companhia das letras

Resenha: Morte de vida Severina, João Cabral de Melo Neto

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta



Os poemas escolhidos para integrar esta coletânea desnudam os elementos fundamentais da obra de João Cabral de Melo Neto. Morte e Vida Severina (1954-55), poema que dá nome ao livro, é a obra mais popular de João Cabral e aborda o tema da seca nordestina, dando voz aos retirantes que fazem o duro percurso entre o rio Capibaribe e Recife. O poema O rio também retrata o universo árido às margens do rio Capibaribe, mas dá voz a ele próprio como condutor da narrativa. Engenhos de cana-de-açúcar, usinas, retirantes e trabalhadores são retratados na velocidade do correr das águas. Em Paisagens com figuras (1955), João Cabral sintetiza em palavras uma de suas principais características, que é o hibridismo de linguagens. Mesclando descrições de imagens de Pernambuco, com paisagens da Espanha, o poeta desfila toda sua expressividade onírica. Por fim, Uma faca sem lâmina (1955), trata do desafio da composição poética, que ele ilustra numa faca sem bainha, que corta o poeta por dentro.

ISBN-13: 9788560281329
ISBN-108560281320
Ano: 2007 / Páginas: 176
Idioma: português
Editora: Alfaguara

RESENHA

O livro divide-se em quatro capítulos que retratam o sofrimento da população pernambucana. É dramático e relata a história de um retirante nordestino, que sai de sua cidade natal, em busca do pão para sobrevivência.
No Nordeste a vida é dura e a terra está seca, sendo assim, torna-se impossível fazer plantações, pois as mesmas não sobreviveriam a tanta seca.
O primeiro capítulo, “O Rio”, ganhador do prêmio de poesia do VI centenário da cidade de São Paulo, relata a situação drástica em que os rios encontram-se e os estragos que a falta da chuva provoca.
Em consequência disso geram a fome, a miséria e o êxodo rural, contribuindo para a formação de favelas nas grandes cidades.
Já no segundo capítulo, “Morte e Vida Severina”, o autor fala sobre a viagem do retirante a Recife, guiado pelo rio Capibaribe, sobre o desânimo que o rodeia e o faz pensar em interromper a viagem; mas a necessidade de chegar é mais forte e ele prossegue. Chegando a Recife, ele é bem acolhido e aceito como parte da sociedade local.
O terceiro capítulo, “Dois Parlamentos”, compõe-se de um par de discursos poéticos, em ritmo dual, sobre os temas do cemitério sertanejo e do trabalhador dos engenhos. Pelo fato de não chover, o Nordeste é visto como um cemitério, tudo está morto: os bichos, as plantas, o homem.
Já o quarto e último capítulo, “Auto do Frade”, compõe-se da transfiguração estética e geográfica da realidade pernambucana, a qual engloba o sofrimento visível que a sociedade vive. E aí o poeta atinge a dimensão da história.
Realizando a fusão de tons e ritmos da poesia popular, esses quatro poemas perfazem uma das grandes vertentes da obra de João Cabral de Melo Neto. São momentos altos da literatura brasileira moderna, que retratam a realidade da sociedade pernambucana.

Postagem mais recente
Next Story Postagem mais antiga Página inicial
siga-nos no Instagram: @postliteral
Leia[+]
© all rights reserved
made with by templateszoo