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castro alves classicos livros resenhas saraiva

Resenha: O navio Negreiro, de Castro Alves

JULIE HOLIDAY
ERIC MONJARDIM
| |

O Navio Negreiro (Tragédia no Mar) é um poema de Castro Alves e um dos mais conhecidos da literatura brasileira. O poema descreve com imagens e expressões terríveis a situação dos africanos arrancados de suas terras, separados de suas famílias e tratados como animais nos navios negreiros que os traziam para ser propriedade de senhores e trabalhar sob as ordens dos feitores.

“O Navio Negreiro” é a obra mais famosa de Castro Alves, um poeta brasileiro que se destacou como uma das principais vozes do abolicionismo durante a terceira fase do romantismo brasileiro. Escrito em 1868, o poema é um retrato vívido e angustiante da escravidão e do tráfico de escravos, que eram práticas comuns na época.

O contexto histórico da obra é marcado pela indignação do poeta em relação aos problemas sociais de seu tempo, especialmente a escravidão. O Brasil era o maior receptor de escravos da África, e a escravidão era um pilar fundamental da economia brasileira. Apesar da promulgação da Lei Eusébio de Queirós em 1850, que proibia o tráfico de escravos, a lei não estava sendo cumprida, e o poema de Castro Alves é uma denúncia dessa realidade.

O período político em que a obra foi escrita também é relevante. O Brasil estava no meio do Segundo Reinado, sob o governo de Dom Pedro II, um período marcado por intensas mudanças sociais e políticas. O movimento abolicionista estava ganhando força, e a pressão internacional contra o tráfico de escravos estava aumentando.

As influências na obra de Castro Alves são diversas. Ele foi profundamente influenciado pelo pensamento liberal do final do século 19 e pelo movimento abolicionista. Além disso, Castro Alves foi um dos maiores representantes da Terceira Geração Romântica no Brasil (1870 a 1880), também conhecida como “Geração Condoreira” ou “Geração Hugoana”, que se dedicava a apresentar uma poesia social e libertária.

O enredo do poema é dividido em seis partes e descreve a jornada angustiante de africanos escravizados em um navio negreiro, rumo ao Brasil. O poema começa com uma descrição tranquila do mar e do céu, mas logo revela a realidade horrível dentro do navio. Castro Alves descreve em detalhes vívidos as condições desumanas enfrentadas pelos escravos, a crueldade dos marinheiros e a dor e o sofrimento dos escravizados.

A explicação do poema reside em sua denúncia da escravidão e do tráfico de escravos. Castro Alves usa uma linguagem expressiva e imagens poderosas para mostrar a realidade brutal da escravidão. Ele contrasta a beleza da natureza com os horrores da escravidão, criando um impacto emocional profundo no leitor. O poema termina com um apelo abolicionista, pedindo o fim da escravidão.

Em resumo, “O Navio Negreiro” é uma obra poderosa que usa a poesia para denunciar a injustiça da escravidão. É um testemunho da crueldade humana, mas também um chamado à ação para acabar com essa prática desumana. Através de sua poesia, Castro Alves conseguiu abrir os olhos da sociedade brasileira para os horrores da escravidão, contribuindo significativamente para o movimento abolicionista.

Análise do poema Navio negreiro


Parte I

Bem feliz quem ali pode nest'hora

Sentir deste painel a majestade!

Embaixo — o mar em cima — o firmamento...

E no mar e no céu — a imensidade! 

Parte I: Aqui, Castro Alves descreve a beleza do mar e do céu, criando uma atmosfera de tranquilidade e paz. Ele usa metáforas e comparações para descrever a natureza, como “o luar — dourada borboleta” e “o mar em troca acende as ardentias”. No entanto, essa tranquilidade é interrompida pela presença do navio negreiro, que é comparado a um “doudo cometa”.

Parte II

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Parte II:
 Nesta parte, o poema muda de tom. Castro Alves começa a descrever a tripulação do navio, usando uma série de estereótipos nacionais para descrever os marinheiros. Ele também faz referências a várias tradições poéticas, como a poesia romântica italiana e a poesia épica grega.


Parte III

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

Parte III:
 Aqui, o poema atinge um clímax emocional. Castro Alves descreve a visão horrível dos escravos no navio, usando uma linguagem forte e imagens chocantes. Ele descreve a cena como um “quadro d’amarguras” e um “canto funeral”.

Parte IV

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais...

Qual um sonho dantesco as sombras voam!...

Gritos, ais, maldições, preces ressoam!

E ri-se Satanás!...

Parte IV
 Esta parte do poema é uma descrição detalhada das condições terríveis a bordo do navio negreiro. Castro Alves descreve a violência e a crueldade dos marinheiros, bem como o sofrimento dos escravos. Ele usa uma série de imagens poderosas, como “o tombadilho que das luzernas avermelha o brilho” e “legiões de homens negros como a noite, horrendos a dançar”.


PARTE V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...

Parte V
 Nesta parte, Castro Alves continua a descrever a cena horrível no navio. Ele fala sobre as mães negras amamentando seus filhos e as jovens escravas sendo arrastadas para o navio. Ele também descreve a música irônica tocada pelos marinheiros, que contrasta fortemente com a situação terrível dos escravos.

Parte VI

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Parte VI
Na última parte do poema, Castro Alves faz um apelo emocional ao leitor. Ele pede ao leitor para se colocar no lugar dos escravos e imaginar o seu sofrimento. Ele termina o poema com um chamado à ação, pedindo o fim da escravidão.


Publicação atualizada e complementada na data de 09/11/2023 às 21:30h

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Resenha: O navio Negreiro, de Castro Alves

O Navio Negreiro (Tragédia no Mar) é um poema de Castro Alves e um dos mais conhecidos da literatura brasileira. O poema descreve com imagens e expressões terríveis a situação dos africanos arrancados de suas terras, separados de suas famílias e tratados como animais nos navios negreiros que os traziam para ser propriedade de senhores e trabalhar sob as ordens dos feitores.

“O Navio Negreiro” é a obra mais famosa de Castro Alves, um poeta brasileiro que se destacou como uma das principais vozes do abolicionismo durante a terceira fase do romantismo brasileiro. Escrito em 1868, o poema é um retrato vívido e angustiante da escravidão e do tráfico de escravos, que eram práticas comuns na época.

O contexto histórico da obra é marcado pela indignação do poeta em relação aos problemas sociais de seu tempo, especialmente a escravidão. O Brasil era o maior receptor de escravos da África, e a escravidão era um pilar fundamental da economia brasileira. Apesar da promulgação da Lei Eusébio de Queirós em 1850, que proibia o tráfico de escravos, a lei não estava sendo cumprida, e o poema de Castro Alves é uma denúncia dessa realidade.

O período político em que a obra foi escrita também é relevante. O Brasil estava no meio do Segundo Reinado, sob o governo de Dom Pedro II, um período marcado por intensas mudanças sociais e políticas. O movimento abolicionista estava ganhando força, e a pressão internacional contra o tráfico de escravos estava aumentando.

As influências na obra de Castro Alves são diversas. Ele foi profundamente influenciado pelo pensamento liberal do final do século 19 e pelo movimento abolicionista. Além disso, Castro Alves foi um dos maiores representantes da Terceira Geração Romântica no Brasil (1870 a 1880), também conhecida como “Geração Condoreira” ou “Geração Hugoana”, que se dedicava a apresentar uma poesia social e libertária.

O enredo do poema é dividido em seis partes e descreve a jornada angustiante de africanos escravizados em um navio negreiro, rumo ao Brasil. O poema começa com uma descrição tranquila do mar e do céu, mas logo revela a realidade horrível dentro do navio. Castro Alves descreve em detalhes vívidos as condições desumanas enfrentadas pelos escravos, a crueldade dos marinheiros e a dor e o sofrimento dos escravizados.

A explicação do poema reside em sua denúncia da escravidão e do tráfico de escravos. Castro Alves usa uma linguagem expressiva e imagens poderosas para mostrar a realidade brutal da escravidão. Ele contrasta a beleza da natureza com os horrores da escravidão, criando um impacto emocional profundo no leitor. O poema termina com um apelo abolicionista, pedindo o fim da escravidão.

Em resumo, “O Navio Negreiro” é uma obra poderosa que usa a poesia para denunciar a injustiça da escravidão. É um testemunho da crueldade humana, mas também um chamado à ação para acabar com essa prática desumana. Através de sua poesia, Castro Alves conseguiu abrir os olhos da sociedade brasileira para os horrores da escravidão, contribuindo significativamente para o movimento abolicionista.

Análise do poema Navio negreiro


Parte I

Bem feliz quem ali pode nest'hora

Sentir deste painel a majestade!

Embaixo — o mar em cima — o firmamento...

E no mar e no céu — a imensidade! 

Parte I: Aqui, Castro Alves descreve a beleza do mar e do céu, criando uma atmosfera de tranquilidade e paz. Ele usa metáforas e comparações para descrever a natureza, como “o luar — dourada borboleta” e “o mar em troca acende as ardentias”. No entanto, essa tranquilidade é interrompida pela presença do navio negreiro, que é comparado a um “doudo cometa”.

Parte II

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Parte II:
 Nesta parte, o poema muda de tom. Castro Alves começa a descrever a tripulação do navio, usando uma série de estereótipos nacionais para descrever os marinheiros. Ele também faz referências a várias tradições poéticas, como a poesia romântica italiana e a poesia épica grega.


Parte III

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

Parte III:
 Aqui, o poema atinge um clímax emocional. Castro Alves descreve a visão horrível dos escravos no navio, usando uma linguagem forte e imagens chocantes. Ele descreve a cena como um “quadro d’amarguras” e um “canto funeral”.

Parte IV

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais...

Qual um sonho dantesco as sombras voam!...

Gritos, ais, maldições, preces ressoam!

E ri-se Satanás!...

Parte IV
 Esta parte do poema é uma descrição detalhada das condições terríveis a bordo do navio negreiro. Castro Alves descreve a violência e a crueldade dos marinheiros, bem como o sofrimento dos escravos. Ele usa uma série de imagens poderosas, como “o tombadilho que das luzernas avermelha o brilho” e “legiões de homens negros como a noite, horrendos a dançar”.


PARTE V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...

Parte V
 Nesta parte, Castro Alves continua a descrever a cena horrível no navio. Ele fala sobre as mães negras amamentando seus filhos e as jovens escravas sendo arrastadas para o navio. Ele também descreve a música irônica tocada pelos marinheiros, que contrasta fortemente com a situação terrível dos escravos.

Parte VI

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Parte VI
Na última parte do poema, Castro Alves faz um apelo emocional ao leitor. Ele pede ao leitor para se colocar no lugar dos escravos e imaginar o seu sofrimento. Ele termina o poema com um chamado à ação, pedindo o fim da escravidão.


Publicação atualizada e complementada na data de 09/11/2023 às 21:30h

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Resenha: O navio Negreiro, de Castro Alves

O Navio Negreiro (Tragédia no Mar) é um poema de Castro Alves e um dos mais conhecidos da literatura brasileira. O poema descreve com imagens e expressões terríveis a situação dos africanos arrancados de suas terras, separados de suas famílias e tratados como animais nos navios negreiros que os traziam para ser propriedade de senhores e trabalhar sob as ordens dos feitores.

“O Navio Negreiro” é a obra mais famosa de Castro Alves, um poeta brasileiro que se destacou como uma das principais vozes do abolicionismo durante a terceira fase do romantismo brasileiro. Escrito em 1868, o poema é um retrato vívido e angustiante da escravidão e do tráfico de escravos, que eram práticas comuns na época.

O contexto histórico da obra é marcado pela indignação do poeta em relação aos problemas sociais de seu tempo, especialmente a escravidão. O Brasil era o maior receptor de escravos da África, e a escravidão era um pilar fundamental da economia brasileira. Apesar da promulgação da Lei Eusébio de Queirós em 1850, que proibia o tráfico de escravos, a lei não estava sendo cumprida, e o poema de Castro Alves é uma denúncia dessa realidade.

