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O materialismo dialético

O Materialismo dialético é uma abordagem filosófica baseada em método científico que se propõe a compreender o mundo por meio das grandes transformações da História e das sociedades humanas. Essa corrente teoriza que a realidade é concreta, ou seja, materializada, não idealizada. O seu ponto de partida também considera essa mesma realidade não imutável nem absoluta mas sim resultado constante de um processo contínuo de mudança e evolução. Este método baseia-se na base filosófica do marxismo e baseia-se tanto no materialismo mecanicista da Revolução Científica e do Iluminismo, como na dialética idealista de Hegel - rejeitando em última análise não apenas o mecanicismo do primeiro, mas também o idealismo do último. Definição de materialismo Segundo Karl Marx, as relações sociais estão ligadas às forças produtivas. Quando as pessoas adquirem novas forças produtivas, alteram o seu modo de produção e a forma como ganham a vida, o que por sua vez modifica todas as relações sociais. O moinho ...

Racionalismo: Da Filosofia à Matemática

  O racionalismo é uma postura epistemológica ou filosófica que se destaca pela atribuição de autonomia a pelo menos uma das três teses seguintes: 1) razão e intuição devem ser privilegiadas em relação à sensação e experiência na busca do conhecimento; 2) toda ou grande parte de nossas ideias são inatas, ao invés de adquiridas durante o curso da vida; e 3) a certeza do conhecimento deve ter prioridade sobre sua mera probabilidade nas investigações filosóficas. Uma característica compartilhada por todos os principais representantes dessa corrente – como René Descartes, Baruch Espinoza e Gottfried Wilhelm Leibniz – é também a crença na realidade substancial como princípio fundamental unificador das coisas. O racionalismo sustenta que a existência de tudo é atribuível a uma causa inteligente, mesmo que essa origem não possa ser comprovada empiricamente, como no caso da criação do universo. Este sistema valoriza o uso da razão para obter conhecimento em detrimento das experiências sens...

Confisco da poupança: reflexos do governo Collor em 1990

Foto: Folha de São Paulo O confisco dos valores depositados em poupanças foi um projeto econômico brasileiro intitulado Plano Brasil Novo durante a gestão do presidente Collor. Esse plano restringiu o acesso aos recursos das cadernetas de poupança, Certificados de Depósito Bancário (CDBs), fundos que possuíam renda fixa e também os valores contidos nas contas correntes e investimentos com prazo diário para resgate overnight. No dia seguinte à posse presidencial de Fernando Collor, sua equipe econômica liderada por Zélia Cardoso de Mello, do Ministério da Economia, anunciou medidas econômicas significativas como parte de um pacote composto por 21 medidas provisórias e dezenas de portarias. Entre elas estava uma ação inédita para confiscar todas as contas bancárias e poupanças dos brasileiros por um período de 18 meses.  Este foi o quarto plano econômico que os brasileiros enfrentaram em cinco anos, tendo os anteriores ocorrido sob governos diferentes do de José Sarney. Os exemplos i...

O que é a filosofia analítica?

A filosofia analítica é uma escola de pensamento contemporânea reivindicada por filósofos bastante distintos e com a caracterização de duas ações distintas cuja filosofia precursora surgiu da superação da filosofia sintética do século XIX.  Originalmente, o seu ponto comum era a ideia de que a filosofia trata da análise do significado das declarações linguísticas; em outras palavras, reduz-se à pesquisa sobre a linguagem. Desde cerca de 1960, houve um fim na chamada “virada linguística”, de modo que a Filosofia analítica não tem mais nenhum compromisso particular com a análise da linguagem. Atualmente, poderia ser melhor descrito como tendo espírito científico (em sentido amplo): os problemas filosóficos são tratados como questões factuais resolvidas através de técnicas de argumentação. É muito típico deste ramo usar ferramentas das ciências formais (como matemática ou lógica), juntamente com resultados derivados das ciências naturais, como física, biologia, neurologia, psicolinguí...

O que é a filosofia continental?

O estilo único do intelectual frio, exótico e engajado, em contraste com o pensador analítico conservador e acadêmico, tem aparecido frequentemente em representações comuns da filosofia continental. O termo "Filosofia Continental" originou-se no uso anglo-americano para se referir à filosofia não analítica. Ganhou popularidade dentro da filosofia acadêmica analítica como um conjunto vagamente organizado de tendências filosóficas contemporâneas da Europa continental, às vezes acompanhadas de desqualificação quanto ao seu valor filosófico em comparação com os critérios analíticos britânicos.  Consequentemente, não há consenso sobre o que constitui a “tradição filosófica continental”, e alguns autores até rejeitam totalmente a ideia, negando qualquer coerência interna entre estas tendências; em vez disso, afirma que se trata mais de uma divisão cultural, acadêmica e histórica do que de ser estritamente filosófica. Alguns filósofos comumente identificados como exemplos de filósof...

Quem foi Martin Heidegger?

