companhia das letras

Resenha: pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido

terça-feira, 21 de setembro de 2021

/ by Vitor Zindacta


Resenha FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2011.

“Não sou esperançoso por pura teimosia, mas por imperativo existencial e histórico” (FREIRE, 2011, p.14). Paulo Freire (1921-1997) representa um dos maiores e mais significantes educadores do século XX. Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relação entre educadores e educandos. Caminho este que consolida uma proposta político-pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos no processo de conhecimento mediatizados pelo mundo, visando a transformação social e construção da sociedade justa, democrática e igualitária.
A obra de Paulo Freire é constituída de quatro momentos, os quais se contemplam em um contexto relacionado às experiências, formação, e a inspiração das ideias do autor para a construção de suas pedagogias. A esperança é ressaltada nas Primeiras Palavras de Paulo Freire, como um elo entre os sonhos e a realidade. Assume, nesse primeiro instante, um compromisso de provar a necessidade de a esperança ter seu espaço na educação. Pois, através das relações históricas, econômicas e sociais é perceptível a real importância que a mesma tem, ao passo que não é inegável que se vive hoje um momento de lutas por um mundo melhor.
Numa segunda tomada, o autor remonta as experiências vividas desde a infância à adolescência até o início de sua carreira no SESI, onde relata que foi nessa etapa de sua vida que a Pedagogia do Oprimido começa aflorar. A partir de angústias e saudades o autor compreende que é preciso disciplinar as dores e os sentimentos para que a desesperança não impere sobre a vida humana. E é por essas e outras, que Paulo Freire define que o professor é mais do que simples professor, ele é um alfabetizador e acima de tudo um educador.
Partindo de um princípio de que o educando trás consigo a “experiência feito”, que segundo o autor é um conhecimento já adquirido da pessoa, é fundamental o educador estabelecer uma troca dessas experiências. Mas que não seja uma estagnação nessa primeira etapa, que através dessa abordagem a discussão cresça por meio de uma elaboração de conhecimento conjunto.
Mediante alguns aspectos da Pedagogia do Oprimido, que norteiam a Pedagogia da Esperança, tais como alfabetização para vida, luta de classes, educação crítica, leitura de mundo, linguagem no processo de mudança, percebe-se que a esperança, motivo dessa obra, é a mesma que o autor possuía ao escrever a Pedagogia do Oprimido. Essa situação se definha na terceira etapa da obra, onde Paulo Freire retoma o porquê de se trabalhar uma educação voltada aos oprimidos, pois para ele a educação deve preparar os educandos para a vida, numa proposta de transformação da realidade de opressão que se vive na sociedade atual.
A Pedagogia do Oprimido remete-se á movimentos sociais, revoluções em prol da mudança e transformação. Pois os dominantes, caracterizados pelos capitalistas, influenciam todo um sistema existente na sociedade. E a educação é um dos meios usados para a manipulação, através de “donos da verdade que ensinam tão somente para reprimir, mostram-lhe a verdade, e ensinam que eles dominam e ponto”, sem abrir espaço para o outro lado da moeda.
Paulo Freire destaca-se também, que a história é movida pela “luta de classes”, e o que dá subsídio para essas luta é a esperança de um futuro de igualdade plena. Sem sonhos não há futuro diferente, não havendo futuro novo, a educação torna-se um adestramento.
Num último momento, repensa sua obra anterior, a do Oprimido, caracterizando que o medo que aflige as classes dominadas, pode retardar o processo de evoluções, no entanto as lideranças devem ser formada através da linguagem e palavras que deem suporte à uma luta imunizada quanto à esse medo e desesperança.
Paulo Freire é bem claro quando expõe que a esperança e a educação são interlocutoras para as ações e atitudes da sociedade, principalmente os oprimidos que são reprimidos. A liberdade é uma consequência, o opressor se libertará, quando libertar o oprimido. A obra é de tamanho fascínio para o leitor, pois suas palavras parecem estar delineando a vida daqueles que são contra as injustiças desse.

Torna-se cada vez mais clara, para os professores, a necessidade de investigar, de desenvolver formas sempre mais criativas de ensinar. Mas, para que isso se torne realidade, é necessário que os educadores adentrem a essa educação problematizadora, consolide sua proposta pedagógica partindo do ponto que educador e educando são sujeitos do processo de construção do conhecimento mediatizados pelo mundo.
Paulo Freire, em Pedagogia da Esperança, provou que é possível educar para responder aos desafios da sociedade, sendo a educação desta forma, um instrumento de transformação global do homem e da sociedade, tendo como essência a dialogicidade.
A importância deste livro, para os professores e para os sujeitos envolvidos com a educação, é que ele mostra a necessidade de se ter um compromisso permanente e sistemático em prol da educação e da conquista da autonomia das “classes oprimidas”.