O período político em que a obra foi escrita também é relevante. O Brasil estava no meio do Segundo Reinado, sob o governo de Dom Pedro II, um período marcado por intensas mudanças sociais e políticas. O movimento abolicionista estava ganhando força, e a pressão internacional contra o tráfico de escravos estava aumentando.

As influências na obra de Castro Alves são diversas. Ele foi profundamente influenciado pelo pensamento liberal do final do século 19 e pelo movimento abolicionista. Além disso, Castro Alves foi um dos maiores representantes da Terceira Geração Romântica no Brasil (1870 a 1880), também conhecida como “Geração Condoreira” ou “Geração Hugoana”, que se dedicava a apresentar uma poesia social e libertária.

O enredo do poema é dividido em seis partes e descreve a jornada angustiante de africanos escravizados em um navio negreiro, rumo ao Brasil. O poema começa com uma descrição tranquila do mar e do céu, mas logo revela a realidade horrível dentro do navio. Castro Alves descreve em detalhes vívidos as condições desumanas enfrentadas pelos escravos, a crueldade dos marinheiros e a dor e o sofrimento dos escravizados.

A explicação do poema reside em sua denúncia da escravidão e do tráfico de escravos. Castro Alves usa uma linguagem expressiva e imagens poderosas para mostrar a realidade brutal da escravidão. Ele contrasta a beleza da natureza com os horrores da escravidão, criando um impacto emocional profundo no leitor. O poema termina com um apelo abolicionista, pedindo o fim da escravidão.

Em resumo, “O Navio Negreiro” é uma obra poderosa que usa a poesia para denunciar a injustiça da escravidão. É um testemunho da crueldade humana, mas também um chamado à ação para acabar com essa prática desumana. Através de sua poesia, Castro Alves conseguiu abrir os olhos da sociedade brasileira para os horrores da escravidão, contribuindo significativamente para o movimento abolicionista.

Análise do poema Navio negreiro


Parte I

Bem feliz quem ali pode nest'hora

Sentir deste painel a majestade!

Embaixo — o mar em cima — o firmamento...

E no mar e no céu — a imensidade! 

Parte I: Aqui, Castro Alves descreve a beleza do mar e do céu, criando uma atmosfera de tranquilidade e paz. Ele usa metáforas e comparações para descrever a natureza, como “o luar — dourada borboleta” e “o mar em troca acende as ardentias”. No entanto, essa tranquilidade é interrompida pela presença do navio negreiro, que é comparado a um “doudo cometa”.

Parte II

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Parte II:
 Nesta parte, o poema muda de tom. Castro Alves começa a descrever a tripulação do navio, usando uma série de estereótipos nacionais para descrever os marinheiros. Ele também faz referências a várias tradições poéticas, como a poesia romântica italiana e a poesia épica grega.


Parte III

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

Parte III:
 Aqui, o poema atinge um clímax emocional. Castro Alves descreve a visão horrível dos escravos no navio, usando uma linguagem forte e imagens chocantes. Ele descreve a cena como um “quadro d’amarguras” e um “canto funeral”.

Parte IV

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais...

Qual um sonho dantesco as sombras voam!...

Gritos, ais, maldições, preces ressoam!

E ri-se Satanás!...

Parte IV
 Esta parte do poema é uma descrição detalhada das condições terríveis a bordo do navio negreiro. Castro Alves descreve a violência e a crueldade dos marinheiros, bem como o sofrimento dos escravos. Ele usa uma série de imagens poderosas, como “o tombadilho que das luzernas avermelha o brilho” e “legiões de homens negros como a noite, horrendos a dançar”.


PARTE V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...

Parte V
 Nesta parte, Castro Alves continua a descrever a cena horrível no navio. Ele fala sobre as mães negras amamentando seus filhos e as jovens escravas sendo arrastadas para o navio. Ele também descreve a música irônica tocada pelos marinheiros, que contrasta fortemente com a situação terrível dos escravos.

Parte VI

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Parte VI
Na última parte do poema, Castro Alves faz um apelo emocional ao leitor. Ele pede ao leitor para se colocar no lugar dos escravos e imaginar o seu sofrimento. Ele termina o poema com um chamado à ação, pedindo o fim da escravidão.


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