A programação marca os 70 anos de Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, além dos 80 anos de Sagarana, com encontros gratuitos realizados entre março e agosto de 2026. As atividades acontecem em formato online e presencial, com inscrições abertas ao público.
O ciclo de palestras “Veredas, sertões e travessias em Guimarães Rosa” celebra, em 2026, um conjunto significativo de efemérides ligadas à obra do escritor mineiro João Guimarães Rosa: os 70 anos de publicação de Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, bem como os 80 anos de Sagarana. Entre março e agosto, a programação será composta por 19 encontros, reunindo pesquisadores, professores, estudantes e interessados na literatura brasileira em uma série de conferências e debates realizados em formato híbrido — online, por meio da plataforma Zoom, e presencialmente nas cidades de Buenos Aires e Córdoba, na Argentina.
A iniciativa presta homenagem à relevância literária e cultural de Guimarães Rosa, cuja obra permanece como um dos pilares da literatura brasileira moderna e um importante instrumento de projeção cultural do Brasil no exterior. O evento também destaca a dimensão diplomática de sua trajetória, considerando a atuação do autor no Ministério das Relações Exteriores e sua contribuição para a consolidação da diplomacia cultural brasileira.
Voltado especialmente a professores, estudantes de Letras e interessados nas múltiplas manifestações da cultura mineira e brasileira, o ciclo propõe uma reflexão aprofundada sobre a produção rosiana e seus desdobramentos estéticos, linguísticos e culturais. Ao revisitar o universo literário do autor, o programa convida o público a percorrer novamente as travessias simbólicas que caracterizam sua escrita, na qual o sertão assume dimensão universal e a linguagem se afirma como campo de invenção e experimentação.
As inscrições para o ciclo de palestras podem ser realizadas por meio do formulário online: https://forms.gle/XM8cLhMuQXF71qvb8. As vagas são limitadas, e o acesso às salas virtuais estará sujeito à capacidade de cada encontro.
A abertura oficial da programação ocorrerá no dia 19 de março, das 17h às 18h, reunindo representantes institucionais e pesquisadores em uma mesa inaugural que sintetiza a proposta do ciclo: promover o diálogo entre literatura, instituições acadêmicas e diplomacia cultural. A sessão será conduzida pela embaixadora Sônia Regina Guimarães Gomes, do Consulado-Geral do Brasil em Córdoba, e contará com palavras iniciais da ministra Cármen Lúcia.
Na sequência, o professor Raúl Antelo ministrará a conferência de abertura intitulada “Diadorim, o aberto e o trans”, com mediação da pesquisadora Florencia Donadi, da Universidad Nacional de Córdoba. A mesa também contará com a presença institucional do professor Jacyntho Lins Brandão, representando a Academia Mineira de Letras, além de autoridades da Embaixada do Brasil em Buenos Aires, do Consulado do Brasil em Córdoba e do Instituto Guimarães Rosa em Buenos Aires.
A escolha da figura de Diadorim, personagem central de Grande Sertão: Veredas, para a conferência inaugural evidencia o caráter simbólico da programação. O personagem será abordado como chave interpretativa para compreender as múltiplas aberturas propostas pela obra rosiana — sejam elas estéticas, políticas ou identitárias — reafirmando o romance como um texto permanentemente contemporâneo e aberto a novas leituras.
O ciclo é organizado no âmbito das ações do Instituto Guimarães Rosa (IGR), em parceria com a Academia Mineira de Letras, e reúne diversas instituições acadêmicas e culturais do Brasil e da Argentina. Entre os parceiros estão o Programa Leitorados Guimarães Rosa, o Lengüitas (Buenos Aires), a Cátedra Livre de Cultura Brasileira da Universidad Nacional de Córdoba, o Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Minas Gerais e o Setor de Humanidades da Universidade Federal do Paraná (UFPR), entre outras entidades colaboradoras.
A iniciativa articula diferentes áreas de conhecimento e propõe um espaço de diálogo entre literatura, pesquisa acadêmica e intercâmbio cultural internacional. Nesse sentido, o projeto reafirma a importância da obra de Guimarães Rosa como instrumento de soft power brasileiro, contribuindo para a circulação da literatura nacional e para o fortalecimento da presença cultural do país no cenário global.
Uma das organizadoras do evento, Camila Souza, Leitora Guimarães Rosa no Lengüitas, na Argentina, destaca que a proposta do ciclo surgiu do desejo de ampliar a divulgação da obra do autor mineiro em ambientes acadêmicos internacionais. Segundo ela, desde o início de sua atuação como Leitora, havia a intenção de promover atividades que valorizassem o legado de Guimarães Rosa, cujo nome também inspira o instituto cultural do Ministério das Relações Exteriores dedicado à difusão da língua portuguesa e da cultura brasileira.
De acordo com Camila Souza, esta edição do ciclo tem um significado especial por celebrar justamente as obras que contribuíram para projetar a literatura brasileira no exterior e consolidar o reconhecimento internacional do autor. “Trata-se de comemorar textos fundamentais que levaram o Brasil ao conhecimento de leitores estrangeiros e reafirmaram João Guimarães Rosa como patrono da diplomacia cultural brasileira”, afirma.
