[RESENHA #990] Estranhos à nossa porta, de Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman examina as origens, os contornos e o impacto do pânico moral atual em torno da “crise migratória” na Europa. Explora o medo gerado pelas campanhas políticas, argumentando que esta “crise da humanidade” exige, em vez disso, uma “fusão de horizontes” através do diálogo. Embora Nicolas Schneider sugira que possa ser necessária uma análise mais sistemática e detalhada sobre como se opor a esta dinâmica emergente de desumanização na política contemporânea, ele considera que este texto oferece, no entanto, um valioso vislumbre introdutório às complexidades da questão. 

Bauman desmantela o “pânico migratório” na Europa, abordando a erosão do moral compass na política ocidental. Ele expõe as campanhas políticas hipócritas que promovem o medo, e defende o diálogo como solução para a “crise da humanidade”. O livro, embora às vezes pareça uma coletânea de ensaios, revela os mecanismos políticos que moldam a realidade atual, criticando a política contemporânea. Bauman expressa perplexidade com a hostilidade da Europa em relação a estrangeiros, apontando que a migração sempre foi parte da história da humanidade. 

Ele discute o conceito de “medo cósmico” e sua transformação em “medo oficial” pelos políticos. Bauman analisa a individualização e a perda de referências territoriais estáveis, contribuindo para o surgimento de bodes expiatórios e a exclusão social. Ele propõe o diálogo como forma de superar a crise atual, inspirado em filósofos como Gadamer e Arendt. A análise de Bauman ganha relevância após o Brexit, destacando o racismo na política europeia. 

Embora as soluções propostas por Bauman possam parecer vagas, o livro oferece uma visão profunda das complexidades da questão e pode ser um guia para futuras ações contra a desumanização.

 Em suma, estranhos à nossa porta é uma leitura importante e provocativa que desafia o leitor a repensar suas percepções sobre a migração e a crise humanitária atual. Bauman oferece uma análise perspicaz e crítica da política contemporânea, destacando a necessidade urgente de dialogar e buscar soluções humanitárias para acolher os estrangeiros em nossas sociedades. É um livro que certamente merece ser lido e discutido, contribuindo para um debate mais informado e compassivo sobre a questão migratória na Europa e no mundo.

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