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[RESENHA #486] Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade

ANDRADE, Oswald.   Memórias sentimentais de João Miramar . São Paulo: Companhia das Letras, 2016. Desde sua publicação, em 1924,  Memórias sentimentais de João Miramar   vem sendo saudado como um dos textos mais instigantes da prosa brasileira. Construído a partir de 163 fragmentos de gêneros diversos, o romance de Oswald de Andrade é um dos abre-alas do modernismo e um precursor das poéticas contemporâneas. O romance retraça a vida de João Miramar, uma espécie de caricatura do homem das classes mais favorecidas - herdeiro da cultura do café, fascinado pelas coisas estrangeiras, distante do cotidiano brasileiro. É uma sátira, selvagem e por vezes melancólica, do veio memorialista da literatura brasileira, em que os filhos das famílias mais abastadas reescrevem sua própria trajetória. Ficção / Literatura Brasileira Oswald de Andrade é sem dúvida um dos principais escritores brasileiros. No entanto, seus livros não são tão lidos hoje quanto antes. Quando se fala em modernid...

[RESENHA #485] O barão nas árvores, de Italo Calvino

CALVINO, Italo. O barão nas árvores. São Paulo: Companhia de Bolso, 2009. O Barão das Árvores de Italo Calvino, traduzido por Nilson Moulin, é um livro simples, fácil e gostoso de ler. Tem também uma resenha musical do grupo Cordel do Fogo Encantado - trata-se da música O listech (também conhecida como O barão das árvores) do terceiro e último álbum Transfiguração. Como diz a canção: “Contarei a história do barão Que comia na mesa com seu pai Era herdeiro primeiro dos currais Mas gritou num jantar ‘Não quero nada!’ Nesse dia subiu num grande galho Nunca mais o barão pisou na terra” A diferença é que no livro Cosme é o herdeiro do Barão de Rondo. O pai era um fidalgo que aspirava a títulos mais elevados, como duque, e por isso fazia questão da etiqueta dos filhos (além de Cosmo, havia Biagio, o irmão mais novo, e Batista, a irmã maluca que gostava de caçar caracóis, ratos e nojentos animais), sempre com a esperança de ser convidado para uma festa ou outro grande evento para promover uma...

[RESENHA #484] Minha vida, de A.P Tchekhov

TCHEKHOV, Anton Pávlovitch. Minha vida: conto de um provinciano . São Paulo, Editora 34, 2010. Tradução de Denise Sales. Nesta edição de Minha vida: conto de um provincial, publicada pela Editora 34 e traduzida por Denise Sales, o público de língua portuguesa tem acesso a um dos poucos romances escritos por Anton Pavlovich Chekhov (Антон Павлович Чехов, em russo) (1860 - 1904). A capa, muito bem escolhida, é um fragmento da pintura Les toits, de Paul Cézanne (1839-1906), de 1898, que já deixa no leitor um pouco da atmosfera que encontrará no livro. A ilustração representa algumas casas em algum interior, arborizadas, verdes, que se fundem no horizonte e confundem o telhado com a vegetação ao longe. É uma representação, talvez um cliché, de uma aldeia simples, folclórica e sem grande importância, mas graças a Cézanne ganha em particularidade e evidência. Esta ilustração é uma condensação do livro. Dois anos antes de Les toits (1898) ficar pronto, em 1896, em uma região semelhante à repr...

[RESENHA #483] Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto

BARRETO, Lima.   Recordações do escrivão Isaías Caminha . São Paulo: Companhia das Letras, 2011. Em sua introdução às Recordações do escrivão Isaías Caminha, obra de estreia de Lima Barreto, Alfredo Bosi afirma logo no início de seu texto que o autor "adota as fontes da escrita realista autobiográfica, sobre a qual Flaubert já trabalhou em tom reflexivo em Educação Sentimental e nos romances do primeiro Humilhação e Insulto de Dostoiévski e Memórias de uma Casa Morta.”[1] De fato, há muitas referências à vida de Lima Barrett na história de Isaías, mas acredito que o romance termina evitando isso. algumas das histórias autobiográficas. Acho que Lima Barreto está muito mais próximo de Dostoiévski do que de Flaubert. É verdade que há realismo em sua obra, mas há passagens importantes das Memórias que são citações indiretas do escritor russo. Um leitor atento das Memórias do subsolo logo notará que no seguinte trecho da jornada do Caminho há uma referência à vida desse humilde funcion...

[RESENHA #482]“Moby Dick” de Herman Melville

Moby Dick de Herman Melville é um romance, no qual o narrador, Ishmael, faz amizade com Queequeg, um arpoador dos mares do sul, e juntos procuram uma tripulação baleeira.  Eventualmente, eles se juntam ao capitão Ahab a bordo do Pequot.  Ishmael logo descobre que Ahab havia perdido a perna e o navio para uma baleia, chamada Moby Dick.  O capitão e sua tripulação navegam ao redor do mundo para caçar a baleia por vingança.  O livro tem um tema muito profundo e ambicioso, pois Herman Melville aborda muitas controvérsias ao longo de sua escrita, com comentários sutis.  Os personagens e o enredo se encaixam perfeitamente e tudo é bem desenvolvido com algum tipo de história de fundo que se estende por todas as suas páginas.  Este romance de 1851 é considerado por muitos críticos como um dos maiores romances americanos. Alguns até o consideram o maior romance da língua inglesa, independentemente da nacionalidade. Mas é um trabalho intimidador.  É do conhecime...

[RESENHA #481] O fim das certezas – tempo, caos e as leis da natureza, de Ilya Prigogine

O Fim das Certeiras – Tempo, Desordem e Leis Inerentes de Ilya Prigogine, publicado originalmente em 1996. A tradução para o português utilizada foi a de Roberto Leal Ferreira, publicada pela Unesp. No início do livro, Prigogine explica que sua primeira ideia foi traduzir a obra Entre o Tempo e a Eternidade, escrita em conjunto com Isabelle Stengers. No entanto, devido a grandes mudanças no campo, Prigogine teve que revisar significativamente o livro. Segundo ele, Isabelle Stengers não é mais considerada a autora, mas apenas uma colaboradora do "novo" livro. Um aviso introdutório é necessário ao leitor interessado. Embora o autor afirme na capa que a obra é “acessível a todos os leitores interessados ​​na evolução de nossas ideias sobre a natureza”, sem conhecimentos prévios de matemática, mecânica newtoniana, mecânica analítica, mecânica quântica, termodinâmica e física estatística, não se poderá ser capaz de entender as discussões no livro. Em seus agradecimentos por Uma Br...

[RESENHA #480] A Mulher desiludida, de Simone de Beauvoir

"A Mulher Desiludida" de Simone de Beauvoir é o primeiro livro da autora aqui neste espaço. Devo dizer que gostei desde o início, antes de entrar na história real. Li dois volumes de "O outro sexo" desse autor quando tinha vinte e poucos anos. Às vezes me pergunto se não é hora de reler esse livro que fez história nas décadas de 1960 e 1970. "The Disappointed Woman" apresenta três estilos narrativos entre as histórias que Beauvoir experimentou. Diferentes modos ficcionais até certo ponto, tentando nos convencer a ver as três heroínas de diferentes ângulos. Quando a vida dessas três mulheres começa a desmoronar, tudo o que elas pensaram, pelo qual lutaram, se transforma em inimizade. A primeira história "The Age of  Discretion" é sobre uma escritora idosa que teme que a velhice limite sua criatividade na escrita. Ela não suporta que seu filho escolha um caminho diferente daquele que ela sempre pensou para ele, que é o caminho da universidade. O qu...