[RESENHA #692] Manual do cretino, de André Luiz Leite da Silva

APRESENTAÇÃO

As pessoas frequentemente não mostram sua verdadeira essência. Parecem estar sob algum tipo de feitiço, usando uma máscara, uma Persona. Este segundo rosto raramente é revelado, a menos que a pessoa esteja furiosa ou sob o efeito do álcool. Sim, o álcool revela e nivela, como as rodas de uma locomotiva que se movem lentamente até aquecerem os trilhos. As pessoas geralmente não se importam com os outros. Elas são egoístas. Estão interessadas apenas em si mesmas. Se algo é bom, a primeira pergunta é: "Isso é bom para mim?" Se for interessante, então se comprometem. Mas as pessoas se cansam. São egoístas, vaidosas, raivosas e, por fim, enjoativas.

Como Escrivão de Polícia, trabalhei em muitos lugares interessantes. Departamentos como Denarc, Deic. Delegacias como o 77º DP, que abrange a Cracolândia, onde permaneci por seis anos. Lá, por mais complicado que seja, os dependentes químicos se nivelam. Não há distinção de cor, gênero ou crença. Todos vivem um dia de cada vez, consumindo seus ópios diariamente. Mas não somos todos assim? Exceto que nos tornamos tão insensíveis que nos incomodamos com cores, sexualidade, suavidade e queremos que as pessoas sejam como nós, mas nem nós mesmos nos suportamos? Vivemos furiosos, magoados, tristes, culpando os outros, quando na verdade somos os culpados...

Foi com esses pensamentos em mente que decidi escrever este livro chamado "Manual do Cretino, vol. 1". Sim, haverá o volume 2, 3, 4... Material é o que não falta, e o que realmente falta são pessoas generosas e gentis. Isso é escasso e faz muita falta. Espero que as pessoas, ao lerem, se identifiquem com um ou outro artigo, assim como eu, e pensem em tentar mudar um pouco. Um pouquinho só já ajuda. E que a Criadora tenha piedade de alguns.

RESENHA

“Manual do Cretino” é uma obra intrigante escrita por André Luiz Leite da Silva, um filósofo e escritor que acumulou uma rica experiência de vida durante seus mais de 20 anos como escrivão de Polícia Civil. Este livro, que é a 24ª publicação do autor em uma carreira literária prolífica que conta com 43 livros, é uma exploração perspicaz das “idiotices” que as pessoas tendem a naturalizar em suas vidas cotidianas.

O autor utiliza sua vasta experiência profissional para examinar essas questões, resultando em um livro que oscila entre o agressivo e o bem-humorado, dependendo da perspectiva do leitor. A obra é composta por uma série de crônicas, cada uma delas abordando um aspecto diferente do comportamento humano.

Por exemplo, uma das crônicas, intitulada “ART. 25º - COLEGUINHAZ”, discute a dinâmica dos grupos de trabalho e como as pessoas se comportam dentro desses grupos. O autor explora as complexidades das relações interpessoais no ambiente de trabalho e como elas podem afetar a produtividade e a satisfação no trabalho.

Outra crônica, “ART. 62º - NÃO FUI EU!”, explora a tendência humana de evitar a responsabilidade, mesmo quando é óbvio que a pessoa é culpada. Esta crônica oferece uma visão perspicaz sobre a natureza humana e como as pessoas muitas vezes tentam se esquivar da responsabilidade por suas ações.

O “ART. 102º – SURPREENDA!” é uma crônica que explora a natureza humana e a busca por milagres ou intervenções divinas. O autor usa a metáfora de um devoto orando em silêncio, buscando uma resposta ou um sinal de Deus. No entanto, o silêncio é tudo o que resta, uma representação da falta de respostas tangíveis para suas preces.

A crônica também aborda a ideia de surpresa e expectativa. O devoto, referido como “lobinho”, está sempre pedindo por algo, neste caso, uma “ovelhinha de pelo macio e branco”. No entanto, quando ele finalmente recebe uma resposta, na forma de um AVC, ele se surpreende. Isso pode ser interpretado como uma crítica à ideia de que as pessoas muitas vezes pedem por milagres ou intervenções divinas, mas não estão preparadas para as consequências ou para a realidade dessas respostas.

Além disso, o autor critica a ideia de que as pessoas querem recompensas sem fazer o trabalho necessário. Ele menciona que o devoto quer o prêmio, mas não quer deixar de ser boêmio. Isso sugere que muitas pessoas querem os benefícios de algo, mas não estão dispostas a fazer os sacrifícios necessários para alcançá-los.

Por fim, a crônica termina com a frase “Faça a coisa certa!”, sugerindo que a maior surpresa pode ser simplesmente fazer o que é certo. Isso pode ser interpretado como um chamado à ação para o leitor, incentivando-o a fazer o que é certo, em vez de esperar por milagres ou intervenções divinas.

Em suma, “ART. 102º – SURPREENDA!” é uma crônica provocativa que desafia o leitor a refletir sobre suas próprias ações e expectativas. Ela oferece uma visão perspicaz sobre a natureza humana e a busca por respostas e recompensas.

“Manual do Cretino” é uma obra que desafia o leitor a refletir sobre suas próprias ações e comportamentos. É uma leitura provocativa e instigante, que certamente deixará uma impressão duradoura. Se você está procurando um livro que o faça pensar e questionar suas próprias ações e comportamentos, “Manual do Cretino” é uma leitura obrigatória.

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