companhia das letras

Crítica/indicação: O nome da Rosa

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


foto: filmow

O filme “O Nome da Rosa”, produzido em 1986 e dirigido por Jean-Jacques Annaud, é baseado no livro “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco. Ele conta a trajetória do Monge franciscano William de Baskrville e de seu ajudante, Adson de Melk, na Europa Medieval. O filme mostra, também, a posição da Igreja Católica, que exercia um poder tanto político, quanto econômico e religioso, como algo que impõe uma verdade absoluta e seu poder em cima dos fiéis com a Inquisição.

O filme começa com Adson retratando seu passado, quando ele e o Monge William foram a um mosteiro afastado para investigar uma suposta morte, e uma possível chance de tal morte ter acontecido pela presença do demônio em tal mosteiro. A partir de sua chegada e da tomada de investigações, depois de descobrir que tal morte adveio de um suicídio, uma série de mortes misteriosas começam a acontecer. Eis que o monge e Adson começam uma investigação um pouco mais densa e complicada.
No desenrolar da história, Bernardo Gui, um Grão-Inquisidor da Igreja, é convocado a ir ao mosteiro para condenar qualquer que tenha sido o indivíduo que estava cometendo os assassinatos. Por fim, há um julgamento que coloca em evidência a oposição entre Gui e William, ao passo que os dois já passaram por situações de julgamento antes, ambos como mediadores. Por tal oposição, e pela posição de William, que foi contrária a de Gui, o Grã-Inquisidor o acusa como um dos culpados pelos assassinados ocorridos em nome do demônio naquele mosteiro.
Entretanto, no final do filme, é descoberto que quem estava por trás dos assassinatos era um membro do próprio mosteiro, que havia envenenado as páginas dos livros proibidos, presentes em uma parte restrita da Biblioteca, para que, quem o lesse, não levasse o que estava escrito aos outros membros. O título “O Nome da Rosa”, no entanto, não está relacionado ao fim do mistério, mas sim, ao fato de que Adson nunca soube o nome da moça que conheceu quando jovem, e que abandonou para continuar seu caminho na Igreja, mas que foi o grande amor de sua vida.

Os aspectos jurídicos presentes no filme são ligados quase que estritamente à Igreja. A Igreja, no período medieval, com a ajuda da Inquisição, exercia o poder político do Estado. Era ela quem tomava as decisões, julgava e instituía os fatos da forma que era de acordo com os preceitos religiosos. A Igreja não aceitava que algo questionasse seus dogmas, e seu poder era unido ao regime Monárquico.
Pode-se citar que a maior parte da Igreja ia contra os princípios que o Monge William usava para desvendar o mistério, que era ligado à razão, ao raciocínio, e não só às palavras divinas. O filme se passa no período do Renascimento, no qual há uma valorização do homem e da natureza, em oposição aos valores divinos e ao sobrenatural, o que coloca em pauta uma crítica e uma certa desvalorização da posição religiosa.
Uma questão a ser levantada, também, é o uso do senso de justiça de William no que se diz respeito às investigações e ao julgamento relacionados aos assassinatos: o monge franciscano procurava saber quem realmente era o culpado, e as provas concretas de que tais crimes foram praticados pelo autor, e com isso, não condenar inocentes. É importante que se tenha em mente essa relação paradoxal entre a justiça da Igreja e a justiça racional, aquela que fato concordaria com os acontecimentos.

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