A obra Pedagogia da luta de Paulo Freire: da pedagogia do oprimido à escola pública popular , de Carlos Alberto Torres, é apresentada por Moacir Gadotti em um prefácio que funciona não apenas como introdução, mas como uma chave interpretativa do legado freiriano revisitado pelo autor. Mais do que situar o leitor, Gadotti constrói um enquadramento crítico que posiciona o livro no cruzamento entre teoria, prática política e os desafios concretos da educação pública contemporânea. Desde as primeiras linhas, o prefácio estabelece a autoridade intelectual de Torres. Gadotti o descreve como um dos mais consistentes estudiosos da obra de Paulo Freire, destacando sua trajetória acadêmica e a densidade de sua produção no campo da sociologia política da educação. Essa contextualização não é gratuita: ela legitima o empreendimento central do livro, que consiste em revisitar o pensamento freiriano à luz de novas experiências históricas, especialmente a atuação de Freire como gestor público na Secr...
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Vitor Zindacta
Resenha analítica de Nordeste: uma visão em quadrinhos da civilização do açúcar, de Gilberto Freyre
Publicado originalmente em 1937, Nordeste ocupa um lugar singular na obra de Gilberto Freyre. Se Casa-grande & senzala é frequentemente celebrado como o grande marco da interpretação sociológica da formação brasileira, Nordeste funciona como seu complemento ecológico, geográfico e, em muitos sentidos, político. Trata-se de um ensaio que busca compreender não apenas uma região, mas a complexa engrenagem histórica que articula natureza, economia, cultura e poder no Brasil. Nesta resenha, analisamos a obra em tom jornalístico, destacando sua relevância, suas contribuições metodológicas e suas limitações, com base em passagens do próprio texto. Desde o prefácio, Freyre delimita seu projeto com clareza: trata-se de um “estudo ecológico do Nordeste do Brasil”, mais especificamente de “um dos Nordestes”, o agrário, centrado na cana-de-açúcar . Essa escolha não é trivial. Ao enfatizar que existem “pelo menos dois” Nordestes — o agrário e o pastoril —, o autor rompe com visões homogêneas...
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Vitor Zindacta
Resenha analítica de O Brasil como problema, de Darcy Ribeiro
Publicado originalmente como uma reunião de ensaios e intervenções intelectuais, O Brasil como problema , de Darcy Ribeiro, constitui uma das mais contundentes interpretações do país no século XX. Mais do que um diagnóstico circunstancial, a obra se impõe como um projeto de pensamento: uma tentativa de compreender o Brasil em sua formação histórica, suas contradições estruturais e suas possibilidades de futuro. Em tom assumidamente engajado, Darcy não apenas descreve o país — ele o interpela, provoca e convoca à ação. Desde a “Nota do autor”, o livro se apresenta como um discurso deliberadamente interessado, recusando qualquer pretensão de neutralidade. Darcy explicita sua posição com rara franqueza: “Nenhum escritor é inocente, eu também não... Confesso que quero mesmo é fazer sua cabeça” . A frase, localizada nas páginas iniciais da obra (p. 9-10), funciona como chave interpretativa. Trata-se de um intelectual que assume a dimensão política do pensamento e reivindica o direito — e o ...
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Vitor Zindacta
A poética do traço e a ética da diferença em Diferentes, sim, e daí?
Em um cenário editorial amplamente dominado pela palavra escrita como eixo estruturante da narrativa, Diferentes, sim, e daí? , de Gustavo Rosa, apresenta-se como uma obra que tensiona, com elegância e profundidade, os limites do que convencionalmente se entende por “leitura”. Trata-se de um livro que prescinde do texto verbal para construir, por meio de imagens, uma experiência estética e reflexiva que ultrapassa o campo da literatura infantojuvenil, alcançando dimensões filosóficas, sociais e afetivas. A escolha por uma narrativa puramente visual não é, aqui, um recurso de simplificação, mas antes uma estratégia sofisticada de comunicação, que convoca o leitor a um exercício ativo de interpretação e sensibilidade. A epígrafe atribuída a Paul Géraldy — “precisamos parecer um pouco com os outros para compreender os outros, mas precisamos ser um pouco diferentes para amá-los” — funciona como chave hermenêutica da obra. Nela se inscreve a tensão fundamental que atravessa todas as páginas...
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Vitor Zindacta
Resenha crítica da obra Irene ou da Tensilidade, de Danilo da Costa-Cobra Leite
A poesia contemporânea brasileira tem se destacado, nas últimas décadas, por um movimento de intensa experimentação formal e temática, no qual o sujeito lírico deixa de ser apenas um mediador de sentimentos para tornar-se também um campo de tensão entre linguagem, corpo e pensamento. É nesse território inquieto que se insere Irene ou da Tensilidade, de Danilo da Costa-Cobra Leite, uma obra que não apenas se lê, mas se experimenta — quase como um organismo vivo, pulsante, fragmentado e profundamente sensorial. Desde o título, a obra já se anuncia como um espaço de ambiguidade e densidade. “Irene”, palavra de origem grega que remete à paz, contrasta com “tensilidade”, termo que evoca tensão, elasticidade, resistência à ruptura. Essa dualidade atravessa toda a obra: paz e conflito, corpo e linguagem, desejo e dissolução, presença e ausência. Trata-se de um livro que desafia o leitor a abandonar expectativas lineares e mergulhar em uma experiência poética radical, na qual forma e conteúdo ...
