[RESENHA #605] Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak

 APRESENTAÇÃO

Com mais de 17 mil exemplares vendidos no Brasil, a Cosac Naify relança, em nova edição, a obra-prima de um dos pioneiros do livro ilustrado, o norte-americano Maurice Sendak (1928-2012). Onde vivem os monstros venceu os principais prêmios de literatura infantil, foi traduzido para mais de vinte idiomas e aclamado pela crítica. O título é o primeiro lançado pela Cosac Naify dentro do projeto de publicar a obra completa do autor no país. A edição manteve a capa dura – uma preocupação da editora com a durabilidade do exemplar –, mas tornou-se menos sisuda e mais acessível, sem tecido ou sobrecapa. Outra novidade são as ilustrações mais vivas, com cores marcantes, impressas a partir de novos arquivos digitais. Na história escrita em 1963, o garoto Max, vestido com sua fantasia de lobo, faz tamanha malcriação que é mandado para o quarto sem jantar. Lá, ele se transporta para uma floresta, embarca em um miniveleiro até desembarcar na ilha onde vivem os monstros. Max, então, fica livre para mandar e desmandar, longe de regras ou restrições. Mas, quando a saudade de casa começa a apertar o peito, Max fica em dúvida sobre suas escolhas. Uma bela obra sobre a infância e a eterna luta entre a liberdade almejada pelas crianças e a autoridade dos pais, fundamental na biblioteca básica de todo leitor.

RESENHA

Onde vivem os monstros é um livro infantil ilustrado por Maurice Sendak, publicado originalmente pela editora Harper Collins, no ano de 1963. Recentemente, a obra comemorou 60 anos desde sua primeira publicação, ganhando o título de melhor livro infantil de todos os tempos. A obra ganhou inúmeras edições em mais de vinte idiomas diferentes, sendo aclamada pela crítica, não somente por sua originalidade, mas, por sua ousadia em retratar a imaginação infantil e os efeitos da raiva nas crianças.

O livro narra a história de Max, um garotinho travesso que certo dia decide perseguir o cachorro da família com um garfo na mão enquanto veste uma roupa de lobo. A partir deste ponto, o garoto é mandado por sua mãe para o quarto sem comer, o que, claro, provoca em Max uma sensação de raiva, fazendo-o trancar-se em seu quarto e lá todo cenário ganha vida. O personagem é o retrato de toda criança travessa de 3 - 7 anos que usa de sua imaginação para explorar sua raiva e seus sentimentos. A obra ficou famosa no Brasil mediante uma edição em capa dura editada pela Cosac Naify, em 2009, ano da produção cinematográfica da obra. A obra quase recebeu uma segunda edição, mas com o fechamento da editora Cosac, a obra não chegou a ser reeditada por nenhuma outra editora brasileira. O autor faleceu em 2012.

Sendak usa ilustrações vívidas em tons claros, trazendo cenários distintos para cada acontecimento, o que pode ser encarado como um excelente recurso de mudança de humor no garoto Max, nota-se que o autor preocupou-se não apenas com a sequência de acontecimentos em si, mas também na elaboração de um cenário que mostrasse claramente os sentimentos de Max aflorando-se conforme o desenrolar da história. 

Max ao entrar em seu quarto enxerga naquela oportunidade um momento de descontração, em outras palavras, as brincadeiras do garoto continuam em seu universo particular. Árvores crescem por todo o quarto e ele torna-se, então, o rei de todas as criaturas que sua cabeça lhe permite criar. Este universo é uma metáfora criada pelo autor para explorar os assuntos ligados ao nosso interior lidando com nossas próprias fraquezas e medos, os monstros que rondam a nossa vida. Todo desenvolvimento da história gira em torno da imaginação de Max em seu quarto e na exploração de seu isolamento mediante sua punição. A obra mostra-nos que é possível ensinar de certa forma, ainda que menos lúdica, que a criança tende comportamentos referentes a sua idade e que ela explora métodos e formas de lidar com a raiva e com a frustração, diferente de qualquer outro ser humano em fase adulta. Quando Max decide criar todo um universo em sua cabeça, ele também percebe que sim, é possível adquirir novas experiências com brincadeiras saudáveis, diferente das quais ele estava momentos antes de seu castigo. Observa-se também toda linha cronológica que caminha com Max ordenando aos monstros de seu universo diferentes regras e momentos, todos impulsionados por seu momento de raiva ocioso. O universo se desfaz quando Max sente o cheiro da comida de sua mãe, então ele decide retomar a realidade.

A OBRA INSPIROU UM FILME

Cena do filme onde vivem os monstros

O filme “Onde Vivem os Monstros” é uma adaptação do livro homônimo de Maurice Sendak, dirigido por Spike Jonze e lançado em 2009. A criação do filme envolveu um processo criativo intenso para trazer a história do livro para as telas de cinema.

Spike Jonze, conhecido por sua abordagem única e criativa, assumiu a tarefa de adaptar a amada obra de Sendak. Ele trabalhou em estreita colaboração com o próprio autor, que faleceu em 2012, para garantir que a essência do livro fosse preservada no filme.

A equipe de produção enfrentou o desafio de dar vida aos monstros do livro. Para isso, foram utilizados trajes de animação, manipulação de marionetes, efeitos visuais e técnicas de computação gráfica. O resultado foi uma representação impressionante dos personagens do livro, capturando sua aparência e personalidade únicas.

Em relação aos prêmios, “Onde Vivem os Monstros” recebeu várias indicações e conquistou reconhecimento em diversas premiações. O filme foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Direção de Arte e também recebeu indicações ao BAFTA e ao Critics' Choice Movie Awards. Além disso, a trilha sonora original do filme, composta por Karen O e Carter Burwell, foi indicada ao Grammy.

Embora não tenha vencido esses prêmios específicos, o filme recebeu elogios da crítica e do público por sua abordagem única, direção, atuações e efeitos visuais. A adaptação cinematográfica foi considerada uma interpretação fiel e emocionalmente impactante da história original do livro.

No geral, “Onde Vivem os Monstros” se tornou uma obra aclamada, tanto em seu formato literário quanto em sua adaptação para o cinema, conquistando um lugar especial no coração dos fãs e recebendo reconhecimento por sua qualidade artística.

Título Original:
Where The Wild Things Are.
Direção: Spike Jonze.
Roteiro: Spike Jonze e Dave Eggers, baseado em livro de Maurice Sendak.
Elenco: Kalia Prescott,  Mark Ruffalo, Max Pfeifer, Madeleine Greaves; 
País: Estados Unidos
Ano: 2009
Gênero: Drama
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