Resenha: Os diários de Albert Einstein: América do sul, 1925, org. Ze'ev Rosenkranz


APRESENTAÇÃO

Com Os diários de viagem de Albert Einstein em mãos, o leitor poderá conhecer a fundo os pensamentos, sentimentos e opiniões sem censura de um dos maiores gênios da ciência, durante a viagem de três meses pela América do Sul, incluindo sua estadia no Rio de Janeiro.

Na primavera de 1925, Albert Einstein embarcou em uma viagem para a Argentina, o Uruguai e o Brasil. Após inúmeros convites das comunidades científica e judaica, Einstein concordou com a visita prolongada por razões acadêmicas e humanitárias. Ao mesmo tempo ele tentava encerrar um caso com sua secretária, ansiando então pela fuga proporcionada por uma longa viagem a bordo do S.S. Cap Polonio.

Em seus diários de viagem, o cientista e ícone humanitário anotou suas primeiras impressões e reflexões mais profundas sobre as pessoas que conheceu e os lugares que visitou. Organizados pelo estudioso Ze’ev Rosenkranz, os diários demonstram – sem censura – um homem peculiar, violinista apaixonado, espirituoso e carismático, mas também intolerante e rabugento, isto é, o ser humano comum, com todos os seus defeitos e preconceitos, por trás do gênio e do maior físico da história.

RESENHA


O livro 'Os diários de Albert Einsten: América do Sul', organizado por Ze'ev Rosenkranz se inicia com Albert Einstein escrevendo sobre a pandemia de gripe de 1918 em cartas para sua família, expressando preocupação com a situação na Alemanha e na Suíça. Ele decidiu não viajar devido à pandemia, mesmo sem ver seus filhos há mais de um ano. Anos depois, em 1925, ele embarcou em uma viagem à América do Sul, que se tornou uma das mais desafiadoras para ele. Enquanto trabalhava nos Arquivos Albert Einstein, o autor refletiu sobre suas próprias viagens internacionais e a autenticidade dos diários de viagem de Einstein, que revelam suas impressões mais íntimas e imediatas. A experiência de mergulhar nesses documentos pessoais oferece insights sobre suas visões e também a oportunidade de examinar nossos preconceitos e vieses. O autor se sente privilegiado por compartilhar essa fascinante jornada com uma audiência mais ampla.

O diário é um dos seis diários escritos por Albert Einstein, revelando insights de suas experiências durante viagens ao Extremo Oriente, Palestina, Espanha e Estados Unidos. O diário em questão foi escrito durante uma viagem à América do Sul em 1925 e fornece detalhes sobre suas impressões, interações, observações políticas e sociais, além de reflexões sobre sua obra científica. A recepção da teoria da relatividade nos países visitados, como Argentina, Uruguai e Brasil, é discutida, destacando a influência de cientistas locais e a infraestrutura acadêmica. Os convites feitos a Einstein para palestras na América do Sul foram motivados por fatores científicos, políticos e culturais, demonstrando a importância de sua identidade como cientista judeu e suas conexões com a Europa.

A obra fornece insights sobre a viagem de Albert Einstein à América do Sul em 1925, com foco na Argentina, Uruguai e Brasil. Descreve o panorama político e social destes países na época, destacando aspectos como partidos políticos, reformas sociais, condições económicas e mudanças culturais. A narrativa investiga as percepções dos países europeus, especialmente da Alemanha, em relação à América Latina, enfatizando estereótipos históricos e pontos de vista em evolução. Além disso, aborda a recepção da visita de Einstein, os fatores políticos em jogo e o impacto da sua teoria da relatividade nas comunidades científicas locais.

A obra ainda discorre sobre sua viagem à América Latina em 1925, incluindo suas visitas ao Brasil, Argentina e Uruguai. Ele expressa sua surpresa com a falta de pensamento incisivo e a priorização da forma sobre a substância na Academia Brasileira de Ciências, atribuindo isso ao clima tropical. Einstein também comenta sobre sua interação com a comunidade judaica em cada país, destacando a recepção calorosa e a solidariedade judaica. Além disso, ele se refere à comunidade alemã em cada país, notando a falta de atenção em Buenos Aires devido à controvérsia em torno de seu artigo pacifista e a hostilidade política dentro da comunidade alemã. No entanto, em Montevidéu e no Rio de Janeiro, a comunidade alemã o recebeu de maneira mais polida e aconchegante.

A obra se inicia com os diários de viagem de Einstein à Argentina, Uruguai, Brasil. 

