Leia Também
Carregando Destaques...
meta tecnologia

Meta e a Revolução Nuclear: Garantindo a Liderança dos EUA na Inteligência Artificial

JULIE HOLIDAY
ERIC MONJARDIM
| |

No início de 2026, a Meta (empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp) anunciou um movimento estratégico que redefine não apenas o futuro da empresa, mas também a infraestrutura energética dos Estados Unidos. Através de uma série de acordos históricos com gigantes do setor energético, a Meta revelou planos para desbloquear até 6,6 GW de energia nuclear. O objetivo é claro: sustentar o crescimento exponencial da Inteligência Artificial (IA) e garantir que a inovação tecnológica americana continue na vanguarda global.

Este artigo detalha como a Meta pretende utilizar a energia nuclear — tanto a tradicional quanto a de última geração — para alimentar seus data centers e, ao mesmo tempo, fortalecer a rede elétrica nacional, gerar empregos e promover a sustentabilidade.

1. O Contexto: Por que a IA precisa da Energia Nuclear?

A Inteligência Artificial moderna não é apenas uma questão de algoritmos e código; ela é construída sobre uma base física massiva. Para treinar e operar modelos de linguagem de grande escala (LLMs) e sistemas de "superinteligência pessoal", a Meta depende de data centers que funcionam como verdadeiras usinas de processamento.

Essas infraestruturas exigem uma quantidade colossal de eletricidade. No entanto, para cumprir metas ambientais e garantir a estabilidade das operações, essa energia precisa ser:

  • Limpa: Com emissão zero ou mínima de carbono.

  • Confiável: Disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana (o que se chama de "energia de base" ou baseload).

  • Escalável: Capaz de crescer à medida que a demanda por IA aumenta.

A energia nuclear é a única fonte que atende a todos esses requisitos simultaneamente, superando as limitações da intermitência das energias solar e eólica.

2. As Parcerias Estratégicas: Vistra, TerraPower e Oklo

A estratégia da Meta é multifacetada, envolvendo desde a extensão da vida útil de usinas nucleares existentes até o financiamento de tecnologias experimentais de pequenos reatores modulares (SMRs).

A. TerraPower: O Futuro da Tecnologia Natrium

Uma das parcerias mais ambiciosas é com a TerraPower, empresa fundada por Bill Gates. O acordo foca na tecnologia Natrium®, um tipo de reator avançado que utiliza sódio líquido como resfriador em vez de água.

  • Capacidade Imediata: Financiamento para duas unidades Natrium capazes de gerar 690 MW, com previsão de entrega para 2032.

  • Expansão Futura: A Meta garantiu direitos de energia de até seis unidades adicionais, totalizando 2,1 GW até 2035.

  • Inovação em Armazenamento: O sistema Natrium inclui tecnologia de armazenamento térmico, permitindo que a usina aumente sua produção para 500 MW por curtos períodos para atender a picos de demanda na rede.

B. Oklo: Reatores Compactos e Ágeis

A parceria com a Oklo foca no desenvolvimento de reatores no condado de Pike, Ohio. O design da Oklo, chamado Aurora Powerhouse, é revolucionário por sua escala menor e capacidade de utilizar combustível reciclado.

  • Impacto Local: O projeto prevê a adição de 1,2 GW de energia limpa diretamente no mercado PJM (que atende grande parte do nordeste dos EUA).

  • Cronograma: As operações podem começar já em 2030, tornando-se uma das primeiras implementações de reatores avançados de nova geração comercialmente viáveis.

C. Vistra Corp: Maximizando o Parque Existente

Enquanto a TerraPower e a Oklo olham para o futuro, a parceria com a Vistra foca no presente e no médio prazo. A Meta assinou acordos de 20 anos para comprar energia de usinas nucleares já operacionais.

  • Extensão de Vida: O investimento permite que usinas em Ohio (Perry e Davis-Besse) e na Pensilvânia (Beaver Valley) continuem operando de forma segura e eficiente por mais décadas.

  • Uprates (Aumento de Potência): Além de manter as usinas ligadas, a Meta está financiando o aumento da capacidade de geração dessas plantas, adicionando 433 MW extras de energia "sempre ativa" à rede.

3. Impacto Econômico e Social: Empregos e Soberania

O investimento da Meta não beneficia apenas a empresa. Segundo Joel Kaplan, Diretor Global de Assuntos Públicos da Meta, esses projetos são fundamentais para a segurança nacional e a economia americana.

Criação de Empregos

Estima-se que a construção e operação dessas usinas criem:

  • Milhares de empregos na construção civil: Especialmente em estados como Ohio e Pensilvânia.

  • Centenas de empregos permanentes: Cargos de alta qualificação técnica para operar os novos reatores e manter as instalações existentes.

Fortalecimento da Rede Elétrica

Ao financiar o aumento da produção de energia nuclear, a Meta ajuda a estabilizar os preços de eletricidade para o consumidor comum. Como a empresa paga o custo total da energia que consome, ela acaba subsidiando a infraestrutura que beneficia toda a população, tornando a rede mais resiliente contra apagões e flutuações de mercado.

4. Liderança em IA e Independência Energética

A corrida pela Inteligência Artificial é frequentemente comparada à corrida espacial. Quem dominar a infraestrutura — o que inclui chips, data centers e energia — dominará o cenário geopolítico do século XXI.

O projeto "Prometheus", o supercluster de IA da Meta em New Albany, Ohio, será um dos principais beneficiários dessa energia nuclear. Ao garantir uma fonte estável de eletricidade, os EUA evitam a dependência de cadeias de suprimentos externas e combustíveis fósseis voláteis.

5. Sustentabilidade e Compromisso com o Meio Ambiente

A Meta tem um histórico de mais de uma década investindo em energia limpa, tendo adicionado quase 28 GW de capacidade renovável em 27 estados americanos. A inclusão da energia nuclear é o próximo passo lógico para atingir a neutralidade de carbono de forma realista.

Diferente de projetos solares que ocupam vastas áreas de terra, as usinas nucleares têm uma pegada geográfica pequena e produzem uma densidade energética incomparável, sem emitir gases de efeito estufa durante a geração.

Conclusão

O anúncio da Meta marca uma mudança de paradigma. Não se trata apenas de uma empresa de tecnologia comprando energia; é uma empresa de tecnologia se tornando um agente ativo na reconstrução da infraestrutura energética de uma nação.

Ao unir-se a nomes como Vistra, TerraPower, Oklo e Constellation Energy, a Meta se posiciona como um dos maiores compradores corporativos de energia nuclear da história. O resultado esperado é um ciclo virtuoso: mais energia limpa gera mais inovação em IA, que por sua vez cria ferramentas para resolver problemas globais complexos, tudo isso mantendo a segurança e a prosperidade econômica dos Estados Unidos.

CURADORIA