companhia das letras

Resenha Crítica – O pequeno Príncipe

domingo, 22 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


Há gerações um dos livros mais lidos do mundo, O pequeno príncipe diverte com delicadeza e emociona sem pieguismo, ao abordar dilemas cruciais do mundo contemporâneo. Com seu olhar sempre curioso e disposto a aprender, esse homenzinho louro de cachecol dourado, inteligência intuitiva e perguntas impertinentes induz o leitor a repensar as ligações entre sua infância e a vida adulta, o sentimento e a consciência, a razão e a realidade. A raposa, a rosa, os baobás, os planetas e tanto mais deixam de ser meros elementos do livro, tornando-se mais que isso símbolos nunca inteiramente explicados – e por isso mesmo muito fortes.

Essa edição homenageia o aniversário de setenta anos da morte de Saint-Exupéry. Seguindo o padrão de qualidade da bem sucedida coleção Clássicos Zahar, traz o texto integral vertido para o português por tradutores premiados e todas as ilustrações clássicas do autor, em cores, além de um posfácio do escritor Rodrigo Lacerda resgatando as circunstâncias da produção do livro e analisando alguns de seus temas principais.

Infantil / Infantojuvenil / Aventura / Contos / Contos / Drama / Drama / Educação / Educação / Fábula / Fábula / Fantasia / Fantasia / Ficção / Ficção / Filosofia / Filosofia / Jovem adulto / Jovem adulto / Literatura Estrangeira / Literatura Estrangeira

ISBN-13: 9788537814666
ISBN-10: 8537814660
Ano: 2015 / Páginas: 144
Idioma: português
Editora: Zahar

Um livro infantil escrito para adultos. Sim, pois além de agradar as crianças, ele também tem a capacidade de fazer adultos voltarem a infância e encarar coisas simples, mas que muitas vezes são deixadas para trás com o passar dos anos. Talvez é esse sentimento de nostalgia que faz o sucesso do livro, diz-se que depois da Bíblia, é o segundo livro traduzido em mais línguas (170 linguas ou dialetos), é o livro Frances mais vendido e já possui até um museu situado no Japão.

Publicado em 1943 nos Estados Unidos, o autor refugiado da 2° Guerra Mundial, conta a história de um pequeno príncipe que mora em um planeta minúsculo perdido pelo espaço. Ele resolve partir em uma jornada que leva-o a vários planetas até pousar na Terra. No caminho conhece vários personagens pitorescos tais como o rei, o vaidoso, o bêbado, o empresário, o acendedor de lampiões, o geógrafo, a serpente, a raposa, o vendedor, o manobreiro e o aviador. Todos eles apresentam algum ensinamento – bom ou mau- a repassar ao principezinho, assim como ele passa aos anfitriões.
As interpretações das passagens do livro são tão diversas e mutáveis que seria impossível enumerar todas. Isso acontece, pois, cada um interpreta o livro de acordo com o seu íntimo, e com o momento atual de sua vida. Se hora sorri com alguma passagem do texto, segundos depois pode ficar pensativo. Talvez amanhã, ou daqui alguns dias, quando voltar a ler, outras coisas façam sentido, coisas que hoje não tem a mínima importância.
Cada personagem do livro mostra o quanto as “pessoas grandes” se importam com coisas que no fundo se tornam inúteis, isso pode ser bem traduzido em uma frase da raposa: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.” O livro devolve a cada um o mistério escondido em sua alma, resgata valores que perdemos com o passar dos dias corridos e cheio de problemas e ocupações. Uma obra que é capaz de mudar o leitor, com frases que trazem alem de palavras bonitas ensinamentos sobre companheirismo e amizade. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
O autor, Antoine de Saint- Exupéry, foi escritor, ilustrador e aviador durante a 2° Guerra Mundial. Faleceu em 1944 quando o seu avião caiu no mar Mediterrâneo. Em 2004 foram encontrados destroços do avião, mas não seu corpo. Talvez acontecera com ele exatamente o que escreveu sobre o pequeno príncipe: “Tenho certeza que ele voltou ao seu planeta, pois, ao raiar do dia, não encontrei seu corpo. Não era um corpo tão pesado assim. E gosto, à noite, de escutar as estrelas. Quinhentos milhões de guizos...
Mas eis que sucede uma coisa extraordinária. Na mordaça que desenhei para o principezinho, esqueci de juntar a correia! Não poderá jamais prendê-la no carneiro. E eu pergunto então: "Que se terá passado no planeta? Pode bem ser que o carneiro tenha comido a flor...".
Ora eu penso: "Certamente que não! O principezinho encerra a flor todas as noites na redoma de vidro e vigia bem o carneiro...". Então, eu me sinto feliz. E todas as estrelas riem docemente.”
Um livro que com certeza vale a pena ler pelo menos duas vezes por ano, é fato que as concepções e aprendizados nunca vão acabar.
“E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância!”
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