Ontem minha mulher, Katzenstein com a irmã e os Bärwald na estação ferroviária.2 O sol brilhou durante a jornada, mas o tempo estava encoberto ao chegarmos. 3 A sra. Robinow e o genro estavam na estação. 4 Tarde com a sra. Robinow, [toquei] Mozart em um violino infantil. À noite, refeição familiar no estilo de Hamburgo. Melchior também apareceu, 5 lúcido, espirituoso. Hotel a pé. Companhia sensível, decente. Hoje às 9 horas, embarque no navio 6 com genro R[obinow]. 7 Pessoa agradável, inteligente. Partida às 9h30 com sol, passando navios e armazéns. Foi uma despedida e tanto. Todo mundo reconhece minha cara, mas, até agora, não fui incomodado. 11 horas. Céu encoberto. A costa se afasta. Paz abençoada. Ontem à noite, recebi uma gravata preta enviada ao hotel, encomendada por telefone pelos Bärwald. Sujeitos bem-humorados e terrivelmente ágeis.

Einsten nos fala sobre estar lendo Meyerson e discutindo sua perspicácia e injustiça ao considerar as escapadas de Weyl e Eddington como parte essencial da teoria da relatividade. Também menciona uma comparação com o hegelianismo. Além disso, há uma menção a uma prova feita pelo autor sobre cones de luz fixos e órbitas dos elétrons. O texto também descreve a passagem por Tenerife, destacando a beleza dos picos sob a luz do sol e a iluminação para as 'montanhas verdejantes'.

Pela manhã, já estava tão quente (com céu claro) que não parecia que a janela da cabine estava aberta. Estou lendo Meyerson. 18 Muito perspicaz, mas injusto na medida em que as escapadas de Weyl e Eddington são consideradas parte essencial da teoria da relatividade. É assim que ele chega à comparação com o hegelianismo. Provei ontem que, com cones de luz fixos e as órbitas dos elétrons (de todos os ) com coordenadas definidas, absolutamente nenhuma mudança no campo é possível se derivarmos as equações das órbitas dos elétrons da propriedade extrema de Passamos por Tenerife. Picos sob a brilhante luz do sol. Maravilhosa iluminação para as escarpadas montanhas verdejantes.

Einstein fala sobre sua experiência em um navio, onde ele descreve suas impressões sobre as diferentes classes sociais presentes no navio, destacando a atitude blasé e infantil dos argentinos na primeira classe e a ingenuidade e gratidão das pessoas na segunda classe. Ele também menciona sua apresentação em um concerto na primeira classe, onde tocou músicas de Mozart e Beethoven. Além disso, ele comenta sobre sua interação com uma mulher judia russa, a quem ele se refere como uma pantera divertida e impertinente. Einstein demonstra um certo desprezo pelos argentinos, os considerando estúpidos e membros da classe rica e ociosa, enquanto elogia a música popular argentina originada nos incas. Ele reflete sobre a beleza e grandiosidade que possivelmente existia na civilização inca, que acabou se perdendo ao longo do tempo.

Antes de ontem, batismo equatorial na primeira classe; ontem, na segunda classe. Na primeira, os argentinos fizeram feio. Classe rica. Blasé, mas infantil. Na segunda, pessoas ingênuas e gratas. Capitão, boas brincadeiras (partículas na urina; paciente com dor viajando de cima para baixo). Hoje, visita às salas do motor e da caldeira. Grande impressão. À noite, concerto na primeira classe. Toquei em um quarteto, primeiro “Nachtmusik” de Mozart, e depois “Romance em fá maior” de Beethoven. Os argentinos são criaturas indizivelmente estúpidas. Estou livre deles, finalmente. No que diz respeito ao intelecto e outras questões, são membros da classe rica e ociosa. Jesinghaus me apresentou à música popular argentina, originada nos incas. Naturalista e grandiosa. Coisas gloriosas devem ter perecido com aquela nação. Provoco muito a pantera, que está sempre me interrogando. Ela é divertida, de sua maneira séria e impertinente; uma judia do tipo russo.

A obra segue expondo algumas cartas acrescidas à obra de Eintein em viagem à Montividéu, Uruguai, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Bilbao, dentre outras. Ele viajou para Hamburgo, Boulogne-sur-Mer, Bilbao, Corunha, Vigo, Lisboa, Tenerife, Fogo, Rio de Janeiro, Montevidéu, Buenos Aires, La Plata, Córdoba, Montevidéu, Rio de Janeiro e Boca de Valdivia.

Os diários de viagem de Albert Einstein oferecem uma perspectiva única e íntima sobre a personalidade e as reflexões do renomado cientista durante sua viagem pela América do Sul. A organização cuidadosa dos textos por Ze'ev Rosenkranz permite aos leitores mergulhar no mundo de Einstein, conhecendo não apenas suas observações científicas e acadêmicas, mas também suas interações sociais, pensamentos pessoais e opiniões sobre os países visitados. A obra revela um Einstein humano, com todas as suas peculiaridades e imperfeições, tornando-a cativante para todos aqueles interessados não apenas na ciência, mas também na história e na natureza humana. Além disso, a inclusão de cartas adicionais acrescenta ainda mais profundidade e contexto à experiência de leitura, proporcionando uma imersão completa no universo de um dos maiores gênios da história.

O livro terá seu lançamento oficial no dia 06 de Junho na Unibes Cultural, localizado na Rua Oscar Freire, 2500 em Sumaré, São Paulo. 

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