companhia das letras

E o vento levou (1939) ► (Resenha)

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta

A presente critica se da através dos longas-metragens “O Vento Levou” dirigido por Victor Fleming em 1939 e com roteiro de Sidney Howard, baseado em livro de Margaret Mitchell e “Tempo de Glória” dirigido por Edward Zwick em 1989.

“O Vento Levou” que teve 13 indicações ao Oscar, conseguiu vencer oito e, fora das indicações tradicionais, conquistou outros dois especiais (um honorário e outro técnico), fato que o fez tornar-se o ganhador de dez estatuetas. Vencendo como melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor fotografia. O filme “O Tempo de Glória” teve cinco indicações e venceu nas categorias de melhor ator coadjuvante (Denzel Washington), fotografia e som.

A Guerra da Secessão a partir dos filmes, “O Vento Levou” e o “Tempo de Glória” não é fácil, sem o auxílio de um terceiro filme ou mesmo fontes bibliográficas sobre o assunto. Claro que o intuito dos filmes não era ensinar como aconteceu, por que, quais foram às causas e as consequências da guerra. Embora no filme “O Vento Levou”, possamos verificar alguns destes itens, até porque tempo para abordar questões chaves sobre a guerra o filme teve, pois o mesmo tem duração de três horas e cinquenta e oito minutos, o que em nada desprestigia o filme, embora seja longo.

Porém para a época em questão, 1939 em plena 2º Guerra Mundial, o filme utilizou muito bem as tecnologias existentes, variando os cenários com belíssimas cenas externas e uma trilha sonora magnífica, que marca as principais cenas, embora esteja presenta em praticamente todo o filme, o figurino também é impecável, desde os personagens principais até os coadjuvantes, cada roupa foi planejada para cada cena, o que fica evidente na cena do baile no inicio do filme e na cena em que Scarlett viúva pela 1º vez e Butler dançam em um salão, os dois estão de preto, destoando de todo o resto, simbolizando o quanto eles são diferentes daquelas pessoas tradicionais. Ao longo do filme Scarlett vai sofrendo com a presença da guerra e seu vestuário vai se modificando, ficando mais leve e funcional. Mas assim que a posição financeira melhora, o glamour e estilo voltam a fazer parte do vestuário da personagem, assim como todos a sua volta.
A nossa história começa com Scarlett O’Hara, a protagonista do filme. Uma mocinha cheia de defeitos, que na década de 1860 não era vista com bons olhos, pela sociedade tradicional sulista. De família rica e influente, ela é egoísta, ambiciosa, deseja o marido da melhor amiga e faz qualquer negócio, inclusive casar três vezes sem amor, para atingir seus objetivos.

Mas a única com coragem e determinação o suficiente para vencer a fome, a miséria, a tragédia de ver tudo e todos a sua volta serem destruídos, de viver um amor não correspondido por Ashley e lutar por ele e por tudo aquilo que acreditava, durante a guerra. Uma das falas mais marcantes da personagem é quando a mesma retorna para a sua casa, e descobre que a guerra chegou ali também e destruiu quase tudo, a propriedade esta destruída, não há plantações, os escravos fugiram, a mãe e irmã morreram o pai estava louco, e Scarlett esta cansada, com fome, mas continua firme em suas atitudes e diz: “Com Deus por testemunha, não vão me derrotar. Vou sobreviver a isso. E, quando passar, nunca mais sentirei fome! Nem eu, nem minha família. Mesmo que eu minta, roube, trapaceie ou mate, com Deus por testemunha, nunca mais passarei fome!”.

Sobre a guerra, o filme traz poucas cenas. A cena dos cavalheiros sulistas ansiosos para ser declarada por Abraham Lincoln a guerra no inicio do filme. Algumas poucas cenas de Ashley em batalha. E mais ao meio do filme quando Scarlett foge de Atlanta com a cidade em chamas, devido o ataque dos soldados do norte, com sua amiga e rival Melanie Hamilton, seu bebê e uma escrava de volta para sua casa em Tara. Mas isso não é um problema até porque o filme é para ser um romance, então seu foco fica na protagonista Scarlett, Ashley e Rhett e não na guerra propriamente dita, mas podemos observar a influência da mesma sobre a vida de todos.

Muito diferente é o filme “Tempo de Glória”, dirigido por Edward Zwick em 1989, que embora possua uma batalha no começo e uma no final do filme, foca mais na preparação para a guerra. Mas em vez de vermos no filme, o grande poderio do norte, com suas fábricas, canhões, armas, uniformes e mesmo uma população mais culta e sem preconceitos em relação aos negros, observamos outro lado do norte/guerra/escravos.
No filme, é criado o 1º Regimento de Soldados Negros da União, porém os mesmo não possuem a autorização de Abraham Lincoln, para lutar. O norte é a favor do fim da escravidão no sul, mas isso não significa incluir os negros na sociedade, muito menos ter os negros com os mesmos direitos dos cidadãos. Aliás, para solucionar este problema, o governo comprou terras na África, para enviar os negros libertos.

Este preconceito em relação ao negro é visível em quase todas as cenas do filme. Em primeiro lugar, o presidente não quer que a União seja representada por negros, no mesmo patamar dos seus soldados, e como poderia um ex-escravos, ou descendente de escravos estarem lado a lado de um cidadão? Muito brancos do norte lutavam entre outros motivos pelo fim da escravidão, mas eram extremamente preconceituosos. Por isso o 1º Regimento, conquistou cada detalhe com muito esforço, primeiro os calçados, depois os uniformes, e por ultimo o respeito.

Nas primeiras cenas, já podemos observar as diferentes mentalidades, daqueles que fariam parte do regimento, tanto na parte dos soldados como na parte dos superiores. Os negros não eram do mesmo nível intelectual, uns já vinham da condição de livres, sabiam ler, escrever, usavam roupas e calçados em ótimo estado, enquanto outros eram escravos fugidos do sul, que buscavam uma chance de melhorar de condição de vida, até por que existia um salário para os soldados, mesmo que não fosse igual ao dos soldados brancos.

No sul, os escravos foram utilizados na guerra, quando os senhores perceberam e sofreram grandes perdas, o sul não possuía exército. Os negros, então na condição de ficarem livres e conseguir um pedaço de terra ao final da guerra, participaram ao lado de seus senhores. Lutavam como podiam, utilizando as poucas armas disponíveis, e com suas roupas normais do dia a dia, ou seja, precária.

Robert Gould Shaw é o personagem principal, é a partir das cartas que o mesmo escreve a família, se desenrola a estória do filme. Ele vai lutar na primeira batalha, sobrevive, vai para casa, é promovido e futuramente ira comandar os soldados negros, porém o mesmo não é um soldado nato, mas consegue através de pequenas atitudes construir um grupo unido.
Ambos os filmes são ótimos, porém eu não sugeria apenas um ou os dois filmes, pois os mesmos não fazem o telespectador compreender, a Guerra da Secessão como um todo, ajuda do oeste em favor do norte, o sul em último momento convocando seus escravos para irem lutar, não mostra o a vida no norte durante este momento. Mas é interessante a abordagem de ambos os filmes, nos permitindo ver que não existe o lado do bom/correto e o lado ruim/errado na guerra, cada lado possui seus motivos e os defende como pode. Outro ponto interessante é o final, onde os personagens principais não enceram suas histórias com um belo final feliz.
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