companhia das letras

A Noviça Rebelde (1965) ► (Resenha)

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


“A noviça Rebelde” (The Sound of Music)

Diretor: Robert Wise
Ano: 1965
Diretor de Edição, Cortes e Montagem: William Reynolds

O tipo de Montagem é voltada para “diegese” do som da música. Conseguir articular essa diegese do próprio som da música(que não só o título do filme carrega mas que está explícito no filme inteiro) é ter a grande sacada de saber gerar um efeito dentro do quadro e fora do quadro, ou seja, para que a partir daí se crie a hipnose do jogo > dentro da tela e fora da tela.

A fonte de manipulação dessa articulação é tão intelectualmente inteligível à ponto de fazer concretizar totalmente esse efeito “dentro e fora da tela” para que se absolutize e totalize o efeito e a impressão de que não existe mais outra realidade se não for a realidade que o montador apresenta nos planos. Os próprios planos também já se apresentam como que peças fundantes deste quebra-cabeça. É como se os planos formassem em primeiro lugar a peça fundamental para depois tornar-se a peça chave para esse tipo de quebra-cabeças (montagem). Tudo bem amarrado e bem definido.

A voz da Julie Andrews se torna é um aspecto importante, porque a voz dela assume um papel crucial na hora de se montar uma estrutura como essa, a estrutura como parte do espaço de tempo que se tem para dar grandes jogadas emocionais nas cenas e na própria técnica suscitando assim o som real, a sequencia exata e o resultado esperado dos cálculos. Isto vai implicar também a duração de tempo dessa dinâmica como um componente do filme, como um dos elementos de análise deste tipo de montagem. (Um exemplo muito claro é quando a personagem da Julie Andrews Frounlain Maria vai embora e todos passam a não ouvir mais a voz da personagem durante uma sequencia inteira, cria-se um sentimento de vazio total no filme, entristecendo personagens da diegese e causando inquietação no espectador).

Também foi o que vimos na unidade do tipo de Montagem Narrativa no livro do Vicent Amiel. A representação do mundo, um mundo evidente. E a evidencia de mundo quando ela tá ligada a uma unidade necessária narrativa, ela induz um raccord. Na noviça acontece isso muitas vezes, assim como nesse sistema de montagem narrativa é muito fácil perceber e é tão evidente a representação de mundo que muitas vezes para quem já está expert nessas análises tem a concepção de uma coisa apelativa, de um jogo apelativo, algo meloso demais a ponto de se tornar um tanto que infantilizado. Mas na verdade o que se quer demonstrar o tempo inteiro é que o filme está a serviço de uma unidade, tudo gira em torno de uma unidade. (Unidade no sentido da montagem narrativa)

Mas também e justamente por ela apresentar uma unidade de sentido narrativo, não podemos nos enganar por achar que é evidente demais, enquanto montadores e que vai ser fácil demais e não haverá liberdade criativa na edição, não podemos nos enganar por esse aspecto já definitivo, pré-determinado na planificação do diretor. Pode sim ser uma característica dominante e há quem sinta opressão na hora H da costura/colagem, mas o segredo talvez esteja no ponto de equilíbrio de como isso se fará na montagem de e esse equilíbrio só pertence ao montador. (por mais que tudo já esteja tudo pré-determinado).
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