A programação do ciclo está estruturada em três grandes eixos temáticos, que organizam os diferentes encontros ao longo dos meses.
O primeiro eixo, “Estudos Literários e Tradução”, reúne mesas redondas e conferências dedicadas à análise crítica da obra rosiana, à literatura comparada e aos desafios da tradução de seus textos para outras línguas. Pesquisadores discutirão aspectos como o julgamento de Zé Bebelo em Grande Sertão: Veredas, a dimensão retórica da linguagem rosiana e os diálogos possíveis entre o autor mineiro e pensadores como Vilém Flusser. O eixo também inclui debates sobre a recepção internacional da obra e mesas dedicadas às traduções do romance rosiano, além de aproximações com escritores contemporâneos, como o moçambicano Mia Couto.
O segundo eixo, intitulado “Literatura em diálogo com as Ciências Humanas e Sociais”, propõe reflexões interdisciplinares sobre a obra de Guimarães Rosa a partir de campos como História, Filosofia, Antropologia e Geografia. As discussões abordarão o sertão como espaço simbólico e político, as representações da violência, as dimensões do inconsciente presentes na narrativa rosiana, bem como o estudo dos arquivos e manuscritos do autor. Uma das mesas também reunirá representantes do Instituto Guimarães Rosa para debater o papel da literatura na construção da diplomacia cultural brasileira, tomando como referência a atuação do próprio escritor no Itamaraty.
O terceiro eixo, “Literatura em diálogo com outras artes”, amplia a perspectiva interdisciplinar ao aproximar a obra rosiana de diferentes manifestações artísticas. Nesse segmento, o ciclo promoverá atividades que integram música, teatro, cinema e artes visuais, além de experiências de leitura e contemplação em diálogo com paisagens culturais.
Entre os destaques da programação estão apresentações da Banda do Quintal, realizadas em Buenos Aires e Córdoba, com repertório que aproxima o cancioneiro brasileiro do universo literário de Guimarães Rosa. Também está prevista a exibição do filme “O Diabo na Rua no Meio do Redemunho”, dirigido por Bia Lessa, obra que oferece uma interpretação cinematográfica do clássico rosiano. O ciclo incluirá ainda caminhadas literárias e atividades que relacionam a leitura da obra com experiências sensoriais e territoriais.
O encerramento da programação contará com a conferência “João Guimarães Rosa e a língua em estado nascente”, ministrada pelo músico, ensaísta e professor José Miguel Wisnik. A palestra abordará a dimensão inventiva da linguagem rosiana e sua recusa à chamada “linguagem transparente”, enfatizando o caráter experimental da escrita do autor, que desafia o leitor a participar ativamente da construção de sentidos.
Além de celebrar um dos maiores clássicos da literatura brasileira, o ciclo também fortalece os vínculos acadêmicos e culturais entre Brasil e Argentina. A realização de atividades presenciais em Buenos Aires e Córdoba, aliada a uma extensa programação virtual, estimula a circulação de pesquisadores, artistas e estudantes, consolidando redes de intercâmbio intelectual e cultural entre os dois países.
Ao promover esse encontro entre instituições, saberes e sensibilidades, o ciclo reafirma o papel da literatura como espaço de diálogo internacional e instrumento de aproximação cultural. Celebrar os 70 anos de Grande Sertão: Veredas, nesse contexto, significa não apenas revisitar uma obra consagrada, mas também atualizar sua potência crítica e simbólica para novas gerações de leitores.
Como escreveu Guimarães Rosa, “o sertão está em toda parte”. Em 2026, essa afirmação ganha novas dimensões ao atravessar fronteiras geográficas e culturais, reafirmando a vitalidade de uma obra que continua a provocar perguntas, deslocar certezas e reinventar a língua portuguesa.
O ciclo “Sertões, Veredas e Travessias em Guimarães Rosa” resulta de uma ampla colaboração institucional que reúne a Academia Mineira de Letras, o Instituto Guimarães Rosa, por meio do Programa Leitorados Guimarães Rosa presente no Lengüitas, a Embaixada do Brasil em Buenos Aires, o Consulado-Geral do Brasil em Córdoba, a Cátedra Livre de Cultura Brasileira da Universidad Nacional de Córdoba, o Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Minas Gerais e o Setor de Humanidades da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A programação integra o projeto “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 256536)”, realizado no âmbito da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e conta com o patrocínio do Instituto Unimed-BH, viabilizado por meio do incentivo fiscal de mais de 5.700 médicos cooperados e colaboradores.
Fundado em 2003, o Instituto Unimed-BH completa 23 anos em 2026 e reúne o apoio de cerca de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. A associação sem fins lucrativos desenvolve projetos socioculturais e socioambientais voltados à formação cidadã, à promoção do bem-estar e da qualidade de vida, além de iniciativas que estimulam a economia criativa, geram trabalho e renda e contribuem para a valorização de espaços públicos e do meio ambiente.
As ações do Instituto estão organizadas em cinco linhas de atuação — Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura — e estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
Mais informações podem ser obtidas em: www.institutounimedbh.com.br.
