companhia das letras

Laranja Mecânica (1972) ► (Resenha)

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


Lançado em 1971, com a direção de Stanley Kubrick, o filme Laranja Mecânica é baseado na obra de Anthony Burgess. O filme mostra a rebeldia de seu personagem principal, Alex que demonstra uma inteligência acima do normal, mora com os pais e saí por ai à noite com sua gangue para a prática da ultraviolência, batendo em mendigos e invadindo casas. É grande fã de Beethoven, e durante o dia mente para os pais para não ir à escola. Seu desprezo pelos homens e pela sociedade fica claro não só por seus atos de violência, mas também por seu cinismo e deboche com que trata todos a seu redor.

A ideia inicial do filme é tratar do comportamento social e como ele pode (ou não) ser condicionado. Em uma de suas invasões às casas alheias, Alex é traído por sua gangue, e condenado a 14 anos de prisão após matar uma mulher. Na prisão ele descobre um novo método do governo para a recuperação dos presos, que poderiam sair de lá em um ano e não mais voltar. Alex se torna voluntário do tal projeto, chamado de Tratamento Ludovico. Este tratamento consiste em condicionar a pessoa a se afastar da violência. Diversos filmes de violência e sexo são passados à Alex, que recebe medicamentos que o fazem se sentir mal durante as exibições. Assim, ele associa o mal-estar à violência, e toda vez que tenta praticar algum ato violento, passa mal. O tratamento é considerado um sucesso no início, mas logo começa a gerar diversos problemas.


A história de Alex no filme nos deixa uma pergunta: até que ponto é possível condicionar o comportamento humano? No fundo, Laranja Mecânica acaba sendo uma crítica ao behaviorismo, ramo da psicologia que atribui o comportamento humano ao ambiente em que vive a pessoa, mostrando seus pontos fracos e ridicularizando-a ao extremo. A própria experiência com Alex nos mostra isto, já que manter alguém preso com ganchos nos cílios sem poder fechar os olhos, assistindo filmes de ultraviolência, já se torna uma cena no mínimo curiosa. No fim, Alex volta ao normal, mostrando a inviabilidade de tal projeto.


Outro questionamento deixado pelo filme é até que ponto temos o direito de tirar o livre-arbítrio de alguém desta forma? Será ético fazer tal experimento com alguém? O próprio título do filme faz alusão a este tema, já que Laranja Mecânica diz respeito à transformação do homem, um ser orgânico, em uma criatura mecânica, condicionada conforme os interesses da sociedade para a não prática da violência. É um tema atual e difícil, que até hoje divide opiniões não só dentro da psicologia. E Stanley Kubrick aborda-o de forma bastante competente e direta, conseguindo um ótimo resultado ao satirizar nossa sociedade e seus diversos elementos (familiar, religioso, político), e ainda passar sua ideia principal sobre o comportamento humano e seus condicionamentos.
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