Nasceu em Meßkirch, no dia 26 de setembro de 1889 e faleceu em Freiburg im Breisgau, aos 26 de maio de 1976. Martin Heidegger foi um professor universitário alemão que se destacou como filosofia e escritor. Sua obra é considerada uma das mais importantes do século XX por sua originalidade e relevância para o pensamento contemporâneo. Heidegger foi membro do movimento fenomenológico iniciado por seu professor Edmund Husserl, mas expandiu-o através de várias escolas filosóficas de pensamento, como a filosofia de vida de Wilhelm Dilthey e a interpretação da existência de Søren Kierkegaard. Ele procurou superar Kierkegaard com uma nova ideia ontológica. Seus principais objetivos eram criticar a metafísica ocidental na filosofia e fornecer uma base intelectual para uma nova compreensão do mundo. Em 1926, ele completou sua obra-prima inaugural Ser e Tempo, publicada em 1927. Neste livro, Heidegger procurou distanciar-se das questões ônticas sobre o ser e aprofundar-se no que seriam investiga...

Edmund Husserl: Vida e obras

Edmund Gustav Albrecht Husserl foi um filósofo e matemático alemão, famoso por fundar a escola de fenomenologia. Nasceu em 8 de abril de 1859 em Prossnitz e faleceu em 27 de abril de 1938 em Freiburg im Breisgau. As ideias que ele levantou tiveram um impacto imenso no discurso intelectual ao longo do século XX até os dias atuais. Ele rompeu com a orientação positivista da ciência e da filosofia de sua época e formulou críticas contra o historicismo e o psicologismo dentro da lógica. Em seu trabalho maduro, ele desenvolveu uma ciência sistemática baseada no que é conhecido como redução fenomenológica. Argumentando que a consciência transcendental estabelece os limites de todo conhecimento possível, Husserl redefiniu a fenomenologia como uma filosofia idealista transcendental. Embora nascido em uma família judia, Husserl foi batizado como luterano em 1886. Estudou matemática com Karl Weierstrass e Leo Königsberger e filosofia baseada nas ideias de Franz Brentano e Carl Stumpf. Em 1887, o...

O mito da caverna, de Platão

O Mito da Caverna, ou Alegoria da Caverna, é uma passagem famosa do filósofo grego Platão. Ao utilizá-la, Platão oferece uma profunda reflexão sobre o conhecimento, a percepção e a realidade. Através dessa história, ele ilustra seu dualismo filosófico, diferenciando entre o mundo sensível das aparências e o mundo inteligível das ideias. Na narrativa, Platão descreve um grupo de pessoas que estão aprisionadas em uma caverna desde a infância. Esses prisioneiros estão acorrentados de tal forma que só conseguem olhar para o fundo da caverna, onde veem apenas sombras projetadas por objetos que passam diante de uma fogueira, colocada atrás deles. Os objetos são carregados por outros homens que caminham ao lado da parede que oculta seus corpos, de modo que os prisioneiros percebem apenas as sombras dos objetos, acreditando que essas sombras são a única realidade existente. Essa metáfora serve como uma analogia para a condição humana em relação ao conhecimento e à ignorância. A escuridão da ca...

René Descartes e o discurso do método

René Descartes foi um renomado filósofo e matemático francês, reconhecido como o criador do pensamento cartesiano, que marcou o início da Filosofia Moderna. Ele é amplamente conhecido por sua obra "O Discurso sobre o Método", publicada na França em 1637, onde apresenta uma das frases mais emblemáticas da filosofia: "Penso, logo existo". Descartes nasceu em 31 de março de 1596, em Haye, na antiga província de Touraine, agora conhecida como Descartes, França. Entre 1607 e 1615, ele estudou no colégio jesuíta Royal Henry – Le Grand, localizado no castelo de La Flèche, doado aos jesuítas pelo rei Henrique IV. Posteriormente, ele concluiu os estudos em Direito na Universidade de Poitiers em 1616, embora nunca tenha exercido a profissão. Sentindo-se insatisfeito com o ensino da época, Descartes criticou a filosofia escolástica por não proporcionar verdades indiscutíveis, argumentando que apenas a matemática possui essa capacidade demonstrativa. Iniciou seus estudos em mat...

Os filósofos da era Socrática

Os filósofos pré-socráticos, do primeiro período da filosofia grega, desenvolveram suas teorias do século VII ao V a.C. Antes de Sócrates, buscaram nas elementos da natureza as respostas sobre a origem do ser e do mundo, sendo chamados de “filósofos da physis” ou "filósofos da natureza".  Responsáveis pela transição da consciência mítica para a filosófica, abandonaram a cosmogonia da mitologia grega em favor da cosmologia baseada no lógos. Essa mudança deu origem a uma produção de conhecimento que serviu como base para o desenvolvimento da cultura ocidental.  1. Tales de Mileto: Considerado o primeiro filósofo ocidental, Tales propôs que a água era o princípio fundamental de todas as coisas. Ele acreditava que tudo no mundo poderia ser explicado pela transformação da água. 2. Anaximandro: Discípulo de Tales, Anaximandro sugeriu que o "ápeiron" (ilimitado ou infinito) era a origem de todas as coisas. Ele considerava o ápeiron uma substância indefinida e eterna da qu...