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Vitor Zindacta
Resenha: Ódio ao poema, de Vitor Miranda
Ódio ao Poema , de Vitor Miranda, é uma obra que se posiciona deliberadamente contra a própria tradição que a sustenta: a poesia. Desde o título, há um gesto provocativo, quase iconoclasta, que sugere uma negação do fazer poético — mas que, paradoxalmente, só pode existir dentro dele. O livro se apresenta como uma espécie de manifesto fragmentado, um anti-poema que, ao atacar a poesia, revela sua permanência e inevitabilidade. A obra mergulha em um fluxo textual que mistura crítica social, violência urbana, ironia, metalinguagem e referências culturais diversas. Em vez de buscar a beleza tradicional ou a musicalidade clássica, Miranda aposta no choque, na repetição, na ruptura e na saturação. O poema deixa de ser objeto estético elevado para se tornar um corpo ferido, um organismo em decomposição, um produto de mercado, uma vítima e, simultaneamente, um agente de denúncia. Mais do que um livro de poesia, Ódio ao Poema é uma reflexão radical sobre o lugar da literatura em um mundo ma...
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Vitor Zindacta
Poder e Socialismo no Século XXI: A Experiência Chinesa e a Reinvenção do Marxismo
JABBOUR, Elias; BOER, Roland. Poder e socialismo: governança, classes, ciência e projetamento na China . Apresentação de José Paulo Netto. São Paulo: Boitempo, 2026. ISBN 978-65-5717-548-4. Classificação: CDD 330.951; CDU 330.342.151(510). Poder e socialismo se insere como uma obra de alta densidade teórica que pretende não apenas interpretar a experiência chinesa contemporânea, mas sobretudo reformular categorias fundamentais do marxismo à luz do século XXI, partindo do pressuposto de que o instrumental clássico, embora indispensável, tornou-se insuficiente diante das transformações históricas recentes. Logo na introdução, os autores deixam claro que conceitos como modo de produção, formação econômico-social e lei do valor exigem atualização, uma vez que foram elaborados em um contexto histórico distinto, afirmando que “é uma necessidade teórica urgente reinterpretar e reelaborar esses conceitos para torná-los mais adequados à compreensão do mundo no século XXI” (p. 27) . Essa propo...
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Vitor Zindacta
Resenha: Viagem na Coreografia da Mente, org. Gabriela Queiroz
A antologia Viagem na Coreografia da Mente: A Experiência Simbólica no Fluxo de Consciência, organizada por Gabriela Queiroz e lançada pela Mondru Editora em 2025, estabelece-se como um marco de experimentação literária derivado de oficinas imersivas do portal EducaMondru. A obra propõe uma incursão profunda pelos recantos da mente, utilizando o fluxo de consciência não apenas como estilo, mas como ferramenta poética para desbravar vertentes psicológicas e dimensões existenciais. Ao reunir autores como Arthur Petrola, Gabriele Gomes, Juliana Dias, Lincoln de Barros e Patrícia Najjar, o volume constrói uma narrativa polifônica que desafia a organização lógica tradicional em favor de uma apresentação subjetiva e ininterrupta das impressões humanas. O projeto gráfico, pontuado por colagens em tom de stippling, reforça visualmente essa fragmentação do eu, sugerindo que a identidade é uma composição constante de memórias, traumas e percepções imediatas. A técnica central explorada na coletâ...
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Vitor Zindacta
Onde mora a poesia: a poética feminina na universidade, org. Kellen Dias e Leila Mendes
A publicação de Onde mora a poesia: a poética feminina na universidade, organizada por Kellen Dias e Leila Mendes e lançada pela Mondru Editora em 2025, estabelece um marco fundamental na cartografia literária contemporânea brasileira ao deslocar o eixo da produção intelectual do rigor asséptico dos gabinetes para a vibração orgânica do verso. Esta antologia não se propõe apenas como uma reunião de textos, mas como um manifesto de ocupação. Ao questionarem onde reside o fenômeno poético, as organizadoras evocam a tradição de Adélia Prado para sentenciar que, entre aquelas cujas auras vibram fêmea, não cabe a passividade do gauche. A obra apresenta-se como um emaranhado poético que ressoa como bandeiras em meio a um campo de guerra simbólico, oferecendo rumo e esperança através de vozes que, embora transitem pela Academia, recusam-se a ser domesticadas por ela. O livro é um organismo vivo que abriga o som de mulheres que se refazem incorpóreas em corpos de poesia, desafiando a premissa ...
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