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| Imagem: Acervo pessoal / Divulgação |
Nesta conversa exclusiva, mergulhamos no universo de "O Ano que Tudo Mudou", a nova obra de Rô Del Carlo. Longe de ser apenas uma narrativa sobre o ambiente escolar tradicional, o livro é descrito pela autora como uma "escola de sentimentos intensos", onde o foco sai dos boletins e se volta para as complexas descobertas da juventude
A trama acompanha a jornada de Humberto, um adolescente que enfrenta os desafios de uma mudança de cidade, as pressões familiares e o peso das escolhas de seus pais. Entre dramas, comédias e o conceito marcante dos "entrelaçados", Rô Del Carlo nos transporta para uma Acácia nostálgica, inspirada em referências dos anos 80 e 90, onde amizades improváveis e encontros inesperados — como o com a enigmática Marina — forçam o amadurecimento "na marra".
REDAÇÃO: Rô, o livro nos convida a voltar para a "escola dos sentimentos intensos" e não a dos boletins. Qual foi a sua maior motivação para revisitar esse universo da adolescência?
RÔ DEL CARLO: O livro é uma volta ao passado. Com um formato mais voltado para o drama e a comédia, sem muitas disputas ou coisas semelhantes, é quase uma realidade
RÔ DEL CARLO: O personagem, apesar da pouca idade, sofre com algumas pressões — não por motivos próprios, mas pelas consequências das escolhas de seus pais
RÔ DEL CARLO: A Marina não deveria existir na vida do personagem; não estava nos planos da sua estadia em Acácia, mas acaba sendo um "sim"
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| Imagem: Arte digital |
RÔ DEL CARLO: Olha, eu poderia dizer que foi 2008, o ano em que me casei, pois um dia olhamos no calendário e decidimos: "É este ano!"
REDAÇÃO: Mudança de casa e de escola são eventos traumáticos para muitos jovens. Por que escolher esses gatilhos para iniciar a jornada do Humberto?
RÔ DEL CARLO: Concordo, pois passei por algo semelhante e tive, sim, o que hoje chamamos de gatilhos. No caso do personagem, deixei as coisas fluírem melhor. Ele não é tão seguro de si, mas, no caso do Humberto, a sorte sorriu mais
REDAÇÃO: "Os entrelaçados" aparece como um conceito forte na sinopse. Você acredita que algumas pessoas entram em nossas vidas apenas para bagunçar nossa estrutura e nos reconstruir?
RÔ DEL CARLO: Acredito que tudo faz parte do crescer, de saber lidar com o outro e com as próprias frustrações
REDAÇÃO: Como foi o processo de escrita a "quatro mãos" (ou sob dois nomes) e como você equilibra a sensibilidade feminina ao dar voz aos dilemas de um protagonista masculino?
RÔ DEL CARLO: Em alguns dos meus livros, deixo o leitor saber o ponto de vista do personagem masculino; fiz isso no penúltimo capítulo do livro Um Amor de Aluguel
RÔ DEL CARLO: Dizem que a vida é uma repetição, mas, no caso da adolescência, não acredito nessa ideia. Nessa fase, você não é mais a criança adulada pela família, nem adulto o suficiente para decidir. Você vive nessa corda bamba. Além disso, surgem a rebeldia e os sonhos que alguns deixam pelo caminho. Por fim, é uma formação de destino
REDAÇÃO: Qual feedback mais te emocionou até agora sobre a história de Humberto e Marina?
RÔ DEL CARLO: O livro ainda é novo na Amazon, mas as avaliações têm sido positivas
RÔ DEL CARLO: O encontro de Humberto com Marina já é cheio de significados, pois ela estava apenas sobrevivendo aos seus dias
RÔ DEL CARLO: Eles foram fundamentais na caminhada do Humberto, tornando a estadia em Acácia menos pesada. Cada um tinha suas características e problemas
RÔ DEL CARLO: Particularmente, gosto dos dois estilos. Até gostaria que fosse mais cinematográfico, mas acredito que meu foco acaba sendo nos personagens e em seu mundo
REDAÇÃO: Quais foram as suas referências literárias ou cinematográficas para compor esta obra?
RÔ DEL CARLO: Nos livros: A Marca de uma Lágrima, de Pedro Bandeira, e Confissões de Adolescente, de Maria Mariana
RÔ DEL CARLO: Há uma boa ligação entre Humberto e Gustavo, então as conversas dos dois foram divertidas de escrever, principalmente quando falavam sobre a Marina
RÔ DEL CARLO: O momento da "virada de chave" é quando ele decide pagar o preço para estar ao lado de Marina
REDAÇÃO: Você acredita que a dor é um ingrediente indispensável para o amadurecimento real?
RÔ DEL CARLO: Para o personagem, sim, pois é na ficção que a mão do escritor conduz a dor; na vida real, pode não ser bem assim
RÔ DEL CARLO: Eu fiz uma lista no Spotify e no Deezer (o link está no eBook). No livro há várias citações, muitas de Rock, pois o Humberto toca bateria
RÔ DEL CARLO: O mesmo conselho que o Leonardo deu a ele após uma prova difícil da turma
REDAÇÃO: Teremos uma continuação para os "entrelaçados"?
RÔ DEL CARLO: Em breve teremos o segundo livro, contando a história da Marina
RÔ DEL CARLO: Espero que ele termine, respire e sorria!
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