companhia das letras

[RESENHA] O Cemitério, Stephen King

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

/ by Vitor Zindacta


ISBN-13: 9788573021875
ISBN-10: 857302187X
Ano: 2006 / Páginas: 464
Idioma: português
Editora: Objetiva

Louis Creed, jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. Uma casa boa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos. Num dos primeiros passeios para explorar a região, conhece um cemitério no bosque próximo à sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras. Um universo dominado por forças estranhas capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível. A princípio, Louis se diverte com as histórias fantasmagóricas do velho vizinho Crandall. Só aos poucos começa a perceber que o poder de sua ciência tem limites. Prepare-se para páginas de puro pavor. Em uma de suas mais terríveis histórias, Stephen King mostra como a dor e a loucura, muitas vezes, dividem a mesma estrada.

Crime / Fantasia / Ficção / Horror / Literatura Estrangeira / Romance / Suspense e Mistério / Terror


Louis Creed é um médico jovem e se muda com a família para uma pequena cidade do Maine. A família é composta pelo pai já citado, por Rachel, mulher de Louis, Gage o bebê e Ellie a filha mais velha. A casa, grande e confortável, fica de frente para uma estrada movimentada a Rodovia 15. Na outra margem da rodovia outra casa, onde moram os Crandall um casal simpático e hospitaleiro. Jud Crandall recebe os Creed e daí nasce uma amizade que perdurará até o fim da trama. A casa da família recém-chegada tem uma vasta área e trás da construção um enorme bosque que contém várias histórias supersticiosas. O grupo, guiado pelo anfitrião Jud, é levado pelo bosque para conhecerem a região. A primeira coisa que encontram, após longa caminhada, é o chamado “Simitério dos Bichos”, onde as crianças das redondezas por anos e anos enterravam seus animais de estimação: coelhos, gatos, ratos... Os pequenos túmulos e lápides estão disposto em círculos concêntricos que intrigam ao doutor, já que foram crianças quem organizaram todo aquele espaço por décadas. Mas, o que o doutor ainda não sabe, é que para além do “Simitério” dos animais existe outro, mais sombrio e com uma história muito mais aterrorizante. Conta-se que a terra daquele outro cemitério é maligna, uma terra dominada por forças desconhecidas e capazes de realizar, para o bem ou mal, coisas irrealizáveis.
Para Louis Creed tudo não passa de supertição alimentada pelo coração velho dos morados das proximidades, porém quando o gato, Churchill, de Ellie morre atropelado na Rodovia 15 e volta dos mortos, o forasteiro começa a acreditar que algo inesplicável acontece naquele antigo cemitério Micmac – os índios que, há muito tempo, dominavam e possuíam a região.

O dr. Creed tem um emprego na universidade de uma cidade próxima, Ludlow, e está pronto para começar a trabalhar na enfermaria, o primeiro acidente realmente terrível acontece em meados de sua segunda semana de trabalho e a partir da primeira morte no campus da universidade, Louis se vê muito mais próximo do cheiro da morte do que realmente gostaria de estar.

Stephen King, como se sabe, é o mestre do terror. Mas não daquele terror sanguinolento e forçado dos filmes de Hollywood – muito embora muitos de seus filmes tenham sido adaptados por Hollywood –, King, em realidade, trabalha com um terror muito mais papável: o psicológico. O autor sabe, com maestria, causar temor com simples fatos no cotidiano e consegue fazer uma caminhada na noite escura parecer muito mais perigosa do que nós gostamos de nos alertar. Contudo, Stephen King também nos traz passagens de drama que fazem chorar e cenas hilariantes. Em O Cemitério seremos expostos à supertição de um casal velho, os Crandall um exemplo vivo de que muitas histórias fantasiosas têm fundo de verdade e que podem mesmo atemorizar aqueles que até então viviam em uma Chicago barulhenta e cética. Os Creed, e principalmente Louis, serão expostos aos medos que na infância foram abafados por leites quentes e abraços reconfortantes, mas que agora são muito mais sólidos do que nas histórias de fábulas.

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