[RESENHA #560] Escravidão contemporânea, org. Leonardo Sakamoto


APRESENTAÇÃO

Todo ano, milhares de pessoas são traficadas e submetidas a condições desumanas de serviço e impedidas de romper a relação com o empregador. Não raro, são impedidas de se desligar do trabalho até concluírem a tarefa para a qual foram aliciadas, sob ameaças que vão de torturas psicológicas a espancamentos e assassinatos. Pessoas que têm sua dignidade arrancada por um regime de trabalho escravo. Este livro, organizado por Leonardo Sakamoto, reúne grandes especialistas nacionais e estrangeiros que mostram o que é o trabalho escravo contemporâneo, sua história recente, como ele se insere no Brasil e no mundo, o que tem sido feito para erradicá-lo, e por que tem sido tão difícil combatê-lo. Uma obra necessária, uma ferramenta para uma das mais importantes batalhas de nosso tempo. Afinal, enquanto qualquer ser humano for vítima de trabalho escravo, a humanidade não será, de fato, livre.

RESENHA

Entre 1995 e setembro de 2019, mais de 54 mil pessoas foram encontradas em regime de escravidão em fazendas de gado, soja, algodão, café, laranja, batata e cana-de-açúcar, mas também em carvoarias, canteiros de obras, oficinas de costura, bordéis, entre outras unidades produtivas no Brasil.

Escravidão contemporânea é uma coletânea de cunho jornalístico informativo organizado pelo jornalista Leonardo Sakamoto, a obra possui como foco a descrição da escravidão contemporânea em solo brasileiro, o autor discorre sobre a temática com forte enfoque na exploração de mão escrava por meio do tráfico de trabalhadores que são mantidos em cárcere privado por meio da exploração do emocional e pelo medo de ameaças de morte e punições, garantindo assim, mão de obra barata para geração de competitividade comercial com preços menos elevados no mercado, uma vez que, na maioria das vezes, a mão de obra é totalmente explorada de forma gratuita e irregular.

A obra abrange um forte estudo da escravidão no Brasil, iniciando pela abolição da escravatura, os resquícios e nuances pós lei áurea, os enfrentamentos em solo brasileiro após a proibição do uso de mão de obra escrava,  o perfil dos sobreviventes, o mercado no globo e suas facetas e o impacto da exploração irregular de mão de obra no mundo e nas vítimas.

Todo ano, milhares de pessoas são traficadas e submetidas a condições desumanas de serviço e impedidas de romper a relação com o empregador. Não raro, são impedidas de se desligar do trabalho até concluírem a tarefa para a qual foram alidadas, sob ameaças que vão de torturas psicológicas a espancamentos e assassinatos

o número de trabalhadores escravos ao redor do globo é uma pauta discutida à vários anos, em alguns países há algumas iniciativas que buscam erradicar a problemática, evitando assim, que, uma pessoa detenha poderes e direitos sobre a outra, garantindo uma relação de trabalho na transparência, porém, é comum encontrar no Brasil casos de exploração de mãos de obra escrava cada vez mais recorrente. O problema transforma a pessoa em objeto, tonando-a descartável ou desnecessária em caso de descumprimento de ordens de serviço,  o que acaba por vezes na ausência de leis de seguridade social e trabalhistas.

o chamariz usado muitas das vezes é a promessa de trabalho, muitas das vezes no setor agropecuário, o que leva trabalhadores pobres e com pouco acesso à estudo, estrutura educacional e social à e submeterem, o que acaba ocasionando em uma série de de trabalhadores escravizados por um longo período, trazendo sintomas irreversíveis para a vida do trabalhador.  O termo contemporâneo é usado para empregar a situação em que as leis trabalhistas e os direitos humanos são violados, tornando a  figura do trabalhador em caricatura, explorando e violando seu direito de ir e vir ou de se comunicar com o mundo exterior, o que acaba tirando essas pessoas do raio de investigação dos órgãos competentes, tornando ainda mais difícil a tarefa de se identificar os responsáveis ou a região explorada.

Baseado no trabalho dessas equipes, é possível saber que, dentre as finalidades mais comuns do trabalho escravo contemporâneo no Brasil, encontram-se a derrubada de mata nativa e a limpeza de áreas para a constituição de empreendimentos agropecuários e extrativistas.

A obra ainda delineia sobre alguns casos ocorridos no Brasil:

Em outra operação ocorrida em Sinop, no Mato Grosso, foram libertados 22 trabalhadores em situação de escravidão na produção de arroz e soja. A ação foi motivada por denúncias de condições degradantes e cerceamento da liberdade. Algumas pessoas não eram pagas há meses, recebendo apenas comida e alojamento - pequenas barracas de lona nas quais se amontoavam, em redes, famílias inteiras.

Em outro flagrante, a mulher de um dos trabalhadores nos recebeu em seu barraco de madeira pedindo mil desculpas por não poder nos oferecer um café. É que ela estava sem água e, naquele momento, não dava para repor. Perguntamos o motivo. Envergonhada, explicou que aquele era o horário em que a vara de porcos do fazendeiro costumava ir até o córrego utilizado pelos trabalhadores e familiares para se banhar, lavar as roupas e captar água para beber. Como o curso dagua era lento, ele ficava todo revolvido e com cor marrom por longo período. Além, é claro, do tempo necessário para a água levar embora o estrume dos animais.


O termo, ainda que cunhado recentemente, é datado dos períodos de escravidão operando, as vezes, simultaneamente, mesmo após à abolição da escravatura, por meio da princesa Isabel, à lei áurea.

A obra é altamente recomendada e reflexiva, os textos organizados por autor percorrem diferentes nuances de um mesmo tópico, sob visões diferentes e óticas distintas, trazendo novas informações ao enredo elaborado pelo jornalismo. Uma obra para se ler e nunca esquecer.

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