Resumo da obra ou ideias do autor

Paulo Freire (1921-1997) representa um dos maiores e mais significantes educadores do século XX. Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relação entre educadores e educandos. Caminho este que consolida uma proposta político-pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos do processo de construção do conhecimento mediatizados pelo mundo, visando à transformação social e construção da sociedade justa, democrática e igualitária.
Conhecido mundialmente por sua coragem de pôr em prática um autêntico trabalho de educação, que identifica a alfabetização com um processo de conscientização, capacitando o oprimido tanto para aquisição dos instrumentos de leitura e escrita, quanto para a sua libertação, fez dele um dos primeiros brasileiros a serem exilados.
A metodologia por ele desenvolvida foi muito utilizada no Brasil em campanhas de alfabetização conscientizadora e, por isso, foi acusado de subverter a ordem instituída. Foi preso após o Golpe Militar de 1964 e, depois de 732 dias de reclusão, foi convencido a deixar o país. Exilou-se no Chile, onde encontrando um clima social e político favorável ao desenvolvimento de suas ideias, desenvolveu durante 5 anos, trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno de Reforma Agrária. Foi aí que escreveu, em 1968, a sua principal obra: Pedagogia do Oprimido, obra essa que Freire retoma para repensá-la, revivê-la em 1992, na Pedagogia da Esperança.
Pedagogia da esperança é a obra que vamos nos ater para análise. Um livro que recupera da história vivida os temas provocados pela Pedagogia do Oprimido, no qual o autor faz um delineamento sistemático de sua teoria.
A obra está dividida em sete partes, além das primeiras palavras e notas que apresentam alguns detalhes para melhor esclarecimento aos leitores e leitoras, no decorrer da leitura.
Em Primeiras Palavras, o autor refere-se à obra de forma encantadora, quando diz tê-la escrito com raiva, com amor, sem o que não há de esperança. Uma defesa de tolerância que não se confunde com a convivência, da radicalidade da pós-modernidade progressista e uma recusa à conservadora, neo-liberal.
Preocupado com o contexto da educação brasileira, já na primeira parte, Paulo Freire declara a urgência da democratização da escola pública, da formação permanente de seus educadores, entre os quais, ele incluía vigias, merendeiras, zeladores. Uma formação permanente científica, frisando as práticas democráticas, resultando a ingerência dos educandos e de suas famílias nos destinos da escola.
Para o autor, educadores e educadoras progressistas devem construir uma postura dialógica e dialética, trabalhando o processo do ato de aprender, fundamentado na consciência da realidade vivida pelos educandos, do seu "aqui", do seu "agora", e, jamais reduzir-se ao simples conhecer de letras, palavras e frases vazias de significado, alheias ao seu mundo. A participação do sujeito no processo de construção do conhecimento, não é algo mais democrático, mas algo eficaz.
Na segunda parte, Freire recorre à Pedagogia do Oprimido, texto que retoma, na sua "maioridade", para "re-ver", "re-pensar", para "re-dizer".
Durante toda a obra o autor refere-se a várias críticas, das quais a Pedagogia do Oprimido foi passiva, e é nesta segunda parte, que ele aproveita de forma singela para agradecê-las. Um mestre como Freire só poderia ter reagido assim: revendo criticamente a sua prática, teorizando e tornando prática sua teoria.
O autor enfatiza que, "educadores e educadoras progressistas precisam ser coerentes com seu sonho democrático, respeitando seus educandos e jamais, os manipulem, mas os levem a aprender ao aprender a razão dos objetos ou dos conteúdos, atravpes de uma séria disciplina intelectual, que segundo Freire, tem sido forjada desde à Pré-escola".
Na terceira parte da obra, o autor esclarece-nos como constituir essa disciplina intelectual mencionada na segunda parte, pois esta não pode gerar de um trabalho feito nos alunos pelo professor (educação-bancária) mas por meio do diálogo e incentivo do mesmo, ultrapassa-se as "situações-limites", o educador - educando chegam a uma visão totalizante, permitindo que a disciplina seja construída e assumida pelos alunos. E declara que a educação deve estar centrada no educando e não no educador. O aluno deve ser o senhor de sua própria aprendizagem.
A cada parte da obra, o autor vai mostrando seu sonho, seu desejo ardente de abrir espaços para os seres humanos desprovidos do poder, para que estes venham ser produtores de sua própria voz, protagonistas de sua história.
Para Freire, a educação verdadeira é aquela que visa a humanização, ou seja, que busca na construção de uma vida social mais digna, livre e justa, partindo sempre da realidade do educando. Por isso, sugere aos educadores e educadoras, a construção de uma postura dialógica e dialética, não mecânica, de forma humilde, mas esperançosa, contribuindo para a transformação das realidades sociais, históricas e opressoras que desumanizam a todos.
Na quarta parte, Freire declara que não é mecanicista, pois sua perspectiva é dialética, atenta à realidade, que é dinâmica, imprescindível, marcada pela contradição, e ressalta, aos mecanicistas e idealistas que só é possível entender o que se passa na relação de opressores com oprimidos, por meio do entendimento dialético.
O autor dirige-se novamente aos educadores e educadoras progressistas, no que diz respeito à questão dos conteúdos programáticos da educação, e afirma que, não há outra posição para eles em face às questões dos conteúdos, senão lutar incessantemente em favor da democratização da escola, como necessariamente, de um lado a do conteúdo e de outro da de seu ensino.
Freire também fala nesta quarta parte sobre fatos, acontecimentos de tramas que participou, cartas que recebeu, visitas que fez a outros países e, nos quais momentos e lugares, teve a oportunidade de participar de debates, que quase sempre giravam em torno das linhas e entrelinhas da Pedagogia do Oprimido. "O medo da liberdade".
O pensamento de Paulo Freire rompeu uma relação cristalizadora de dominação, buscando pensar a realidade dentro do universo do educando, construindo uma prática educacional, considerando a linguagem e a história da coletividade. E declara o autor: "esta é uma esperança que nos move". (p. 126).
Na quinta parte, Freire faz relatos muito interessantes como: uma conversa que teve em Genebra com um trabalhador imigrante espanhol, sobre um programa de educação infantil que eles haviam organizado e executavam com seus filhos. Sobre sua primeira visita à África, à Zâmbia e à Tanzânia. E também, da visita que fez a doze estados dos Estados Unidos, a convite das lideranças religiosas ligadas ao Conselho Mundial de Igrejas. Em todos os encontros que realizou nestes lugares, os debates giraram em torno da Pedagogia do Oprimido.
Na sexta parte, Paulo Freire aborda um tema que já discutira também na Pedagogia do Oprimido, unidade na diversidade, afirmando ser uma longa e difícil caminhada, as "minorias", no fundo, repita-se, maioria, em contradição com a única minoria, a dominante, teriam muito o que aprender.
Elucida o autor, "ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho caminhando, sem aprender a refazer, a retocar o sonho, por causa do qual a gente se pôs a caminhar". (p. 155).
Analisando essa maravilhosa declaração de Freire, é possível observar que ela fazia parte do seu dia a dia, pois ao escrever este livro, estava re-fazendo, re-tocando o sonho que se pôs a caminhar.
Prossegue Freire, destacando que há um outro aprendizado demasiado importante, mas, ao mesmo tempo, demasiado difícil de ser feito. Ele se refere ao aprendizado de que a compreensão crítica das chamadas minorias de sua cultura, não se esgota nas questões de raça e de sexo, mas demanda também a compreensão nela do corte de classe. Em outras palavras, além da cor da pele, da diferenciação sexual, há também a cor da ideologia.
A multiculturalidade, para o autor, esta não se constitui na justaposição de culturas, muito menos no poder exacerbado de uma sobre as outras, mas na liberdade conquistada, sem medo de ser diferente, de ser cada um "para si", somente como se faz possível crescerem juntas e não na experiência da tensão permanente, provocada pelo todo-poderosismo de uma sobre as demais.
Freire relata também uma outra jornada com momentos marcantes, a sua primeira visita ao Caribe, com um programa de encontros e debates em várias ilhas, dos quais permitiu ao autor perceber o quanto estava distante da vida concreta, do cotidiano de camponeses e camponesas.
Ressalta Freire, que em fins de 1979 e no início dos 1980, esteve duas vezes novamente no Caribe. Dessa visita dá destaque a três encontros que o impressionou: o primeiro foi o encontro que teve com o ministro; o segundo foi o que teve com os funcionários administrativos do Ministério da Educação, desde serventes e motoristas até as secretárias dos diferentes departamentos, passando pelas datilógrafas; o terceiro momento que o tocou foi com o Mr. Bishop, de quem destaca a simplicidade, o gosto da liberdade e o respeito à liberdade dos outros como suas principais qualidades.
Na visita que o autor fez à Austrália, destaca a oportunidade que teve de conviver com intelectuais que, no lado certo de Marx, alcançando por isso mesmo, corretamente, a relação dialética mundo-consciência, perceberam as teses defendidas na Pedagogia do Oprimido e não o consideraram um livro idealista.
O autor percorreu grande parte da Austrália, discutindo com trabalhadores de fábricas, professores e alunos universitários, com grupos religiosos. Entres estes, não importava se eram católicos ou protestantes, o tema gerador era a Teologia da Libertação.
Na sétima e última parte, o autor fala de sua passagem por Fiji, nos anos 70, onde teve um encontro com estudantes na Universidade Pacífico Sul, discutindo com eles aspectos da Pedagogia do Oprimido, e ressalta que em 1992, em Itabuna - Bahia, na Universidade Santa Cruz, revive os mesmos aspectos discutidos em 1970 em Fiji. As distâncias temporais que separaram as duas reuniões, afirma o autor, que tiveram algo de semelhante, tinham motivações parecidas: moviam-se atiçados pelo gosto da liberdade e tinham a Pedagogia do Oprimido como um ponto de referência.
O autor afirma ter deixado propositalmente, para encerrar esse ensaio, com uns poucos comentários à sua última visita ao Chile, pois declara ser esta uma das visitas que lhe deixou marcas mais vivas. Fixa-se em dois momentos, que os considera os mais importantes desta visita: no clima extraordinário de luta político-ideológica e na confrontação de classe que alcançava níveis de sofisticação por parte das classes dominantes e de aprendizado por parte das classes populares.
Nesta parte o autor fala também de seu percurso pela Argentina, no qual é surpreendido pelo ímpeto renovador com que as Universidades se estavam entregando ao esforço de recriar-se.
Freire faz referências em relação às Universidades, afirmando que estas devem girar em torno de duas preocupações fundamentais, que se derivam as outras e que tem apenas dois momentos que se relacionam permanentemente: um é o momento em que conhecemos o conhecimento existente, produzido; o outro, o momento em que produzimos o novo conhecimento. E ressalta que "na verdade, porém, toda docência implica pesquisa e toda pesquisa implica em docência". Para ele, ensinar, aprender e pesquisar lidam com esses momentos do ciclo gnosiológico "o em que se ensina e se aprende o conhecimento existente e o que se trabalha o conhecimento ainda não existente" (FREIRE, 1997:31)
Assim, a docência/discência e a pesquisa são indissociáveis práticas no dia a dia da práxis pedagógica que se quer constituidora de sujeitos históricos, socialmente situados.
Encerrando o ensaio, Freire relata a visita que fizeram, ele e Nita a El Salvador, em julho de 1992. Nesta visita o autor foi convidado por camponeses e camponesas, para com esperança festejar um hiato de paz na guerra. A eles e a elas se juntaram professores e professoras da Universidade de El Salvador, que lhe outorgou o título de Honoris causa.
O autor destaca nesta parte algumas de suas visitas às diferentes zonas do país, e ressalta que em uma destas assistiu uma sessão de um "Círculo de Cultura", em que militantes armados se alfabetizavam, aprendiam a ler palavras fazendo a releitura do mundo. É esse o tipo de alfabetização, que afirma Freire, sempre ter defendido, um aprendizado de leitura e de escrita das palavras, que faziam na compreensão do discurso e que emergia ou fazia parte de um processo maior e mais significativo - o da assunção da cidadania, o da tomada da história.
Além dos capítulos mencionados, a obra apresenta as Notas, que foram muito bem organizadas por Ana Maria Freire, para aclararem e amarrarem aspectos importantes dos textos de Paulo Freire. Ela foi muito feliz na forma com organizou e transmitiu Notas, possibilitando ao leitor uma compreensão mais fácil de alguns termos utilizados na Pedagogia da Esperança.
Considerando o que foi exposto pelo autor em Pedagogia da Esperança, caberia-nos concordar que esta obra veio realmente reforçar as categorias básicas, propostas por Freire na década de 60 em Pedagogia do Oprimido, podemos afirmar que elas não mudaram. O que mudou foi a forma histórica de colocá-las em prática, os temas geradores, a realidade dos educandos como ponto de partida, a escola com o espaço de construção do conhecimento e de organização da comunidade, o respeito à autonomia dos educandos e também do educador, e a necessidade de formação permanente para os educadores, instigando-lhes a consciência crítica, levando-os a serem perquiridores em suas práxis. Estas formulações o autor viveu-as em 60 e reviveu-as em 90, mas se mantêm atuais.
A busca agonizante pela mudança faz parte hoje do cenário da educação brasileira, em pleno século XXI, tão viva quanto Freire retrata em seus escritos da década de 60. Esta angústia pela mudança parece ser o salto axiológico que o professor e a escola precisam dar, no sentido desta tomada de consciência que os fará buscar novas possibilidades. Enquanto isso não acontecer, como afirma Freire, sem a problematização da realidade, das práticas políticas, sociais e escolares, parece difícil que aconteça a superação da consciência ingênua e do senso comum que caracterizam os saberes escolares.
Sair das pretensas certezas e aventurar-se pelo caminho enredado das dúvidas, dos questionamentos contínuos e da busca incansável, sempre será difícil e, para muitos, talvez signifique uma espécie de insanidade mental. No entanto, sabe-se que o profissional, nos dias atuais, e dentre todos, principalmente o educador, não pode dar-se ao luxo de sentar-se à margem da história, esperando que ela aconteça, sem interferir. Afinal, afirma Paulo Freire (1997:110), "ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo".
Torna-se cada vez mais clara, para os professores, a necessidade de investigar, de desenvolver formas sempre mais criativas de ensinar. "O que existe hoje no mundo não deve ser entendido como algo eterno ou impossível de ser modificado" (ZITKOSKI, 2000). Mas, para que isso se torne realidade, é necessário que os educadores adentrem à essa educação problematizadora, consolide sua proposta pedagógica partindo do ponto de que educador e educando são sujeitos do processo de construção de conhecimentos mediatizadores pelo mundo.
Afinal, podemos observar por meio dessa obra, que Paulo Freire provou que é possível educar para responder aos desafios da sociedade, sendo a educação, desta forma, um instrumento de transformação global do homem da sociedade, tendo como essência a dialogicidade.
É preciso compreender que não se trata de petrificar as obras de Paulo Freire, nem mesmo os métodos colocados por ele da década de 60 e repensado na década de 90, pois a educação também é histórica. A questão central é aprender a concepção de educação na qual se fundamenta. Não há uma teoria do conhecimento e um método que não se contentem com ideias. Trata-se de um compromisso permanente e sistemático em prol da emancipação e da conquista da autonomia das classes oprimidas, que "estão sendo" historicamente.
Posicionamento crítico
Os ideais de Paulo Freire eram todos voltados para a possibilidade da libertação dos homens e das mulheres por meio de uma educação onde todos pudessem aprender a ler as palavras fazendo releitura do mundo.
Freire sempre defendeu uma alfabetização que não fosse neutra, mas que formasse e conscientizasse os homens e as mulheres para a assunção de sua cidadania e para a tomada da história em suas mãos. Para o autor, "todo ato de educação é um ato político". As suas maiores contribuições foram no campo da educação popular para a alfabetização e a conscientização política de jovens e adultos operários.
Um dos assuntos mais atrativos dentro de Pedagogia da Esperança é o fato de estar explícita a repulsa de Paulo Freire "contra toda espécie de discriminação, da mais explícita e gritante à mais hipócrita, não menos ofensiva e imoral". Ele sempre reagiu, quase instintivamente, contra toda palavra, todo gesto, todo sinal, de discriminação racial, de discriminação contra os pobres. Por tudo isso, fica clara toda a sua intenção de revolucionar a história da educação por onde quer que ele vivesse ou passasse. Seus exemplos são seguramente possíveis de serem seguidos.
Paulo Freire representa para a educação vigente um marco para a democratização de um ensino, onde os educadores são mediadores do processo e os educandos as pessoas mais importantes na construção de uma sociedade mais democrática e progressista.
Indicações de leitura
A obra em questão nos remete a uma reflexão onde todos os envolvidos com a arte de educar, possam se valer dos exemplos bem posicionados da visão política do grande pensador Paulo Freire.
Pedagogia da Esperança é um convite às transformações que são necessárias em nossa sociedade. É também e principalmente, um convite a experimentar o que realmente ele abordava como sendo ESPERANÇA.
Segundo Freire
Sem um mínimo de esperança não podemos sequer começar o embate mas, sem o embate, a esperança, como necessidade ontológica, se desarvora, se desendereça e se torna desesperança que, às vezes, se alonga em trágico desespero. Daí a precisão de uma certa educação da esperança. É que ela tem uma tal importância em nossa existência, individual e social, que não devemos experimentá-la de forma errada, deixando que ela resvale para a desesperança e o desespero. Desesperança e desespero, consequência e razão de ser da inação ou do imobilismo.
Referência
FREIRE, Paulo (2000). Pedagogia da Esperança. São Paulo: Paz e Terra.

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