companhia das letras

Análise do filme Moulin Rouge (amor em vermelho) (2001) ► (Resenha)

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta

O filme Moulin Rouge, obra de 2001, é dirigido pelo diretor australiano Baz Luhrmann e está categorizado no gênero musical. A trama apresenta um amor impossível entre o artista e uma cortesã do mais famoso cabaré de Paris no final do século XVIII. Christian (Ewan McGregor) é um jovem artista inglês que abandona Londres para tentar a sorte em Paris e acaba conhecendo a troupe do artista Toulouse-Lautrec (John Leguizamo) e se envolve com Satine (Nicole Kidman), a mais famosa cortesã do Moulin Rouge, dirigido por Zidler (Jim Broadbent) que a prometeu como negócio ao poderoso Duque (Richard Roxburg). Por uma coincidência, Christian tem um encontro no quarto de Satine que pensa que ele é o Duque. Todavia, na hora em que seriam descobertos, Satine, Zidler, Christian e a turma de boêmios de Toulouse convencem o duque a financiar a peça musical que Christian irá escrever “Espetacular Espetacular”. O Duque aceita patrocinar a estréia da peça e a reforma do cabaré, que será transformado em teatro, mas exige de Zidler a escritura do Moulin Rouge e Satine como sua esposa.

Trata-se de uma história de salvação da arte e do artista através da beleza, da liberdade, do amor e da verdade que remetem aos ideais das vanguardas modernistas da belle-époque.
Christian, recém-chegado à Paris, vai ensaiar uma peça com a troupe de Toulouse-Lautrec. A peça tem um cenário de Alpes suíços e ele está vestido de camponês. Toulouse e os outros estão em busca de uma frase para o protagonista, quando Christian canta: “The hills are alive with the sound of music”. Todos dizem: genial! Essa frase faz parte da canção “The sound of music”, tema do filme A Noviça Rebelde (The Sound of Music, Robert Wise, 1965). A Noviça Rebelde se passa nos Alpes suíços e é considerado um clássico do gênero, permitindo que Baz Luhrmann comece a expressar sua homenagem a todas as referências deste mundo boêmio e poético através do filme.
O fato de desistirem da idéia da peça musical que se passa na Suíça com um camponês, decidindo por uma peça que se passa na Índia, apontando para uma quebra nas preferências cinematográficas deslocando Hollywood para Bollywood. Esse ato pode ser analisado como um abandono dos padrões do gênero e uma proposta de um novo paradigma de musical, não pela negação do anterior, mas sim pela sua incorporação e pela paródia e ao mesmo tempo reverência.
Em uma cena do filme, em que Satine terá um encontro com o Duque, deixando Christian se corroer de ciúmes. Entra em cena o personagem “Argentino” da trupe de Toulouse interpretando a música El Tango de Roxanne que serve como trilha das seqüências. Esse tango trata do amor de um jovem por uma prostituta e de seu sofrimento pelo ciúme. El Tango de Roxanne é uma versão em forma de tango de Roxanne, música do The Police, banda de rock dos anos 80. As seqüências de Christian imaginando sua amada nos braços do outro é intercalada pelas cenas de dança entre o Argentino, uma das prostitutas do Moulin Rouge e um dos bailarinos da trupe simulando um triângulo amoroso e pelas seqüências de Satine fingindo ser agradável com o Duque, mas com o olhar perdido em direção à janela, onde avista Christian caminhando solitário, explicitando ainda mais o caráter de triângulo amoroso. Isso mostra que as influências trazidas por Luhrmann são, também, novas, assim como The Beatles, Madonna e muitos outros apresentados, mas que tratam do mesmo tema, ou seja, amor, liberdade e verdade, da arte e sua expressão, dando embasamento para a trama do filme.
O diretor coloca no filme suas referencias baseadas em antigas fábulas e mitos, pode-se apontar dois na leitura do filme, a primeira estrutura é de A Dama das Camélias, romance de Alexandre Dumas Filho. Temos uma estrutura muito semelhante: jovem se apaixona por cortesã e tem dificuldades de lidar com isso. O segundo é a reedição do mito de Orfeu, o deus grego da música que precisa salvar sua Eurídice do submundo. Orfeu é Christian, Eurídice é Satine, o Duque é Hades e o coro grego está representado pelos modernistas da companhia de teatro. O final é infeliz em ambos, a garota morre e Orfeu/Christian transforma seus tormentos em música/literatura.



Moulin Rouge além de remeter a musicais de estrutura clássica como A Noviça Rebelde e Cabaret, também nos aponta para a estrutura das peças musicais da Broadway (muitas inclusive baseadas em filmes e vice-versa). A televisão é outro mundo presente nessas relações, uma vez que a estrutura do videoclipe em alguns momentos assemelha-se à do musical e a do curta-metragem.
Entretanto, o videoclipe também já criou sua linguagem característica que por sua vez contaminaram alguns filmes, Moulin Rouge apresenta cortes rápidos e movimentos de câmera predominantes deste formato. As cenas são vistas hora como realidade, hora com um tom de fantasia, representando as dificuldades do amor entre Christian e Satine, que morre com tuberculose ao final do filme. Essa relação então é uma espécie de espiral aonde as influências vão se somando e entrechocando-se ao mesmo tempo.





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