Ano: 2008 / Páginas: 128
Idioma: português
Editora: L&PM
Logo no prefácio do livro Nietzsche deixa bem claro que o livro pertenceria e seria apenas para os homens mais raros e os mesmos talvez não pudesse estar presente entre nós, ou seja, os únicos denominados por ele capazes de entender seu livro pertenceria à classe dos pouquíssimos -na divisão proposta por ele ao longo do livro- pertenceriam ao futuro e esses seriam a verdadeira “elite” controladora das massas, com posições de pensamentos extrapolando os limites da intelectualidade, levando em pensamento idéias que parecem ser certas, em todo momento ele busca esse além-homem, um homem capaz de conviver com suas limitações e superações. Nietzsche fala que o homem moderno é um ser fraco, domesticado que tudo compreende e perdoa e não basta mais de que um sim e um não para ficar feliz.
Temos que destacar também que ao decorrer do livro o objetivo dele era abrir espaço para uma critica dos valores estabelecidos em dois mil anos de cristianismo – sendo esses valores representados pelo dualismo, criado pelo cristianismo ao longo do tempo, como por exemplo, corpo e alma, terra e céu, bom e mal entre outros- para ele tudo é apenas um fluxo de forças e a razão seria apenas um acaso.
No livro, o filosofo não ataca violentamente Cristo, ele o define como um romântico, o qual queria mudar o mundo, às vezes fazendo criticas e ate chamando de idiota, mas a principal questão levantada é sobre o que fizeram com a imagem de Cristo, e para ele foi o apóstolo Paulo, que modificou o real significado dos ensinamentos de Cristo, misturando certos tipos de culturas e institucionalizando o cristianismo da forma que quisesse, manipulando-a, voltando ao caso do dualismo, criando uma situação de juízo final, por isso o filosofo descreve em seu livro que o evangelho morreu na cruz, assim o sacerdote reina pela invenção do pecado.
No livro são citadas outras formas de religião em comparação com o cristianismo e uma delas é o budismo sendo a mais positiva na visão do autor, por que, não diz: Lute contra o pecado, mas sim contra o sofrimento. Sendo assim o budismo uma religião para homens em evoluídos e o cristianismo uma que pretendia dominar o homem comum e feroz os tornando “doente” e dependente de uma coisa platônica, buscando uma coisa para ser colocada a culpa do seu fracasso ou sofrimento, então desse modo foi criado em um importuno momento, a figura do diabo, novamente mostrando a figura do dualismo –bom e mal, divino e profano- que era combatido pelo o autor.
Outra questão colocada foi à compaixão na qual seria o pior mal do cristianismo, o sentimento da perda de força causado, o sofrimento acaba por multiplicar-se e esse sentimento acaba sendo contagioso através da compaixão.
Em certo momento Nietzsche afirma ter achado que o cristianismo acabaria com a chegada de Lutero, porém estava errado e ainda o critica dizendo “Que sucedeu? Um frade alemão, Lutero, chegou a Roma”, pois o mesmo acabou reforçando, criando a forma mais suja do cristianismo, o protestantismo.
Ao final desse livro podemos obter vários tipos de interpretação por ser um livro de linguagem complexa, contendo muitas informações sobre determinados assuntos relacionados com o mundo, podendo ou não satisfazer algumas pessoas com suas críticas. O livro em si deixa bem claro o real motivo para o qual Nietzsche escreveu, seria incentivar o espírito livre, apenas para vivermos sem pensar se estamos ou não cometendo pecados, livre para fazermos o que quisermos. Deus ser apenas um estado de espírito, pois Cristo não morreu na cruz por nós, mas sim para mostrar como devemos viver, sem preocupações, sem instituições que o manipule e diga o que fazer para ser aceito no juízo final. Afinal é melhor ser apenas um “romântico idiota” que mude o mundo com suas ações, do que ser um homem que no final segue uma farsa e não muda nada no mundo, nem na sua vida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário