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O Guia dos Winter X Games 2026

JULIE HOLIDAY
ERIC MONJARDIM
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Why It Fell Off

A edição de 2026 não é apenas mais uma competição; é a celebração de um quarto de século de parceria entre os X Games e a icônica Buttermilk Mountain em Aspen. Desde que se estabeleceu aqui em 2002, o evento transformou a cidade no epicentro global dos esportes de ação. Este ano, a atmosfera é de festival total: além das manobras impossíveis, o evento traz de volta modalidades clássicas como o Snowmobile Freestyle e o Snowmobile Speed & Style, que estavam ausentes há cinco anos.

O formato "festival" foi elevado a um novo patamar. Com ingressos para as competições noturnas esgotados semanas antes, a união entre música eletrônica e neve nunca foi tão forte. Artistas como Alesso e Disco Lines comandam as picapes após os desfiles de medalhas, enquanto a skatista olímpica Sky Brown faz sua aguardada estreia como DJ. Para Julie Holiday, o segredo do sucesso duradouro de Aspen é essa capacidade de ser, simultaneamente, um evento esportivo de elite e a festa mais exclusiva do inverno norte-americano.

No campo técnico, os olhos do mundo estão voltados para o retorno de Eileen Gu. Após um 2025 dominante, a "Princesa da Neve" busca ampliar seu recorde de medalhas no SuperPipe. Contudo, ela enfrenta a concorrência feroz da nova geração e de veteranas como Kelly Sildaru, que prometem uma batalha tática em cada "hit" da parede de gelo. No Snowboard, Zoi Sadowski-Synnott e Mia Brookes continuam sua rivalidade épica no Slopestyle, elevando o nível de rotações técnicas para patamares antes vistos apenas no masculino.

Entre os homens, o nome da vez é Alex Hall. O norte-americano entra como o favorito absoluto no Knuckle Huck, o evento favorito dos fãs por premiar a criatividade pura sobre o "flat" do salto. No Big Air, a expectativa é pela quebra da barreira das 2160 rotações. Com a introdução da X Games League (XGL) — o novo sistema de franquias que começará oficialmente após esta edição — os atletas estão competindo não apenas pelo ouro, mas para garantir as melhores posições no primeiro "Draft" da história dos esportes de inverno, previsto para a primavera.

Voices from the Front Lines

A sustentabilidade tornou-se o pilar invisível dos X Games 2026. Em um esforço para combater o encurtamento das temporadas de neve, a organização implementou o projeto "Zero Waste Aspen". Todo o sistema de iluminação noturna para o SuperPipe e o Big Air agora é alimentado por fontes de energia 100% renováveis da região de Roaring Fork Valley. Além disso, as marcas parceiras estão focadas na economia circular, apresentando equipamentos feitos de bio-resinas e fibras recicladas.

Outra grande novidade é a experiência "Phygital". Pela primeira vez, os espectadores em Aspen podem usar óculos de Realidade Aumentada (AR) em zonas específicas para ver dados em tempo real sobre a altura dos saltos, velocidade de rotação e pontuação parcial dos juízes projetados no ar, enquanto os atletas descem a montanha. Esta integração tecnológica coloca os X Games anos-luz à frente de qualquer outra competição de inverno em termos de engajamento do público jovem.

Como os Jogos Olímpicos de Inverno na Itália começam em 6 de fevereiro, Aspen serve como o teste final de nervos. Muitos atletas usam os X Games para "revelar" as manobras secretas que guardaram durante todo o ciclo olímpico. Julie Holiday destaca que, historicamente, quem sobe ao pódio em Aspen no final de janeiro tem 70% de chance de repetir o feito na Europa em fevereiro.

A pressão é palpável. Para nomes como Scotty James e Marcus Kleveland, vencer em Aspen é uma questão de prestígio que muitas vezes supera o ouro olímpico entre os puristas do esporte. O encerramento no domingo, 25 de janeiro, com o SuperPipe masculino, promete ser o clímax de uma era. Enquanto as luzes de Buttermilk se apagam, a chama da competição se desloca para os Alpes, mas o coração da cultura do snowboard e do esqui freestyle permanecerá, como sempre, pulsando nas montanhas do Colorado.

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