental" indiano. Marx descreve este processo como uma tragédia social de proporções continentais, mas necessária do ponto de vista da história universal.

A GUERRA ANGLO-PERSA

Escrito em 1857 para o New York Daily Tribune, o artigo "A Guerra Anglo-Persa" analisa o conflito militar entre o Império Britânico e a Dinastia Qajar da Pérsia. Para Marx, essa guerra não era um evento isolado, mas uma peça fundamental no "Grande Jogo" — a disputa estratégica entre a Grã-Bretanha e a Rússia pelo controle da Ásia Central e das rotas para a Índia. Neste texto, Marx demonstra como o capitalismo britânico utilizava o seu poderio militar para garantir que nenhum outro império ameaçasse os seus interesses coloniais.

A GUERRA CONTRA A PÉRSIA

Embora o título seja quase idêntico ao de "A Guerra Anglo-Persa", os textos de Marx sobre a Guerra contra a Pérsia (1856-1857) focam especificamente na análise militar e na crítica institucional ao governo britânico de Lord Palmerston. Marx escreveu uma série de artigos para o New York Daily Tribune denunciando o conflito como uma "guerra de gabinete", feita pelas costas do Parlamento e do povo inglês. Nesta análise, Marx despe o discurso diplomático para revelar como o Estado britânico funcionava como um comitê executivo dos interesses coloniais na Ásia.
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